Espaço do Leitor

Respostas a um leitor “católico”

A fim de facilitar a leitura, nossa resposta, em azul, estará entremeada na mensagem do leitor.

Nome do leitor: Tiago Conselheiro Prado
Cidade/UF: Goiânia/GO
Religião: Cristã
Confissão: Católica

Mensagem
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Prezado Tiago,

Antes de começar a responder aos seus questionamentos, gostaria de fazer três observações preliminares:

1) No formulário de envio de mensagens você se identificou como católico, mas o conteúdo da sua missiva deixa claro que você não é católico, uma vez que, se fosse católico, em vez de ficar questionando e conjecturando sobre a Bíblia, acataria o ensino do Magistério, que é a única instância autorizada a ensinar sobre a Sagrada Escritura. Em vez disso, você desfia uma série enorme de perguntas, ignorando completamente o que o Magistério da Igreja Católica tem a dizer sobre o assunto em questão. Em outras palavras, você simplesmente mentiu com relação à sua identificação, o que é uma atitude lamentável e incompatível com alguém que realmente esteja buscando a verdade.

2) O tom da sua carta é claramente um tom de desafio e/ou de provocação, revelando uma postura também incompatível com a busca da verdade, a qual requer seriedade, humildade, honestidade (virtude que você não demonstrou possuir, visto que se identificou como católico não o sendo) e sincero desejo de aprender. Adianto-lhe que sem esses requisitos estaremos perdendo o nosso tempo, e as respostas aqui apresentadas dificilmente trarão algum fruto. Além disso, os seus questionamentos indicam que você parece estar mais preocupado em apontar supostas contradições da Bíblia do que em saber o que realmente Deus quer nos falar nas passagens questionadas. Isso não significa “maturidade”, “realismo” ou “busca pela verdade”, como se poderia contra-argumentar, mas sim revela uma atitude muito comum entre os ateus, um misto de malícia e de má vontade, que dificulta bastante (quando não inviabiliza completamente) o acesso à verdade.

3) Mediante uma rápida pesquisa no Google, descobri que boa parte das “contradições” que você cita já se encontra em outros sites (inclusive em sites ateus). Se você é de fato o autor desses questionamentos, percebe-se que você, ao que tudo indica, é uma espécie de “questionador profissional”, alguém que tem por hobby escarafunchar a Bíblia em busca de “furos”. Agora, se você não é o autor de tais dúvidas, deveria então, por uma questão de honestidade, citar a fonte, e não nos enviar as questões como se fossem de sua autoria.

Pelo exposto, conclui-se que lhe falta um mínimo de seriedade, sem a qual, lamento dizer-lhe, você não vai chegar a lugar algum. Recomendo que faça um profundo exame de consciência e que reflita seriamente sobre os seus atos, e só então empreenda uma busca sincera pela verdade.

Dito isto, vamos à sua mensagem propriamente dita.

As supostas contradições da Bíblia:

Senhores,

Penso que as igrejas fazem um excelente serviço à comunidade, no ensinamento moral e ético, salvam pessoas de seus vícios, tornam muitas pessoas melhores, e sempre necessitam de dinheiro para ampliar seus serviços, além de ter pessoas trabalhando nas igrejas, e fora do perigo de se envolver com atividades ilícitas.

Entretanto devo admitir que tenho muitas dúvidas em relação ao que é pregado nas igrejas (evangélicas ou não) em todo o Brasil, e por que não dizer no mundo.

Fico preocupado com algumas condições de serem empregados dogmas para dominação dos fiéis.

Temos aqui uma prova clara de que você não é católico. Se fosse, saberia que os dogmas não existem “para dominação dos fiéis”, mas sim para ensinar verdades divinamente reveladas. E mais: os dogmas não exigem uma fé cega e irracional. Requerem, sim, a fé, mas também o assentimento da razão. E nós, católicos, cremos nos dogmas não só porque a Igreja ensina, e sim porque a Igreja nos ensina com a autoridade que lhe foi outorgada pelo Seu fundador, isto é, por Nosso Senhor Jesus Cristo. E tendo sido a Igreja Católica fundada com o fim precípuo de preservar e ensinar a verdade revelada, não poderá jamais falhar nessa missão, uma vez que conta com a assistência infalível do Espírito Santo (Jo 14,16-17) e tem a garantia da promessa de Cristo (Mt 16,18).

Por exemplo: a fé, o comercio dela, e os ensinamentos de que a bíblia é a palavra de Deus e deve ser seguida à risca, sem desvios.

De acordo com a fé católica, a Palavra de Deus não se restringe à Bíblia, mas também está contida na Sagrada Tradição. Essas são as duas fontes das quais a Igreja haure a verdade revelada e no-la ensina, mediante a autoridade do Magistério. Ademais, a expressão “seguir à risca” não deve ser confundida com literalismo. Para uma correta interpretação da Escritura Sagrada é necessário levar em conta, dentre outros fatores, o contexto histórico e cultural em que a Bíblia foi redigida e os gêneros literários empregados no texto sagrado, além, é claro, da anuência à autoridade do Magistério, o qual foi constituído precisamente para nos dar e nos garantir a verdadeira interpretação bíblica.

A humanidade evolui, e sempre temos mudanças com relação ao comportamento humano, porém quando se prega à fé, ela deve ser igual a dos personagens de há dois mil anos atrás ou mais.
Se for desta maneira, deveríamos estar sacrificando bois e ovelhas, e carneiros para a expiação do pecado, e não teríamos território para criar toda esta população de animais você não acha?

De fato, a nossa fé “deve ser igual a dos personagens de há dois mil anos atrás”, pois essa é aproximadamente a idade da Igreja Católica. Nós, católicos, podemos ter a certeza de que seguimos a fé “confiada de uma vez para sempre aos santos” (Jd 4), a qual nos foi legada pelos Apóstolos, dos quais o atuais Bispos são os legítimos sucessores. No mais, o sacrifício de animais para a expiação de pecados era uma prática da Antiga Aliança, que deu lugar à Nova Aliança instaurada por Nosso Senhor Jesus Cristo (para maiores informações a respeito das diferenças entre a Antiga e a Nova Aliança, consulte o nosso Índice Temático).

Estou disposto a seguir o caminho trilhado por vossa igreja, fazer seu trabalho e até pregar a palavra, e ensinar e compartilhar meus conhecimentos, se alguém dela for capaz de me esclarecer de modo convincente as perguntas abaixo, em sua grande totalidade, com respostas claras e objetivas.

Mais uma prova de que você faltou com a verdade: se você fosse católico, não estaria “disposto a seguir” a Igreja Católica. Você simplesmente seguiria…

Veja bem, não estou entrando em conflito ou guerra, simplesmente sou contra todo o tipo de fanatismo religioso ou dogmas pregados  em  que tudo deve ser obedecido sem ser questionado, quando percebemos que existem vários aspectos que não condizem com a realidade de nossa vida na terra.

A Igreja Católica não ensina nenhuma forma de “fanatismo religioso”, nem que os dogmas devem ser obedecidos “sem ser questionados”. O fiel católico tem à sua disposição todos os meios necessários para compreender a doutrina tal como foi revelada por Nosso Senhor Jesus Cristo e confiada aos Apóstolos. Dentre esses meios destacamos o Catecismo da Igreja Católica e os demais documentos magisteriais. Além disso, existe uma grande variedade de obras teológicas que, em sintonia com a Tradição e com o Magistério da Igreja, ajudam-nos a entender corretamente a sã doutrina.

Penso que devemos adquirir conhecimento e treinar nossa inteligência, para evoluirmos sempre.

Poderemos ter a felicidade de adquirir maior conhecimento se estudarmos em conjunto.

As questões que aqui coloco, não tem o objetivo de confrontar uma igreja, ou alguém pessoalmente, nem escarnecer as escrituras sagradas.

Meu objetivo é sempre aprender e entender mais.

Para essa finalidade necessito que muitas das minhas necessidades de esclarecimento de dúvidas sejam feitas, de modo cordial e amigável.

Já enviei estas questões a outras igrejas, e obtive algumas respostas desconcertantes, ignorantes, que me afrontam,   e algumas igrejas simplesmente enviaram mensagem dizendo que eu era seguidor, ou filho do Demônio.

Minha intenção é sem dúvida uma das melhores, entretanto, ainda não consegui respostas condizentes com estas questões.

Podemos até  ficar trocando uma série de comunicações, até que algo de maravilhoso e concreto aconteça (talvez um milagre), e eu possa entender tantos mistérios quanto possível.

Quem contou a primeira mentira de acordo com a bíblia?

Em gênesis lemos que o Sr Deus Todo Poderoso, colocou no jardim do Éden duas arvores, uma do fruto do bem e do mal, e outra  a arvore da vida, e disse ao homem que tinha criado. Não comerá da arvore que está no meio do jardim para que não morra.

A serpente (uma fábula) disse a mulher, certamente que não morrerá, ficará conhecedora do bem e do mal como Deus.

Ambos comeram do fruto da arvore proibida e não morreram, simplesmente ficaram conhecedores do bem e do mal.

1ª mentira que se tem conhecimento na Bíblia sagrada. O Diabo contou a verdade enquanto Deus mentiu?

Cogitar a hipótese de que Deus possa ter mentido, mesmo que só para argumentar, não é coisa que um cristão faça. Começo a pensar que, além de não ser católico, nem mesmo cristão você é!

Quanto à sua dúvida, o relato do Gênesis não deve ser entendido como se, caso comessem do fruto da árvore da vida, Adão e Eva morreriam imediatamente. O que o relato quer dizer é que, com o ato de desobediência, nossos primeiros pais perderam a condição original em que foram criados por Deus e com isso foram fadados a morrer. Vale pena ler a explicação do Catecismo da Igreja Católica para a passagem:

III. O pecado original

A LIBERDADE POSTA À PROVA

396. Deus criou o homem à sua imagem e o constituiu em sua amizade. Criatura espiritual, o homem só pode viver esta amizade como livre submissão a Deus. E o que exprime a proibição, feita ao homem, de comer da  árvore do conhecimento do bem e do mal, “pois, no dia em que dela comeres, terás de morrer” (Gn 2,17). “A árvore do conhecimento do bem e do mal” (Gn 2,l7) evoca simbolicamente o limite intransponível que o homem, como criatura, deve livremente reconhecer e respeitar com confiança. O homem depende do Criador, está  submetido às leis da criação e às normas morais que regem o uso da liberdade.

O PRIMEIRO PECADO DO HOMEM

397. O homem, tentado pelo Diabo, deixou morrer em seu coração a confiança em seu Criador e, abusando de sua liberdade, desobedeceu ao mandamento de Deus. Foi nisto que consistiu o primeiro pecado do homem. Todo pecado, daí em diante, ser  uma desobediência a Deus e uma falta de confiança em sua bondade.

398. Neste pecado, o homem preferiu a si mesmo a Deus, e com isso menosprezou a Deus: optou por si mesmo contra Deus, contrariando as exigências de seu estado de criatura e consequentemente de seu próprio bem. Constituído em um estado de santidade, o homem estava destinado a ser plenamente “divinizado” por Deus na glória. Pela sedução do Diabo, quis “ser como Deus”, mas “sem Deus, e antepondo-se a Deus, e não segundo Deus”.

399. A Escritura mostra as conseqüências dramáticas desta primeira desobediência. Adão e Eva perdem de imediato a graça da santidade original. Têm medo deste Deus, do qual fizeram uma falsa imagem, a de um Deus enciumado de suas prerrogativas.

400. A harmonia na qual estavam, estabelecida graças à justiça original, está  destruída; o domínio das faculdades espirituais da alma sobre o corpo é rompido; a união entre o homem e a mulher é submetida a tensões; suas relações serão marcadas pela cupidez e pela dominação (cf. Gn 3, 16). A harmonia com a criação está rompida: a criação visível tornou-se para o homem estranha e hostil. Por causa do homem, a criação está submetida “à servidão da corrupção”. Finalmente, vai realizar-se a conseqüência explicitamente anunciada para o caso de desobediência: o homem “voltará  ao pó do qual é formado” A morte entra na história da humanidade.

401. A partir do primeiro pecado, uma verdadeira “invasão” do pecado inunda o mundo: o fratricídio cometido por Caim contra Abel; a corrupção universal em decorrência do pecado; na história de Israel, o pecado se manifesta freqüentemente e sobretudo como uma infidelidade ao Deus da Aliança e como transgressão da Lei de Moisés; e mesmo após a Redenção de Cristo, entre os cristãos, o pecado se manifesta de muitas maneiras. A Escritura e a Tradição da Igreja não cessam de recordar a presença e a universalidade do pecado na história do homem:

O que nos é manifestado pela Revelação divina concorda com a própria experiência. Pois o homem, olhando para seu coração, descobre-se também inclinado ao mal e mergulhado em múltiplos males que não podem provir de seu Criador, que é bom. Recusando-se muitas vezes a reconhecer Deus como seu princípio, o homem destruiu a devida ordem em relação ao fim último e, ao mesmo tempo, toda a sua harmonia consigo mesmo, com os outros homens e com as coisas criadas.

CONSEQÜÊNCIAS DO PECADO DE ADÃO PARA A HUMANIDADE

402. Todos os homens estão implicados no pecado de Adão. São Paulo o afirma: “Pela desobediência de um só homem, todos se tornaram pecadores” (Rm 5,19). “Como por meio de um só homem o pecado entrou no mundo e, pelo pecado, a morte, assim a morte passou para todos os homens, porque todos pecaram…” (Rm 5,12). A universalidade do pecado e da morte o Apóstolo opõe a universalidade da salvação em Cristo: “Assim como da falta de um só resultou a condenação de todos os homens, do mesmo modo, da obra de justiça de um só (a de Cristo), resultou para todos os homens justificação que traz a vida” (Rm 5,18).

403. Na linha de São Paulo, a Igreja sempre ensinou que a imensa miséria que oprime os homens e sua inclinação para o mal e para a morte são incompreensíveis, a não ser referindo-se ao pecado de Adão e sem o fato de que este nos transmitiu um pecado que por nascença nos afeta a todos e é “morte da alma”. Em razão desta certeza de fé, a Igreja ministra o batismo para a remissão dos pecados mesmo às crianças que não cometeram pecado pessoal.

404. De que maneira o pecado de Adão se tornou o pecado de todos os seus descendentes? O gênero humano inteiro é em Adão “sicut unum corpus unius hominis – como um só corpo de um só homem” Em virtude desta “unidade do gênero humano”, todos os homens estão implicados no pecado de Adão, como todos estão implicados na justiça de Cristo. Contudo, a transmissão do pecado original é um mistério que não somos capazes de compreender plenamente. Sabemos, porém, pela Revelação, que Adão havia recebido a santidade e a justiça originais não exclusivamente para si, mas para toda a natureza humana: ao ceder ao Tentador, Adão e Eva cometem um pecado pessoal, mas este pecado afeta a Natureza humana, que vão transmitir em um estado decaído. É um pecado que será  transmitido por propagação à humanidade inteira, isto é, pela transmissão de uma natureza humana privada da santidade e da justiça originais. E é por isso que o pecado original é denominado “pecado” de maneira analógica: é um pecado “contraído” e não “cometido”, um estado e não um ato.

405. Embora próprio a cada um, o pecado original não tem, em nenhum descendente de Adão, um caráter de falta pessoal. É a privação da santidade e da justiça originais, mas a natureza humana não é totalmente corrompida: ela é lesada em suas próprias forças naturais, submetida à ignorância, ao sofrimento e ao império da morte, e inclinada ao pecado (esta propensão ao mal é chamada “concupiscência”). O Batismo, ao conferir a vida da graça de Cristo, apaga o pecado original e faz o homem voltar para Deus. Porém, as conseqüências de tal pecado sobre a natureza, enfraquecida e inclinada ao mal, permanecem no homem e o incitam ao combate espiritual.

406. A doutrina da Igreja sobre a transmissão do pecado original adquiriu precisão sobretudo no século V, em especial sob o impulso da reflexão de Santo Agostinho contra o pelagianismo, e no século XVI, em oposição à Reforma protestante. Pelágio sustentava que o homem podia, pela força natural de sua vontade livre, sem a ajuda necessária da graça de Deus, levar uma vida moralmente boa; limitava assim a influência da falta de Adão à de um mau exemplo. Os primeiros Reformadores protestantes, ao contrário, ensinavam que o homem estava radicalmente pervertido e sua liberdade anulada pelo pecado original: identificavam o pecado herdado por cada homem com a tendência ao mal (“concupiscentia”), que seria insuperável. A Igreja pronunciou-se especialmente sobre o sentido do dado revelado no tocante ao pecado original no segundo Concílio de Oranges, em 529, e no Concílio de Trento em 1546.

E que Deus disse, “agora o Homem é como nós, conhecedor do bem e do mal”, quem eram aqueles que estavam com Deus se só existia ele??

O versículo de Gênesis 3,22 é uma referência à Santíssima Trindade (“Eis que o homem se tornou como um de nós […]”).

Assim podemos fazer uma analogia e um estudo referente às estórias antigas dos povos orientais, que foram reunidas em um livro chamado hoje de Bíblia sagrada:

Essa tese, de que a Bíblia seria na verdade uma mera compilação de “estórias antigas dos povos orientais”, fica por sua conta… Não é o que ensina o Catecismo da Igreja Católica:

I. Cristo – Palavra única da Sagrada Escritura

101. Na condescendência de sua bondade, Deus, para revelar-se aos homens, fala-lhes em palavras humanas: Com efeito, as palavras de Deus, expressas por línguas humanas, fizeram-se semelhantes à linguagem humana, tal como outrora o Verbo do Pai Eterno, havendo assumido a carne da fraqueza humana, se fez semelhante aos homens”.

102. Através de todas as palavras da Sagrada Escritura, Deus pronuncia uma só Palavra, seu Verbo único, no qual se expressa por inteiro:

“Lembrai-vos que é uma mesma a Palavra de Deus que está presente em todas as Escrituras, que é um mesmo Verbo que ressoa na boca de todos os escritores sagrados; ele que, sendo no início Deus junto de Deus, não tem necessidade de sílabas, por não estar submetido ao tempo.”

103. Por este motivo, a Igreja sempre venerou as divinas Escrituras, como venera também o Corpo do Senhor. Ela não cessa de apresentar aos fiéis o Pão da vida tomado da Mesa da Palavra de Deus e do Corpo de Cristo.

104. Na Sagrada Escritura, a Igreja encontra incessantemente seu alimento e sua força, pois nela não acolhe somente uma palavra humana, mas o que ela é realmente: a Palavra de Deus “Com efeito, nos Livros Sagrados o Pai que está nos céus vem carinhosamente ao encontro de seus filhos e com eles fala”.

II. Inspiração e verdade da Sagrada Escritura

105. Deus é o autor da Sagrada Escritura. “As coisas divinamente reveladas, que se encerram por escrito e se manifestam na Sagrada Escritura, foram consignadas sob inspiração do Espírito Santo”

“A santa Mãe Igreja, segundo a fé apostólica, tem como sagrados e canônicos os livros completos tanto do Antigo como do Novo Testamento, com todas as suas partes, porque, escritos sob a inspiração do Espírito Santo, eles têm Deus como autor e nesta sua qualidade foram confiados à própria Igreja.”

106. Deus inspirou os autores humanos dos livros sagrados.. “Na redação dos livros sagrados, Deus escolheu homens, dos quais se serviu fazendo-os usar suas próprias faculdades e capacidades, a fim de que, agindo ele próprio neles e por meio deles, escrevessem, como verdadeiros autores, tudo e só aquilo que ele próprio queria.”

107. Os livros inspirados ensinam a verdade. “Portanto, já que tudo o que os autores inspirados (ou hagiógrafos) afirmam deve ser tido como afirmado pelo Espírito Santo, deve-se professar que os livros da Escritura ensinam com certeza, fielmente e sem erro a verdade que Deus em vista de nossa salvação quis fosse consignada nas Sagradas Escrituras.”

108. Todavia, a fé cristã não é uma “religião do Livro”. O Cristianismo é a religião da “Palavra” de Deus, “não de uma palavra escrita e muda, mas do Verbo encarnado e vivo”. Para que as Escrituras não permaneçam letra morta, é preciso que Cristo, Palavra eterna de Deus vivo, pelo Espírito Santo nos “abra o espírito à compreensão das Escrituras”.

As criações de Deus, homem e mulher eram crianças, e portanto possuíam pureza, ao se defrontarem com uma idade próxima da adolescência ou mesmo na adolescência, sentiram a necessidade natural de todos os seres humanos de  acordo com seus corpos e seus hormônios em ebulição, o desejo, de um pelo outro (pecado? Original) de sexo, que é tão necessário quando se fala em procriar, como disse Deus quando os Criou, para se multiplicarem e encherem a terra.
Quando descobriram o sexo, já sentiram vergonha de estarem sem roupa, daí então passaram a sentir vergonha de andar sem vestes. Passariam agora a serem adultos, e não mais crianças inocentes.

Outra alusão seria que no inicio da criação os homens eram simples coletores de alimentos pois os encontravam em abundancia, e após algum período de tempo (algumas gerações, este alimento farto estaria se esgotando, então necessitou o homem, para perpetuar sua raça, de trabalhar a terra para produzir seus alimentos e assim se manter (tirarás o sustento com o suor de seu rosto). O homem então passou de coletor de alimentos ( jardim do éden para produtor de alimentos, modificando assim a condição de simples coletor, passando a uma outra fase na história da evolução humana.

Essa é apenas uma interpretação particular sua (ou de outros autores em que você se inspirou ou que simplesmente copiou). Nós, católicos, não seguimos interpretações particulares, mas tão-somente a interpretação do Magistério da Igreja Católica, que é a única instância autorizada a dar a correta interpretação da Escritura Sagrada. No que se refere ao relato sobre as nossas origens, os parágrafos do Catecismo já citados fornecem a verdadeira interpretação.

Desta maneira os contos de lendas antigas e de velhas tradições orientais foram coletadas e sintetizadas no que hoje é chamado de Bíblia sagrada, pelos povos Hebreus, pois naquela época eram um dos poucos povos com o domínio da escrita e com inteligência suficiente para este feito.

Ver acima.

Só para colocar mais algo neste estudo.

Quando ainda em gênesis, Lemos que Deus se arrependeu de ter criado o Homem, e decidiu dar fim a ele, lemos também que o coração do homem era ruim desde a sua mocidade, e que os Filhos de ||Deus tomaram para si mulheres dentre todas aquelas que mais lhe agradaram, e que os filhos dos filhos de Deus eram gigantes na terra.

Quem eram os Filhos de Deus, alguns Anjos decidiram vir morar na terra??

O padre Matos Soares, autor de uma célebre tradução da Bíblia a partir da Vulgata, interpreta a expressão “filhos de Deus” como “os filhos de Set [que por sua vez foi filho de Abel, cujo sacrifício foi aceito por Deus], dotados de caráter religioso”, e a expressão “filhas dos homens” como as “descendentes de Caim, as quais, esquecidas de Deus, somente se preocupavam com as coisas terrenas”. Essa interpretação encontra respaldo entre os Pais da Igreja (vide nota da Bíblia de Jerusalém referente a essa passagem).

Deus  gosta demais do sofrimento de seus adoradores não é mesmo?

Essa é sua segunda blasfêmia (a primeira foi insinuar que Deus poderia ter mentido). Deus tenha compaixão de você.

Vejam a estória de Jó, que era um homem reto e justo e temente a Deus, e no entanto, perdeu todos os seus filhos, foi castigado com uma doença ulcerosa, e para que?

Quando Deus gosta de seus seguidores, os trata mal?

O que Deus quer provar com os castigos indevidos?

Quais as lições que Deus pretende ensinar com sofrimentos às pessoas que lhe servem retamente, e qual é esta finalidade?

As pessoas que andam retamente deveriam ser exaltados, e não castigados, Penso eu, não pensa assim?

Se Jesus é filho do Altíssimo, então por que o senhor dos exércitos não enviou um exercito para educar o povo e livrou seu filho de tanto sofrimento?

Todos os seguidores de Deus devem sofrer, veja você mesmo na Bíblia, todos tiveram extrema dificuldade em levar adiante seus efeitos, Moises, quarenta anos vagando em um deserto que poderia facilmente ser atravessado em quarenta dias a pé, no entanto ficou com seu povo rodando igual barata tonta durante quarenta anos.

A doutrina católica confere ao sofrimento um sentido muito mais profundo do que você pode imaginar, sentido esse que você, numa atitude de extrema irreverência, demonstra ignorar por completo. A respeito desse assunto, sugiro que leia os artigos abaixo:

Por que existe sofrimento?

Superioridade espírita na explicação do sofrimento?

Por que se agradou Deus do cheiro suave da gordura queimada por Abel que era criador de gado, e desprezou a oferta de Caim que era agricultor?

Deus não deveria fazer acepção das pessoas que ele mesmo criou, não deveriam ser todos iguais perante Ele?

Em primeiro lugar, é importante lembrar que Deus é soberano, e não cabe a nós questionar os Seus santos desígnios. Não obstante, no caso passagem em questão, lemos na Epístola aos Hebreus que o diferencial entre o sacrifício de Abel e o de Caim foi a :

“Pela fé Abel ofereceu a Deus um sacrifício bem superior ao de Caim, e mereceu ser chamado justo, porque Deus aceitou as suas ofertas.” (Hb 11,4a)

Depois que Caim matou Abel, ele levou uma marca de Deus e foi para a banda do oriente onde encontrou até uma esposa e um outro povo, que povo é esse, se só existiam Adão e Eva, Caim e Abel?

Era um povo criado por outro Deus?

O Gênesis relata que Adão viveu muitos anos (930, para ser exato) e teve filhos e filhas (cf. Gn 5,4-6). Assim sendo, podemos concluir que Caim casou-se com uma irmã ou com uma sobrinha, ou seja, com uma das muitas descendentes do primeiro casal. E não há que se falar, evidentemente, num “outro povo”, muito menos num “povo criado por outro Deus”. Deus criou o primeiro casal, do qual provêm todos os demais indivíduos sobre a terra.

Por isto Deus todo poderoso, o senhor dos exércitos tem tanto medo de outros deuses, e de imagens de escultura?

Qual é o grande poder destes outros deuses, e das imagens de escultura, que Deus tanto teme?

Quais são os outros Deuses em que Deus cita no êxodo, “não terás outros Deuses diante de ti”?

Terceira blasfêmia! Trata-se não só uma blasfêmia, mas também de um completo absurdo imaginar que Deus, o Todo-Poderoso, possa temer algo ou alguém. O que Deus condenava no Antigo Testamento, e condena até hoje, é a idolatria. A esse respeito, convém consultarmos mais uma vez o Catecismo da Igreja Católica:

A IDOLATRIA

2112. O primeiro mandamento condena o politeísmo. Exige que o homem não acredite em outros deuses afora Deus, que não venere outras divindades afora a única. A escritura lembra constantemente esta rejeição de “ídolos, ouro e prata, obras das mãos dos homens”, os quais “têm boca e não falam, têm olhos e não vêem…” Esses ídolos vãos tornam as pessoas vãs:

“Como eles serão os que o fabricaram e quem quer que ponha neles a sua fé” (Sl 115,4-5.8). Deus, pelo contrário, é o “Deus vivo” (Jo 3,10) que faz viver e intervém na história.

2113. A idolatria não diz respeito somente aos falsos cultos do paganismo. Ela é uma tentação constante da fé. Consiste em divinizar o que não é Deus. Existe idolatria quando o homem presta honra e veneração a uma criatura em lugar de Deus, quer se trate de deuses ou de demônios (por exemplo, o satanismo), do poder, do prazer, da raça, dos antepassados, do Estado, do dinheiro etc. “Não podeis servir a Deus e ao dinheiro”, diz Jesus (Mt 6,24). Numerosos mártires morreram por não adorar “a Besta”, recusando-se até a simular seu culto. A idolatria nega o senhorio exclusivo de Deus; é, portanto, incompatível com a comunhão divina.

2114. A vida humana unifica-se na adoração do Único. O mandamento de adorar o único Senhor simplifica o homem e o livra de uma dispersão infinita. A idolatria é uma perversão do sentimento religioso inato do homem. O idólatra é aquele que “refere a qualquer coisa que não seja Deus a sua indestrutível noção de Deus”.

Quando Deus dá a Moisés a s tabuas dos mandamentos, um deles é “não matarás”, entretanto, o próprio Deus diz aos Hebreus, “entregarei este povo em vossas mãos”, povo este que são os amorreus, gigarseus, heveus, heteus, queneus, jabuseus  e ferezeus,  entre outros, que são descendentes de Cam, filho de Moisés, que o amaldiçoou, depois de ficar bêbado e dormir pelado, não é mesmo?

Onde está a justiça aí neste caso?

Em primeiro lugar, uma correção: Cam foi filho de Noé, não de Moisés. Com relação aos relatos sobre as batalhas entre o povo hebreu e outros povos circundantes, é necessário observar que o mandamento de não matar não exclui o direito à legítima defesa nem proíbe absolutamente o uso da força militar quando esta for justificável. A esse respeito, consultemos uma vez mais o Catecismo:

A LEGÍTIMA DEFESA

2263. A legítima defesa das pessoas e das sociedades não é uma exceção à proibição de matar o inocente, que constitui o homicídio voluntário. “A ação de defender-se pode acarretar um duplo efeito: um é a conservação da própria vida, o outro é a morte do agressor. Só se quer o primeiro; o outro, não.”

2264. O amor a si mesmo permanece um princípio fundamental da moralidade. Portanto, é legítimo fazer respeitar seu próprio direito à vida. Quem defende sua vida não é culpável de homicídio, mesmo se for obrigado a matar o agressor:

Se alguém, para se defender, usar de violência mais do que o necessário, seu ato será ilícito. Mas, se a violência for repelida com medida, será lícito… E não é necessário para a salvação omitir este ato de comedida proteção para evitar matar o outro, porque, antes da de outrem, se está obrigado a cuidar da própria vida.

2265. A legítima defesa pode ser não somente um direito, mas um dever grave, para aquele que é responsável pela vida de outros. Preservar o bem comum da sociedade exige que o agressor seja impossibilitado de prejudicar a outrem. A este título os legítimos detentores da autoridade têm o direito de repelir pelas armas os agressores da comunidade civil pela qual são responsáveis.

2266. Corresponde a uma exigência de tutela do bem comum c esforço do Estado destinado a conter a difusão de comportamentos lesivos aos direitos humanos e às regras fundamentais de convivência civil. A legítima autoridade pública tem o direito e o dever de infligir penas proporcionais à gravidade do delito. A pena tem como primeiro objetivo reparar a desordem introduzida pela culpa, Quando essa pena é voluntariamente aceita pelo culpado tem valor de expiação. Assim, a pena, além de defender a ordem pública c de tutelar a segurança das pessoas, tem um objetivo medicinal: na medida do possível, deve contribuir à correção do culpado.

2267. O ensino tradicional da Igreja não exclui, depois de com provadas cabalmente a identidade e a responsabilidade de culpado, o recurso à pena de morte, se essa for a única via praticável para defender eficazmente a vida humana contra o agressor injusto.

Se os meios incruentos bastarem para defender as vidas humanas contra o agressor e para proteger a ordem pública e a segurança das pessoas, a autoridade se limitará a esses meios, porque correspondem melhor às condições concretas do bem comum e estão mais conformes à dignidade da pessoa humana.

Leia também o artigo abaixo:

Da guerra justa

Em tempo: nas passagens bíblicas que narram as vitórias do povo hebreu sobre outros povos, mais importante do que o registro histórico das batalhas propriamente ditas é o sentido que tais narrativas têm, a saber, ressaltar a fidelidade de Deus e a Sua presença junto ao povo escolhido. Para uma correta compreensão de tais passagens, ver os parágrafos 109 a 119 do Catecismo da Igreja Católica (esses parágrafos estão transcritos mais à frente, quando falamos sobre o “arrependimento” de Deus).

Vamos agora discursar sobre o DIZIMO:

Deuteronômio 14 vers 22 a 26 diz entre outras coisas que, tiraras para ti os dízimos  das primícias do cereal do seu campo e comê-lo-ás perante o teu Deus e seus bens e de sua renda, e levaras para o adorar ao senhor teu Deus onde o seu coração desejar. Se o local for muito longe, então vendê-lo-ás e ataras o dinheiro em sua mão e da-lo-ás por tudo que deseja teu coração, inclusive vinho e bebida forte.

Quer dizer que diferentemente do que as igrejas pregam em função da bebida é mentira, pois no livro sagrado está dizendo que poso beber, é lógico, sem tornar isto um vício e com responsabilidade.

A Igreja Católica, ao contrário de outras denominações cristãs, não proíbe o consumo de bebidas alcoólicas, apenas recomenda a moderação. Isso está também no Catecismo:

2290. A virtude da temperança dispõe a evitar toda espécie de exceso, o abuso da comida, do álcool, do fumo e dos medicamentos. Aqueles que, em estado de embriaguez ou por gosto imoderado pela velocidade, põem em risco a segurança alheia e a própria, nas estradas, no mar ou no ar, tornam-se gravemente culpáveis.

Por que nas igrejas não se prega o verdadeiro dizimo, que é o de ajudar aos pobres, ou mesmo ter cada um o dizimo de seus rendimentos para uso próprio e não levá-los as igrejas como pregam hoje em dia.

Com relação à doutrina católica acerca do dízimo, leia:

Dúvida sobre o dízimo

Algumas Contradições e estórias intrigantes:

1 – Judas morreu… … enforcado …

(Mt 27:5) Então ele, atirando para o templo as moedas de prata, retirou-se e foi-se enforcar.

… ou foi morto por Deus?

(At 1:18) Ora, este [Judas Escariotes] adquiriu um campo com a recompensa da iniqüidade; e, precipitando-se, rompeu-se pelo meio, e todas as suas entranhas se derramaram.

As duas passagens não são contraditórias, e sim complementares. Segundo o relato de Mateus, Judas se enforcou. Já o livro dos Atos dos Apóstolos acrescenta que, ao se enforcar, Judas caiu e suas entranhas se derramaram. Simples assim.

2 – Devemos… … santificar os Sábados …

(Êx 20:8) Lembra-te do dia do Sábado, para o santificar.

(Êx 31:15) Qualquer que no dia do Sábado fizer algum trabalho, certamente será morto.

(Nm 15:32) … acharam um homem apanhando lenha no dia de Sábado (…) Então disse o Senhor a Moisés: Tal homem será morto (…) e o apedrejaram até que morreu, como o Senhor ordenara a Moisés.

… ou seguir o exemplo de Jesus e seu Pai?

(Jo 5:8-9) Então lhe disse Jesus: Levanta-te! Toma a tua esteira e anda. Imediatamente o homem foi curado, tomou a sua esteira, e pôs-se a andar. Aquele dia era Sábado.

(Jo 5:16-17) Assim, porque Jesus fazia estas coisas no Sábado, os judeus o perseguiam. Jesus lhe disse: Meu Pai trabalha até agora, e eu trabalho também.

(Cl 2:16) Portanto, ninguém nos julgue pelo comer, ou pelo beber, ou por causa dos dias de festa, ou de lua nova, ou de Sábado.

Com relação à controvérsia sobre o sábado, leia os artigos abaixo:

3 – Devemos fazer… … imagens esculpidas …

(Êx 25:18) Farás dois querubins de ouro batido nas duas extremidades do propiciatório.

(Nm 21:8) Disse o Senhor a Moisés: Faze uma serpente abrasadora, põe-na sobre uma haste, e será que todo mordido que a mirar, viverá.

(1Rs 7:28-29) Tinham painéis que estavam entre molduras, sobre os quais havia leões, bois e querubins. Esses bois eram símbolos do poder de Deus ?… ou elas são abominações aos olhos do Senhor?

Ou não…?

(Êx 20:4) Não farás para ti imagens de escultura.

(Lv 26:1) Não farás para vós ídolos, nem para vós levantareis imagem de escultura nem estátua.

(Dt 27:15) Maldito o homem que fizer imagem de escultura, ou de fundição, abominável ao Senhor.

(Jr 8:19) Por que me provocaram à ira com as suas imagens de escultura, com vaidades estranhas?
Com relação às imagens, leia:

4 – Seremos julgados e/ou justificados (salvos)… … somente por Deus …

(Rm 8:33) É Deus quem os justifica.

(Ef 2:8-9) Pois é pela graça que sois salvos, por meio da fé . e isto não vem de vós, é Dom de Deus . não das obras, para que ninguém se glorie.

… somente pela fé …

(Rm 3:20-28) Por isso ninguém será justificado diante dele pelas obras da lei (…) pois todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus, e são justificados gratuitamente pela sua graça (…) concluímos pois que o homem é justificado pela fé, sem as obras da lei.

(Gl 2:16) Sabemos que o homem não é justificado pelas obras da lei, mas pela fé em Jesus Cristo, também temos crido em Jesus Cristo para sermos justificados pela fé em Cristo, e não pelas obras da lei, porque pelas obras da lei ninguém será justificado.

… somente pelas obras …

(Rm 2:6) Deus recompensará a cada um segundo as suas obras.

… pela fé e pelas nossas obras …

(Tg 2:24) Vedes então que o homem é justificado pelas obras e não somente pela fé (…) Assim como o corpo sem o espírito está morto, assim também a fé sem as obras é morta.

… ou pelos caminhos …

(Ez 7:3) … e te julgarei conforme os teus caminhos …

(Ez 7:27) Conforme o seu caminho lhes farei, e com os seus próprios juízos os julgarei.

(Ez 18:30) Portanto, eu vos julgarei, a cada um conforme os seus caminhos, ó casa de Israel, diz o Senhor Deus.

… ou pelo proceder e pelo mérito das obras?

(Jr 17:10) Eu sou o Senhor que esquadrinho o coração, e que sondo os afetos; eu dou a cada um segundo o seu proceder, e segundo o mérito das suas obras.

Sobre a doutrina católica acerca de justificação, leia:

5 – Deus…… nunca muda de idéia nem se arrepende do que faz …

(Ml 3:6) Eu, o Senhor, não mudo.

(Nm 23:19) Deus não é homem para que minta, nem filho do homem para que se arrependa.

(1Sm 15:29) Aquele que é a Glória de Israel não mente nem se arrepende; pois não é homem para que se arrependa.

(Ez 24:14) Eu, o Senhor, o disse. Será assim, e o farei. Não tornarei atrás, não pouparei, nem me arrependerei.

(Tg 1:17) Toda boa dádiva e todo Dom perfeito é lá do alto, descendo do Pai das luzes, em quem não há mudança nem sombra de variação.

… ou, às vezes, volta atrás e se arrepende?

(Êx 32:14) Então o Senhor se arrependeu do mal que dissera havia de fazer ao seu povo.

(Gn 6:6-7) Então, arrependeu-se o Senhor de haver feito o homem sobre a terra, e isso lhe pesou no coração (…) pois me arrependo de os haver feito.

(Jn 3:10) Deus se arrependeu do mal que tinha dito lhes faria, e não o fez.

(2Rs 20:1-7) Ezequias adoeceu e o profeta Isaías disse: Assim diz o Senhor: Põe a tua casa em ordem, porque morrerás e não viverás. Ezequias orou ao Senhor e chorou muitíssimo. Então o Senhor fez Isaías voltar e falar para Ezequias que tinha ouvido as orações e o curou.

(Gn 18:23-33) Abraão consegue convencer a Deus que não deveria destruir a cidade de Sodoma se lá encontrasse pelo menos 10 justos. No início todos seriam destruídos, justos e ímpios, mas com a interferência de Abraão, que demonstrou ser um excelente argumentador, o Senhor amoleceu o coração e passou a ser mais condescendente. Dos 50 justos que havia falado anteriormente, se conformou em procurar apenas dez.

(1Sm 15:35) E o Senhor se arrependeu de haver posto a Saul rei sobre Israel.

(Jr 18:8-10) Se a tal nação, contra a qual falar, se converter da sua maldade, também eu me arrependerei do mal que pensava fazer-lhe (…) se ela fizer o mal diante dos meus olhos, não dando ouvidos à minha voz, então me arrependerei do bem que tinha dito que faria.

É evidente que Deus é imutável. O “arrependimento” de Deus no relato do Gênesis na verdade “exprime, à maneira humana, a exigência de sua santidade, que não pode suportar o pecado” (cf. nota da Bíblia de Jerusalém, p. 42). Na mesma Bíblia de Jerusalém encontramos a observação de que “bem mais freqüentemente, o ‘arrependimento’ de Deus significa o aplacamento de sua cólera e a retirada de sua ameaça (ver Ex 32,11-14 e Jr 26,3+)”. Como já foi dito, há que se levar em conta os gêneros literários nos quais a Bíblia foi escrita, além de outros fatores. A esse respeito, vale ler mais uma vez o Catecismo:

109. Na Sagrada Escritura, Deus fala ao homem à maneira dos homens. Para bem interpretar a Escritura é preciso, portanto, estar atento àquilo que os autores humanos quiseram realmente afirmar e àquilo que Deus quis manifestar-nos pelas palavras deles.

110. Para descobrir a intenção dos autores sagrados, há que levar em conta as condições da época e da cultura deles, os “gêneros literários” em uso naquele tempo, os modos, então correntes, de sentir, falar e narrar. “Pois a verdade é apresentada e expressa de maneiras diferentes nos textos que são de vários modos históricos ou proféticos ou poéticos, ou nos demais gêneros de expressão.”

111. Mas, já que a Sagrada Escritura é inspirada, há outro princípio da interpretação correta, não menos importante que o anterior, e sem o qual a Escritura permaneceria letra morta: “A Sagrada Escritura deve também ser lida e interpretada com a ajuda daquele mesmo Espírito em que foi escrita”. O Concílio Vaticano II indica três critérios para uma interpretação da Escritura conforme o Espírito que a inspirou:

112. 1. Prestar muita atenção “ao conteúdo e à unidade da Escritura inteira”. Pois, por mais diferentes que sejam os livros que a compõem, a Escritura é una em razão da unidade do projeto de Deus, do qual Cristo Jesus é o centro e o coração, aberto depois de sua Páscoa

O coração de Cristo designa a Sagrada Escritura, que dá a conhecer o coração de Cristo. O coração estava fechado antes da Paixão, pois a Escritura era obscura. Mas a Escritura foi aberta após a Paixão, pois os que a partir daí têm a compreensão dela consideram e discernem de que maneira as profecias devem ser interpretadas.

113. 2. Ler a Escritura dentro “da Tradição viva da Igreja inteira”. Consoante um adágio dos Padres, “Sacra Scriptura principalius est in corde Ecclesiae quam in materialibus instrumentis scripta a sagrada Escritura está escrita mais no coração da Igreja do que nos instrumentos materiais”. Com efeito, a Igreja leva em sua Tradição a memória viva da Palavra de Deus, e é o Espírito Santo que lhe dá a interpretação espiritual da Escritura (“…segundo o sentido espiritual que o Espírito dá à Igreja”).

114. 3. Estar atento “a analogia da fé” Por “analogia da fé” entendemos a coesão das verdades da fé entre si e no projeto total da Revelação.

OS SENTIDOS DA ESCRITURA

115. Segundo uma antiga tradição, podemos distinguir dois sentidos da Escritura: o sentido literal e o sentido espiritual, sendo este último subdividido em sentido alegórico, moral e analógico. A concordância profunda entre os quatro sentidos garante toda a sua riqueza à leitura viva da Escritura na Igreja.

116. O sentido literal. É o sentido significado pelas palavras da Escritura e descoberto pela exegese que segue as regras da correta interpretação. “Omnes sensus fundantur super litteralem – Todos os sentidos (da Sagrada Escritura) devem estar fundados no literal”

117. O sentido espiritual. Graças à unidade do projeto de Deus, não somente o texto da Escritura, mas também as realidades e os acontecimentos de que ele fala, podem ser sinais.

1. O sentido alegórico. Podemos adquirir uma compreensão mais profunda dos acontecimentos reconhecendo a significação deles em Cristo; assim, a travessia do Mar Vermelho é um sinal da vitória de Cristo, e também do Batismo

2. O sentido moral. Os acontecimentos relatados na Escritura devem conduzir-nos a um justo agir. Eles foram escritos “para nossa instrução” (1Cor 10,11)

3. O sentido anagógico. Podemos ver realidades e acontecimentos em sua significação eterna, conduzindo-nos (em grego: “anagogé”; pronuncie “anagogué”) à nossa Pátria. Assim, a Igreja na terra é sinal da Jerusalém celeste.

118. Um dístico medieval resume a significação dos quatro sentidos:

Littera gesta docei, quid credas allegoria,

moralis quid agas, quo tendas anagogia.

A letra ensina o que aconteceu; a alegoria, o que deves crer;

a moral, o que deves fazer; a anagogia, para onde deves caminhar.

119. “É dever dos exegetas esforçar-se, dentro dessas diretrizes, por entender e expor com maior aprofundamento o sentido da Sagrada Escritura, a fim de que, por seu trabalho como que preparatório, amadureça o julgamento da Igreja. Pois todas estas coisas que concernem à maneira de interpretar a Escritura estão sujeitas, em última instância, ao juízo da Igreja, que exerce o divino ministério e mandato do guardar e interpretar a Palavra de Deus”

Ego vero Evangelio non crederem, nisi me catholicae

Ecclesiae commoveret auctoritas.

Eu não creria no Evangelho, se a isto não me levasse a autoridade da Igreja católica”

6 – Os filhos devem pagar… … pelos pecados dos pais …

(Is 14:21) Preparai a matança para os filhos por causa da maldade de seus pais, para que não se levantem e possuam a terra…

(Êx 20:5) Pois eu, o Senhor teu Deus, sou Deus zeloso, que visito a maldade dos pais nos filhos até a terceira e quarta geração.

(Êx 34:7) Ao culpado não tem por inocente; castiga a iniquidade dos pais sobre os filhos dos filhos até a terceira e quarta geração.

(1Cr 15:22) Pois assim como todos morreram em Adão…

(Dt 5:9) Pois eu, o Senhor teu Deus, sou Deus zeloso, que visito a maldade dos pais nos filhos até a terceira e quarta geração.

… ou não?

(Ez 18:20) O filho não levará a maldade do pai, nem o pai levará a maldade do filho.

(Dt 24:16) Os pais não serão mortos pela culpa dos filhos, nem o filho pela culpa dos pais.

Uma coisa é a culpa dos pais pelos pecados cometidos, culpa essa que não se transfere para os filhos (o caso do pecado original é essencialmente distinto). Outra coisa são as conseqüências dos pecados cometidos pelos pais, que podem atingir seus filhos. As passagens citadas são apenas aparentemente contraditórias, quando na verdade são complementares e apontam para a referida distinção entre culpa e conseqüência.

7-  Deus é… … bom …

(Sl 45:9) O Senhor é bom para todos. Este versículo está errado. Em Salmos 45.9 diz: As filhas dos reis estavam entre as tuas ilustres donzelas; à tua direita estava a rainha ornada de finíssimo ouro de Ofir.

(Dt 32:4) Ele é justo e reto. Este versículo está incompleto, o correto é: Ele é a Rocha cuja obra é perfeita, e porque todos os seus caminhos juízo são; Deus é a verdade, e não há nele injustiça; justo e reto é.

… ou ruim?

(Is 45:7) Eu formo a luz, e crio as trevas, eu faço a paz, e crio o mal; eu, o Senhor, faço todas essas coisas.

(Lm 3:38) Não é da boca do Altíssimo que saem o mal e o bem?

(Jr 8:11) Assim diz o Senhor: Olhai! Estou forjando mal contra vós, e projeto um plano contra vós.

(Ez 20:25-26) Também lhe dei estatutos que não eram bons, e juízos pelos quais não haviam de viver; deixei-os contaminar-se em seus próprios dons, nos quais faziam passar pelo fogo tudo o que abre a madre, para os assolar, a fim de que soubessem que Eu sou o Senhor.

É óbvio que Deus é bom. Até uma criança de 6 anos sabe disso. Insinuar que Deus possa ser ruim, ainda que ad argumentandum tantum, revela aquela malícia de que falei acima, e o intuito de apenas questionar por questionar. Um cristão digno do nome jamais leria a Bíblia dessa forma. Essa é a forma de leitura típica dos ateus e/ou dos anticristãos. Quanto às passagens aludidas, elas na verdade apontam para a soberania, a providência, a onipotência e a onisciência divinas, dentre outros atributos de Deus.

8 – Deus é Deus… … da paz …

(Rm 15:33) E o Deus da paz seja com todos vós. Amém.

(Iz 2:4) (Is 2:4) Ele exercerá o seu juízo entre as nações, e repreenderá a muitos povos. Estes converterão as suas espadas em arados e as suas lanças em podadeiras. Não levantará espada nação contra nação, nem aprenderão mais a guerra.

… ou da guerra?

(Êx 15:3) O Senhor é um guerreiro; o Senhor é o seu nome.

(Jl 3:9-10) Proclamai isto entre as nações: Santificai uma guerra! (…) Forjai espadas das relhas dos vossos arados, e lanças das vossas podadeiras.

Deus conclamou as nações à batalha? Em certo sentido, sim. O tema é o juízo mas agora esta profecia de Joel alcança um futuro distante. Na grande batalha finais, todos os exércitos das trevas, sob o comandante a besta (Ap. 19.19), marcharão contra Deus e seus exércitos da justiça. A besta e as suas legiões serão totalmente esmagadas pela vitória total de Deus. Seguindo ainda neste capítulo e o versículo 13: ?Lançai  a foice, porque já está madura a seara; vinde, descei, porque o lagar está cheio, os vasos dos lagares transbordam; porquanto a sua malícia é grande? O tipo de seara que Deus pretende ceifar, será soldados ou talvez nações que os cereais serão ceifados com a foice. A seara é a matança ? os que forem derrubados pelo juízo divino? Na última batalha entre o bem e o mal, com a segunda vinda de Cristo.

O livro do Eclesiastes dá a resposta: “Para tudo há um tempo, para cada coisa há um momento debaixo dos céus; tempo para a guerra, e tempo para a paz.” (Ecl 3,1;8b). Veja também o comentário acima sobre o mandamento “não matarás”.

9 – Deus…… tenta …

(Gn 22:1) Depois dessas coisas, provou Deus a Abraão, dizendo-lhe: Abraão! E este respondeu: Eis-me aqui. Então disse Deus: toma o teu filho, o teu único filho, Isaque, a quem amas, e vai à terra de Moriá, e oferece-o ali em holocausto.

… ou não tenta as pessoas?

(Tg 1:13) Ninguém, ao ser tentado, diga: Sou tentado por Deus. Pois Deus não pode ser tentado pelo mal, e Ele a ninguém tenta.

A passagem do livro do Gênesis não deve ser entendida no sentido de que Deus tentou a Abraão. Não é esse o sentido da passagem, mas sim o de que Deus quis provar a fé de Abraão, “não para o fazer cair, mas para que ele fosse um modelo acabado da mais perfeita obediência ao Senhor” (comentário do Pe. Matos Soares em sua tradução da Bíblia Sagrada, p. 38).

10 – Deus… … tem compaixão dos homens …

(Sl 145:9) O Senhor é bom para todos; tem compaixão de todas as suas obras.

… ou não tem?

(Jr 13:14) Fa-los-ei em pedaços, atirando uns contra os outros, tanto os pais como os filhos, diz o Senhor. Não perdoarei nem pouparei, nem terei compaixão deles, para que não os destrua.

Deus é compassivo, mas também é justo. São atributos divinos que não se excluem.

11 – O pai de José… … foi Jacó …

(Mt 1:16) Jacó gerou a José, marido de Maria, da qual nasceu Jesus, que se chama o Cristo.

… ou Heli?

(Lc 3:23) E o mesmo Jesus, quando começou o seu ministério, tinha cerca de 30 anos, filho, como se julgava, de José, o qual foi filho de Heli.

Eusébio de Cesaréia, em sua célebre História Eclesiástica (Livro I, capítulo VII), explica que em Israel as genealogias eram elaboradas segundo a natureza ou segundo a lei. Segundo a natureza, quanto se tratava de nascimento propriamente dito; e segundo a lei, quando o homem morria sem filhos e seu irmão, tomando a viúva como esposa, engendrava filhos para conservar o nome do irmão. Assim sendo, Heli foi pai de S. José segundo a lei, ao passo que Jacó foi pai de S. José segundo a natureza, e isso porque, ainda de acordo com Eusébio, Jacó e Heli eram irmãos por parte de mãe, e tendo Heli morrido sem filhos, Jacó tomou a viúva de seu irmão Heli e com ela gerou a S. José, sendo por isso S. José filho de Jacó segundo a natureza, e filho de Heli segundo a lei, já que a mãe de S. José foi primeiro esposa de Heli e depois de Jacó. Com efeito, note que S. Mateus usa a expressão “Jacó gerou José” (Mt 1,16a), ao passo que S. Lucas registra “José, filho de Heli” (e não “Heli gerou José”).

Peço a Deus que seja compassivo e justo com você, e lhe dê a chance de encontrar a verdade, desde que você realmente esteja disposto a isso.

Fique com Deus.

Marcos M. Grillo

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