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Textos que Incomodam o Protestantismo

Autor: Joel Adán Domínguez

O que você vai ler a seguir é fruto de dezenas de diálogos com irmãos separados: vamos fornecer uma lista de 5 versículos importantíssimos, que costumam romper totalmente o nosso diálogo com esses irmãos, já que não tendo resposta para eles, infelizmente acabam abandonando a conversa e, vez ou outra, soltam também algum insulto.

1º) Mateus 16,18-19: “E eu também te digo que tu és Pedro e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja; e as portas do inferno não prevalecerão contra ela. Eu te darei as chaves do reino dos céus e tudo o que ligares na terra será ligado no céu; e tudo o que desligares na terra será desligado no céu”.

Pergunta: Como você interpreta este texto?

Possíveis argumentos do irmão: Poderá dizer, como sempre, que Jesus não estava falando em edificar a Igreja sobre Pedro, mas sobre Ele mesmo ou sobre esta confissão: “Jesus é o Cristo que todos os cristãos devem confessar”; ele pode remeter você a textos que não provam esses argumentos, tais como Efésios 2,20; 1Pedro 2,4-7; 1Coríntios 10,4; Atos 4,11, já que Pedro é chamado Pedra de edificação enquanto Cristo é chamado Pedra fundamental, coisas que não são contraditárias.

Única Resposta: Jesus está falando particularmente com Pedro e não com uma confissão de fé feita por Pedro, já que todo o texto possui termos demonstrativos como tu, te digo, te darei, referindo-se a Pedro e não à sua confissão, confissão esta que também não pode ligar ou desligar. E ainda que todos os Apóstolos posteriormente venham a recebar este poder, juntamente com Pedro, só Pedro recebe as chaves do reino dos céus.

Conclusão: Jesus está entregando particularmente a Pedro a promessa da edificação da Igreja, deixando-o como herdeiro e com toda autoridade para ligar e desligar. O irmão separado não pode interpretar esse texto de maneira diferente e nem usar outros textos bíblicos sem antes interpretar este.

 

2º) João 21,15-17: “Depois de ter comido, Jesus disse a Simão Pedro: ‘Simão, filho de Jonas: tu me amas mais do que estes?’ Pedro respondeu: ‘Sim, Senhor, tu sabes que eu te amo’. Disse-lhe Jesus: ‘Apascenta os meus cordeiros’. Pela segunda vez, tornou a dizer-lhe: ‘Simão, filho de Jonas: tu me amas?’. Ele respondeu: ‘Sim, Senhor, tu saber que eu te amo’. Disse-lhe Jesus: ‘Apascenta as minhas ovelhas’. Disse-lhe pela terceira vez: ‘Simão, filho de Jonas: tu me amas?’ Pedro, triste por ser-lhe perguntado o mesmo pela terceira vez, respondeu: ‘Senhor: tu sabes tudo; tu sabes que eu te amo’. Disse-lhe Jesus: ‘Apascenta as minhas ovelhas'”.

Pergunta: Como você interpreta este texto, argumentando que somente Cristo ou o Espírito Santo são os Pastores da Igreja, quando vemos nitidamente que Jesus nos deixou um pastor visível?

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Possíveis argumentos do irmão: Não sabe responder ou apenas diz que a morte de Pedro pôs um ponto final em tudo.

Única resposta: Jesus está particularmente falando com Pedro e explicitamente o deixando encarregado da Igreja (as ovelhas de Jesus).

Conclusão: Jesus entregou a ordem de pastoreio da Igreja a um homem, não ao Espírito Santo, nem a todos os seus Apóstolos. É prova certa que Pedro foi o primeiro líder da Igreja, de modo que, ao falecer, algum outro cristão deveria ocupar o seu cargo, como vemos em textos como Atos 20,17-28; 14,23 e 1Pedro 5,1-11.

 

3º) Tiago 2,14-24: “Irmãos: o que aproveita se alguém diz que tem fé e não tem obras? Poderá a fé salvá-lo? (…) Assim também a fé, se não tiver obras, está morta. Mas alguém dirá: ‘Tu tens fé e eu tenho obras’. Mostra-me a tua fé sem obras e eu te mostrarei a minha fé pelas minhas obras. Tu crês que Deus é um: fazes bem; também os demônios creem e tremem. Mas queres saber, homem vão, que a fé sem obras está morta? Abraão, nosso pai, não foi justificado pelas obras quando ofereceu o seu filho Isaac sobre o altar? Não enxergas que a fé agiu juntamente com as suas obras e a fé se aperfeiçoou com as suas obras? E assim se cumpriu a profecia que diz: ‘Abraão creu em Deus e lhe foi contado por justiça, sendo chamado amigo de Deus’. Vês, portanto, que o homem é justificado pelas obras e não somente pela fé”.

Pergunta: Como você interpreta este texto à luz da doutrina de que o homem é salvo somente pela fé, sem as obras?

Possíveis argumentos do irmão: Não responde a esta pergunta, mas remete a outros textos inválidos: Atos 16,30; Romanos 10,9.13; João 6,47; 3,16 e 3,36, que de maneira nenhuma afirmam que somente ou unicamente devemos crer assim; isso não se encontra em lugar nenhum da Bíblia. Também remete a textos que fazem menção às obras da Lei [mosaica] e não às boas obras, como Efésios 2,8-9 e Romanos 3,28.

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Única resposta: A fé e as obras são necessárias para a salvação, já que esta é a única parte da Bíblia em que encontramos as obras e as palavras “somente pela fé”, e isto para afirmar que que o homem NÃO é justificado somente pela fé, mas também pelas suas obras. As obras mencionadas por São Paulo são as obras da Lei, não são as boas obras; as obras da Lei são aquelas constantes na Torá Judaica, também chamada “Lei de Moisés”, coisa que não nos justifica como cristãos. Se o irmão separado vier a afirmar que os textos que ele aponta tratam das boas obras, então ele também deverá aceitar o argumento de que a Bíblia se contradisse!

Conclusão: A doutrina do “somente pela fé” é uma invenção que a Bíblia explicitamente nega.

 

4º) Coríntios 11,27-34: “De maneira que qualquer um que indignamente coma deste pão ou beba do cálice do Senhor será culpado do corpo e do sangue do Senhor (…) Portanto, que cada um examine a sua consciência e coma do pão e beba do cálice; aquele que come e bebe indignamente, sem discernir o Corpo do Senhor, come e bebe o seu próprio juízo (…) Assim, pois, se um homem tem fome, que coma em sua casa e não se reúna para condenação”.

Pergunta: Do que está tratando São Paulo? Que podemos comer e nos condenarmos se não discernimos (estar conscientes do que ingerimos)?

Possíveis argumentos do irmão: Persistirá que é um mero símbolo ou memorial sagrado, do qual se deve participar com respeito.

Única resposta: Relatando o culto da Igreja primitiva, Paulo afirma que se não discernirmos o Corpo e o Sangue do Senhor no pão e no vinho que nos é dado, podemos nos condenar a nós mesmos.

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Conclusão: Não é um mero pão, nem um mero vinho, mas há aí algo muitíssimo mais sagrado, que pode inclusive nos levar ao extremo da condenação: concretamente, o Corpo de nosso Salvador, Jesus Cristo. Isto porque ninguém pode se condenar por ingerir pão e vinho simples, já que o que entra [materialmente] pelo corpo não o torna mais ou menos pecador (cf. Marcos 7,14-23).

 

5º) 1Pedro 3,18-21: “Porque também Cristo padeceu uma só vez pelos nossos pecados – o justo pelos injustos – para nos levar a Deus, tendo morrido na carne, mas vivificado em espírito, no qual também foi e pregou aos espíritos encarcerados, aqueles que outrora desobedeceram, quando a paciência de Deus esperava, nos dias de Noé, a preparação da arca, na qual poucas pessoas – isto é, oito – foram salvas pela água. O batismo, que corresponde a isto, agora nos salva (não lavando as imundícies da carne, mas como aspiração de uma boa consciência para com Deus), pela ressurreição de Jesus Cristo”.

Pergunta: O que é que Pedro afirma que nos salva agora?

Possíveis argumentos do irmão: Não sabe ou, melhor, não quer responder.

Única resposta: O Batismo é necessário para a salvação, não somente a fé.

Conclusão: O Batismo faz parte das obras cristãs que respondem à salvação que Deus nos outorgou gratuitamente. Ninguém que se diga cristão pode dizer que o Batismo não salva. Portanto, é um erro que o irmão evangélico diga que foi salvo quando fez a oração aceitando Jesus Cristo como Salvador, uma vez que desconsidera as águas do Batismo como fonte e requisito para se receber a graça da salvação.

Utilize os textos e argumentos acima nos seus debates e conversas e, seguramente, você estará semeando a semente da verdade.

  • Fonte: Revista Vox Veritas nº 4
  • Tradução: Carlos Martins Nabeto

 


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