Cristo pediu a construção de templos , de altares , e liturgias organizadas , perguntam os protestantes ?

Resposta : Sim , pediu e podemos provar com passagens das Sagradas Escrituras.

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PRIMEIRA PARTE

CAPÍTULO IX
Das disposições para se oferecer o Santo Sacrifício da Missa

 

§ 1 ? DISPOSIÇÕES MATERIAIS

P. A que se refere o termo “material”, objeto do estudo deste §1?
R. “Material”, aqui, se refere aos edifícios destinados à celebração do sacrifício da Missa, ou seja, as igrejas, incluindo tudo o que nelas contém para tal, como os altares, e tudo relativo a eles. Neste parágrafo não iremos tratar dos vasos, dos tecidos sagrados, dos ornamentos, do incenso e dos demais objetos do culto.

P. Qual foi o primeiro templo especificamente usado para o sacrifício da Missa?
R. O primeiro templo especificamente utilizado para o sacrifício da Missa foi o Cenáculo, lugar “amplo e bem adornado” (Lc 22) para a celebração da Eucaristia, a pedido de Jesus Cristo ? Deus.

P. Por que Nosso Senhor exigiu um local “amplo e bem adornado”?
R. O mesmo Jesus Cristo, que nasceu num estábulo, pois não tinha onde repousar sua cabeça, e que morreu na cruz, ordenou a seus discípulos que procurassem um local “amplo e bem adornado”, para justificar a majestade e riqueza das nossas igrejas.

P. Qual foi o primeiro altar do sacrifício da Missa?
R. O primeiro altar em que se realizou o sacrifício de Cristo foi o Calvário.

P. Nos tempos de perseguição, onde se realizava o sacrifício da Missa?
R. Em geral, na época de perseguição dos cristãos, o sacrifício da Missa era realizado nas casa de alguns fiéis privilegiados, ou escondidos em cavernas, bosques, calabouços ou catacumbas.

P. Quando foram construídas as primeiras igrejas para a celebração solene e pública do sacrifício da Missa?
R. Logo após o término das perseguições foram construídas as primeiras igrejas para a celebração pública da liturgia da Missa, em honra do verdadeiro Deus. Posteriormente, em todas as partes, a piedade e arte de cada século contribuíram para a grandeza e riqueza das construções, sempre erigidas, fundamentalmente, para a celebração do sacrifício da Missa.

P. Dentre os diversos estilos arquitetônicos das igrejas, qual foi o mais significativo quanto à piedade e grandeza devidas a Deus?
R. Foi o estilo gótico que consagrou a Deus suas majestosas catedrais, com suas elegantes cúpulas e formas grandiosas. Também os elevados campanários nas pequenas aldeias, rompendo com graça a uniformidade da paisagem, anunciavam por toda parte o tabernáculo de Deus entre os homens.

P. A construção das igrejas seguia alguma regra específica?
R. Sim; seguia uma tradição específica, conforme o testemunho do autor das “Constituições apostólicas”.

P. Que recomendava aquela tradição referente à construção de igrejas?
R. Havia uma série de recomendações quanto:
A ? a forma: que deveria ser ampla e semelhante a uma nave ? daqui vem o nome do corpo principal do templo;
B ? a orientação: deveria estar voltada para o Oriente ? origem da luz, simbolizando Nosso Senhor, Luz do mundo;
C ? a sacristia: ao lado do altar, onde se colocariam os objetos do culto, incluindo os paramentos litúrgicos;
D ? a cátedra, ou sedia, do bispo: localizada no fundo da catedral, com os assentos para os sacerdotes à sua direta e à sua esquerda;
E ? o altar: no meio do santuário, como são vistos nas igrejas românicas;
F ? o santuário: fechado por uma balaustrada;
G ? a frente do altar: local para os clérigos menores, seguidos dos fiéis, onde havia o púlpito para as leituras e sermões.

P. Como se dispunham os fiéis na catedral?
R. Os homens ficavam de um lado e as mulheres do outro, para melhor conveniência do ósculo da paz. Viria depois local reservado aos catecúmenos e aos penitentes públicos

P. Quantas portas havia nas igrejas primitivas?
R. Em geral havia três portas: a principal, ou grande porta, à frente do edifício; a porta menor, que separava os fiéis dos catecúmenos e penitentes públicos; e a chamada porta santa, que fechava a parte do santuário, e que servia de balaústre para a mesa da comunhão.

P. Que semelhanças há entre aquelas igrejas primitivas e as atuais?
R. Há inúmeras, como por exemplo:
1 ? a Cruz externa, sobre o edifício ou sobre o campanário, indicando o sacrifício que se renova no templo católico;
2 ? os sinos, como a voz do sacerdote, convocando os fiéis;
3 ? as pias de água benta: ao lado da entrada, lembrando a pureza exigida na oblação;
4 ? os confessionários: como meios para, através do sacramento da penitência, ou confissão, recuperarmos a graça de Deus, perdida pelos pecados;
5 ? a cruz na frente do altar: indicando aos fiéis que devem unir o sacrifício do seu coração à imolação da grande vítima do mundo;
6 ? local para o coro e o órgão;
7 ? capelas laterais, possibilitando a multiplicidade de Missas;
8 ? relicários, imagens que nos lembram a glória dos santos e que já consumaram seu sacrifício;
9 ? finalmente, e acima de tudo, o altar, que é o ponto central das nossas igrejas.

P. Que significa a palavra ?altar??
R. A palavra ?altar? deriva de ?altus ? significando ?elevado?. Entre os gregos, o termo utilizado era thusiasterion, que significa ? lugar da imolação?.

P. Que afirmou s. Gregório sobre o altar do sacrifício?
R. S. Gregório nos diz que o altar do sacrifício é de pedra comum, semelhante a que usamos para levantar muros, porém devidamente abençoado e consagrado ao Senhor.

P. Havia altares sobre túmulos?
R. Sim, às vezes erguiam altares sobre túmulos de mártires, e sua forma externa era de uma sepultura. Mas, como dizia Sto. Agostinho, o altar era somente para Deus, embora contendo os restos mortais de mártires. Disto surgiu o costume de se colocar relíquias de santos nos altares, costume que não só nos apresenta uma imagem do céu, onde S. João viu no altar as almas dos mártires (Apc 6), mas nos mostra também um espetáculo digno dos anjos e dos homens: Jesus Cristo, vítima universal oferecida a Deus sobre o corpo das suas vítimas, estimulando os fiéis ao sacrifício das suas vidas, pelo menos moralmente.

P. Todos os altares são iguais?
R. Não. Os altares são diferenciados segundo a forma de sua consagração ou da sua finalidade, havendo, basicamente, três tipos de altares:
A ? Fixo: quando a pedra inteira é consagrada;
B ? Portátil: quando foi consagrada somente a pedra central;
C ? Privilegiado: altar em que se permite celebrar missas de defuntos mesmo nos dias proibidos em outros altares, ou que gozam de indulgências temporais ou perpétuas específicas.

P. Por que o altar está sempre acima do nível do solo?
R. O altar deve ficar acima do nível do solo, elevado pelo menos por um degrau ou base, para corresponder ao significado literal e místico do seu próprio nome e da sua finalidade.

P. Como a elevação do altar acima do solo corresponde a sua finalidade?
R. Como a oração é a elevação da alma a Deus, assim também é o sacrifício celebrado no altar, sinal público da mais excelente oração, que deve ser oferecido num lugar elevado para nos lembrar que devemos nos separar da terra, e nos elevarmos para o céu, aproximando-nos espiritualmente do trono da misericórdia de Nosso Senhor.

P. O que deve ser colocado no centro do altar?
R. No centro do altar deve ser colocado um tabernáculo, no qual se conservam as hóstias consagradas para a comunhão dos fiéis, ou levadas aos enfermos, e a hóstia que é exposta à adoração nos ofícios públicos.

P. O que se coloca nas laterais do altar, ao lado do tabernáculo?
R. Tanto à direita como à esquerda do tabernáculo, colocam-se pequenos degraus, com flores, e candelabros com velas. Pelo menos duas velas devem estar acesas durante a santa celebração, multiplicando-se conforme a solenidade dos dias.

P. Como o altar deve ser revestido?
R. O altar deve ser coberto por três toalhas bentas, sobre as quais coloca-se um missal apoiado em pequena estante, e três quadros denominados cânones do altar (sacras), um ao centro, contendo o texto que é recitado no meio do altar em momentos em que o sacerdote não possa ler comodamente o missal; o da direita, contém as orações da infusão do vinho e da água no cálice e o salmo do Lavabo; o terceiro, à esquerda, contém o último Evangelho segundo S. João.
Nas Missas solenes e cantadas coloca-se ainda no altar o livro das epístolas e dos Evangelhos, e antigamente os instrumentos para o ósculo da paz.

P. Por que se acendem luminárias durante a Missa?
R. A origem deste costume se encontra no início da era cristã, no tempo das perseguições, em que os fiéis, obrigados a celebrar os santos mistérios em lugares escuros e antes do raiar do dia, precisavam acender tochas que, às vezes, eram multiplicadas como sinal de alegria.

P. Há referência desse costume na Escritura?
R. Sim. S. Lucas, nos Atos dos Apóstolos, 20, 7- 8, nos revela que, no local onde S. Paulo pronunciou um extenso discurso aos fiéis no primeiro dia da semana (domingo) havia uma grande quantidade de luminárias. Aí lemos: “E, no primeiro dia da semana, tendo-nos reunido para a fração do pão, Paulo, que devia partir no dia seguinte, falava com eles, e prolongou o discurso até a meia-noite. E havia muitas lâmpadas no Cenáculo, onde estávamos reunidos”.
Além disso, Eusébio nos diz que, na noite de Páscoa, além da iluminação das igrejas, o imperador Constantino ordenava acender todo o tipo de tochas em todas as ruas da cidade, para que aquela noite fosse mais brilhante que o dia mais claro (Euséb., História Ecles., 1. 5, c. 7).
Assim, o costume das luzes durante a celebração da Missa é uma lembrança da mais remota Antigüidade, e como manifestação da alegria espiritual dos fiéis naquele santo momento.

P. O costume de acender luzes não surgiu, portanto, da pura necessidade natural de iluminação?
R. Não, pois, nos séculos III e IV, apesar da profunda paz reinante, na qual a Igreja podia celebrar livremente, e com grandiosidade, cerimônias mais solenes, sempre se acendiam lampadários durante o dia.

P. Há alguma referência histórica sobre esse tema?
R. Sim, por exemplo, quando o herege Vigilâncio se atreveu a acusar a Igreja de superstição porque pessoas piedosas acendiam velas durante o dia nos túmulos dos mártires, S. Jerônimo lhe respondeu indignado, referindo-se aos ofícios eclesiásticos: “Nós não acendemos luzes durante o dia senão para mesclar de alguma alegria as trevas da noite; para velar com a luz, e evitar dormirmos como vós, na cegueira das trevas” (S. Jerônimo, Epist. ad Vigilant ).

P. Por que o testemunho de S. Jerônimo é importante para esse assunto?
R. Porque ninguém como ele poderia estar melhor informado sobre esse costume, pois ele havia visitado toda a Gália (França) e percorrido todo o Oriente e Ocidente. Assim, podemos dizer, sob sua autoridade, que não se acendiam luzes durante o dia porque haviam sido usadas no decorrer da noite, mas que nas igrejas do Oriente se acendiam luzes por motivos místicos: “Em todas as igrejas do Oriente, diz ele, se acendem velas durante o dia quando se lê o Evangelho, não para ver claro, mas como sinal da alegria e como símbolo da luz divina, luz da qual diz o salmo: vossa palavra é a luz que ilumina meus passos” (Id.)
Esse mesmo motivo místico, que levou os fiéis a acender velas durante a leitura do Evangelho, determinou o costume posterior de mantê-las acesas durante a celebração do sacrifício em que Nosso Senhor, que é a verdadeira luz dos homens, está realmente presente; no qual o pontífice e o sacerdote, em suas elevadas funções, representam esta divina e evangélica claridade.

P. Por que a Igreja sempre aprovou esses costumes?
R. A Igreja sempre aprovou esses costumes simbólicos porque eles são ensinamentos simples e edificantes para o povo.

P. Há outros exemplos da utilização da luz como símbolo da fé?
R. Sim, por exemplo, o antigo costume de se colocar nas mãos do recém batizado um círio, e S. Cirilo de Jerusalém, no ano 550, dizia que estes círios acesos são símbolos da fé que se deve conservar com todo o cuidado.

P. Por que se abençoa e se acende o círio pascal?
R. Há mais de 1200 anos se benze e se acende o círio pascal para que a benção desta luz nos permita a contemplar a sagrada ressurreição, ou seja, o brilho luminoso da nova vida de Jesus Cristo, como afirma o 4º Concílio de Toledo, no ano 633, ao censurar as igrejas que não observavam esta cerimônia.

 

 

 

 

CATECISMO DA SANTA MISSA

Baseado em livro de autor anônimo do Século XIX
publicado em 1975 pela EDICIONES RIALP – Madrid,

NIHIL OBSTAT de D. José Larrabe Orbegozo, Madrid, 27 de outubro de 1975

IMPRIMA-SE: Dr. D. José Maria Martim Patino, Pro-Vigário Geral

Apresentação de Angel Garcia Y Garcia

Disponibilizado pela Montfort

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