Vaticano II

Vaticano II: uma justa hermenêutica

“ …podemos hoje, com gratidão, dirigir o nosso olhar
ao Concílio Vaticano II…” (BENTO XVI, 2005)[1]

Depois de 40 anos do encerramento do CVII, a expressão do Papa reinante, Bento XVI, é de gratidão. Quarenta anos depois do Concílio podemos realçar que o positivo é muito maior e mais vivo do que não podia parecer na agitação por volta do ano de 1968. Hoje vemos que a boa semente, mesmo desenvolvendo-se lentamente, cresce todavia, e cresce também assim a nossa profunda gratidão pela obra realizada pelo Concílio.

E toda essa gratidão e reconhecimento dos frutos do CVII, se dá no bom católico que dócil à Fé que Cristo nos concedeu, se subjuga à Tradição-Católica se subjugando à “Inteligência” da Igreja (conf. Msgr. GEORGE AGIUS, 1928)[2]. Esta Inteligência de Cristo-Igreja é a Tradição-Católica que se expressa verbalmente em Seus ensinamentos, através do vigário de Cristo cá na terra, o Papa. Assim, é a Igreja, através do Papa, que quando se expressando, nos dá a “justa chave de leitura e de aplicação” de todos os documentos passados da Igreja, inclusive do CVII. Bento XVI prossegue:

“ …se […] lemos e recebemos [o CVII] guiados por uma justa hermenêutica[3], ele pode ser e tornar-se cada vez mais uma grande força para a sempre necessária renovação da Igreja. (BENTO XVI, 2005)[1]

Percebe-se que é a Tradição-Católica, ou melhor, a Inteligência de Cristo-Igreja que desde quando criada corre pela história do gênero humano como um rio de graças e dons, nos dando a entender aquilo que se deve entender a respeito de um Deus feito homem. Este Deus é Cristo que como um rio, desde o princípio do advento salvífico, juntamente e igualmente com a Igreja jorra fonte de vida e luz na pessoa humana do católico (conf. BENTO XVI, 2006)[4].

E como que no meio de tanta luz, e tanta graça, o Papa reinante se indaga:

“Surge a pergunta: por que a recepção do Concílio, em grandes partes da Igreja, até agora teve lugar de modo tão difícil? Pois bem, tudo depende da justa interpretação do Concílio ou como diríamos hoje da sua correcta hermenêutica, da justa chave de leitura e de aplicação.” (BENTO XVI, 2005)[5]

E como que limitado à resposta do Papa reinante, Bento XVI, e iluminado pela correta hermenêutica, este texto sobre o CVII prossegue usando da “justa chave de leitura e de aplicação”, abrindo portas para um futuro prometedor.

Referências

  1. BENTO XVI, DISCURSO DO PAPA BENTO XVI AOS CARDEAIS, ARCEBISPOS E PRELADOS DA CÚRIA ROMANA NA APRESENTAÇÃO DOS VOTOS DE NATAL, Vaticano, 22 de dezembro de 2005. [21cvii]

Texto original: “ …podemos hoje, com gratidão, dirigir o nosso olhar ao Concílio Vaticano II: se o lemos e recebemos guiados por uma justa hermenêutica, ele pode ser e tornar-se cada vez mais uma grande força para a sempre necessária renovação da Igreja.”

  1. Msgr George, D.D. Agius. Tradition and the Church. TAN Books and Publishers, Inc. isbn:0-89555-821-1. [23cvii]

Texto original: Author’s Preface: “The descent of the Holy Ghost gave the Church an “Intelect” which is constantly enlightened, susteained and directed to govern the Faithful in an unmistakable way.”

  1. Significado do termo “hermenêutica:” [25cvii]

“interpretação,” 1678, do Gk. hermeneutikos “interpretando,” de hermeneutes “interpretador,” de hermeneuein “interpretar,” considerado uma derivação do termo ‘Hermes’, divindade guardiã da palestra, da escrita e por fim da eloqüência.

  1. BENTO XVI, Audiência Geral, A comunhão no tempo: a Tradição, Quarta-feira, 26 de Abril de 2006 [24cvii]

Texto original: Concluindo e resumindo, podemos afirmar portanto que a Tradição não é transmissão de coisas ou palavras, uma colecção de coisas mortas. A Tradição é o rio vivo que nos liga às origens, o rio vivo no qual as origens estão sempre presentes. O grande rio que nos conduz ao porto da eternidade. E sendo assim, neste rio vivo realiza-se sempre de novo a palavra do Senhor, que no início ouvimos dos lábios do leitor: “E sabei que Eu estarei sempre convosco até ao fim dos tempos” (Mt 29, 20).

  1. BENTO XVI, DISCURSO DO PAPA BENTO XVI AOS CARDEAIS, ARCEBISPOS E PRELADOS DA CÚRIA ROMANA NA APRESENTAÇÃO DOS VOTOS DE NATAL, Vaticano, 22 de dezembro de 2005. [22cvii]

 

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