A Igreja reconhece sua identidade no mundo como Mãe e Mestra. É divina, tanto na origem como na instituição, por ser fundada por Jesus Cristo e ter recebido, como príncipe vivificante, o Espírito Santo. Mas, também, é humana, como o próprio Cristo, sua cabeça, porque composta por membros, que são batizados, seres humanos que vivem no espaço e no tempo.

Com a força e o dinamismo que lhe inspira o Espírito Santo e com recursos que lhe fornece a cultura humana, a Igreja organiza-se, planeja e realiza sua atividade evangelizadora e pastoral. Constitui uma estrutura pública nas Dioceses e Paróquias, nas Diaconias e nas Bases Missionárias. Mas também apresenta um sem-número de entidades particulares, que brotam de seu seio: associações, institutos, movimentos e iniciativas…

Tanto a estrutura pública como a particular, visam ao mesmo objetivo: evangelizar, santificar, congregar. Não temos dúvidas a este respeito, quando consideramos as entidades públicas da Igreja: são fundadas, pela hierarquia, exatamente para isto. Mas quanto às particulares, nem sempre as coisas são claras. Normalmente a questão se dirime pelos estatutos.

O que se questiona são as entidades, vistas como católicas, mas que nem sempre têm identidade claramente definida ou reconhecida pela prática. Não basta denominar-se. É preciso ser e conseqüentemente agir como católico praticante. Sejam exemplo os meios de comunicação e as escolas. Ambos serão católicos na medida em que estiverem impregnados de valores evangélicos, professarem e propagarem explicitamente a fé católica, orientarem seus mestres e alunos, comunicadores e usuários, pela esperança cristã e os impregnarem do amor de Cristo. Na Alemanha, por exemplo, os 1.137 colégios católicos não conseguem atender a demanda. Os pedidos superam 30% as vagas previstas. O que se busca ali é uma educação católica adequada para os filhos, mas também a aplicação de técnicas pedagógicas tradicionais.

Ninguém pode ter vergonha de sua identidade católica, muito menos a instituição, que é mantida por pessoas e organismos que têm uma ligação especial com a Igreja. É muito triste quando pais se queixam por mandarem seus filhos para escolas particulares, que eles julgavam católicas, sem que ali se fale em Jesus Cristo ou se transmitam os valores do Evangelho, com a alegação de que, eventualmente, poderia haver algum aluno de outra religião. Com este espírito e atitude a escola particular perde sua razão de ser e sua identidade católica.
Não há dúvida que ensino religioso não é catequese. Mas não é menos certo que todo ensino deve ter sua filosofia e especificamente sua visão de homem, tanto de sua dignidade pessoas, como de sua origem e destino. E nós acrescentamos que este homem foi remido por Cristo. É o que, pelo menos, 90% da nossa população brasileira professa.

Por isso, até o ensino público, para ser fiel à fé do povo brasileiro – três quartas partes católico e mais uma alta percentagem de evangélicos – deveria ter como base à fé cristã. . Só assim conseguirá formar para uma verdadeira fraternidade e solidariedade, na certeza de que quem pratica religião não comete crime, ou seja, de que o fator mais decisivo da criminalidade é a ausência de Deus.

Mas as escolas católicas têm, por natureza, a missão mais específica de formar a fé católica de seus alunos. É exatamente esta sua identidade. Se tiverem receio dela, com medo de perder clientela, perderam sua razão de ser. Em toda escola, a Bíblia deveria ocupar um lugar de destaque tanto para o estudo como para a orientação.

A melhor educação é aquela que se faz na base da verdade, da bondade e da beleza. A escola, bem como os demais meios de comunicação, que ostentarem claramente sua identidade e, com sinceridade, professarem sua fé, têm maiores chances de atrair o público e de estabelecer um verdadeiro diálogo que aqueles que se ocultam no anonimato ou que, sub-repticiamente, pretendem incutir outros princípios. É necessário jogar às claras e dialogar com todos, na atitude de saber respeitá-los na diferença, assim como se espera ser respeitado. Quem opta por uma escola ou meio de comunicação confessional deve ter a garantia de que ali se transmitem os valores pelos quais optou.

Dom Eurico dos Santos Veloso
Arcebispo Metropolitano de Juiz de Fora

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