A política da Era Moderna parte do pressuposto cartesiano da superioridade da ideia sobre a realidade: tem-se uma ideia, e dobra-se a realidade a ferro e fogo até que se encaixe nela. No auge desta era, em meados do século 20, as ideologias – ideias – comunista, nazista e capitalista causaram centenas de milhões de vítimas.

Na sua decadência, contudo, as sociedades modernas caíram presa de interesses corporativos multinacionais que cresceram à sua sombra. Hoje há uma ideia única a que se deve, como num leito de Procusto, reduzir a realidade. Ela vem das mesmas fontes, bancada pelos mesmos bolsos profundos. O esforço para implantá-la, todavia, vem acelerando entropicamente a dissolução da ordem social ao vergar os limites da natureza numa vã tentativa de implantação da distopia.

Nos territórios do dito Primeiro Mundo, em que o domínio da modernidade foi mais profundo, a ação estatal ainda prepondera, perdendo, contudo, sua ligação com a prática cotidiana; a lei positiva está deixando de representar a moral comum. Nos EUA, a terra do rústico individualismo, está sendo implantada uma ditadura orwelliana em que os opositores das abominações antinaturais da moda têm o telefone grampeado e as contas examinadas pela Receita. Na França, passeatas com mais de 1 milhão de pessoas foram ignoradas pelo Estado, que aprovou o “casamento gay” de uma canetada e agora reprime quem vista roupas com uma ilustração de família tradicional ou proponha um referendo. No Norte da Europa, grande parcela da população jovem vem tendo confrontos diuturnos com a polícia.

Nas periferias da modernidade – Turquia, Egito e Brasil, principalmente –, a população levantou-se em protestos cujo fim principal é manifestar desagrado com a situação atual. Nelas, esta modernidade que ora se dissolve nunca criou raízes profundas, e apenas parasita a sociedade real, sugando impostos para bancar um discurso que não é vivido nem sequer pelos seus proponentes. É por isso que, contrariamente ao que ocorre no Primeiro Mundo, aqui a desordem social é diretamente proporcional à atuação e presença do Estado.

Isso ocorre porque, enquanto nossos governantes obedecem às mesmas corporações que mandam nos americanos ou europeus, nossa ordem social independe do Estado. Ela nasce das famílias, das vizinhanças, das redes de amizades e respeito mútuo que geram uma ordem baseada numa interdependência saudável e capaz.

Quanto mais pedirmos ao Estado, menos ordem teremos. Quanto mais nos organizarmos sem ele, mais ordem perdurará.

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