“Teme o Senhor com toda a tua alma, e venera os seus sacerdotes.” (Eclo 7,31)

Já escrevi sobre o tema. Parodiando, todavia, São Bernardo ao referir-se à Santíssima Virgem, do padre nunca é demais falar. Mais que um pregador oficial, ou administrador paroquial, é ele um sacerdote, i.e., um sacrificador, alguém incorporado a Cristo de modo essencialmente diferente em relação aos demais fiéis (cf. Cat., 1547). Sacerdote por sua íntima e misteriosa participação no único, supremo e suficiente sacerdócio de Cristo, que Se ofereceu ao Pai no altar da Cruz por nossos pecados, sacrifício esse, também único, supremo e suficiente, tornado novamente presente na Missa.

Muitos abusos, desobediências e erros doutrinários contemporâneos partem de um desconhecimento do que a Igreja ensina ser o sacerdote. Talvez na ânsia pela justa unidade dos cristãos, mas movidos por uma equivocada idéia do que seja o legítimo empenho ecumênico incentivado pelos Papas, somado esse fator a uma certa formação defeituosa no dogma católica, que, por vezes, tem por base o princípio da revisão doutrinária – o que vem a ser, fundamentalmente, o modernismo, condenado pela Pascendi Dominici Gregis, precursor do progressismo hodierno -, alguns teólogos professam crença tipicamente protestante: a da igualdade entre padres e leigos. Sustentam, desse modo, em sua heresia, que os sacerdotes e os outros crentes são exatamente da mesma maneira vinculados a Cristo e que, se diferença já entre eles, esta é puramente de grau. A Ordem, assim, de sacramento que imprime caráter indeléval na alma, como a entende a fé católica (cf. Concílio de Trento, DS 1767; Concílio Vaticano II, Dec. Presbyterorum Ordinis, 2; Cat., 1582), torna-se, para essa classe de teólogos progressistas, mera investidura no ofício de pregadores e administradores de igreja. Tal como preceituava Lutero! Falso ecumenismo que, em vez de dialogar com protestantes, nossos irmãos separados, protestantiza católicos, sem que estes deixem formalmente o grêmio da Igreja de Roma!

Pio XII, na Mediator Dei, recolhia o ensino de que o sacerdote “faz as vezes do próprio Sacerdote Jesus Cristo”. Pela Ordem, não são os ministros que a receberam meros pregadores religiosos, animadores de Missa ou líderes de comunidade, de uma parcela do povo de Deus, mas “verdadeiros sacerdotes do Novo Testamento.” (Concílio Vaticano II, Const. Dogm. Lumen Gentium, 28)

Se entre a Cruz e a Missa há identidade substancial, também esta existe entre Cristo e o padre (cf. Cat., 1545), o qual age em Sua Pessoa, in Persona Christi, mais do que em Seu Nome (cf. op. cit., 1548). O sacerdote é a reprodução de Jesus Cristo e a sua missão é a de Jesus Cristo: oferecer o sacrifício da Cruz na Missa para nos conquistar a graça.

Bem fizeram Paulo VI, João Paulo II e Bento XVI, ao louvar a digna condição objetiva dos sacerdotes (apesar da má condição moral subjetiva de uns poucos deles). É na esteira dos Papas que rendo meu louvor aos padres, aos quais sou eternamente agradecido.

 

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