Atualmente a Nova Era encontra-se inserida na decoração do lar através de enfeites esotéricos.

Desejamos tratar, neste artigo, de um objeto que está na moda, sobretudo entre os jovens, mas que infelizmente guardam relação com a Nova Era: o “Apanhador de Sonhos”.

Originalmente, era um amuleto “Ojibwa”, que visava impedir pesadelos nas crianças. Era colocado sobre as camas onde as mesmas dormiam. Acreditava-se que com este objeto a criança não teria pesadelos e poderia dormir feliz. Para esse povo, os sonhos exerciam um papel bem importante e fortemente natural. Também atribuíam funções espirituais a muitos animais e acreditavam em rituais de cura através de objetos naturais.

Podemos descrever um “apanhador de sonhos” como um aro de madeira pendurado, sobre o qual se tece uma rede em forma de teia de aranha e enfeitado com penas e pedras. É fabricado de maneira artesanal e costumar ser vendido em muitas barraquinhas, sobretudo naquelas de auxílio espiritual ou esotérico, bem como em algumas comunidades hippies.

POR QUE ESTÁ LIGADO À NOVA ERA?

Tudo isso não teria problema se não houvesse por trás um elemento protetor ou supersticioso, já que ao ser colocado sobre a cama, para proteger a criança de ter maus sonhos, está se lhe atribuindo um efeito mágico: isso é superstição e, portanto, ingressa na área da Nova Era. Isso leva os cristãos a esquecerem o papel que Deus tem em suas vidas: Ele é o único que pode e deve nos proteger de todo mal.

Como católicos, devemos saber e conhecer o que ensina o Catecismo sobre as superstições:

  • “O primeiro mandamento proíbe prestar honra a outros afora o único Senhor que se revelou a seu povo. Proscreve a superstição e a irreligião. A superstição representa de certo modo um excesso perverso de religião; a irreligião é um vício oposto por deficiência à virtude da religião” (CIC, §2110).
  • “A Superstição – A superstição é o desvio do sentimento religioso e das práticas que ele impõe. Pode afetar também o culto que pres­tamos ao verdadeiro Deus, por exemplo, quando atribuímos uma importância de alguma maneira mágica a certas práticas, em si mesmas legítimas ou necessárias. Atribuir eficácia exclu­sivamente à materialidade das orações ou dos sinais sacramen­tais, sem levar em conta as disposições interiores que elas exigem, é cair na superstição (cf. Mateus 23,16-22)” (CIC, §2111).

Com efeito, a superstição é um pecado contra o 1º Mandamento da Lei de Deus, porque colocamos em primeiro lugar, no lugar de Nosso Senhor, um objeto com atribuições mágicas. Encontramos desde os primeiros séculos condenações da Igreja contra quem usava amuletos mágicos ou supersticiosos:

  • O Concílio de Laodiceia, no século IV, após proibir ao clero a prática de feitiçaria e magia, e fabricação de amuletos, determinou que quem usasse amuletos fosse excomungado.
  • Epifânio (cf. Expositio fidei catholicae 24) e São João Crisóstomo, pregando na Antioquia, denunciou os amuletos, usados por membros da sua comunidade, como uma espécie de idolatria.

O QUE A BÍBLIA NOS DIZ?

Bastam estas duas citações para demonstrar como todas essas práticas mágicas e de adivinhação são condenadas por Deus:

  • “E dize: ‘Assim diz o Senhor DEUS: Ai das que costuram almofadas para todas as axilas, e que fazem véus para as cabeças de pessoas de toda a estatura, para caçarem as almas! Porventura caçareis as almas do meu povo, e as almas guardareis em vida para vós?'” (Ezequiel 13,18);
  • “E até fez passar a seu filho pelo fogo, adivinhava pelas nuvens, era agoureiro e ordenou adivinhos e feiticeiros; e prosseguiu em fazer o que era mau aos olhos do Senhor, para o provocar à ira” (2Reis 21,6).

Os feiticeiros são aqueles que usam objetos encantados ou relacionados com a magia; o mesmo se dá com os véus mágicos que se vendiam aos ignorantes para se aproveitar deles e assim “caçar suas almas”, isto é, ganhava-os para o seu partido, em troca de um pouco de alimento.

Em 1Reis 18,20-40, Elias faz todo o possível para mostrar a inutilidade das crenças supersticiosas. Ele desafia os sacerdotes de Baal para um enfrentamento: o deus deles contra o Deus de Israel. Quando o deus deles, inexistente, não age, Elias chega a ironizá-lo:

  • “Clamai em altas vozes, porque ele é um deus; pode ser que esteja falando, ou que tenha alguma coisa que fazer, ou que intente alguma viagem; talvez esteja dormindo, e despertará” (1Reis 18,27).

Por outro lado, o Deus [de Israel] age (cf. 1Reis 18,38), mostrando aos israelitas quão inúteis eram suas crenças supersticiosas.

Além disso, sabemos pelas Sagradas Escrituras que o cristão deve depositar toda a sua fé e confiança em Deus. Por isso:

  • “Em paz também me deitarei e dormirei, porque só tu, Senhor, me fazes habitar em segurança” (Salmo 4,8).

E SE FOR USADO APENAS COMO DECORAÇÃO? HAVERIA ALGUM PROBLEMA?

Os “apanhadores de sonhos” também costumam ser usados como símbolos por grupos escoteiros e cada vez mais na decoração do lar. Contudo, como católicos, devemos saber que, embora não o empreguemos como um elemento propriamente esotérico, poderíamos ainda assim estar dando um mau exemplo, por usar enfeites pagãos (como aqueles que decoram as casas com budas, espelhos hindús, talismãs etc.) e, desse modo, criar confusão em outros católicos menos formados, que poderiam crer nos “poderes” desses objetos.

Facebook Comments

Livros recomendados

A Educação Superior e o Resgate Intelectual – O Relatório de Yale de 1828Temas Atuais Para PensarA Bala Perdida