Imagine você, caro leitor, o que aconteceria se os pais dos abortistas pensassem como seus filhos? Eu lhe digo: aconteceria que estes seres humanos não nasceriam, jamais conheceriam a vida e não teriam a consciência da existência. E se ainda nossos avôs, bisavôs, tataravôs pensassem todos, que a vida do outro é propriedade comum e que esta pode ser disposta da maneira mais conveniente que existe? Aí, estaríamos todos condenados ao nada. Nossa humanidade estaria invariavelmente destinada a extinção completa, operada por nós mesmos, seres humanos inteligentes e com livre-arbítrio.

Infelizmente alguns líderes das nossas sociedades, pensam convictamente que o melhor caminho, o mais inteligente, o mais democrático para a coexistência pacífica e o desenvolvimento dos seres humanos na Terra é conferir o direito de eliminarem, com conforto e requinte, sem constrangimento, silenciosamante, seus próprios filhos. Estes lutam para que o aborto, o impedimento de que seres humanos continuem o curso natural de suas vidas até a morte natural, seja um direito. Chamam de direito de escolha. Eu chamo direito de matar, no caso, o próprio filho.

Interrupção voluntária da gravidez, direito de escolha, saúde reprodutiva da mulher, aborto asséptico ou terapêutico, por trás de expressões bem elaboradas existe um único fato, uma única realidade objetiva: um feto no lixo. E se esta é a finalidade de todos estes termos, se eles significam um resultado como este, por que não colocamos este foco principal e inegável nas nossas conversas sobre o aborto? Como pergunta Claúdio Fonteles, procurador geral da república, ?o que é um feto, uma coisa ou um ser humano?? Creio que a medicina e a ciência não deixam dúvida de que o feto não é coisa e que desta verdade ninguém ousa negar. Então por que este mesmo feto é tratado por alguns, até por parlamentares, como coisa? Por que é chamado de ?geléia? (1), dentro de seminários abortistas? Com que respaldo o fazem?

Ora, se estar diante de um feto é estar diante de um ser humano, por que este não é tratado conforme sua própria identidade? Porque não o convém. Não o damos sua devida dignidade porque isso incomoda. Porque o que importa é o eu, não o tú. Porque o egoísmo da humanidade chegou ao nível do egoísmo supremo, alcançou ao patamar daquele crime que clama por uma vingança da natureza. Para viver tranquilamente diante deste sentimento de culpa é preciso então encontrar algumas justificativas.

Alguns vão dizer que a culpa é da explosão demográfica. Ou sacrificamos alguns seres humanos agora ou conheceremos o caos. Ignoram no entanto países como o Japão e a China, aonde o aborto é liberado, que ou mudam drasticamente suas políticas natalinas ou morrem econômicamente em 10 anos por envelhecimento da população e por falta de mão de obra renovada. Ignoram também que a Itália e a Alemanha estão disputando o título de país fantasma, aonde o número de falecimentos já são maiores do que as de nascimentos há pelo menos 7 anos. Que toda a Europa cria dia após dia programas para que casais tenham no mínimo três filhos.

Outros vão dizer que a culpa é do aborto clandestino e da mortalidade materna. O Jornal do Brasil vai dizer que a OMS calculou o Brasil como campeão mundial de abortos com um número de 3 milhões por ano (2). O Ministério da Saúde vai dizer que a mesma OMS calculou no nosso país 1,4 milhões de abortamento no mesmo período (3). Se esqueceram apenas de dizer que essa mesma Organização Mundial da Saúde jamais auditou qualquer pesquisa envolvendo abortos e que repudia quem levianamente usa seu nome para interesses próprios e para números mentirosos (4). A revista Veja (5) vai dizer que a principal causa de mortalidade materna na Bahia e que a terceira em São Paulo são os abortos mal realizados pela população pobre. Que milhares de mulheres morrem todos os anos graças ao despreparo de clínicas clandestinas. O DataSus, orgão que divulga os números oficiais da saúde nacional prova no entanto que essas milhares de mulheres não passam de 115 (6) por ano.

Esta manipulação de estatísticas é uma ferramenta poderosa usada desde 1971 pelo Dr. Bernard Nathanson, médico que praticou mais de 5.000 abortos e ordenou mais de 60.000, um dos fundadores da Liga Nacional para os Direitos do Aborto nos EUA, e fundador da maior clínica de abortos do mundo: o Centro de Saúde Sexual, em Nova Iorque. Ele explica como a falsificação de estatísticas foi eficiente para mudar a opinião do povo norte-americano sobre o aborto:

“É uma tática importante. Dizíamos, em 1968, que na América se praticavam um milhão de abortos clandestinos, quando sabíamos que estes não ultrapassavam de cem mil, mas esse número não nos servia e multiplicamos por dez para chamar a atenção. Também repetíamos constantemente que as mortes maternas por aborto clandestino se aproximavam de dez mil, quando sabíamos que eram apenas duzentas, mas esse número era muito pequeno para a propaganda. Esta tática do engano e da grande mentira se se repete constantemente acaba sendo aceita como verdade.?

?Nós nos lançamos para a conquista dos meios de comunicações sociais, dos grupos universitários, sobretudo das feministas. Eles escutavam tudo o que dizíamos, inclusive as mentiras, e logo divulgavam pelos meios de comunicações sociais, base da propaganda” (7)

E mesmo que estes números fossem verdadeiros, os defensores do aborto que levantam a suposta alta taxa de mortalidade materna, ignorariam certamente todos os sequestradores de baixo poder aquisitivo que morrem todos os anos por fazerem sequestros mal feitos.

A pobreza só faz aumentar sem a liberação do aborto legal, dizem os preocupados com o IDH (índice de desenvolvimento humano) brasileiro. Estes acreditam piamente que para diminuir a pobreza no país é preciso impedir que os filhos dos pobrem venham a conhecer a luz do sol. Que a eliminação voluntária de um ser humano fadado a uma vida sem recursos é quase um dever e uma manutenção da ordem. É claro, quanto menos pobres nas ruas, melhor o mundo fica.

O direito das mulheres em decidir sobre seu próprio corpo e seu destino também estarão em constante ameaça enquanto o aborto não for legalizado, dizem as feministas. Esquecem-se apenas de conclamarem os direitos das suas companheiras do sexo feminino que acabam fatiadas e aspiradas numa clínica abortista sem chegarem a nascer. Esquecem-se que quando falamos em uma gestante falamos em dois corpos e duas vidas e que este filho não é propriedade dos pais como um objeto que pode ser disposto da maneira lhes convém. Esquecem-se voluntariamente que a vida é do concebido e de mais ninguém.

E nos casos de estupro, de má formação fetal ou de saúde mental da mãe, vão dizer que o grau de desgraça é o que legitima o assassinato de seus filhos, que são no entanto sempre invariavelmente inocentes, paralelos a todo o drama da existência humana, completamente indefesos. Estes consideram o alívio um conceito mais importante do que a vida. Um mesmo país que não permite pena de morte para o estuprador regulamenta a morte de seus filhos que nunca pediram para existir. Enganam-se e enganam a opinião pública porque o aborto em nenhum desses casos é cura para a mãe, alívio para sua mente, pelo contrário, só faz aumentar o trauma físico e a síndrome psicológica pós-aborto (8) de terem eliminado uma vida inocente.

Ainda há aqueles que desejam o ato sexual mas rejeitam seu fruto a qualquer custo; estes vão dizer que este filho é indesejável. Responsabilidade sobre seus atos? Besteira. O melhor é defender que transtornos ao bem estar legitimam a eliminação de uma vida. Como se tivéssemos o direito de matar um vizinho porque este faz barulho e ruído durante toda a noite. É a confissão clara de egoísmo culpável. A carreira, os estudos, a busca pelo sucesso não toleram acidentes, mesmo que acidentes sejam seus próprios filhos. De todos, o argumento mais mesquinho.

Em todos esses casos se verifica uma idéia inconsciente: mãe e filho são inimigos. Mãe indefesa, filho opressor. A verdade contudo é outra. O melhor para a mãe é sempre também o melhor para o seu filho. Deixo minha palavra para o Dr. Julius Fogel, médico que já executou 20.000 abortos nos EUA:

?Toda mulher tem trauma de destruir uma gravidez. Um nível de humanidade é atingido. É uma parte de sua própria vida. Quando ela destrói uma gravidez, ela está destruindo a sí mesma. Não há nenhuma forma em que isso possa ser inofensivo. Está lidando com a força da vida. Está totalmente além do ponto se você acredita que exista vida alí ou não. Você não pode negar que algo esteja sendo criado e que esta criação esteja acontecendo fisicamente. Um preço psicológico é pago. Eu sei disso como psiquiatra? (9).

Por isso é preciso afirmar que o aborto nunca é um bem, nem para a mãe e nem para a criança. Especialmente para a criança. Para ajudar de fato uma mãe que se encontra em estado psicologicamente debilitada por causa de uma gravidez, é preciso encontrar uma solução pró-mãe e pró-filho. No mundo todo, especialmente aonde o aborto é legalizado, crescem cada vez mais organizações de mulheres que se sentem lesadas pelo aborto e que lutam para que outras mulheres não caiam na mesma enrascada que elas. Um exemplo é a Associação de Vítimas do Aborto na Espanha, a Coalisão de Mulheres pela Vida e as Mulheres Exploradas pelo Aborto nos EUA. Sua luta é pelo verdadeiro direito das mulheres, e justamente por isso, pelo direito a vida do feto. Elas entenderam que o aborto é desrespeito, perigo, e violência para a mulher. Nada mais que isso.

Não é a toa que as primeiras feministas eram radicalmente contra o aborto, porque sabiam que este era sempre um instrumento de opressão contra a sua natureza materna e muitas vezes financiadas pelos próprios pais (10). É preciso resgatar essa convicção. É preciso resgatar a convicção de que o direito a vida do filho não nascido não é uma opção religiosa, uma questão de ideologia ou de filosofia, mas um dever de cidadania. É dever de todos nós, defensores do artigo 5 da lei suprema, professar que do direito a vida é que se derivam todos os demais direitos humanos, e que se eliminado este direito magno, nada pode impedir que nos matemos uns aos outros. Vamos parar de uma vez por todas de dizer que o aborto é um direito da mulher quando sabemos que este direito lhe dará apenas um corpo violentado, uma psique manchada e um filho mutilado.

1) CÂMARA DOS DEPUTADOS – DETAQ. Pronunciamento, Sessão: 197.3.52.O – Dep. ELIMAR MÁXIMO DAMASCENO

2) NÚMERO DE ABORTOS SUPERA O DE NASCIMENTOS NO BRASIL. Jornal do Brasil. Rio de Janeiro, 12 abr. 1990, p. 7.

3) MINISTÉRIO DA SAÚDE. Notícias. Ministério da Saúde lança política nacional que amplia acesso ao planejamento familiar. 22 mar. 2005. Disponível em <http://portal.saude.gov.br/portal/aplicacoes/noticias/noticias_detalhe.cfm?co_seq_noticia=13728>

4) OPAS, repartição regional da OMS. Recebido por fax pela Dr. Zilda Arns em 11/03/1993. O texto está em castelhano e é subscrito pelo Dr. David Tejada-de-Rívero.

5) REVISTA VEJA, Petry, André. Edição de 13/08/2005

6) http://www.datasus.gov.br

7) “Eu pratiquei cinco mil abortos”, conferência pronunciada pelo Dr. Bernard Nathanson no Colegio Médico de Madrid em 5 de novembro de 1982, publicada pela revista Fuerza Nueva. Disponível em: <http://www.providafamilia.org.br/doc.php?doc=doc45845>

8) Quadro preparado pela WEBA. Women Exploited by Abortion (Mulheres Exploradas pelo Aborto), como um alerta para outras mulheres evitarem os riscos da cirurgia de aborto).

Efeitos físicos: Esterilidade; Abortos espontâneos; Gravidez ectópica; Natimortos; Hemorragias e Infecções; Choques e comas; Útero perfurado; Peritonite; Febre/Suor Frio; Dor intensa; Perda de órgãos do corpo; Choros/Suspiros;  Insónia; Perda de apetite; Exaustão; Perda de peso; Nervosismo; Tonturas e tremores; Distúrbios gastro-intestinais; Vómitos;

Efeitos psicológicos: Sentimento de culpa; Impulsos suicidas; Pesar/Abandono; Arrependimento/Remorso; Perda da fé; Baixa auto-estima; Preocupação com a morte; Hostilidade/Raiva; Desespero/Desamparo; Desejo de lembrar da data de nascimento; Alto interesse em bebés; Frustração do instinto maternal; Ódio por pessoas ligadas ao aborto; Desejo de terminar o relacionamento com o parceiro; Perda de interesse sexual/Frigidez; Incapacidade de se auto-perdoar; Pesadelos; Capacidade de trabalho diminuída; Sentimento de estar sendo explorada; Horror ao abuso de crianças

9) COLMAN MACCARTHY, ?A Psychological View of Abortion? 7, 1971

10) Dr. Alice Bunker Stockham, Feticide, in Man?s Inhumanity to Woman, Makes Countless Infants Die: The Early Feminist Case Against Abortion 9, 11 (Mary Krane Kerred. 1991) / Mary Krane Derr, Introduction, in Man?s Inhumanity to Woman, Makes Countless Infants Die: The Early Feminist Case Against Abortion ii (Mary Krane Kerr ed., 1991).

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