Todos erramos várias vezes por dia. Existem erros em relação aos quais temos responsabilidade moral e erros em relação aos quais não a temos. Existem erros que ofendem a Deus e outros que não o ofendem. O erro do estudante que estudou é diferente do erro daquele que não estudou.

Erros graves podem ser cometidos sem que se queira o resultado do erro: a) por imprudência (caso de quem deveria ter previsto algo e não previu), como ao dirigir veículo em velocidade excessiva; b) por negligência (deveria ter feito algo e não fez), como ao dar marcha-ré sem olhar pelo espelho retrovisor; e c) por imperícia (deveria ter feito melhor do que fez), como ao atrapalhar-se com os pedais do carro. Outros erros graves podem ser cometidos por quem quer o resultado do erro, seja agindo para que o mal aconteça, seja não o impedindo.

Quando se é criança, nossos erros são apontados pelos pais, pelos professores, pelos adultos. É um processo importante para a formação da consciência. Ao nos fazermos adultos nossos erros são apontados pelos outros ou por nós mesmos (a voz da consciência bem formada acusa antes). Quem tem a consciência bem formada, evita errar, desvia-se das oportunidades de errar e quando erra, percebe que errou, sentindo-se mal por isso.

Hoje, porém, nos deparamos com um fenômeno muito interessante: é cada vez maior o número de pessoas que se recusam a admitir que erraram. Detestam ser advertidas e se revoltam contra quem o faz. Consideram as faltas alheias como justificativas para as próprias faltas. Não admitem ser corrigidas ou aconselhadas por quem também cometa erros (e ninguém poderia advertir ninguém porque todos erramos).

Sabe a razão disso, leitor? Porque a culpa produz uma sensação desagradável. Numa cultura onde o bem-bom vale mais do que o Bem, o sentimento de culpa é algo a ser evitado, não para que se evite o erro, mas porque a idéia de haver errado é desconfortável. Só que a noção de erro (e não raro o sentimento de culpa) são irmãos do arrependimento. Através deles a pessoa sabe que fez o mal. Pelo arrependimento a pessoa desejaria não o ter feito, detestou as conseqüências daquilo que fez, e se move (quando possível) no sentido da reparação do mal e ao pedido de perdão.

Infelizmente, o pouco movimento nos confessionários não é sinal de crescente santidade mas, bem ao contrário, é sinal dos tempos.

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