De: Aline

Enviado: Quarta Feira, 14 de Abril, 2004 10:09 AM

Fora da Igreja não há Salvação!? Se uma pessoa Crê em Jesus Cristo e não é Católica ela vai para o inferno!? 

Resposta: 

Caríssima Aline,
que a Paz de Nosso Senhor Jesus Cristo e o Amor de Maria esteja convosco. 

Convenhamos o seguinte: para que uma pessoa crer em Jesus Cristo, é preciso que conheça ou já tomou conhecimento do Cristianismo, já que o verdadeiro cristão crê na Santíssima Trindade ( Pai, Filho e Espírito Santo). Digo isso, que para melhor explicar a sua pergunta à pessoa não venha afirmar que só acredite em Deus!
 
A partir desta argumentação venhamos a entender a Salvação Fora da Igreja Católica Apostólica Romana através do BATISMO.
 

O batismo é meio instituído por Jesus para aplicar a cada alma individual a reparação do pecado original que Ele nos obteve na cruz. Jesus não nos força a receber seu dom, esse dom de vida sobrenatural que Ele nos conseguiu. Oferece-o com todo interesse, mas cada um tem que aceitá-lo livremente. E essa aceitação realiza-se quando recebemos o sacramento do batismo.
Então a via normal que encaminha o homem ao fim último que Deus lhe destinou, á bem aventurança sobrenatural, é o sacramento do Batismo ( batismo de água ). A fidelidade à vida sacramental constitui antecipação da vida celeste.
Todavia desde a antiguidade se reconhecem dois outros meios que podem eventualmente suprir o sacramento do batismo.
 

1) O martírio ( Batismo de sangue ), ou seja, a entrega da própria vida em testemunho da fé. Tal ato supõe, no grau mais intenso de que seja capaz o indivíduo, amar a Deus e odiar ao pecado. É assim a mais perfeita imitação do sacrifício de Cristo. Por isto purifica a alma, tornando-a apta a passar imediatamente à visão de Deus. O martírio foi sempre considerado o ideal da perfeição, e o mártir foi à primeira figura de Santo venerada na história da Igreja; 

2) O desejo do Batismo ( Batismo de desejo ou em voto ), válido casa seja impossível à recepção do sacramento como tal. 

Vamos entender o Batismo de desejo:


Em 392, o Imperador Valentiniano II fora assassinado antes de ter podido receber o sacramento do Batismo. Em sua oração fúnebre, o bispo Santo Ambrósio ( 397 dC ) assim se exprimia:
“Quanto a mim, perdi aquele que eu estava para gerar o Evangelho. Ele, porém, não perdeu a graça que pediu… Sei quanto estais aflito por não ter ele recebido os mistérios do Batismo. Mas dizei-me que temos em nosso poder senão à vontade e o desejo? Ora, em tempos passados ele manifestou o desejo de ter iniciado antes de entrar na Itália e declarou o seu intento de se fazer logo batizar por mim. Foi principalmente isto que pensou em me chamar-me. Não possui ele então a graça que desejou, que pediu? Sem dúvida, pois que a pediu, recebeu-a” ( De Obitu Valentiniani Consolatio 29, 51 )

 A sentença de Santo Ambrósio, compartilhada por outros Padres, se implantou entre os teólogos medievais: a boa vontade, ou o desejo do Batismo é eficaz desde que não seja possível a recepção do sacramento. O conceito mesmo de justiça divina parecia exigir tal proposição: O Senhor não pode abandonar uma alma que Lhe esteja unida, nutrindo em si a fé e o amor a Deus, mas quem não é dado cumprir tudo que em sua fidelidade ela desejaria. 

Para ilustrar o modo de pensar da Teologia medieval, vão aqui referido as respostas que o Papa Inocêncio III ( 1216 dC ) deu a dois bispos que o interrogaram e  respeito de conhecimentos contemporâneos.


A) Um judeu, em artigo de morte, tendo em sua companhia judeus apenas, atirara-se à água, pronunciando as palavras da fórmula batismal. Que dizer de tal “Batismo”? – perguntava o bispo de Metz.
O Papa respondeu que não podia ser considerado válido, porquanto Cristo, em Mt 28, 19, supõe e exige que sujeito e ministro do Batismo sejam pessoas diversas uma da outra. Todavia, acrescentava que, “se tal homem tivesse morrido logo a seguir ( ao mergulho ), teria passado sem demora para a pátria ( eterna ), em virtude, sim da sua fé no sacramento, não, porém por efeito do sacramento da fé”.
 

B) A propósito de um sacerdote que acaba de morrer, verificara-se que não fora validamente batizado. Que pensar da sorte de tal alma? – interrogava o bispo de Cremona.
Inocêncio II respondeu: “Sem hesitar, asseveramos que, pelo fato de ter ( tal sacerdote ) perseverado na fé da Santa Madre Igreja e na confissão do nome de Cristo, foi purificado do pecado original e possui a bem aventurança da pátria celeste”. E, em apoio da sentença, citava testemunhos de Santo Ambrósio e Santo Agostinho.

 Estas duas declarações de Inocêncio II, que sancionam eloqüentemente a eficácia do Batismo de desejo, foram inseridas na coleção de Leis ou Decretos do Papa Gregório IX ( 1241 dC ) 

Com efeito, pergunta-se: Para a salvação, requer o desejo explícito do sacramento ou bastará talvez o desejo implícito? Em outros termos: o desejo salvífico, para ser concebido, exigirá no indivíduo o conhecimento prévio do Batismo, ou poder-se-á alargar o conceito de desejo do Batismo, de sorte a se dizer que um indivíduo que nunca tenha ouvido falar do sacramento, mas viva conforme a sua consciência, possui o voto do Batismo, e, em virtude deste, consegue a vida eterna?
A esta resposta devemos entender o seguinte: “A purificação, depois de promulgado o Evangelho, não se pode obter sem a água da regeneração ou o desejo desta, como esta escrito: “Se alguém não renascer da água e do Espírito Santo, não poderá entrar no reino de Deus” ( cf Jo 3, 5 )”. ( Concilio de Trento, D. S. nº 1524 [796] )
 

Não há dúvida, freqüentes ( principalmente em terras pagãs ) são os casos de pessoas que passam a vida inteira sem ouvir, nem ler uma única palavra  a respeito de Cristo e sua Igreja. Outros há ( mormente em terras civilizadas ) que ouvem ou lêem, sim, algo da mensagem do Evangelho, mas esta lhes é proposta imperfeitamente, destituída dos chamados “critérios de credibilidade”, ou seja, dos sinais que a fazem aparecer digna de fé; em conseqüência, um exame atento da doutrina de Jesus não se lhes apresenta como dever de consciência; o Evangelho não lhes suscita problema religioso, de sorte que quem o rejeita, pode mesmo, de boa fé, julgar estar repelindo o erro.

É nesses casos, sem dúvida, que se verifica o “desejo implícito”como via de salvação eterna.

 Estas idéias levam à importante conclusão de que estão na via de salvação muitos e muitos homens que em absoluto não têm ligação visível com a Igreja: pagãos, cidadãos que vivem sob propaganda e pressão anticatólicas, concidadãos nossos aos quais a mensagem do Evangelho nunca tenha sido proposta de modo a suscitar neles o “problema religioso” ou “caso de consciência”, pessoas simples que não falam de Deus, mas que são incapazes de algum deslize moral; todos estes, caso estejam realmente de boa fé, procurando atender fielmente aos ditames da consciência, fazem parte de uma só comunhão junto com aqueles que professam explicitamente a religião católica; são membros invisíveis da “Igreja, fora qual não há  salvação”; são membros da Igreja, sem que eles mesmos o saibam e sem que esta tão pouco o saiba. 

É claro que esta afirmação não justifica a proposição: “todas as religiões são boas; qualquer delas é capaz de salvar o homem”. Não há dúvida de que qualquer fiel em uma religião, pode salvar-se , caso nela persevere, julgando aderir à Verdade e cumprir assim um dever de consciência. Desde o momento, porém, em que lhe surjam dúvidas sobre a autenticidade de suas crenças, tal indivíduo, em consciência, terá a obrigação de inquirir a Verdade; já não lhe bastará ser adepto de uma religião “qualquer”. Caso encontre a luz da mente, a consciência conseqüentemente lhe ditará que a abrace, ou seja, que se converta ao Catolicismo; caso, porém, não chegue à evidência apesar de sinceros esforços, alcançará a salvação eterna aderindo àquilo que julgue ser Verdade.

“E não se deve nem mesmo pensar que seja suficiente um desejo qualquer de aderir à Igreja para que o homem seja salvo. Exige-se, realmente, que o desejo mediante o qual alguém é ordenado à Igreja seja moldado pela perfeita caridade; e o voto implícito não poderá ter efeito se o homem não tiver a fé sobrenatural” (Carta do Santo Ofício ao Arcebispo de Boston, 1949. Denzinger, 3866 -3872).

 Para finalizar um documento de 1949, relativo a salvação fora da Igreja visível. 

Após a segunda guerra mundial, nos EUA levantaram-se as vozes de pessoas que rejeitavam o desejo implícito do Batismo, como via da salvação. Em conseqüência, a Congregação do Santo Ofício, órgão da Igreja destinada à preservação das verdades da fé, enviou uma carta ao Arcebispo de Boston, datada de 08/08/1949, em que afirmava:

Entre os mandamentos de Cristo não é de pouca importância àquele que preceitua nos incorporemos pelo Batismo ao Corpo Místico de Cristo que é a Igreja, e prestemos nossa adesão a Cristo e ao seu Vigário, pelo qual o próprio Cristo a terra governa, de modo visível, a Igreja. Por conseguinte, não se salvará quem, consciente de que a Igreja foi divinamente instituída por Cristo, não obstante se recusa a se lhe submeter e denegue obediência ao Romano Pontífice, Vigário de Cristo na terra. Todavia…Para que alguém possa obter a salvação eterna, não se requer sempre que seja atualmente incorporado à Igreja como membro, mas é necessário, ao menos que lhe esteja unido por desejo e voto. Este desejo, porém, não deve ser sempre explícito, como ele o é nos catecúmenos. Dado que o homem esteja envolvido em ignorância invencível, Deus aceita igualmente o desejo implícito, o qual é assim chamado por estar incluído naquelas boas disposições de alma que levam alguém a querer conformar sua vontade com a vontade de Deus. Estas verdades são claramente ensinadas na Carta Dogmática “A respeito do Corpo Místico de Jesus Cristo”, publicada pelo Sumo Pontífice o Papa Pio XII aos 29 de junho de 1943 ( A.A.S. XXXV 1943 193ss ). Nesta Carta de Pio XII “tanto reprova aqueles que excluem da salvação eterna os que, por desejo implícito apenas, estão unidos à Igreja, como aqueles que falsamente asseveram que os homens podem ser salvos tão bem numa religião como em qualquer outra” ( D.S. nºs 3866-3873). 

Assim irmã Aline sejamos fiéis a Jesus e a Igreja instituída por ele para que venhamos a ser salva através de sua morte e ressurreição em expiação de nossos pecados. 

Alessandro Manoel da Silva ( NINO )

Facebook Comments

Livros recomendados

Carta Aberta Aos Católicos PerplexosPor Trás da MáscaraOs Males da Ausência