Certos canais da imprensa noticiam que o Papa irá “autorizar o retorno das Missas em latim”. Como de costume, tal informação está completamente equivocada.


Erro dos principais é a afirmação, constante em várias notas, de que a medida pontifícia será a restauração da Missa no idioma latino, como se os tradicionalistas fossem meros opositores das “Missas em vernáculo”.


Na verdade, o problema é bem outro. As Missas no rito romano nunca deixaram de ser em latim. Apenas houve a autorização, desde Paulo VI, para a celebração em vernáculo. O latim, entretanto, não foi abolido. Basta prestar atenção às Missas do Papa e mesmo de algumas organizações e Dioceses, e veremos que são celebradas seguidamente no idioma latino.


O que o Papa talvez restaure, portanto, não é a “Missa em latim”, que não deixou de ser celebrada, como vimos, mas a “Missa tridentina”, segundo o Missal de 1962. O objeto do protesto de setores tradicionalistas não é tanto o idioma, e sim a reforma do rito da Missa! Em 1969, houve a apresentação do Novus Ordo Missae, alterando o calendário litúrgico romano, suprimindo certas cerimônias, mudando outras e até acrescentando algumas, prevendo a possibilidade do uso completo do vernáculo e da posição versus populum (sem obrigar, frise-se). É essa mudança que Lefebvre e seus seguidores contestam, não a língua. Claro, a Missa “antiga” é em latim, mas a “nova” também pode ser…


Basta ver que o grupo lefebvriano contraria a Missa "nova" ainda que dita em latim! Comparam a nova forma do rito romano com a antiga (chamada “tridentina”, “tradicional”, “clássica” ou “de São Pio V”), ambos no oficial latim, e concluem que a antiga é melhor e, em casos mais extremos, atribuem à Missa de Paulo VI o epíteto de “facilitadora de heresias” ou modernista. Esse o motivo da separação dos tradicionalistas, que incorrem, aliás, em um cisma prático, por questionar a autoridade suprema do Papa.

 

A restauração feita pelo Papa, então, não é do latim na liturgia (só se restaura o que se perdeu, e o latim continua a ser língua litúrgica), mas da plena possibilidade de celebrar a Missa segundo o rito antigo. O qual, aliás, continua a ser celebrado não só pelos tradicionalistas cismáticos – entre os quais se inclui o grupo fundado por Lefebvre – como também por muitos sacerdotes em plena comunhão com Roma, autorizados por tal pela devida autoridade eclesiástica.

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