Conheço uma moça muito inteligente e simpática, que sonha em trabalhar com hotelaria. Mostrando sua sensatez e entusiasmo, ela resolveu se apresentar em um hotel, munida de currículo, procurando um trabalho que a fizesse conhecer a área antes de começar uma faculdade. Afinal, sabemos todos que a teoria, na prática, é outra.

O dono do hotel, encantado com a disposição da moça, escreveu no currículo uma ordem para que ela fosse contratada e encaminhou-a ao setor de pessoal. O chefe do departamento de pessoal, contudo, impediu a contratação. Não para desautorizar o chefe, mas simplesmente porque faltam três meses para que ela complete 16 anos. A moça ainda está proibida de trabalhar honestamente.

Se, ao invés de procurar uma entrada na área a que deseja se dedicar profissionalmente, a moça houvesse resolvido vender drogas, não seria presa. Se roubasse, tampouco. Na tevê e na escola, a propaganda lhe diz que “use camisinha” (ou seja, seja sexualmente ativa) e tenta vender-lhe bugigangas.

O jovem é tratado como incapaz de trabalhar e de tomar decisões conscientes, mas ao mesmo tempo é instado a “divertir-se” e a consumir freneticamente. Consumir sexo, consumir shows, consumir filmes, telefones e computadores.

Ora, esta é a idade em que – de acordo com a natureza, mas não com a lei – o jovem entra no mundo. A porta de entrada que lhe é aberta pela sociedade, contudo, é apenas a da irresponsabilidade: o crime sem punição, o sexo supostamente sem consequências devido à camisinha, nada de trabalho, nada de responsabilidades.

Uma moça de 15 anos de idade é perfeitamente capaz de trabalhar, de ser mãe de família (aproveitando o tempo de Natal que vivemos, lembro que era esta a idade de Nossa Senhora quando nasceu o menino Jesus), de participar, em suma, plenamente na sociedade. É tão capaz de fazê-lo quanto é capaz de roubar, de vender drogas, de viver em função do prazer e da “diversão”.

Contudo, o que ela faz nesta idade será o parâmetro de suas expectativas para o resto da vida. Quem rouba sem punição aprende que roubar é bom. Quem não trabalha aprende que merece viver sem trabalhar. Quem se dedica ao prazer aprende que é ele o objetivo maior da existência.

O trabalho infantil desumano e quase escravo que infelizmente ainda persiste não pode servir de desculpa para treinar os jovens a viver sem responsabilidades. Um erro não justifica o outro, e o que se faz hoje para com os jovens é o que prepara a sociedade de amanhã.

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