OS EVANGELHOS

A palavra “evangelho” vem do grego “evangélion”, que quer dizer “Boa Notícia”. Para os apóstolos era “aquilo que Jesus fez e ensinou” ( At 1,1 ). É a força renovadora do mundo e do homem.

A Igreja reconhece como canônicos ( inspirados por Deus ) quatro Evangelhos: Mateus, Marcos, Lucas e João. Os três primeiros são chamados de sinóticos porque podem ser lidos em paralelo, apresentando uma sinopse da vida e obra de Nosso Senhor Jesus Cristo. Já o de São João é bastante diferente. Existe também evangelhos apócrifos que a Igreja não reconheceu como palavra de Deus. São os de Tomé, de Tiago, de Nicodemos, de Pedro, os Evangelhos da Infância, etc. Eles contêm verdades históricas junto com narrativas fantasiosa e heresias.

Os Evangelhos são simbolizados pelos animais descritos em Ez 1,10 e Ap 4,6-8: o leão ( Marcos ), o touro ( Lucas ), o homem ( Mateus ), a águia ( João ). Foi a tradição da Igreja nos séculos II a IV que tomou esta simbologia tendo em vista o início de cada evangelho. Mateus começa apresentando a genealogia de Jesus ( homem ); marcos tem início com João no deserto, que é tido como morada do leão; Lucas começa com Zacarias a sacrificar no Templo um touro; e João começa com o verbo eterno que das alturas desce como uma águia para se encarnar.

Jesus pregou do ano 27 ao 30 sem nada deixar escrito, mas garantiu aos Apóstolos na última Ceia, que o Espírito Santo ao faria “relembrar todas as coisas” ( Jô 14,26 ) e lhes “ensinaria toda a verdade” ( Jô 16,13 ). Desta promessa, e com esta certeza, a Igreja que nasceu com Pedro e os apóstolos sentiram a necessidade de escrever o que pregaram durante esses anos, para que as demais comunidades fora da Terra Santa pudessem conhecer a mensagem de Jesus.

O EVANGELHO DE MATEUS é o primeiro que foi escrito, em Israel e em aramaico, por volta do ano 50. Serviu de modelo para Marcos e Lucas. O texto de Mateus foi traduzido para o grego, tendo em vista que o mundo romano da época falara o grego. O texto aramaico de Mateus se perdeu. Já no ano 130 o Bispo Pápias, da Frigia, fala desse texto.

Também Santo Irineu ( 200 D.C. ), que foi discípulo de São Policarpo, que por sua vez foi discípulo de São João Evangelista, fala do Evangelho de Mateus, no século II.

Comprova-se aí a historicidade de Evangelho de Mateus. Ele escreve para os Judeus de sua terra, convertidos ao Cristianismo. Era o únicos dos apóstolos habituados à arte de escrever, a calcular e a narrar os fatos. Compreende-se que os próprios apóstolos o tenham escolhido para esta tarefa. O objetivo da narração foi mostrar aos judeus que Jesus era o Messias anunciado pelos profetas, por isso, cita muitas vezes o Antigo Testamento e as profecias sobre o Messias.

O EVANGELHO DE MARCOS. São Marcos não foi apóstolo, mas discípulo de deles, especialmente de Pedro, que o chama de filho ( 1Pe 5,13 ). Foi também companheiro de São Paulo na primeira viagem missionária ( At 13,5; Cl 4,10; 2Tm 4,11 ). O testemunho mais antigo sobre a autoria do Evangelho, é dado pelo famoso bispo e Hierápolis, na Ásia Menor, Pápias ( 135 D.C ). Marcos escreveu seu Evangelho destinado ao povo romano, baseando-se, para isso, na catequese de Pedro junto a este povo.

O EVANGELHO DE LUCAS. Lucas não era judeu como Mateus e Marcos, mas pagão de Antioquia da Síria ( Cl 4,10-14 ). Era culto e médico. Ligou-se profundamente a São Paulo e o acompanhou em trechos da segunda e terceira viagem missionária do apóstolo ( At 16, 10-37; 20, 5-21 ). No ano de 60 foi para Roma com Paulo ( At 27, 1-28 ) e ficou com ele durante o seu primeiro cativeiro ( Cl 4,14; Fm 24 ) e acompanhou Paulo no segundo cativeiro ( 2Tm 4,11 ).

O texto foi escrito em grego, numa linguagem culta e há uma afinidade com a linguagem e a doutrina de São Paulo. Foi escrito por volta do ano 70. Como se escreveu para os pagãos convertidos ao cristianismo, principalmente gregos, não se preocupou com o que só interessava aos judeus.

Mateus mostra um Jesus como mestre notável por seus sermões “o novo Moisés”, Marcos o apresenta como herói admirável ( O Leão da Tribo de Judá Ap 5,5 ). Lucas se detém mais nos traços delicados e misericordiosos da alma de Jesus. É o Evangelho da salvação e da misericórdia. É também o Evangelho do Espírito Santo e da oração. E não deixa de ser também o Evangelho da pobreza e da alegria dos pequenos e humildes que colocam a confiança toda em Deus.

O EVANGELHO DE JOÃO. São João era filho de Zebedeu e Salomé ( Cf. Mc 15,40 ) e irmão de Tiago Maior ( Cf. Mc 1 16-20 ). Testemunhou tudo o que narrou, com profundo conhecimento. É o “discípulo que Jesus amava” ( Jô 21,40 ). Este Evangelho foi escrito entre os anos 95 e 100 D.C., provavelmente em Éfeso onde João residia.

João não quis repetir o que os três primeiros Evangelhos já tinham narrado, mas usou essas fontes. Escreveu um Evangelho profundamente meditado e teológico, ais do que histórico como os outros. Contudo, não cedeu a ficções ou fantasias sobre o Mestre, mostrando inclusive dados que os outros Evangelhos não Têm. Apresentando essa doutrina ele quis fortalecer os cristãos contra as primeiras heresias que já surgiam, especialmente o gnosticismo que negava e verdadeira encarnação do Verbo. Cerinto e Ebion negavam a divindade de Jesus, ensinando a heresia segundo a qual o Espírito Santo descera sobre Jesus no batismo, mas o deixara na Paixão. É um evangelho profundamente importante para a teologia dogmática e sacramental especialmente.

OS ATOS DOS APÓSTOLOS

Não há dúvida de que foi escrito por São Lucas, médico e companheiro de São Paulo. Conta a história da Igreja, desde pentecostes, guiada pelo Espírito Santo, até chegar em Roma com São Pedro e São Paulo. O Testemunho mais antigo de que Lucas é o autor dos Atos é o chamado cânon de Muratori, do século II.

Teofilacto ( 1078 d.c. ) dizia que: Os Evangelhos apresentam os feitos do Filho, ao passo que os Atos descrevem os feitos do Espírito Santo.

O livro se divide em duas partes: uma que é marcada pela pessoa de Pedro ( At 1 a 12 ), e a outra marcada por Paulo ( At 13 a 28 ). Pedro leva o Evangelho de Jerusalém à Judéia e à Samaria, chegando até a conversão marcante do primeiro pagão, batizado, Cornélio ( At 10, 1-11 ), o que abriu a porta da Igreja para os não judeus. Paulo promove a evangelização dos gentios mediante três viagens missionárias de grande importância. O Capítulo 15 é a ligação entre a duas partes do livro, mostrando Pedro Paulo juntos em Jerusalém, no ano 49, no importante Concílio de Jerusalém, que aboliu a circuncisão e reconheceu que o Reino de Deus é para toda a humanidade.

As proezas de todos os apóstolos foram escritas num livro. Lucas, com dedicatória ao excelentíssimo Teófilo ( cristão da época ), aí reconheceu todos os fatos particulares que e desenrolam sob seus olhos e os pôs em evidência deixando de lado o martírio de Pedro e a viagem de Paulo da Cidade de Roma rumo à Espanha.

Notamos que o início do livro dos Atos dá uma seqüência lógica ao final do Evangelho de Lucas, e ambos são dedicados a Teófilo, além de que o estilo e o vocabulário são parecidos. Segundo São Jerônimo ( 348-520 d.c. ) os Atos foram escritos em Roma, na língua grega, quando Lucas estava ao lado de Paulo prisioneiro, por volta do ano 63.

Os Atos dos apóstolos São portanto o primeiro livro de história da Igreja nascente, escrito por uma testemunha ocular dos fatos, que os narrou de maneira precisa e sóbria. Aí podemos conhecer o rosto da Igreja no primeiro século, sua organização, etc. É o Evangelho do Espírito Santo.

AS CARTAS DE SÃO PAULO

Paulo ( ou Saulo ) nasceu em Tarso na Cilícia ( Ásia Menor ) no início da era cristã, de família israelita, muito fiel a doutrina e a tradição judaica; seu pai comprara a cidadania, o que era possível naquele tempo, então Saulo nasceu como cidadão romano, legalmente. Aos 15 anos de idade foi enviado para Jerusalém onde recebeu a formação do rabino Gamaliel ( At 5,34; 22,3; 26,4 ), e for formado na arte rabínica de interpretar as Escrituras, e deve ter aprendido a profissão de curtidor de couro, seleiro. Por volta do ano 36 era severo perseguidor dos cristãos, mas se converteu espetacularmente quando o próprio Senhor lhe apareceu na estrada de Jerusalém para Damasco, onde foi batizado por Ananias. Em seguida permaneceu num lugar perto de Damasco chamado Arábia. No ano 39 se encontrou com Pedro e Tiago em Jerusalém ( Gal 1,18 ) e depois voltou para Tarso ( At 9, 26-30 ) acabrunhado pelo fracasso do seu trabalho em Jerusalém. Ali ficou por cerca de 5 anos, até o ano 43. Nesta época, Barnabé, seu primo, que era discípulo em Antioquia, importante comunidade cristã fundada por São Pedro, o levou para lá. Em 44 Paulo e Barnabé são encarregados pela comunidade de Antioquia para levar a ajuda financeira aos irmãos pobres de Jerusalém. No ano 45, por inspiração do Espírito Santo, Paulo e Marcos ( o evangelista ) foram enviados a pregar aos gentios ( At 13, 1-3 ). A primeira viagem durou cerca de 3 anos ( 45-48 ) percorrendo a ilha de Chipre a parte da Ásia Menor. No ano 49 Paulo e Barnabé vão a Jerusalém para o primeiro Concílio da Igreja, para resolver a questão da circuncisão, surgida em Antioquia. A segunda viagem foi de 50 a 53, durante a qual Paulo escreveu em Corinto, a duas cartas aos Tessalonicenses ( At 15,36; 18,22 ). São as primeiras cartas de Paulo. A terceira viagem foi de 53 a 58. Neste período ele escreveu as grandes epístolas, Gálatas e I Coríntios, em Éfeso; II Coríntios, em Filipos; e aos Romanos, em Corinto. No final desta viagem Paulo foi preso por ação dos judeus e entregue ao tributo romano Cláudio Lísias, que o entregou ao procurador romano Felix, em Cesaréia. Aí Paulo focou preso por dois anos ( 58-60 ),onde apelou para zer julgado em Roma, tinha direito a isso Por ser cidadão romano. Partiu de Cesaréia no ano 60 e chegaram a Roma em 61, após sério naufrágio perto da ilha de Malta. Em Roma ficou preso domiciliar até 63. Neste período ele escreveu as chamadas “Cartas do Cativeiro” ( Filemon, Colossenses, Filipenses e Efésios ). Depois deste período Paulo deve ter sido libertado e ido até a Espanha, “os confins do mundo” ( Rom 15, 24 ), como era seu desejo. Em seguida deve ter voltado da Espanha para o Oriente, quando escreveu a Cartas Pastorais a Tito e a Timóteo, por volta de 64-66. Foi novamente preso no ao 66, no Oriente, e enviado a Roma, sendo morto em 67 face a perseguiça de Nero contra os cristãos desde o ano 64. São Paulo dói ima dos homens mais importantes do cristianismo. Deixou nos 13 cartas.

As Cartas aos TESSALONICENSES. A duas Cartas têm como tema central a segunda vinda de Jesus ( Parusia), que as primeiras comunidades cristãs esperavam para breve e sorte dos que já tinham morrido. Paulo admoesta a comunidade para a importância da vigilância. As Cartas do Apóstolo depois delas falam mais do Cristo presente na Igreja do que da segunda vinda.

Tessalônica era porto marítimo muito importante da Grécia, onde havia forte sincretismo religioso e decadência moral; havia uma colônia judaica na cidade, e é na sinagoga que Paulo começa a pregar o Evangelho. Havia dúvidas sobre a iminente volta do Senhor.

Na segunda Carta Paulo retoma o mesmo assunto, exortando os fiéis a trabalharem, uma vez que ninguém sabe a data da vinda do Senhor. As cartas devem ter sido escritas por volta do ano 52 quando estava em Corinto, durante a sua segunda viagem missionária pela Ásia.

A Carta aos GÁLATAS. São Paulo visitou os gálatas na segunda e na terceira viagem apostólica. É hoje a região de Ankara na Turquia. A Carta foi escrita por volta do ano 54, quando Paulo estava em Éfeso, onde ficou por três anos. O motivo da carta são as ameaças dos cristãos oriundos do judaísmo que querem obrigar ainda a observância da Lei de Moisés. Paulo mostra que é a fé em Jesus que salva não a Lei. E exorta os gálatas a viverem as obras do Espírito e não as da carne. Esta carta é também um documento autobiográfico de São Paulo, além de ser um documento de alta espiritualidade.

A Carta aos CORÍNTIOS. Corinto ficava na Grécia, região chamada Acaia e no ano de 27 a C. César Augusto, imperador romano, fez de Corinto a capital da província romana da Acaia. Foi nesta cidade portuária, ruça e decadente na moral, que Paulo fundou uma forte comunidade cristã na sua segunda viagem. Aí encontrou o casal Átila e Priscila que muito o ajudou. Paulo ficou um ano e seis meses na Grécia, e daí escreveu para os coríntios. A primeira carta contém sérias repreensões dos pecados da comunidade: as divisões e a imoralidade. Em seguida dá respostas a questões propostas sobre o matrimônio, a virgindade, as carnes imoladas aos ídolos, as assembléias de oração, a ceia eucarística, os carismas, a ressurreição dos mortos, etc. É uma das cartas mais amplas de São Paulo em termos de doutrina e disciplina na Igreja.

A segunda Carta é bem diferente da primeira, não é tanto doutrinária, mas trata das relações de Paulo com a comunidade e desfaz mal entendidos, inclusive, e faz a sua defesa diante de acusações sérias que recebeu dos cristãos judaizantes. Nesta carta Paulo mostra a sua alma, seus sofrimentos e angústias pelo reino de Cristo, que resumem na frase: “É na fraqueza do homem que Deus manifesta todo a sua força” ( 2 Cor 12,9 ).

A Carta aos ROMANOS. A Carta aos Romanos é bem diferente das outras Cartas de São Paulo, pelo fato de ser uma comunidade cristã que não foi fundada por ele, e sim por São Pedro. Esta carta foi escrita no final da terceira viagem missionária de Paulo, em Corinto, por volta do ano 57-58 a fim de preparar a sua chegada em Roma. É uma carta onde temos o ponto mais elevado da elaboração teológica do apóstolo. Não trata de assuntos pessoais, mas da vida cristã, a justificação por Cristo que nos faz ser e viver como filhos de Deus e mostra a Lei de Móises como algo provisório na história do Povo de Deus. O ponto alto da Carta é o capítulo 8, onde mostra que a vida cristã é uma vida conforme o Espírito Santo, que habita em nós, nos leva à santificação vencendo as obras da carne, levando-a à transfiguração no dia da ressurreição universal. Tudo foi preparado por Deus Pai que nos fez filhos no Seu Filho, a fim de dar a Cristo muitos irmãos, co-herdeiros da glória do primogênito ( Rm 8, 14-18 ).

AS EPÍSTOLAS DE CATIVEIRO

Essas Cartas são as escritas a Filemon, aos Colossensses, aos Éfesios e aos Filipenses. Cada uma delas apresenta Paulo prisioneiro ( Fm 1,9.10.13; Cl 4,3.10.18; Ef 3,1; 4,1; 6,20; Fl 1,7.13 ). Trata-se do primeiro cativeiro em Roma ( At 27, 1-28 ). Paulo também esteve preso em Filipos ( At 16, 23-40 ); Jerusalém ( At 21, 31; 23. 31); em Césaréia ( At 23, 35; 26, 32 ); em Roma segunda vez ( 2 Tm 1,8.12.16s; 2,9 ).

Carta a FILEMON. Quando Paulo estava preso em Roma pela primeira vez, entre os anos 61-63, foi procurado pelo escravo Onésimo, que fugira de seu patrão Filemon em Colossos e procurou abrigo em Roma. Pela legislação judaica o escravo fugitivo não devia ser devolvido ao dono ( Dt 23,16 ), diferente da lei romana que protegia o patrão. Então Paulo devolve Onésimo a Filemon, cristão, e pede-lhe que pela caridade de Cristo, receba o escravo não mais como coisa, mas como um irmão. É a primeira declaração dos direitos humanos no cristianismo.

Carta aos FILIPENSES. Filipos era uma grande cidade fundada por Filipe II, pai do imperador macedônio Alexandre Magno, e que o imperador romano Augusto transformou em importante posto avançado de Roma ( At 16, 12 ). Durante suas viagens Paulo esteve três vezes em Filipos, e fez fortes laços de amizade com os cristãos. Esta Carta é chamada de “a carta da alegria cristã”, Por repetir 24 vezes esta palavra, aos filipenses que sofriam perseguições, como ele na prisão. “Alegrai-vos sempre no senhor. Repito, Alegrai-vos!” ( Fl 4,1 ). Nada pode tirar a alegria daquele que confia em Jesus.

Carta aos COLOSSENSES. Colossos era notável centro comercial, que ficava na Frigia, na Ásia Menor, a 200 km de Éfeso, próxima de Laodicéia e Hierápolis. Paulo esteve por duas vezes na região da Frigia. O motivo da Carta s ao os pregadores de “doutrinas estranhas”, provocando um sincretismo religioso, com elementos judaicos, crisTãos e pré-gnósticos. Paulo fala do primado absoluto de Jesus Cristo, numa linguagem que os gnósticos entendiam. O ponto alto da Carta é o hino cristológico ( Cl 1, 15-20 ) que mostra Cristo como o primeiro e o último, o Senhor absoluto no plano da criação e da redenção.

Carta aos EFÉSIOS. Éfeso era a capital da Ásia romana, proconsular famosa, onde se cultuava a deusa Ártemis. Ali Paulo esteve durante três anos. A carta não trata de assuntos pessoais, mas teológicos. É um pouco parecida com a Carta aos Colossenses, a fim de combater os erros de doutrina que também ali começavam a surgir. Paulo mostra a importância da Igreja para a realização da obra de Deus. Ë a eclesiologia de São Paulo: “Há um só corpo e um só espírito, um só Senhor, uma só fé, um só Deus e Pai de todos”. ( Ef 4,4s ). É de importância e beleza ímpar o prólogo da Carta ( Ef 1, 3-14 ), que apresenta um hino de ação de graças à Trindade.

AS EPÍSTOLAS PASTORAIS

As Cartas a TIMÓTEO e TITO são as Cartas que Paulo escreveu a Timóteo ( duas ) e uma a Tito. No final de sua vida, na última ida ao Oriente, antes de ser preso e enviado a Roma pela segunda vez, por volta do ano 65. Paulo deixou Tomóteo em Éfeso e Tito na Ilha de Creta, no mediterrâneo, como bispos. A carta é cheia de recomendações sobre os pastoreio das ovelhas, especialmente no combate as falsas doutrinas, ale de dar as orientações sobre a organização da vida da Igreja, normas que até hoje são normas seguras para a indicação de diáconos, presbíteros e bispos. São Cartas de uma valor imenso para a Igreja.

A Carta aos HEBREUS. Até 50 anos atrás se dizia que esta carta era de São Paulo, mas com novos estudos, hoje não se afirma o mesmo. Contudo, é uma crta canônica, é a palavra de Deus. O grande escritor cristão de Alexandria, Orígenes ( 234 d.C. ) admitia que Paulo fora o autor da carta, ma Não o redator, e assim explicava a diferença de estilo das demais cartas do apóstolo. Contudo, o conteúdo da carta é Paulino. A carta é dirigida aos hebreus convertidos ao Cristianismo, especialmente aos sacerdotes judeus convertidos, ameaçados pela perseguição que começava por volta do ano 64 com Nero. Talvez esses sacerdotes convertidos estivessem desanimados e tentados a voltar ao judaísmo. O autor da Carta lhe escreve a fim de fortalecer-lhes a fé e a certeza na mensagem de Jesus Cristo. O objetivo da carta é mostrar a primazia da Nova Aliança em Jesus Cristo sobre a Antiga Aliança. Aparece aí uma verdadeira cristologia que mostra Cristo como homem e Deus. A carta foi escrita por volta dos anos 64-66. Devemos lembrar que em 70 o general romano Pompeu destruiu o Templo de Jerusalém, e, a partir daí Não haverá mais os cultos judaicos em Jerusalém como antes.

AS EPÍSTOLAS CATÓLICAS

As Epístolas Católicas, ou universais, são sete: Tiago, 1 e 2 Pedro, 1, 2 e 3 João e Judas. São chamadas de católicas ( universais ), porque não eram difundidas apenas a uma comunidade, com as de São Paulo, mas muitas comunidades da Ásia Menor.

A Carta de TIAGO. Escrita pelo apóstolo Tiago Menor, filho de Alfeu, com quem Paulo se encontrou em Jerusalém. Não deve ser confundido com Tiago Maior, irmão de são João, que foi martirizado no ano 44, antes desta carta ter sido escrita. Tiago, autor da carta, se tornou famoso bispo de Jerusalém. A Carta é dirigida “as dozes tribos da dispersão” ( Tg 1,1 ). Acredita-se que tenha sido escrita por volta do ano 50. Trata da importância das obras que é a frutificação da fé. Desta carta a Igreja compreendeu o sacramento da Unção dos Enfermos ( Tg 5,14s ).

As Cartas de JOÃO. Os destinatários são os fiéis oriundos do paganismo. A primeira carta mostra que Jesus é o Messias, contra os falsos pregadores que negavam que a Redenção tinha acontecido pelo sangue de Cristo; era a influência do pré-gnosticismo, principalmente apresentadas por um tal Cerinto e Ebion. Na mesma carta aparece a excelência do amor cristão, como a mensagem fundamental do Evangelho.

Na segunda Carta de João, ele é chamado de “ancião”, o que mostra a dignidade do autor, é o título que os discípulos lhe deram quando ele vivia em Éfeso. O assunto é o amor de Deus, o perigo dos anti-cristos já em ação, o amor à verdade, etc.

A terceira Carta for escrita a um certo Gaio, não identificado e o louva pelas suas belas ações em favor da Igreja.

A primeira Carta de PEDRO. Os destinatários da primeira Carta de São Pedro foram os cristãos da Ásia Menor ( Ponto, Galácia, Capadócia, Bitínia, etc. ), convertidos do paganismo. O objetivo era fortalecer a fé cristã nessas comunidades que sofriam perseguições e tribulações. Mostra a fecundidade do sofrimento, e a grandeza da imitação da Paixão do Senhor. Fala da dignidade sacerdotal do povo cristão, da descida de Jesus à mansão dos mortos e sua ascensão ao céu. Ensina-lhes a responder aos provocadores da fé com paciência e boa conduta. Pedro deve ter escrito em Roma nos anos 63-64.

As Epístolas de JUDAS e II PEDRO. Judas é o “irmão de Tiago”, primos de Jesus; segundo a tradição escrita por Egezipo, escritor judeu do século II, ambos eram filhos de Cléofas, discípulo de Emaús ( Lc 24 ). Judas escreve para cristãos oriundos do paganismo ameaçados por falsas doutrinas, o que era comum em toda a Ásia Menor, onde se negava a divindade de Jesus, injuriavam os anjos, zombavam das verdades pregadas pelos apóstolos e causavam divisões na comunidade. É o pré-gnosticismo presente na Igreja. A Carta de Judas tem grande semelhança com a segunda de Pedro.

A segunda carta de Pedro tem grande afinidade com a de Judas; em ambas aprecem as mesmas expressões raras e as mesmas idéias, especialmente com relação aos falsos pregadores e falsas doutrinas. Por isso houve dúvidas sobre o verdadeiro autor de II Pedro, mas a tradição preferiu atribuir a Pedro.

O LIVRO DE APOCALIPSE

O imperador romano Domiciano ( 81-96 ) moveu forte perseguição aos cristãos, tendo deportado São João, que era bispo de Éfeso para a ilha de Patmos. Ao mesmo tempo os cristãos eram hostilizados pelos judeus e aguardavam a volta de Cristo, que não acontecia, para livrá-los de todos os males. Foi nesse contexto que o apóstolo escreveu o Apocalipse para confortar e animar os cristãos das já inúmeras comunidades da Ásia Menor. Apocalipse, em grego “apokálypsis” ( = revelação ), era um gênero litarário que se tornou usual entre os judeus após o exílio da Babilônia ( 587 ? 535 a C. ), e descreve os fins dos tempos onde Deus vai julgar os homens. Essa intervenção de Deus abala a natureza ( fenômenos cósmicos ), com muita simbologia e números. A mensagem principal do livro é que Deus é o Senhor da História dos homens, e no final haverá a vitória dos justos. Mostra a vida da Igreja na terra como uma contínua luta entre Cristo e Satanás, mas que no final haverá o triunfo definitivo do reino de Cristo, triunfo que implica na ressurreição dos mortos e renovação da natureza material.

As calamidades que são apresentadas não devem ser interpretadas ao pé da letra. Deus sabe e saberá tirar de todos os sofrimentos da humanidade a vitória final do Bem sobre o Mal.

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