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Sadistas e castristas

A Ilha de Fidel, literalmente de Fidel, é quase uma sucursal do paraíso. Por lá reina um princípio social que incita a formação de homens e mulheres conscientes e imunes a influência do materialismo capitalista. Cuba conseguiu criar um sistema de distribuição de renda, construiu redes de ensino e de saúde que dão inveja aos países neoliberais. O regime de Havana instaurou a democracia popular, a partilha, a dignidade do homem. “200 milhões de crianças no mundo dormem hoje nas ruas. Nenhuma é cubana.”

Voltando ao mundo real, sabemos que os domínios da família Castro não são nada parecidos com esse paraíso que pintam por aí. Existe a Cuba dos livros didáticos, da doutrinação marxista nas escolas, dos professores comunistas dos Colégios, e a Cuba verdadeira e, para piorar, a Cuba dos cubanos, os maiores prejudicados com o regime ditatorial, genocida e perseguidor das mais essenciais liberdades individuais.

Primeiramente, é importante frisar, a defesa do regime cubano só se sustenta, hoje em dia, pelo simples fato de que a manutenção desse Estado totalitário impede o conhecimento da real profundidade do alto grau de baixeza moral que chega o governo de Havana. Ademais, vale lembrar, Cuba sempre esteve embebida numa mística comunista muito particular. Se o marxismo pede, essencialmente, a fé na revolução como ferramenta de redenção social e o surgimento do Novo Homem como objeto fundamental, Cuba aparece como a terra prometida do esquerdismo latino-americano. Che e, com menos relevância, Castro, representam os arautos dos ideais marxistas de sociedade. A ascensão desses dois jovens, num período marcado pela bipolarização mundial e pela estruturação de células comunistas nas nações, só foi possível porque havia sim a possibilidade da concretização do sonho socialista, em princípio. Tanto é que, atualmente, os aspirantes a ditadores; Chavez, Morales e Correa, não conseguem movimentar as massas unicamente pela paixão – não vale a utilização dos aparelhos estatais.

Com a queda da URSS, a abertura dos arquivos do regime de Moscou, os comunistas rapidamente se blindaram, afirmaram que o totalitarismo soviético representava o socialismo real, distante dos verdadeiros princípios marxistas – é estranho uma doutrina política e filosófica tão racional lançar mão desse discurso tão idealista, Marx provavelmente se remexeria no túmulo. Todos queriam se distanciar da poça de sangue deixada por Lênin e Stálin, mesmo que ainda tentassem salvar a memória do primeiro. Aquele passado de treinamento em Moscou, as viagens para a Albânia, o financiamento da China maoísta, tudo isso foi rapidamente, imediatamente, esquecido. Se até ontem lutavam pela instauração do regime comunista, pelo triunfo revolucionário, hoje já falavam de democracia e liberdade.

Com Cuba isso não ocorreu. A América Latina sempre esteve enebriada com o discurso excessivamente utópico a respeito da ilha. A formação de tantas gerações sob essa mentalidade ilusória de um país justo e socialmente equilibrado foi essencial para a criação do mito cubano. Ninguém se importava com o fato de que a dita saúde de Cuba só se mantinha graças ao apoio soviético e que desde a década de 80, com a queda brutal da entrada de divisas no país, todos os serviços públicos entraram em franco declínio. Os fatos não importavam, Cuba tinha, tinha que ter, uma excelente saúde.

O regime cubano conseguiu a fantástica proeza de gerar o exílio e fuga de 2 milhões de cidadãos, cerca de 20% da população do país. Além disso o totalitarismo castrista matou entre 15 e 17 mil pessoas. Os terroristas que combatiam a nossa ditadura, que mesmo sendo exageradamente menos destrutiva que a cubana ainda era uma ditadura, eram treinados em Havana e diziam lutar pela liberdade da nossa nação ao mesmo tempo em que eram financiados por um país que matava, fuzilava e torturava. Quando o Brasil já debatia a Lei de Anistia, em Cuba 20 mil pessoas se encontravam no cárcere, inimigos políticos. Em 1997, depois de anos do regime militar, esquerdistas chiques ainda super-valorizavam a ditadura de Cuba enquanto 2500 homens e mulheres estavam presos. O crime? Criticar o regime, defender seus direitos fundamentais, lutar pela liberdade!

A luta contra a nossa ditadura foi financiada pelo sangue dos cubanos mortos no paredão, dos cubanos expulsos da ilha e daqueles que morriam nas prisões e nas ruas. O bom senso obrigaria qualquer pessoa sincera e submissa a verdade a se opor tanto ao nosso regime militar com suas 500 vítimas, mais desaparecidos e torturados, assim como nutrir uma radical aversão ao regime cubano com seus 17 mil mortos, mais desaparecidos e torturados. O daqui foi derrubado, não tanto pela ação armada esquerdista, que matava, roubava e seqüestrava, mas também pela própria aspiração social de democracia. Em Cuba ainda persiste a ditadura sangrenta e cruel e, para piorar, ainda persiste os louvores e incensamentos do totalitarismo. Uma pena, até onde chega o idealismo marxista? (Peço licença ao barbudo para colocar sua doutrina ao lado da filosofia que tanto criticava, mas essa é a única forma de denominar todos aqueles que, submersos na ideologia utópica, não enxergam o terror instaurado)

Além do mais, vale lembrar que Fidel e Che vinham de famílias abastadas e financeiramente estáveis, ainda descendiam da mais alta nobreza espanhola. Ambos não eram bem quistos pelo Partido Comunista Cubano, tanto que muitas das primeiras vítimas de Fidel eram membros do PCC. Ademais, mesmo com críticas ao governo de Fulgêncio Batista, devemos recordar que mestiços e negros estavam maciçamente inseridos na máquina estatal, diferentemente da concentração de poder na mão de uma elite branca, tradicionalmente rica e com gostos finos e requintados, como se viu no governo comunista.

Pobre Cuba, sua desgraça apenas estimula as mentes pervertidas dos jovens e incita os velhos sonhos arqueológicos dos saudosistas do fervor revolucionário!

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