Desde que o livro “O Código DaVinci”  foi lançado em todo mundo, as pessoas nunca mais olharam para a obra “A Santa Ceia” de Leonardo, com os mesmos olhos. Até quem jamais tinha notado a existência da obra, só consegue vê-la sob o prisma proposto pelo livro.

Em outra oportunidade publicamos um artigo (1) tratando do verdadeiro sentido deste magnífico tesouro que Leonardo DaVinci nos deixou.

Podemos afirmar com toda certeza que o entendimento das pessoas ficou ofuscado pelas polêmicas levantadas no livro de Dan Brown. Tais sombras não estão lá na obra de Leonardo, porém, o chifre já está na cabeça do cavalo e as pessoas só conseguem ver na “Santa Ceia” uma evidência de conspiração da Igreja.

Algo muito semelhante ocorre com o Vaticano II. Os erros e as sombras não estão nos documentos do Concílio, porém a hermenêutica da ruptura imposta por modernistas e “rad-trads” ofuscou a ortodoxia do Concílio. E assim como a obra de Leonardo, os textos conciliares tornaram-se uma prova indiscutível da conspiração maçônica contra a Igreja.

Como se vê o demônio é inteligente, mas nada criativo.

Hoje quem deseja conhecer o que significa a “Santa Ceia” não irá procurar um especialista em obras de DaVinci, ou algum estudioso de obras de arte, mas procurará respostas no livro mentiroso que já mencionamos.

Não é diferente com o Vaticano II. Quem deseja saber sobre o que o Concílio ensinou, não procurará estudar seus textos, não procurará buscar entendimento no Magistério da Igreja ou na oração, mas terá as especulações “rad-trads” como a única fonte segura.

Por isso, nestes dias torna-se muito atual a recomendação do Papa Pelágio I feita em meados do século VI:

“Jamais foi nem será permitido que se reúna um sínodo particular para julgar um sínodo geral. Mas cada vez que para alguns surge alguma dúvida a respeito de um sínodo geral, para que receberam explicação sobre o que não compreendem, ou espontaneamente aqueles que desejam a salvação das suas almas vêm à Sé Apostólica para receber a explicação, ou ainda, se casualmente… forem obstinados ou contrários a ponto de não quererem ser ensinados, é necessário que, ou pelas mesmas Sés Apostólicas de qualquer modo sejam atraídos à salvação, ou então, para que não possam causar a perda de outros, sejam reprimidos segundo os cânones, por meio dos poderes seculares” (Carta “Relegentes autem”, ao patrício Valeriano, março ou início de abril de 559. Compêndio dos símbolos, definições e declarações de fé e moral. São Paulo: Edições Paulinas e Loyola, 2007. Pg. 164) (grifos meus).

Há coisas que realmente dispensam qualquer comentário…

Notas

(1) FRANGI, Giuseppe. Apostolado Veritatis Splendor: A Última Ceia de Leonardo da Vinci. Disponível em https://www.veritatis.com.br/article/4223. Desde 11/4/2007.

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