• Autor: Charles the Hammer
  • Fonte: Site “Traditional Catholic Apologetics” (http://www.catholicapologetics.net)
  • Tradução: Carlos Martins Nabeto

– A Bíblia foi o primeiro livro impresso e foi feita por um católico.

A Bíblia de Gutenberg tem sido frequentemente chamada de “o maior livro do mundo”. Há uma razão boa e significativa para essa afirmação. Marcando o limiar de uma nova arte, essa obra magnífica foi o primeiro livro importante do Ocidente a ser impresso a partir de tipos móveis. Os produtores da Bíblia figuram em alta posição entre os poucos homens que contribuíram com a civilização, [por oferecer a] impressão moderna, uma invenção que se compara com a da roda, da descoberta de fogo ou do uso da pólvora.

A impressão pode ter sido a suprema conquista do Renascimento do [hemisfério] norte. Por conta disso, a escuridão bárbara foi afastada. Os defensores do novo humanismo ou da velha teologia podiam [agora] contar com a imprensa para enviar seus princípios básicos para fora das fronteiras nacionais, para os lugares mais distantes da terra. O conhecimento escrito, outrora posse de poucos cultos, tornava-se disponível para todo homem alfabetizado.

A publicação da Grande Bíblia (às vezes chamada de “Bíblia de 42 Linhas” em razão do número de linhas por página; e às vezes chamada de “Bíblia de Mazarin”, em razão do Cardeal em cuja biblioteca foi encontrada uma cópia dessa Bíblia, em 1763) marcou o início de uma série de impressores na Europa: de 1457 a 1500, apareceram prensas em Estrasburgo, Colônia, Augsburgo, Nuremberg, Ulm, Basileia, Roma, Veneza, Florença, Paris, Lião, Westminster e muitas outras cidades. Juntamente com a proliferação das prensas, surgiram demandantes rivais, procurando demover Gutenberg da sua posição de inventor da prensa. Nunca houve prova definitiva quanto a um inventor específico da impressão no Ocidente. Como a maioria das invenções, deve ter surgido [da contribuição] de muitas mãos. Mas ao longo dos anos, o peso da evidência favoreceu Johann Gutenberg como pioneiro e principal praticante da nova arte. Gutenberg, como Shakespeare, deixou para trás apenas fragmentos curiosos sobre sua vida e obra.

Johann Gensfleisch, nascido em uma próspera família católica de Mainz, por volta de 1400, recebeu o nome de Gutenberg de sua mãe patriciana. Algum tempo depois do seu nascimento, distúrbios políticos forçaram a família a fugir de Mainz e se estabelecer em Estrasburgo. Lá, Gutenberg cresceu e estabeleceu uma parceria, presumivelmente para realizar alguma forma de impressão experimental. Os detalhes desse período são nebulosos e conhecidos apenas através de procedimentos legais. Por vários anos antes de meados do século, Gutenberg desaparece dos registros históricos. Em 1448, ele tornou-se cidadão de Mainz.

Nessa cidade, de 1450 a 1455, o impressor pioneiro passou por um período crucial de sua carreira: por volta de 1450, pediu emprestado 800 gulden a Johann Fust, ourives e capitalista; dois anos depois, pediu [novamente] e recebeu quantia semelhante. A soma foi usada para promover a arte da impressão e o equipamento de trabalho de Gutenberg foi colocado em seguro. Quando o pagamento [do empréstimo] não foi realizado, Fust acionou o Tribunal em 1455, processando para recuperar seu dinheiro com juros e também solicitando a posse das ferramentas de Gutenberg. Como testemunha, o [foi ouvido] Peter Schoeffer, de Gernsheim, um técnico contratado por Gutenberg. Novamente, as brumas do tempo apagam os registros; ao que parece, Fust assumiu a maior parte do equipamento de impressão. A parceria de Fust e Schoeffer foi então estabelecida e eles se tornaram impressores de destaque em Mainz, produzindo um magnífico Saltério em 1457, entre outros trabalhos. Gutenberg aparentemente faliu, mas conseguiu continuar imprimindo. Em 1465, o arcebispo Adolf, de Mainz, nomeou-o para um cargo vitalício, pelos [bons] serviços prestados no passado. O grande impressor faleceu em 1468, mas as circunstâncias da sua morte e sepultamento são desconhecidas.

Entre as peças impressas atribuídas a Gutenberg estão várias edições de uma gramática latina de Donato, algumas cartas de indulgência do Papa (datadas de 1454 e 1455), uma rara Bíblia de 36 linhas e um dicionário de latim chamado “Catholicon”. Mas a principal questão permanece: qual a conexão de Gutenberg com a famosa “Bíblia de 42 Linhas” que carrega o seu nome? Não há respostas claras. Após muita pesquisa, os estudiosos concluíram que a Bíblia foi concebida e iniciada por Gutenberg, mas provavelmente terminada e comercializada por Fust-Schoeffer.

A Bíblia de Gutenberg foi inserida no tempo por Heinrich Cremer, vigário da Igreja Colegiada de Santo Estêvão, em Mainz, o qual rubricou, iluminou e encadernou um conjunto da obras em 1456, marcando a data nos volumes. Concedendo vários meses aos esforços de Cremer, parece aparente que essa Bíblia chegou da imprensa em algum momento de 1455. Os próprios impressores não colocaram data na obra. Qualquer que seja a data real, a Bíblia de 42 Linhas foi uma conquista notável para aquela época ou qualquer outra. A maioria das primeiras obras costuma a ser grosseira, experimental e desastrada, mas a Bíblia de Gutenberg não é assim. Como uma entidade completa e bem-realizada, está em exposição há 500 anos.

Os impressores medievais, exercendo arte ao invés de ofício, esbanjaram um infinito cuidado nesta primeira impressão do Livro dos livros: formato grande e distinto, impressão fina, papel cremoso e tipos góticos elaboradamente belos contribuem para esta produção majestosa. Após experiências com páginas de 40 e 41 linhas, os impressores decidiram-se por uma página de 42 linhas e duas colunas de tipos. São 1.282 páginas impressas em tinta preta. Foram deixados espaços para letras maiúsculas e títulos, e os proprietários do livro empregavam artistas para colocar iluminuras em suas páginas com motivos religiosos, dragões, pavões, falcões e ramalhetes góticos de flores medievais.

O número de Bíblias de Gutenberg impressas em Mainz é desconhecido. Estima-se que vieram desses impressores cerca de 200 cópias, das quais 165 em papel e 35 em pergaminho. Atualmente, existem 51 cópias conhecidas, segundo a Biblioteca Britânica.

(Imagem deste artigo: Bíblia de Gutenberg de 42 Linhas mantida na Biblioteca Pierpont Morgan, em Nova Iorque).

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