E. Psichari era neto do incrédulo e sarcástico Ernest Renan. Após um fracasso amoroso, tentou duas vezes o suicídio. Fez-se militar e foi para o deserto do Saara; ali percebeu o vazio dos atrativos das grandes cidades; o contato com a natureza rude e despojada fê-lo pensar; enfrentou os grandes questionamentos relativos ao sentido da vida. O próprio Psichari relata o que lhe aconteceu, falando de si na terceira pessoa:

“Nos seus anos de adolescência, que miséria e abandono! Seu pai alimentara-lhe a inteligência, mas não a alma. As primeiras perturbações da juventude encontraram-no desaparelhado, sem defesa contra o mal, sem proteção contra os sofismas e as falácias do mundo… Durante oito anos, dos vinte e dois aos trinta, errara pelo mundo e atirara a todos os céus a sua maldição… Fugia de continente a continente, de oceano a oceano, sem que alguma estrela o guiasse entre as variedades da terra” (Le Voyage d’un Centurion, 14ª ed., Paris 1916, pp. 4,6).

No silêncio do deserto, a voz de Deus falou a Psichari: “Tu me procuras e eu aí estou, nesse desgosto de ti mesmo que te assalta, nesse peso de tua alma cativa e até no pesadelo horrendo dos teus pecados” (ibd., p. 196).

Pediu então o Batismo, após ter-se preparado devidamente, e escreveu a famosa obra “A Viagem dum Centurião”, que relata a história de sua conversão.

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