Nos dias de hoje, são comuns as opiniões, mesmo dentro de grupos de evangelização e em outras comunidades católicas, de que se deve quebrar um “tabu” existente a respeito do sexo antes do casamento. Vemos jovens cristãos solteiros buscando, muitas vezes, encontrar justificativa para seus atos, talvez com receio da impopularidade perante os colegas. Alguns tentam aplacar suas consciências proferindo frases do tipo: “as relações humanas hoje são mais evoluídas”, ou então “só faço com o(a) namorado(a) e isso não tem problema”, ou ainda “se não fizermos, seremos tachados de ultrapassados” e até mesmo dizem “precisamos nos conhecer sexualmente antes do casamento”.

Diante dessas realidades, logo surgem as questões: Vale a pena ser casto? A virgindade entre solteiros ainda é um bem a ser cultivado?

Antes de qualquer outra coisa, lembro, a quem gosta de debater temas polêmicos – como a sexualidade -, que é interessante que nos mova a caridade, a instrução mútua e a intenção de nos corrigir fraternalmente, 
para que não nos assalte o desejo estéril de jogar pedras uns nos outros.

Sobre o tema, vamos considerar dois aspectos: o mandamento divino e o sentimento humano.

Quanto ao mandamento divino, perguntemo-nos: O que vamos fazer quando apostolamos nos movimentos de evangelização da juventude ou no nosso cotidiano? Com certeza, ajudar a levar os jovens a uma verdadeira conversão à mensagem de Cristo (Ele mesmo nos ordena que façamos isso – cf. Mc 16,15). Mas qual é essa mensagem? Não seria aquela contida na Bíblia e interpretada pelo Magistério da Igreja? Ou seria a Bíblia ultrapassada? Quanto à sexualidade, quando Cristo nos insta a sermos castos até em pensamento (cf. Mt 5,27ss), teria dito Ele apenas para a gente daquela época? E quanto a São Paulo – teria ele animado apenas a comunidade da Galácia à pureza (cf. Gl 5,16-26) e a de Corinto à continência (cf. 1Cor 7,8-9)?

Se dissermos sim às três últimas perguntas (ou seja, a Bíblia, então, não se refere à nossa época) estaremos como que institucionalizando o “supermercado da fé”, no qual só nos aproximamos das mercadorias que nos aprazem. Nesse supermercado, compraríamos o que achamos mais agradável (talvez a oração, a participação na Santa Missa e outros mandamentos mais simples de serem seguidos) e desprezaríamos o que achamos menos conveniente (a castidade e a confissão, para quem acha isso “pedir muito”). Enfim, pensemos bem: buscamos uma conversão à real mensagem do Evangelho (ou seja, às vontades do único e verdadeiro Deus) ou à idéia particular (e não a da Igreja) que temos dessa mensagem?

Afinal, cremos ou não no que diz a Bíblia? Cremos ou não que a Igreja, esposa amada de Cristo, é a ciosa guardiã de seus ensinamentos (cf. Lc 10,16)? SIM! Se a Igreja pregasse o erro, cairíamos no absurdo de afirmar que Cristo teria mentido ao dizer que as portas do inferno não prevaleceriam sobre ela (cf. Mt 16,18)! E essa mesma Igreja de Cristo, como ensina São Paulo, está construída sobre “uma só fé” (cf. Ef 4,5) e não sobre crenças “a gosto do cliente”.

Quanto à popularidade da mensagem de Cristo, bem sabemos da necessidade de nos adequarmos ao que Deus nos pede e não o contrário! Essa verdade é insistentemente afirmada, não deixando margem a dúvidas: “nem todo aquele que me diz: ‘Senhor, Senhor’, entrará no reino dos céus mas quem fizer a vontade de meu Pai que está nos céus” (Mt 7,21). E ainda: “quem recebe os meus mandamentos e os observa, esse é que me ama” (cf. Jo 14,21).

Ademais, o próprio Cristo não evitou palavras duras quando necessário. Em Seu longo discurso sobre o Pão da Vida (a Eucaristia, cf. Jo 6,22-71), muitos O abandonaram dizendo “quem pode ouvir essas palavras duras?” E Cristo, se quisesse tão-somente a popularidade, certamente teria pensado de outra forma, mas, em vez disso, disse aos que ficaram: “Quereis vós também retirar-vos?” (cf. Jo 6,67). Assim também faz a Igreja: entre a popularidade simplista (que atrairia inúmeros incautos) e os mandamentos, defende sempre a 2ª opção – por uma questão de ZELO. A Igreja nunca poderia modificar o que Cristo ensinou, não é mesmo?…

Assim também devemos fazer nós – ir contra a avalanche de má doutrina, de sensualidade e de maus costumes infundidos pelo mundo atual, ainda que sejamos rotulados de retrógrados, ridículos e até mesmo, “trouxas”. Ter consciência de que os valores da castidade e da virgindade são atuais (assim como toda a Bíblia!) é essencial para que o jovem tenha força para ser fiel aos ensinamentos cristãos. Afinal, não seguimos o cristianismo por questão de simpatia/antipatia, facilidade/dificuldade, ou por ser popular/impopular, mas porque cremos ser esse o caminho da nossa salvação!!!

Com relação ao sentimento humano da sexualidade, é válida a seguinte reflexão, especialmente aos que dizem querer “acompanhar a evolução do mundo moderno uma vez que o sexo seja feito com muito amor e somente com o namorado…”. Com alguma certeza, esses devem ter mantido relações sexuais com antigas namoradas (afinal, achavam que também as amavam…). Sendo esse o caso, será que no final desses relacionamentos anteriores (que acabou por falta de amor, presumo), eles não continuavam a manter relações sexuais (por uma mera questão de continuidade – afinal, o desejo sexual não é aplacado!), mesmo com o amor definhando?… Então, cai por terra o argumento “só faço com minha namorada e com muito amor”. E, nesses casos, ao final do relacionamento, restam mágoas, decepções (muitas vezes, consigo mesmo: “errei no meu julgamento – ele(a) não é o que eu pensava…”) e desgaste emocional (por ser inevitável o envolvimento dos sentimentos). Isso sem contar a tendência crescente de fraquejar outra vez (com a prática do pecado, a natureza humana, frágil como é, se torna muito mais complacente a ele)… Afinal, poderia o amor produzir desamor?

E quem já passou por essas mágoas e decepções pode compreender bem que os mandamentos divinos foram feitos não apenas como uma exigência descabida, mas para que evitemos confusões, sofrimentos e experiências que não nos levem à felicidade verdadeira e integral…

Aproveitando a ocasião para falar sobre a tão falada “evolução da sociedade e do mundo moderno”, vamos refletir se não é em nome dessa pretensa modernidade que o número de ABORTOS explodiu (a mulher se diz “evoluída” e, assim sendo, teria “direito sobre seu corpo”), o número de “RECASAMENTOS” e conseqüentes adultérios multiplicou uma enormidade (afinal, dizem os cônjuges, “somos livres; temos o direito buscar outro companheiro e sermos mais felizes”) e, como não poderia ser diferente, a SEXUALIDADE ultrapassou todos os limites (dizem os namorados: “somos livres e evoluídos; temos direito de nos amar”). Todos são casos em que belas palavras são usadas (“amor”, “liberdade”), mas com significados duvidosos. Diante dessa dúvida entre o modo de viver atual e os preceitos da Igreja (e de Deus), raciocinemos novamente: Seriam as leis morais de Deus passageiras?…

Em última análise, aos namorados e noivos não é lícito dispor do corpo do companheiro, ainda que se amem, pois eles ainda NÃO SE PERTENCEM (nas palavras do Padre Marcony, da Catedral de Brasília). E essa pertença só é dada com o Sacramento do Matrimônio. Uma última pergunta: realmente acreditamos que Deus está presente nesse sacramento, ou vemos o matrimônio como uma forma de “opressão e de impedimento da liberdade sexual”?

Diante de tantas reflexões, não hão de desanimar aqueles que já caíram em tentação mas desejam uma real e profunda conversão. Além de conversar com caridade e seriedade com o companheiro (o que também é muito difícil!), sugiro que se fortifiquem rezando para que seja feita a vontade de Deus nas nossas vidas. Peçamos aos santos que intercedam por nós (como São Francisco de Assis e Santa Maria Madalena, que cederam às tentações da carne, mas se arrependeram e se tornaram exemplos de vida!) e, ao que reputo ser de crucial importância: vivamos em comunidade, trocando experiências com aqueles que têm as mesmas convicções que as nossas (lembremo-nos de que o verdadeiro amigo é aquele que nos aproxima de Deus). Então, poderemos fazer a vontade de Cristo vivendo uma SEGUNDA VIRGINDADE (sim, ela realmente existe!): a VIRGINDADE ESPIRITUAL – até o momento em que possamos expressar a Deus a maturidade de nosso amor, recebendo a bênção sacramental no matrimônio.

Finalmente, aos que se queixam de que os tempos não são propícios a uma profunda vivência cristã, fica o ensinamento de Santo Agostinho: “Somos maiores que os tempos, porque NÓS é que fazemos os tempos ou damos aos tempos o seu colorido próprio.” Vale a pena pensar nisso!

Oremos mutuamente pelas nossas dificuldades, pelo bem de toda a Igreja, o Corpo Místico de Cristo!

Paz e Bem a todos!

Facebook Comments

Livros recomendados

As crônicas de NárniaUma Visita ao Santíssimo Sacramento (Canção Nova)Sabedoria e Inocência – Vida de G. K. Chesterton