Editora: Santuário (Aparecida-SP)
Ano: 2001
Páginas: 282 pp.


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Pe. Gino Nasini é um religioso xaveriano (=de São Francisco Xavier), que se doutorou em Teologia nos Estados Unidos e oferece ao público os resultados de ampla pesquisa realizada junto a sacerdotes a respeito de abusos sexuais do clero.

Poder-se-ia pensar que o autor preconiza a abolição do celibato sacerdotal, o que seria falso. O autor do livro está preocupado com a falta de programação da Igreja para tratar os padres delinqüentes e suas vítimas. Clama a conclusão do livro: “A necessidade de se elaborar orientações que levem a uma política diocesana e nacional para lidar com situações de má conduta e abuso e tratar pastoralmente e com justiça os transgressores, as vítimas e as comunidades. Tais orientações fariam sentido se relacionados a um código de ética profissional para sacerdotes e dele derivassem” (p. 234). Esta é a tese que o autor quer apregoar mediante seu livro.

No capítulo dedicado ao celibato, pe. Gino transmite belos depoimentos, que merecem consideração: “O celibato leva-me a amar generosamente, a amar mais alguém para que possa amar todas as pessoas”, ou: “Vivo plena e eficazmente a minha vida; sinto-me realizado”, ou ainda: “O celibato não me pareceu uma exigência tão difícil por causa da minha educação familiar; a castidade era uma das virtudes mais elogiadas no Seminário” (pp. 69-71).

Em suma, o livro põe o leitor frente a um problema descrito com vivas cores pelos próprios participantes da tragédia… O remédio não está na extinção do celibato sacerdotal (esta geraria novos problemas), mas sim na formação dos jovens candidatos às ordens sacras.

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