Vivem-se tempos conturbados na eclesiologia da Igreja Católica Apostólica Romana, principalmente após os desdobramentos do Concílio Ecumênico Vaticano II, iniciado pelo Papa João XXIII em 11/10/1962 e encerrado pelo Papa Paulo VI em 07/12/1965.

“Numa encíclica de junho de 1959, e em muitas outras ocasiões. João XXIII explicou o que se poderia esperar do próximo Concílio. Deveria servir a unidade de todos os cristãos e, para isso, limpar a atmosfera de mal-entendidos, de desconfiança e inimizade que, durante séculos, tinham obscurecido o diálogo entre a Igreja Católica e as outras igrejas cristãs. Como a mais importante contribuição para a unidade, por parte da Igreja, e, portanto, como tarefa primordial do Concílio, João XXIII mencionou o programa de aggiornamento, de atualização da Igreja, de inserção no mundo moderno, onde o cristianismo se faz presente e atuante, sem sacrificar nada dos dados fundamentais da fé católica”. (MATOS, Cristiano José. Introdução à História da Igreja. Vol.2, 5ª ed. Belo Horizonte: Editora O Lutador,1997, p.302)

O Concílio Ecumênico Vaticano II é tido por muitos como uma verdadeira revolução “copernicana” que mudou a forma com que a Igreja se relaciona com o mundo atual.

“Para o articulista, “o Concílio Vaticano II promoveu uma verdadeira revolução copernicana na eclesiologia. Percebe-se isto já na própria estrutura da constituição dogmática sobre a Igreja […]. Em Lumen Gentium, inicia-se a tratar da Igreja como mistério (ou seja, sacramento) de comunhão e unidade de todo o gênero humano, o que se faz enquanto reflexo do Deus Trindade; depois, apresenta-se a Igreja como Povo de Deus; somente em seguida se discute a constituição hierárquica da Igreja, especialmente no que concerne ao episcopado. Vê-se claramente que os Padres conciliares tiveram o cuidado de corrigir uma visão distorcida da Igreja, ainda profundamente arraigada entre os fiéis (ou entre o público em geral), a saber, aquela que consiste em confundir a Igreja com a hierarquia”. (SANTINI, Antônio Carlos. Desafios do Vaticano II (1). Revista Atualização, ano XXXV, nº 315, jul/ ago – 2005, p.372).

Questionamos essa conturbação vigente nos perguntando: Será que em outros tempos a Igreja não passou por períodos igualmente (ou mais) conturbados? Certamente. Desde os primeiros passos da Igreja no início do século I até hoje, nas primícias do século XXI a Igreja passou (e passa) por incontáveis tormentas: perseguições sangrentas, discriminação, sedução pelo poder, dominação pelo Estado ou cesaropapismo, disputas políticas, cismas, heresias, etc. Todos estes eventos fruto das vicissitudes humanas, demonstrando que a Igreja é santa em sua ontologia, mas pecadora em seus membros (filhos), santa em sua Divina instituição, mas pecadora em sua parcela humana. O joio e o trigo continuam plantados no mesmo campo a crescer lado a lado, aguardando a hora da colheita, hora em que a erva daninha será extirpada. (cf. Mt. 13,24-30).

Por tudo isso passou a Igreja, não sem conseqüências, mas é digno de nota a providência divina em cada desdobramento da História seja ela salutar ou deplorável posto que nada ocorre sem a divina permissão.

“Não se vendem dois passarinhos por um asse? No entanto, nenhum cai por terra sem a vontade de vosso Pai. Até os cabelos de vossa cabeça estão contados”. (Mt 10,29-30). “Não vos preocupeis, pois, com o dia de amanha: o dia de amanha terá as suas preocupações próprias. A cada dia basta o seu cuidado”. (Mt 6,34).

Em linhas gerais quais as acusações que constam contra a Igreja decorrente dos ensinos do Concílio Vaticano II? Diz-se que o referido Concílio por ser de índole pastoral (2), nada mais fez que propor, não definindo nada dogmaticamente e que, portanto, seus ensinos são ambíguos e descartáveis.

“O Vaticano II quis ser um Concílio defensor do ecumenismo e do irenismo. Pretendia eliminar as polêmicas numa “nova primavera da Fé”. Hoje, não há duas paróquias que estejam de acordo. O Concílio do aggiornamento só causou tempestades, polêmicas violentas, e divisões profundas. E permitiu que, com a “auto-demolição da Igreja, a fumaça de satanás entrasse no Templo de Deus”, como afirmou e reconheceu o próprio Paulo VI.

Quais as causas de tanta perturbação e de tanta divisão na Igreja, durante estes 40 anos de tragédia pastoral conciliar.

1 – Sem dúvida, foi a ambigüidade dos textos conciliares.

2 – Sem dúvida, foi a obscuridade das expressões adotadas pelo Vaticano II.

3 – Sem dúvida, foi o caráter pastoral do Concílio”. (FEDELI, Orlando. “Ataque e nos defenderemos”. Montfort Associação Cultural. São Paulo, 26/12/2005,p.41)

Diante de todas essas acusações nos vem um questionamento: quem tem autoridade para depreender estas “interpretações” do Concílio? Certamente o Magistério da Igreja não comunga de muitas das interpretações advindas dos documentos conciliares, nota-se entretanto, que certos aspectos dos textos conciliares, devido a sua “índole pastoral”, acabam por não deixar claro (ao menos para alguns intrépidos arautos da hermenêutica) alguns conceitos inovadores, tais como no caso do “Subsistit in” (3) da Constituição Dogmática Lumen Gentium, nº 8 e do conceito de “semente divina no homem” (4) da Constituição Pastoral Gaudium et Spes, nº 3, para citar apenas dois pontos bastante discutidos.

Analisemos a priori, a questão da autoridade nas “interpretações do Concilio”. Observamos que obstante aos ensinos do Magistério da Igreja, surgem “interpretações” dos textos conciliares retirando-os do seu real significado, essas reinterpretações levam ao subjetivismo e ao erro de distorcer o ensino do Concílio. Notamos que até dogmas há muito tempo estabelecidos são às vezes “reinterpretados” distorcendo a ortodoxia da doutrina, quanto mais não pode ocorrer com textos de índole pastoral?

“O problema hermenêutico é muito mais do que um simples problema de processos técnicos de exegese: trata-se de um problema de existência, isto é, de uma nova maneira de existir e tomar posição diante da vida. Isso cria uma nova abordagem, coloca-nos numa nova situação, cria o lugar hermenêutico. É a partir daí que temos de entender o homem que fala, escreve, se comunica, mesmo que seja o autor sagrado ou o magistério da Igreja(…) Essa reinterpretação da Escritura e dos dogmas tem levado certos autores a uma espécie de subjetivismo, de arbitrariedade desmitizadora, guiados pela idéia de que um dogma ou um enunciado da revelação tem apenas um valor funcional, quer dizer: é com se a “verdade” dogmática ou revelada valesse e fosse “verdade” apenas enquanto exprime e existencializa um comportamento humano. O dogma não seria uma verdade em si, mas uma verdade para nós (…) Isso não seria mais uma teologia antropológica mas uma antropologização completa da teologia(…) Essa total funcionalização antropocêntrica seria a destruição da própria teologia e dos dogmas. Temos, pois, que encontrar critérios objetivos que nos apontem caminhos menos inseguros”. (SELLITTI,P. Hermenêutica um problema para a fé In: Revista Atualização, ano XXXV, nº 312,jan /fev – 2005,p.30-31).

O jesuíta FLICK, Maurício (5) segundo SELLITTI, apresenta alguns pontos a serem observados na leitura dos enunciados teológicos, que seriam úteis serem observados no caso dos textos conciliares para um perfeito entendimento do proposto. Em primeiro lugar não se prender a expressões verbais, mas procurar descobrir as intenções dos autores daquelas expressões quando as elaboraram; em segundo lugar, estar consciente de que a verdade nuclear, central, imperceptível, da Revelação tem de ser buscada para lá dos próprios “juízos” conceitualmente pensados; e em terceiro lugar deve-se observar através do conhecimento histórico das situações e dos textos do magistério, qual foi a solução com que a Igreja quis resolver um problema vital seu. Esta solução é propriamente o objeto da intenção didática da Igreja, ou seja, aquilo que a Igreja quis primeiro afirmar. Seguindo-se estes princípios se evitaria ou tornar-se-ia mais difícil a distorção da intenção primeira dos textos conciliares como muitas vezes ocorre, assim sendo, não há erro no texto em si, no ensino em si do Concílio, os erros surgem das falsas interpretações que não respeitam o espírito do texto proposto pastoralmente pelo Magistério da Igreja. Pode-se ainda perguntar como pode haver distorção do ensino Conciliar escutando o Magistério da Igreja? Em resposta a esta indagação, observamos a ocorrência da distorção justamente na não escuta e submissão ao Magistério.

“A má acolhida do Magistério eclesial tem várias explicações,(…) Entre elas, o choque entre ideal e realidade, o número excessivo de documentos, a falta de tempo para a sua assimilação, uma atitude de negligência dos destinatários e a simples recusa do Magistério, considerado como mera opinião ao lado de outras, pelo que poderia ser tranqüilamente rejeitado.(…) Uma recepção filial e obediente resolveria tudo, (…) Omitindo todo juízo, devemos ter o ânimo pronto e disposto a obedecer em tudo à verdadeira esposa de Cristo nosso Senhor, que é nossa santa mãe Igreja hierárquica. A palavra do Papa, (…) e os demais pronunciamentos do Magistério, (…)deve ser visto sobretudo como um ensinamento que tende a formar a consciência cristã. E essa tarefa cabe aos teólogos.(…) Pra ver o Magistério não como um peso insuportável, mas surpreendente e extraordinária formação permanente dos pastores e dos fiéis, é necessária uma contínua redescoberta e aceitação da verdade revelada em Jesus Cristo, (…) Mas a recepção deve ser educada mediante a formação da consciência para sentire cum Ecclesiae, para vivere in Ecclesiae, para agere pro Ecclesiae. (…) Nisto reside a eclesialidade do método teológico, que possui uma intrínseca função educativa e formadora”. (SANTINI, Antônio Carlos. Magistério da Igreja: consenso ou dissídio (6). Revista Atualização, ano XXXV, nº 313,mar /abr – 2005,p.166-167).

Lançado luz na questão das fontes das “interpretações” errôneas dos textos conciliares passemos a explicação dos pontos “Subsistit in” da Constituição Dogmática Lumen Gentium, nº 8 e do conceito de “semente divina no homem” da Constituição Pastoral Gaudium et Spes, nº 3. No caso do subsistit in, o Concílio ao utilizar-se do termo “subsistir” (Subsistit) no lugar de “é” (est) quis demonstrar que apesar da Igreja Católica Apostólica Romana ser a única e verdadeira Igreja de Cristo, dar a entender a possibilidade de existência de “elementos de santificação e verdade” nas Igrejas cristãs cismáticas. A explicação “mais” precisa foi proclamada pela Declaração Dominus Iesus, no ano 2000, nestes termos:

“Com a expressão « subsistit in », o Concílio Vaticano II quis harmonizar duas afirmações doutrinais: por um lado, a de que a Igreja de Cristo, não obstante as divisões dos cristãos, continua a existir plenamente só na Igreja Católica e, por outro, a de que « existem numerosos elementos de santificação e de verdade fora da sua composição », isto é, nas Igrejas e Comunidades eclesiais que ainda não vivem em plena comunhão com a Igreja Católica. Acerca destas, porém, deve afirmar-se que « o seu valor deriva da mesma plenitude da graça e da verdade que foi confiada à Igreja Católica »”. (Declaração”Dominus Iesus”, IV, 16)

Complementando a explicação com a nota de rodapé nº 56 desta Declaração, o Magistério não deixa dúvidas que o subsistit in em nada afetou a Verdade revelada.

“(56) É, portanto, contrária ao significado autêntico do texto do Concílio a interpretação que leva a deduzir da fórmula subsistit in a tese, segundo a qual, a única Igreja de Cristo poderia também subsistir em Igrejas e Comunidades eclesiais não católicas. « O Concílio, invés, adoptou a palavra “subsistit” precisamente para esclarecer que existe uma só “subsistência” da verdadeira Igreja, ao passo que fora da sua composição visível existem apenas “elementa Ecclesiae”, que — por serem elementos da própria Igreja — tendem e conduzem para a Igreja Católica »” [Congr. para a Doutrina da Fé, Notificação sobre o volume “Igreja: carisma e poder” do P. Leonardo Boff: AAS 77 (1985) 756-762].

No que se refere ao conceito de “semente divina no homem” da Constituição Pastoral Gaudium et Spes, nº 3, o teólogo D. Estevão Bettencourt, OSB esclarece o texto conciliar afirmando que:

“Quanto à semente divina existente em todo homem conforme a Constituição Gaudium et Spes n° 3, não é senão a alma humana espiritual, capaz de se elevar até o Infinito que é Deus”. (A doutrina do Vaticano II sobre a Igreja. Pergunte e Responderemos, ano XLVI, outubro de 2005, nº 520, p.470)

Esta explicação do texto conciliar é objetada pelo Dr. em História Orlando Fedeli, presidente da Associação Cultural Montfort, que afirma:

“Para Dom Estevão, seguindo o Vaticano II, o homem seria um ser composto de corpo e semente divina e, quando ele fosse batizado, o homem receberia então a graça santificante — que é a participação da vida divina, — dada para a semente divina. Meu caro Dom Estevão, sua interpretação da semente divina como sendo a alma humana tornaria inútil o Batismo”. (FEDELI, Orlando. “Ataque e nos defenderemos”. Montfort Associação Cultural. São Paulo, 26/12/2005, p.45)

Observando a objeção de Fedeli à explicação do teólogo beneditino que foi perito conciliar vemos a falta de aceitação de uma explicação fiel ao sentido verdadeiro do texto conciliar, feita por alguém capaz de emitir um verdadeiro juízo de valor, ademais a encíclica Humani generis do Papa Pio XII afirma que: “(…) as almas são criadas imediatamente por Deus, conforme a fé católica nos leva a sustentar” (cf. DS 3896[2327]) e que portanto a expressão em análise pode ser entendida como a “a alma humana espiritual”, visto que o ser humano é criado à imagem de Deus (cf. Gn 1,27), e sento todo ser humano criatura de Deus, possuidor de uma alma imortal igualmente criada por Deus, esta “alma humana espiritual” pode plenamente ser identificada como uma “semente divina”. Não procede a “tese da inutilidade do batismo”, alardeada por Fedeli, visto que o batismo imprime na alma, na “semente divina”, o caráter que consagra o batizado à religião cristã (cf. Catecismo da Igreja Católica § 1280). É observado também, que os que morrem, sob o impulso da graça, sem conhecerem a Igreja (sem Jesus, sem os Sacramentos), vivendo de acordo com os ditames de sua consciência, cumprindo a vontade de Deus (Lei Natural) podem ser salvos. Como isso seria possível se não possuíssem uma “semente divina”, uma alma que os elevassem a Deus? (cf. Catecismo da Igreja Católica § 1281). A objeção “fedeliana” por assim dizer é fruto da falsa compreensão dos textos e da mente dos padres conciliares. (Como em todas as outras deturpações dos textos conciliares, que só podem ser totalmente entendidos em conformidade com a Tradição da Igreja).

“É certo que a Igreja tem em si a Verdade que é o Cristo Senhor, porém, isto não a exime de perseverar na busca desta mesma Verdade, cuja revelação vai-se dando ao longo da história (…) Não se trata aqui de a Igreja dispor-se a assimilar conteúdos ambíguos, ou mesmo contrários ao Evangelhos – o que seria um contra-senso –, mas de se por em atitude de percepção e decifração dos “sinais dos tempos”, pois o Senhor manifesta seus sinais também através dos caminhos tortuosos da história”. (SANTINI, Antônio Carlos. Desafios do Vaticano II. Revista Atualização, ano XXXV, nº 315, jul/ ago – 2005,p.373-374).

Tomando ciência em linhas gerais das implicações causadas pelas “errôneas interpretações” dos textos conciliares, passemos a observar as perspectivas que se vislumbram com um aprofundamento nos ensinos do Concílio Vaticano II, visto que passados quarenta anos de sua realização, ainda se faz necessário um mergulho rejuvenescedor nas suas fontes para nortear a caminhada da Igreja.

“Quarenta anos após o encerramento do Concílio Vaticano II, a acolhida de seu magistério permanece inconclusa. Seus documentos são extensos e densos de conteúdos, o que significa que muito de seu ensinamento deve ainda ser assimilado e incorporado à vida eclesial. O Concílio deixou em aberto muitas questões, a serem estudadas e amadurecidas pelos teólogos. Exatamente por que de índole pastoral, a partir das sugestões dadas pelos Padres conciliares, há muito ainda por fazer em termos de animação pastoral de nossas comunidades eclesiais”. (SANTINI, Antônio Carlos. Desafios do Vaticano II. Revista Atualização, ano XXXV, nº 315, jul/ ago – 2005, p.374).

Como frutos positivos do Concílio Vaticano II, podemos destacar em linhas gerais o “desabrochar da Igreja Particular” (7), uma maior preocupação com a “evangelização voltada para o 3º mundo” (8) e uma “maior participação dos leigos na vida da Igreja” (9). Como pontos negativos destacam-se as falsas interpretações dos textos conciliares advinda da pastoralidade do Concílio, sobretudo na questão do ecumenismo.

Em síntese o Concílio foi positivo para a Igreja, apesar das poucas vozes discordantes que surgem de tempos em tempos tentando deturpar os benefícios desenvolvidos pelo Concílio: “O Concílio Vaticano II foi, sem sombra de dúvidas, o maior acontecimento eclesial dos últimos séculos” (MATOS, Cristiano José. Introdução à História da Igreja. Vol.2, 5ª ed. Belo Horizonte: Editora O Lutador,1997, p.341)

Finalizando a reflexão ora apresentada, chega o momento de nos voltarmos às promessas de Jesus Cristo à Sua Igreja, posto que tais promessas trazem a tranqüilidade em meio à “tempestade eclesiológica”, da mesma forma como outrora os discípulos foram tranqüilizados em meio ao mar revolto. (cf. Mt. 8,23-27).

É muito interessante e apropriada, a comparação da Igreja com uma barca, num sonho profético, São João Bosco viu a barca (que era a Igreja) agitada por grande tempestade, os ventos e as ondas atacavam com violência, mas a barca não sucumbia, pois era amparada por um lado por Jesus Sacramentado, na coluna mais alta onde se lia “Salus Credentium” (10) e por outro lado pela Mãe de Deus, Nossa Senhora Auxiliadora, onde se lia na coluna “Auxilium Christianorum” (11), na firme condução da barca estava o Sucessor de São Pedro! (o Papa).

São Cipriano de Catargo (século III) compara a Igreja com uma nova “Arca de Noé”, esta arca ao longo de sua história pode balançar em meio às tempestades (12), despertando o medo nos discípulos (cf. Mt.8,26), mas a certeza divina é que ela não afundará jamais, pois as portas do inferno não prevalecerão – portae inferi non praevalebunt – contra ela, venha a tempestade que vier, estamos seguros na barca de Jesus.

“Passarão os céus e a terra, mas as minhas palavras não passarão” (Mc 13,31)

E eu te declaro: tu és Pedro e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja; as portas do inferno não prevalecerão contra ela. Eu te darei as chaves do Reino dos céus: tudo o que ligares na terra será ligado no céu, e tudo o que desligares na terra será desligado nos céus (Mt 16,18-19).

Santo Ambrósio (século IV) dizia: a Igreja é o navio que navega bem neste mundo ao sopro do Espírito Santo com as velas da Cruz do Senhor plenamente desfraldadas”. Continuemos firmes abordo desse navio, pois mesmo com as tempestades, seu porto seguro é Nosso Senhor Jesus Cristo!.

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REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

– BETTENCOURT, Estevão. A doutrina do Vaticano II sobre a Igreja In: Pergunte e Responderemos, ano XLVI, outubro de 2005, nº 520.
– Bíblia Sagrada. 14º Ed. São Paulo: Ave Maria,1998
– Catecismo da Igreja Católica – Edição típica Vaticana. São Paulo: Loyola, 2000.
– Constituição Dogmática Lumen Gentium. 21/11/1964.
– Constituição Pastoral Gaudium et Spes. 07/12/1965.
– Declaração Dominus Iesus. 06/08/2000.
– MATOS, Cristiano José. Introdução à História da Igreja. Vol.2, 5ª ed. Belo Horizonte: Editora O Lutador,1997.
– SANTINI, Antônio Carlos. Desafios do Vaticano II. In: Revista Atualização, ano XXXV, nº 315, jul/ ago – 2005.
– _________. Magistério da Igreja: consenso ou dissídio. In: Revista Atualização, ano XXXV, nº 313,mar /abr – 2005.
– SELLITTI, P. Hermenêutica um problema para a fé. In: Revista Atualização, ano XXXV, nº 312,jan /fev – 2005.
– FEDELI, Orlando. “Ataque e nos defenderemos”. Montfort Associação Cultural. São Paulo, 26/12/2005.In:http://www.montfort.org.br/index.php?secao=veritas&subsecao=igreja&artigo=destevao&lang=bra

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NOTAS:

(1) Resenha do artigo de BARROS, Paulo César In: Revista Convergência – jul – ago /2005.
(2) “Dado o caráter Pastoral do Concílio, evitou este proclamar em forma extraordinária [ex cathedra] dogmas, dotados da nota de infalibilidade. Todavia, conferiu a seus ensinamentos a autoridade do Supremo Magistério da Igreja” (Compêndio do Vaticano II, Petrópolis: Vozes,1969, p. 31).
(3) “Esta á a única Igreja de Cristo, que no símbolo professamos una, santa, católica e apostólica, e que o nosso Salvador, depois de sua ressurreição, confiou a Pedro para que ele a apascentasse (Jo 21,17), encarregando-o, assim como aos demais apóstolos de a difundirem e de a governarem (cf. Mt 28, 18 ss), levantando-a para sempre como “coluna e esteio da verdade” (1Tm 3,15). Esta Igreja, como sociedade constituída e organizada neste mundo, subsiste na [subsistit in] Igreja católica, governada pelo sucessor de Pedro e pelos bispos em comunhão com ele, ainda que fora do seu corpo se encontrem realmente vários elementos de santificação e de verdade, elementos que, na sua qualidade de dons próprios da Igreja de Cristo, conduzem para a unidade católica”. (Constituição Dogmática Lumen Gentium, nº 8).
(4) “Eis a razão por que o sagrado Concílio, proclamando a sublime vocação do homem, e afirmando que nele está depositado um germe divino, oferece ao gênero humano a sincera cooperação da Igreja, a fim de instaurar a fraternidade universal correspondente a esta vocação. Nenhuma ambição terrena move a Igreja, mas unicamente este objetivo: continuar, sob a direção do Espírito Paráclito, a obra de Cristo, que veio ao mundo para dar testemunho da verdade, não para julgar mas para salvar, não para ser servido mas para servir”. (Constituição Pastoral Gaudium Et Spes, nº 3).
(5) SELLITTI,P. Hermenêutica um problema para a fé In: Revista Atualização, ano XXXV, nº 312,jan /fev – 2005,p.31-32)[ FLICK, Maurício.La svolta antropológica in teologia, in: La Civiltà Cattolica, 7.11.70.]
(6) Resenha de artigo de AMATO, Ângelo, SDB, sobre a questão do método em teologia In: Revista “Isidorianum” nº 26/2004 – Centro de Estudos Teológicos de Sevilha – Espanha.
(7) “A eclesiologia que valoriza a Igreja particular encontra correspondência no fenômeno histórico que o pós – Concílio pôs em evidência: a passagem de uma Igreja Católica identificada substancialmente com o mundo ocidental, latino, para uma Igreja mais marcada pela universidade geográfica e étnica, que mais cresce no terceiro mundo”. (MATOS, Cristiano José. Introdução à História da Igreja. Vol.2, 5ª ed. Belo Horizonte: Editora O Lutador,1997, p.342)
(8) “Sem dúvidas, um dos resultados mais surpreendentes do Vaticano II tem sido o despertar das Igrejas do Terceiro Mundo(…) o Concílio significou a porta aberta para o desenvolvimento de sua originalidade e vocação específica” (MATOS, Cristiano José. Introdução à História da Igreja. Vol.2, 5ª ed. Belo Horizonte: Editora O Lutador,1997, p.342-343)
(9) “O Vaticano II iniciou uma desclericalização da Igreja, devolvendo aos leigos, os fiéis comuns, a dignidade e a possibilidade de participação plena. Os numerosos organismos criados a nível diocesano e paroquial são uma clara expressão desta busca de corresponsabilidade, comunhão e participação. Corrigindo o excesso de sacramentalismo que penetrou na Igreja pós-tridentina. (MATOS, Cristiano José. Introdução à História da Igreja. Vol.2, 5ª ed. Belo Horizonte: Editora O Lutador,1997, p.343)
(10) Salvação dos que crêem.
(11) Auxílio dos Cristãos
(12) “Antes do advento de Cristo, a Igreja deve passar por uma provação final que abalará a fé de muitos crentes”. (cf. Catecismo da Igreja Católica § 675).

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