As irmãs lamentam por sua abadessa

Agora minha mente estava tornando-se debilitada de duas maneiras, pela visão que encontrava o meu olhar fixo, e o triste lamento das virgens que soava em meus ouvidos. Até então lembravam-se [986 D] quietas e suprimiam sua dor, contendo seu impulso de lamentar, por medo dela como se temessem a sua censura, mesmo quando a voz dela estava em silêncio, para que, de nenhuma maneira um som irrompesse delas contrário ao seu comando, e sua senhora sofresse em conseqüência disso.

Mas quando elas não puderam mais subjugar sua angústia em silêncio, e a dor, como algum fogo interior, ardia lentamente em seus corações, imediatamente um forte e irrepreensível grito brotou de forma que meu raciocínio não permaneceu mais calmo, mais uma corrente de emoção, como um curso d?água em inundação varreu, e então, negligenciando meus deveres, eu me entreguei à lamentação.

De fato, a causa do pranto das virgens parecia-me justo e razoável, pois elas não estavam lamentando a perda de um guia e companheiro humano, ou qualquer outra coisa que faz os homens sofrer quando o desastre acontece. Mas parecia como se elas estivessem perdido sua esperança em Deus e na salvação de suas almas, e por isso elas choravam e gritavam dessa maneira:

?A luz dos nossos olhos foi embora
A luz que guiava nossas almas foi levada
A segurança de nossas vidas foi destruída
O selo da imortalidade foi removido
O vínculo da prudência foi retirado
O suporte dos fracos foi quebrado
A cura dos doentes removida
Em vossa presença a noite se tornou para nós como dia
Iluminada com a pura vida,
Mas agora mesmo o nosso dia se tornará escuridão?

Mais triste que todas em sua dor eram aqueles que [988B] a chamavam de mãe e ama-sêca, eram eles que ela pegava, expostos de um lado da estrada em tempo de fome. Ela cuidou deles e os criou e levou-os para a vida pura e sem mancha.
 Mas como se fosse das profundezas, eu recobrei meus pensamentos. Eu olhei na direção daquela santa face e me pareceu como se ela me censurasse pela confusão das barulhentas lamentadoras. Então eu chamei as irmãs com uma voz alta:

?? Olhai para ela e lembrai suas ordens, pelas quais ela vos treinou para serem ordeiras e decentes em tudo. Uma ocasião para lágrimas fez essa alma divina ordenar-vos, recomendando-vos para chorar no momento da oração que agora nós iremos realizar, transformando as lamentações na mesma melodia.?

 

Vestiana vem para ajudar Gregório

[988C] Eu tive que gritar para ser ouvido no barulho das lamuriantes. Então eu supliquei-lhes para ir embora por um tempo para a casa nas vizinhanças, mas pedi que algumas daquelas cujos serviços ela usava para o seu bem-estar quando ela estava viva ficassem. Entre estas, estava uma senhora de nascimento nobre, que tinha sido famosa na juventude pela riqueza, boa família, beleza física e todas as outras distinções. Ela havia se casado com um homem de alta posição e vivido com ele um curto período.

Então, quando seu corpo ainda era jovem, ela foi liberada do casamento, e escolheu a grande Macrina como protetora e guardiã de sua viuvez, e passou seu tempo principalmente com as virgens, aprendendo delas a vida de virtude. O nome da senhora era Vestiana, e seu [988D] pai era um dos que compunham o Conselho de Senadores. Para ela, eu disse que não poderia haver nenhuma objeção de nenhum modo em colocar roupas mais finas no corpo (de Macrina) e adornar aquela forma pura e sem mácula com roupas de bom linho. Mas ela me disse que alguém deve saber que a santa tinha pensado de maneira correta nesses assuntos, porque não era certo que nada que fizéssemos fosse contrário ao que ela desejasse. Mas como era agradável a Deus, seria seu desejo também.

Agora havia uma senhora chamada Lampádia, líder do grupo das irmãs, uma diaconisa. Ela declarou que sabia exatamente os desejos de Macrina [990A] sobre o sepultamento. Quando perguntei-lhe sobre eles (pois ela estava presente em nossas deliberações) ela disse com lágrimas:

?A santa resolveu que a vida pura deveria ser o seu adorno, que isso deveria ser o seu ornamento na vida e o seu sepultamento na morte. Mas tanto como as roupas que adornam o corpo se vão, ela não procurou nenhuma quando estava viva, nem guardou-as para o momento presente. De forma que, nem mesmo se quiséssemos haveria nada mais do que temos aqui, já que nenhuma preparação foi feita para essa necessidade.?

?Não é possível?, eu disse, ?encontrar em nenhum baú alguma coisa para fazer um funeral conveniente??

?Baú de fato?, ela disse, ?tu tens na tua frente todo o teu tesouro! Existe um manto, a cobertura para a cabeça, os sapatos usados nos pés. esta é toda a tua riqueza, estas são todas as tuas riquezas. Não há nada guardado em locais secretos além do que tu vês, ou colocados em caixas seguras ou no quarto. Ela conhecia um único depósito [990B] para sua riqueza, o tesouro no céu. Lá, ela guardava tudo. Nada foi deixado na Terra.?

?Suponha?, falei, ?que eu trouxesse algumas das coisas que eu já tenho para o funeral. Eu estaria fazendo alguma coisa que ela não teria aprovado??

?Eu não acho?, disse ela, ?que seria contra o seu desejo, pois se ela estivesse viva ela teria aceito tal honra de ti em dois níveis: sua religiosidade, que ela sempre elogiou tanto, e o seu relacionamento, pois ela não repudiaria o que veio de seu irmão.? Foi por isso que ela deu ordens que tuas mãos iriam preparar o corpo para o sepultamento.

 

Eles encontram no corpo marcas da santidade de Macrina

Quando decidimos isso, e foi necessário que o corpo sagrado fosse enrolado em linho, dividimos o trabalho e nos dedicamos às nossas diferentes tarefas. Ordenei que um de meus homens trouxesse o vestido. Mas Vestiana [990C], mencionada acima, ornava aquela cabeça santa com suas próprias mãos quando colocou sua mão no pescoço.

?Veja?, disse, ?que tipo de ornamento está pendurado no pescoço da santa!? Enquanto falava, ela afrouxou o fecho e depois esticou a mão dela e nos mostrou uma representação da cruz de ferro e um anel do mesmo material. Ambos estavam fechados por um fino fio e ficavam continuamente no coração.?
 ?Deixe-nos dividir o tesouro?, eu disse. ?Tu tens um estilete da cruz, ficarei contente em herdar o anel?? pois a cruz estava traçada no selo do anel também [990 D].

Olhando para isso, a senhora me disse outra vez ?? Tu não erraste em escolher este tesouro, pois o anel é largo no aro e foi escondido num pedaço da Cruz da Vida.

 

A história de uma cicatriz

Então, quando foi a hora do corpo puro ser envolvido em suas vestimentas, a ordem da grande mulher que tinha partido tornou necessário que eu me incumbisse do ministério; mas a irmã, que dividia comigo aquela grande herança estava presente e juntou-se ao trabalho.

?Não deixes que as grandes maravilhas realizadas pela santa passem desapercebidas?, ela enfatizou, pondo descoberto parte do peito (da Macrina).
 ?Que queres dizer??, eu disse.

[992A] ?Vês?, ela disse, ?esta pequena marca apagada abaixo do pescoço? Era como uma cicatriz feita por uma pequena agulha. Enquanto falava, ela trouxe a lâmpada próximo do local que estava me mostrando. ?O que é surpreendente?, eu falei, ?como se o corpo tivesse sido marcado com algum sinal fraco neste lugar?. ?Isso?, ela replicou, ?foi deixado no corpo como uma prova da poderosa ajuda de Deus.

Pois ali cresceu uma vez uma doença cruel, e havia perigo que o tumor exigisse uma operação ou que a enfermidade se tornasse incurável, se ela se espalhasse para próximo do coração. Sua mãe implorava-lhe freqüentemente e pedia-lhe que recebesse a atenção de um médico, uma vez que a arte médica, ela [992B] disse, havia sido enviada por Deus para salvar os homens. Mas ela julgava pior do que a dor descobrir qualquer parte de seu corpo aos olhos de um estranho.?

Então, quando a noite chegou, depois de cuidar de sua mãe como sempre, ela foi para o santuário e suplicou por toda a noite a Deus a cura. Uma torrente de lágrimas caiu de seus olhos no chão, e ela utilizou a lama feita de suas lágrimas como um remédio para sua doença. Quando sua mãe sentiu-se desanimada e outra vez insistiu que ela permitisse que o médico viesse, ela disse que seria suficiente para a cura de sua doença se sua mãe fizesse o sinal sagrado no local com sua própria mão. Mas quando a mãe colocou sua mãe em seu seio para fazer o sinal da cruz, o sinal agiu e o tumor desapareceu.?

?Mas isto?, ela disse, ?é um minúsculo traço da marca; apareceu no local da terrível [992C] chaga e permaneceu até o final o que poderia ser, como imagino, uma memória da visita divina, uma ocasião e lembrança da perpétua ação da graça de Deus.?

Quando nosso trabalho chegou ao fim e o corpo foi embelezado com o melhor que tínhamos no lugar, a diaconisa falou de novo, insistindo que não era correto que ela fosse vista aos olhos das virgens vestida como uma noiva. ?Mas eu coloquei?, ela disse, ?um dos vestidos negros de tua mãe que acho que ficaria bem posto nela, para que essa beleza santa não fosse adornada com o desnecessário esplendor da roupa.?

Seu conselho prevaleceu, e o vestido foi posto no corpo. Mas ela estava resplandecente, mesmo naquele vestido negro, o poder divino sendo acrescentado, penso, por esta graça final do corpo, de forma que, como na visão de meu sonho, raios pareciam realmente brilhar de sua beleza.

 

Vigília por toda a noite: chega uma multidão de visitantes

 Mas enquanto estávamos assim ocupados, e as vozes das virgens cantando salmos mesclavam-se às lamentações que iam enchendo o lugar, as notícias espalharam-se de alguma maneira rapidamente por toda a vizinhança, e todas as pessoas que viviam próximo correram para ao local, de forma que a entrada não dava mais conta da afluência de pessoas.

Quando a vigília de toda a noite por ela acompanhada pelo cantar de hinos, como no caso (da morte) de mártires, e as festividades tinham acabado, a noite veio, e a multidão de homens e mulheres que havia chegado de todas as regiões vizinhas interrompiam os salmos com lamentações. Mas, embora eu estivesse angustiado devido à calamidade, planejava, de acordo com as possibilidades que tínhamos, que não deveria ser omitido um acompanhamento adequado [994 A] a tal funeral.

 

Gregório faz os preparativos para o funeral

Dividi os visitantes de acordo com seu sexo, e coloquei as multidões de mulheres com o grupo de virgens, enquanto os homens do lugar pus nas fileiras dos monges. Preparei para que os salmos fossem cantados por ambos os sexos de modo ritmado e harmonioso, como num canto coral, de forma que todas as vozes se harmonizassem apropriadamente.

Mas, à medida em que o dia progredia, e todo o espaço do retiro ia ficando mais cheio com a multidão de chegadas, o bispo daquela comarca (de nome Araxius, que havia vindo com todo o conjunto de seus padres), ordenou que a procissão do funeral começasse devagar, [994 B], pois havia um longo caminho a percorrer, e a multidão parecia querer impedir um movimento rápido. Ao mesmo tempo que dava essa ordem, convocou a si todos os presentes que dividiam com ele o sacerdócio para que transportassem o corpo.

Quando isso foi estabelecido e suas ordens realizadas, postei-me debaixo do esquife e chamei Araxius para o outro lado; dois outros renomados bispos tomaram a parte de trás do leito. Então segui adiante lentamente como era esperado, nosso progresso sendo apenas gradual. Pois as pessoas aglomeravam-se ao redor da sepultura e todos estavam insaciáveis em ver aquela visão, de forma que não nos era fácil completar o nosso caminho. De ambos os lados éramos flanqueados por um número considerável de [994 C] diáconos e servos, acompanhando o esquife em ordem, todos segurando velas.

Tudo lembrava uma procissão mística e do início ao fim as vozes se misturavam no canto de salmos, como, por exemplo, aqueles que vem no hino das Três Crianças.

Sete ou oito domicílios interpunham-se entre o retiro e a residência dos Mártires Sagrados, onde os corpos de nossos pais também repousavam. Realizamos com dificuldade a viagem na melhor parte do dia porque as multidões que vinham conosco, e aqueles que constantemente juntavam-se a nós, não permitiam que o nosso progresso fosse como desejávamos.

 

Chegada na Igreja: o sepultamento

Quando chegamos dentro da igreja, colocamos o esquife e viramos primeiramente para rezar. Mas nossa oração foi o sinal para que as lamentações das pessoas se reiniciasse. Pois no momento em que a voz da salmodia silenciou, e as virgens fitavam fixamente aquela santa face, e o túmulo dos nossos pais já sendo aberto, (onde fora decidido que Macrina seria colocada), [994D] uma mulher gritou impulsivamente que depois desta hora não veríamos aquela santa face outra vez. Então o resto das virgens gritou o mesmo, e uma desordenada confusão perturbou o ordeiro e solene canto dos salmos, e todos ficaram entristecidos com as lamentações das virgens. Conseguimos com dificuldade encontrar o silêncio pelo nosso gesto e graças a  fala do precentor, (que) tomando a liderança e entoando as costumeiras orações da Igreja, (levou) as pessoas a se controlarem finalmente para rezar.

 

O túmulo da família é aberto

Quando a prece chegou ao seu devido fechamento, o medo entrou em minha mente, pela transgressão ao divino mandamento que nos proíbe de descobrir o pudor de pai e mãe. ?E como?, eu disse, escaparei de tal condenação se olhar a vergonha comum da natureza humana manifesta no corpo de meus pais? Uma vez que eles estão todos decadentes e dissolvidos, conforme deve ser esperado, e se tornaram pútridos e disformes??

Enquanto pensava essas coisas, e a ira de Noé contra seu filho me lançava pavor, a história de Noé me aconselhou o que deveria ser feito. Antes que a tampa do túmulo fosse suficientemente levantada, revelando os corpos ao nosso olhar, eles foram cobertos por um puro tecido de linho esticado de lado a lado.

E agora que [996 B] os corpos estavam escondidos debaixo do pano, nós ? eu e os acima mencionados bispos da região ? tomamos aquele santo corpo do leito e o pusemos ao lado da mãe, entoando assim a oração comum de ambas. Pois ambas eram uma única voz pedindo a Deus por esta dádiva por toda as suas vidas, que seus corpos ficassem mesclados um com o outro após a morte e que seu companheirismo em vida não fosse quebrado na morte.

 

Com o término do funeral, Gregório retorna para casa

Mas quando completamos todos os ritos costumeiros do funeral, e tornou-se necessário retornar à casa, atirei-me primeiramente ao túmulo e agarrei a poeira, e então comecei meu caminho de volta, deprimido e lacrimoso, ponderando sobre a grandeza da minha perda.

No caminho encontrei um distinto militar que detinha o comando numa pequena cidade Pontus chamada Sebastópolis, e morava lá com seus subordinados. Ele recebeu-me de maneira agradável quando cheguei à cidade, e ficou muito perturbado ao ouvir a calamidade porque estava ligado a nós por laços de afinidade e de amizade. Contou-me a história de um maravilhoso episódio na vida de Macrina, que devo incorporar à minha história e então encerrá-la. Quando cessamos nossas lágrimas e iniciamos a conversa, ele me disse: ?Aprenda sobre a bondade que foi tirada da vida humana.?

 

A história do militar

 ?Minha esposa e eu tínhamos um fervoroso desejo de fazer uma visita à escola da virtude. Porque assim penso que o lugar deveria ser chamado, no qual aquela alma abençoada residia. Conosco [996 D] vivia também naquela época nossa pequena filha, que possuía uma moléstia no olho após uma doença infecciosa. E sua aparência era repulsiva e causava pena, a membrana em volta do olho era mais larga e embranquecida pela doença.

Mas quando entramos naquele domicílio divino, minha mulher e eu nos separamos, visitamos aqueles buscadores de filosofia de acordo com nosso sexo. Fui para a ala dos homens, presidida por Pedro, seu irmão, enquanto minha esposa foi para a ala feminina e conversou com a santa. E quando um intervalo apropriado se passara, achamos que era hora de partir do retiro, e já fazíamos nossas preparações para isso, mas doces protestos foram levantados por ambos os lados igualmente.

Seu irmão estava insistindo para que eu ficasse [998 A] e compartilhasse a mesa dos filósofos, e a santa senhora não queria deixar que minha mulher se fosse antes que preparasse uma refeição para elas e as  entretivesse com as riquezas da filosofia.  E beijando a criança, como era natural, e colocando seus lábios nos olhos dela, ela viu a enfermidade da pequena e disse ? se me concederes o favor de dividir a nossa refeição, darei a ti em troca uma recompensa não imerecida por tal honra.?

?O que é??, disse a mãe da criança.

?Eu tenho um remédio?, disse a grande senhora, ?que é poderoso para curar doenças nos olhos.?

?E então notícias me foram trazidas dos aposentos femininos, me contando sobre essa promessa?, e permanecemos alegremente, pensando pouco na premente necessidade de começar a nossa viagem.

[998 B] ?Mas quando a festa terminou e havíamos dito a prece, o grande Pedro, que havia nos servido com as próprias mãos e nos animado, e quando a santa Macrina despediu-se de minha mulher com toda a cortesia, então enfim fomos para casa juntos, com alegria e corações animados, contando um ao outro, enquanto viajávamos, o que acontecera conosco. Descrevi-lhe o que aconteceu nos aposentos masculinos, o que vi e ouvi. Ela contou todos os detalhes como numa história, e achou que nada deveria ser omitido, mesmo os mínimos pontos. Contou tudo em ordem, mantendo a seqüência da narrativa.

[998 C] Quando chegou ao ponto em que a promessa de curar a doença fora feita, ela interrompeu a narrativa.

?Oh, o que fizemos??, gritou. ?Como pudemos negligenciar a promessa daquela cura que a senhora disse que ia nos dar??

?Eu estava envergonhado pelo descuido e pedi que alguém voltasse depressa para buscá-la. Assim que foi feito, a criança, que estava nas mãos da ama, olhou para a mãe e a mãe olhou nos olhos da criança.?

?Parem?, disse, envergonhada pela desatenção, gritando com alegria e medo.

?Vejam! Nada do que foi prometido está faltando! Ela realmente deu à menina o verdadeiro remédio que cura a doença; é a cura que vem da oração. Já deu ambos e ele já provou a sua eficácia; nada da doença [998 D] ficou nos olhos. Tudo foi purificado pelo remédio divino.?

E enquanto dizia isso, tomou a criança e a colocou em meus braços. E eu  entendi as maravilhas do evangelho, que até este ponto pareciam inacreditáveis para mim, e falei:

?O que pode ser surpreendente na recuperação da visão dos cegos pelas mãos de Deus, quando Suas criaturas, executando essas curas pela fé Nele, realizaram algo não inferior  a aqueles milagres??

Tal foi a história dele; foi interrompida por soluços, e lágrimas engasgaram o que proferiu. Tanto pelo militar como para a sua história.

 

Conclusão

Não considero aconselhável acrescentar à minha narrativa todas as coisas similares que ouvimos daqueles que viveram com ela e conheceram sua vida precisamente. Muitos homens julgam o que [1000 A] é crível numa história pela medida da sua própria experiência. Mas o que excede a capacidade do ouvinte, os homens recebem com insulto e suspeita de falsidade, (como algo) muito remoto da realidade.

Consequentemente, omito aquela extraordinária ação agrícola na época da fome, (do modo) como o milho, para aliviar as necessidades, embora distribuído constantemente, não sofreu nenhuma diminuição perceptível, permanecendo sempre em quantidade o mesmo que era antes de ser distribuído às necessidades dos suplicantes.

E depois disso, houve acontecimentos ainda mais surpreendentes, os quais eu poderia contar. Curas de doenças, expulsões de demônios e previsões verdadeiras sobre o futuro. Acredita-se que todos sejam reais, mesmo que aparentemente inacreditáveis, por aqueles que os investigaram com acuidade. Mas pela mente carnal são julgados fora do possível. Aqueles, quero dizer, que não sabem que de acordo com a proporção da fé tanto é dado em distribuição das dádivas espirituais, enquanto pouco para aqueles de pouca fé, (saibam que) muito é dado aos [1000B] que possuem plena crença em sua religião.

Então, temendo que o descrente seja afligido por descrer nas dádivas de Deus, abstenho-me de uma narrativa bem encadeada para descrever estas sublimes maravilhas, pensando ser suficiente para concluir minha vida de Macrina com o que já foi dito.

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