Aviso: este artigo foi escrito antes da recente Lei do Desarmamento. A coisa está avançando a passos céleres…


No Estado do Rio já era praticamente impossível comprar uma arma legalmente (se não quiser comprar legalmente é só subir um morro, que por uns cem paus sai-se com um 38). Para comprar uma arma há alguns poucos meses (calibre .380, claro, que o Estado não permite calibres menos perigosos1), tive que passar por uma burocracia absurda, que precisa até de despachante. Curso de tiro, atestado médico-psiquiátrico, prova de residência, prova de “ser um cidadão bem ajustado” (contracheque…), DARJ de quase R$300,00, fotos, o escambau.

Aí depois de quase um mês o Estado todo-poderoso, em sua magnanimidade, “permite” que vc compre a dita-cuja e dá uma nota fiscal que serve como guia de tráfego para o percurso entre a loja e a sua casa, e só. Se quiser ir treinar em um estande precisa passar por outra burocracia, mais complicada ainda, para obter uma guia de tráfego e levar a arma desmontada dentro de uma mala.

Para tirar um porte2, a coisa é ainda mais complicada. São cerca de 15 atestados de todo tipo (cerca de 650 reais em atestados), mais duas recomendações de autoridades(!), mais fotos, mais um darf de outros 650 quando o porte é aprovado, se o for. Enquanto isso, qualquer bandido vai no morro, aluga uma arma ou compra em leasing, pagando com o dinheiro que tira das pessoas na rua, que ele tem certeza de que estarão desarmados. A segurança dos criminosos é tamanha, que matam as pragas, oops, os pobres policiais que encontram no caminho de seus assaltos. Em terra de cego quem tem um olho é rei. Em terra de desarmados, quem tem um 38 enferrujado é rei.

Aí vem uns vereadores do Viva-Rio (ligado ao Comando Vermelho) e fazem uma lei restringindo mais ainda a compra legal de armas, para fazer uma reserva de caça para criminosos de todo o Estado do Rio.

As casas viram prisões, cercadas de grades; os que têm dinheiro para isso compram carros blindados e pagam seguranças armados (que muitas vezes são os próprios criminosos). O grosso da população, porém, fica completamente à mercê dos criminosos.

Isso ocorre por uma razão simples: o princípio de operação da segurança pública nega a natureza humana e nega o princípio básico de organização social eficaz, a subsidariedade. O Estado não tem como impedir cada crime. O que seria possível, se ele fosse eficiente, seria perseguir e punir os criminosos depois do crime cometido. Não há como defender cada carro, cada casa, cada pessoa. Isso só pode ser feito por instâncias mais próximas do cidadão comum, por chefes de família, por grupos de moradores, etc. O Estado, porém, o mesmo Estado que me toma 27,5% do meu salário, que me faz gastar mais até do que isso com as coisas que ele mesmo diz que deveria estar fazendo com o dinheiro que me toma (entre elas está a segurança, mas também saúde, educação, transporte, etc.), proíbe que a coisa seja feita por quem pode e deve fazê-la. O resultado vemos toda hora: criminosos agindo na mais perfeita liberdade e cidadãos-vítimas com mentalidade de criança mimada, aceitando que o Estado prometa tudo e depois fazendo beicinho e pedindo “mais polícia” (como se já não houvesse polícia às pampas) quando o Estado não consegue fazer o impossível que prometeu.

E isso é caminho certo para um Estado policial. É caminho certo para acabar de vez com o que ainda resta de organização civil da sociedade. Assustador.

Esta é uma campanha sendo desenvolvida em âmbito mundial, bancada por uma meia dúzia de grandes conglomerados que têm a esperança de serem os Krupps e Benzs do Hitler mundial que está querendo vir (os Krupps e Benzs receberam escravos e contratos ótimos do governo nacional-socialista, desde que não se levantassem contra ele. Ganharam muito dinheiro). E nós somos os bois de piranha. Mais uma vez, assustador. Mais assustador ainda quando vemos que até em um país como os EUA, que mal que bem, com todos os seus problemas, sempre foram a última linha de defesa contra os socialismos (nacionais – NaZi – e internacionais), esta mentalidade está “colando”.

Se os passageiros do avião derubado pela Força Aérea americana no Onze de Setembro tivessem se levantado, a esperança ainda existiria. Então não, não se levantaram. Foram, obedientes como vacas a caminho do matadouro, mugindo tristes para o fundo do avião, esperando que mamãe-Estado interviesse. E a intervenção do Estado veio, é claro, como toda intervenção estatal: destruindo o alvo e as vítimas, por falta de precisão (assim como o Estado não tem como desarmar bandidos nas ruas, só como tratar todos os cidadãos como bandidos – com revistas, blitzen, controles de identidade, etc. – na esperança de pegar um ou outro bandido mais burrinho, ele não tem como desarmar terroristas dentro de um avião em pleno vôo, só matar todo mundo que está lá dentro para, junto com eles, matar os terroristas).

Faz muito tempo que li “A Máquina do Ttempo”, de H.G. Wells; lembro-me bem, contudo, que havia uma sociedade de artistas e poetas que vivia na superfície da terra, que admirou muito o viajante. Depois, porém, ele descobre que estava tratando com o gado, com a comida dos que viviam nas entranhas da terra. Estamos caminhando para virar isso: gado, tocado para cá e para lá por um Estado que não se preocupa e não tem como se preocupar com cada um de nós, só com vagos índices estatísticos de contentamento baseados em fatores como percentual de crianças sendo estupidificadas nas escolas. A diferença é só que ao invés de poesia e belas-artes temos funks ruins.

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NOTAS:

1 – O melhor calibre para defesa pessoal é o .45; seu projétil, de baixa velocidade, não atravessa uma pessoa (fazendo assim com que haja menos riscos de ferir alguém que esteja atrás do atacante), tendo contudo alto poder de parada (medida da capacidade de derrubar um atacante). O .380, de alta velocidade, é o maior calibre permitido pela legislação brasileira para uso civil. Ele não só transfixia o atacante, como tem pequeno poder de parada (ou seja, um tiro só não derruba um sujeito drogado que vem com uma faca na mão em sua direção).
2 – A nova lei do desarmamento modificou o processo para pior, tornando ainda mais difícil conseguir o famigerado porte.

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