16- Não sou protestante porque: eles protestam, criticam, censuram a fé Católica para substituí-la pela negação, pela revolta contra a autoridade do Papa etc. Esse é o laço que os une, pois a essência do protestantismo é a negação da Igreja Católica.

R – É um erro a expressão “fé católica”. Não existe fé católica nem fé evangélica, mas simplesmente a fé no Senhor Jesus, o nosso Salvador. Milhões substituíram a fé católica pela fé em Jesus. Ninguém será salvo por pertencer a esta ou àquela denominação. A salvação é pessoal e depende de nossa fé em Jesus Cristo (Jo 3.18; Rm 10.9; At 16.31).

A incoerência da tríade lhes permite afirmar que não existe “fé católica” para, depois, afirmar que milhões substituíram a “fé católica” (que não existia até então) pela fé em Jesus. Se não existe a fé católica, o que, então, abandonaram os revoltosos? É óbvio que existe a fé católica e a fé evangélica. Eu tenho fé em muitas coisas nas quais a tríade não acredita.

É verdade que muitos abandonam a fé católica (verdadeira fé cristã) pela evangélica, mas, na contra-mão, é cada vez maior o número de evangélicos que abandonam as seitas e que voltam para a barca de Pedro. É cada vez maior o número de protestantes que apostatam de fé e se convertem ao misticismo, ao islamismo e ao indiferentismo religioso. Os protestantes adoram alardear suas conversões e se “esquecem” de dizer que, nos países protestantes do norte da Europa, a fé cristã praticamente desapareceu. Adoram falar deste ou daquele que abandonou a Igreja para entrar numa seita qualquer, mas calam-se e nada afirmam daqueles que, abandonando as seitas, convertem-se ao catolicismo.

Normalmente convertem-se ao protestantismo aqueles que não tiveram boa evangelização, e não conheciam a Igreja que diziam crer. No entanto é cada vez mais crescente o número de protestantes esclarecidos que se tornam católicos fervorosos.

Não atacamos o Papa ou quem quer que seja. Quem assim faz não está se comportando como verdadeiro cristão. O Papa é autoridade máxima no catolicismo, mas não no Cristianismo. Logo, como não pertencemos ao catolicismo não estamos sob a autoridade papal. Negamos a Igreja Católica, mas não negamos a Cristo Jesus.

Qualquer um que acompanha as publicações e os programas de rádio e de televisão dos protestantes pode ver que o catolicismo é sempre atacado e insultado. Isto é fato notório. Até parece que o catolicismo é o único assunto destes programas e destas publicações… Por outro lado, as publicações e os programas católicos dificilmente falam do protestantismo e, quando o fazem, na maior parte das vezes é para ressaltar algum lado bom dos protestantes ou esclarecer desmentidos. Daí se vê quem é, verdadeiramente, cristão.

17 -Não sou protestante porque cada qual dá à Escritura o sentido que julga dar, e assim se vai diluindo e pervertendo cada vez mais a mensagem revelada. Lêem apenas, mas tem grandes dificuldades de estudarem a Bíblia e as antigas tradições do Cristianismo.

R – Carece de prova a afirmação de que cada evangélico dá a interpretação que deseja dos textos bíblicos.

E não é verdade não? Desde os primórdios do protestantismo é assim: cada um dando a interpretação que deseja aos trechos bíblicos que deseja.

Não foi à toa que o Pai da Revolta, Martinho Lutero assim se pronunciou: “Este não quer o batismo, aquele nega os sacramentos; há quem admita outro mundo entre este e o juízo final, quem ensina que Cristo não é Deus; uns dizem isto, outros aquilo, em breve serão tantas as seitas e tantas as religiões quantas são as cabeças” ( Luthers M. In. Weimar, XVIII, 547 ; De Wett III, 6l ).

As denominações protestantes possuem teólogos, faculdades de teologia, escolas bíblicas, toda uma estrutura para orientar, ensinar, tirar dúvidas. Não há nenhuma norma proibindo a leitura da Bíblia, como aconteceu antigamente no catolicismo.

Primeiramente, a Igreja nunca proibiu a leitura da Bíblia. Apenas proibiu esta leitura nas publicações vernaculares (protestantes) dado o baixo nível das traduções. Fato este comprovado pelos maiores estudiosos dos manuscritos e primeiras traduções. Afirma eles também que apenas os manuscritos guardados pela Igreja é que são fiéis.

Algumas igrejas evangélicas, de fato, possuem seminários faculdades de teologia, etc.. Outras (mais fiéis ao livre exame, e, portanto, mais coerentes), contudo, não têm nada disto e os seus pastores nadam a braços largos nas interpretações particulares, por mais esdrúxulas que sejam.

Julgamos que todos são capazes de entender a Palavra de Deus (2 Tm 3.16-17).

Infelizmente, a verdade é outra. A compreensão da Bíblia exige o conhecimento de hebraico, grego e aramaico; exige a compreensão minuciosa da história de todo o crescente fértil num período de aproximadamente 3000 anos; exige conhecimentos lingüísticos e culturais; exige um profundo conhecimento geográfico de toda a região; exige um profundo conhecimento teológico e patrístico. Infelizmente, poucos são os que podem, sozinhos, entender, verdadeiramente a Bíblia. E este é o calcanhar de Aquiles do protestantismo. Cada qual pega sua Bíblia, entende o que quer e sai por aí fundando igrejas e julgando-se um salvador de almas para Jesus. Na verdade, o mundo jamais conheceu um grande teólogo protestante. Somos, contudo, obrigados a reconhecer que os protestantes conhecem o texto das escrituras melhor do que os católicos. Eles, contudo, se fossem sinceros, reconheceriam que os católicos conhecem o espírito das escrituras melhor do que os protestantes.

Dizer que temos grandes dificuldades “de estudar” a Bíblia é faltar com a verdade. É exatamente o contrário. Os evangélicos estão sempre portando a sua Bíblia. Ocorre o contrário no catolicismo, onde a maioria não tem o hábito de pelo menos ler as Escrituras.

Ler a Bíblia é diferente de “estudar as escrituras”. Os protestantes não estudam as escrituras, até poucos são os que têm condições para isto. Eles apenas lêem. Lêem e não entendem, como aconteceria se eu me pusesse, hoje, a ler um livro de física quântica. Pergunto: que adianta ler e não entender? De nada serve esta leitura feita a torto e a direito. Aliás, este falso conhecimento da Bíblia é o que impede muitos protestantes a reconhecer os dogmas da igreja, pois eles passam a julgar que entenderam as escrituras e que, neste entendimento, não há lugar para o papado, para a transubstanciação, para Maria, etc..

18- A grande razão pela qual o protestantismo se torna inaceitável ao Cristão que reflete é o subjetivismo que o impregna visceralmente. A falta de referenciais seguros, garantidos pelo próprio Espírito Santo (conforme João 14,26 e João 16,13I), é o principal ponto fraco ou calcanhar de Aquiles do protestantismo.

R – Muito pelo contrário, o protestantismo tem-se tornado aceitável pelos que descobrem a verdade. É inegável o crescimento real dos protestantes no Brasil. Todos os que vieram do catolicismo optaram pelos referenciais seguros apresentados pela igreja evangélica porque extraídos diretamente da Palavra. A Bíblia Sagrada é o ponto forte dos protestantes (1 Tm 2.2.15; 3.16-17).

D. Estevão fala de “cristãos que refletem”. Para estes, o protestantismo é inaceitável porque carente de qualquer base lógica. Já os cristãos “que não refletem” são presas fáceis não apenas do protestantismo, mas de muitos outros “ismos” que pululam em nossa sociedade.

Com relação ao crescimento protestante, ele de fato ocorre no Brasil. Mas cresce menos do que o alegado e a “taxa de crescimento” atualmente encontra-se em declínio. Além disto, os grupos protestantes que crescem são, justamente, aqueles que apelam para a “teologia da prosperidade”, segundo a qual basta que alguém entre para esta ou para aquela igreja que terá resolvidos todos os seus problemas. Os que buscam tais igrejas as buscam pelo pão físico, e não pelas palavras de vida eterna de Cristo. Tais igrejas têm forjado cristãos que jamais serão um sinal para o mundo. Jamais anteciparão a segunda vinda do Senhor, jamais converterão as nações, pois fazem de Deus o seu “quebra-galhos” de plantão. É até melhor que não sejam católicos, pois representariam, apenas, um peso para a Igreja.

Por outro lado, as denominações protestantes que guardam alguma seriedade têm avançado bem menos do que o catolicismo (afinal, o número de católicos comprometidos com a Igreja cresce espantosamente em nosso país), ou até retrocedido. As igrejas da teologia da prosperidade, após um breve período de apogeu, tendem a se esvaziar devido à falta de conteúdo cristão. E, normalmente, dado o ódio ao catolicismo que incutem em seus membros, tais esvaziamentos são seguidos de adesões ao misticismo. Quem viver verá o declínio do protestantismo e ao crescimento dos movimentos New Age no Brasil das próximas décadas.

19- Não sou protestante porque esta diluição do protestantismo e a perda dos valores típicos do Cristianismo, estão na lógica do principal fundador Martinho Lutero; que apregoava o livre exame da Bíblia ou a leitura da Bíblia sob as luzes exclusivas da inspiração subjetiva de cada protestante; cada qual tira das Escrituras “o que bem lhe convém”.

R – A objeção acima é uma repetição. Já falamos sobre o livre exame que é uma bênção, pois Deus ordena que todos leiam a Sua Palavra. Vejamos. “Procura apresentar-te a Deus aprovado, como obreiro que não tem de que se envergonhar, que maneja bem a palavra da verdade” (2 Tm 2.15).

A Palavra de que fala Paulo, neste trecho, não se resume à palavra escrita. Para os judeus (assim como para os verdadeiros cristãos) a Palavra de Deus é anterior à Bíblia, perpassa toda a Bíblia (pelo que toda a Bíblia é Palavra de Deus) e vai além da Bíblia (pelo que não apenas a Bíblia é Palavra de Deus). A ordem de conhecer a palavra de Deus, dada por Paulo, implica em estar familiarizado com todos os textos que os judeus tinham por sagrados (todo o Antigo Testamento tal como está nas bíblias católicas), toda a Tradição oral judaica e, com a mais absoluta certeza, todo o depósito de fé que os apóstolos transmitiam às primeiras gerações de cristãos.

“Bem-aventurados aquele que lê, e bem-aventurados os que ouvem as palavras desta profecia…”(Ap 1.3);

Igualmente, neste trecho o “ler” é equiparado ao “ouvir”. Ou seja, tanto faz conhecer as verdades de fé do Apocalipse pela leitura do mesmo (coisa que, à época, somente alguns poderiam realizar), ou receber tais verdades oralmente pelo Magistério da Igreja (que, inclusive, era a forma habitual de transmissão da fé cristã até a difusão da imprensa).

“Bem-aventurado o homem que…tem o seu prazer na lei do Senhor, e na sua lei medita de dia e de noite” (Salmo 1.1-2);

Pode-se meditar na Lei do Senhor lendo as escrituras, ou recebendo estas leis oralmente da Igreja.

“Examinais as Escrituras…” (Jo 5.39);

Neste trecho, Jesus manda os fariseus examinarem as escrituras. Mas, perceba-se, esta ordem não se dirige ao povo, mas aos fariseus. Ao povo, Jesus dizia: “ouvistes o que vos foi dito, deixando bem claro que aos mesmos não era dado interpretar as escrituras ao seu bel-prazer. Já os escribas e fariseus “sentavam-se na cátedra de Moisés”, ou seja, eles tinham a missão (e a condição) de estudar as escrituras, discerni-las e transmiti-las ao povo simples. Portanto, não é dado a todos “examinar” livremente as escrituras. Também no cristianismo, cabe ao magistério da Igreja fazê-lo. Nós podemos ler a Bíblia; podemos meditar na palavra do Senhor e tirar, dela, instruções para a vida se já estivermos firmes na doutrina e na moral católicas. Do contrário, de tal leitura poderão surgir inúmeras heresias.

“Estes foram mais nobres do que os de Tessalônica, pois de bom grado receberam a palavra, EXAMINANDO CADA DIA nas Escrituras…” (Atos 17.11).

É justamente o que eu disse acima. Primeiramente, a comunidade recebeu oralmente a palavra, e, depois de aceitar e se enraizar nesta transmissão oral, passou a buscar, nas escrituras, as mesmas verdades de fé. Note-se, portanto, que a comunidade cristã não se aventurou a tirar, livremente, das escrituras nenhuma norma de fé. Tais normas eram recebidas apenas por meio dos apóstolos e dos seus sucessores. As escrituras completavam estas catequeses orais.

Logo, cai por terra o argumento do livre exame. A Escritura é para ser lida e examinada livremente.

Não retiramos das Escrituras o que bem nos convém, porque nela tudo convém.

De fato, nas escrituras tudo convém. Mas nem todos estão preparados para a ler e o livre exame é o que tem levado às divisões infinitas do protestantismo.

20- Concluindo! Não sou protestante porque Maria Santíssima disse: Desde agora, todas as gerações me chamarão de Bem-aventurada; (Lucas 1.48), e nos cultos protestantes, seu nome, sequer é mencionado. Caiu no esquecimento. Quem cumpre (Lucas 1.48) é somente a Igreja Católica Apostólica Romana.

R – Deus não divide sua glória com ninguém (Is 42.8).

Ele é soberano e somente a Ele devemos adorar (Mt 4.10). Maria morreu. A tentativa de comunicação com os mortos é abominação ao Senhor (Is 8.19; Dt 18.10-12). Na parábola do rico e Lázaro, Jesus informa que os mortos nada podem fazer pelos vivos (Lc 16.19-11). Bem-aventurada quer dizer feliz. Maria foi uma pessoa feliz.

Jesus chamou de bem-aventurados os pobres de espírito, os que choram, os misericordiosos, os limpos de coração, etc (Mt 5). Então, por ter sido chamada de bem-aventurada, Maria não ficou investida das prerrogativas de mãe de Deus, mãe da humanidade, assunta aos céus, advogada nossa, sempre virgem, imaculada, depositária de preces, rainha dos céus, trono de sabedoria, etc .O nome da santa Maria é pronunciado por qualquer cristão, observando-se tudo o que a Bíblia diz sobre ela.

Novamente, a tríade não entrou naquilo que propôs D. Estevão: o fato de que a profecia bíblica sobre Maria (todas as gerações a chamariam de bem-aventuradas) se cumpre apenas na Igreja Católica. Os protestantes estão em desacordo com a Bíblia também neste ponto.

É óbvio que não apenas Maria é bem-aventurada. Todos os santos também o são. Isto não muda o fato de que a Bíblia diz, apenas dela, que TODAS AS GERAÇÕES a deveriam reconhecer como santa. Ademais, diz a Bíblia que ela é “bendita entre as mulheres”, isto é, a sua glória ultrapassa a das demais santas de Deus.

Ela é mãe de Deus porque gerou Deus na carne; ela é mãe da humanidade porque o próprio Jesus, no auge de Sua Paixão, entregou-nos Maria como mãe; a assunção aos céus é crida entre os cristãos desde o primeiro século; a própria Bíblia, no episódio da bodas de Caná, estabelece Maria como intercessora por excelência; ela é rainha dos céus, pois o próprio anjo entra em sua casa e a saúda, gesto este que apenas os subordinados tinham com os seus senhores.

Com isto, terminamos. Espero que este trabalho faça crescer a Glória de Deus.

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