• Autor: Pe. Arthur W. Terminiello
  • Fonte: Livro “The 40 Questions Most Frequently Asked about the Catholic Church by Non-Catholics” (1956) / Site “Una Fides, One Faith” (http://net2.netacc.net/~mafg)
  • Tradução: Carlos Martins Nabeto

– Após o nascimento de Cristo, Maria era como qualquer outra mulher casada? As Escrituras nos dizem que ela permaneceu virgem até o nascimento de Cristo, e que Cristo foi o seu primogênito e teve outros irmãos?

A maioria dos protestantes colocará Maria no pedestal da virgindade pelo menos até o nascimento de Cristo. Seria difícil negar, tendo em vista a profecia de Isaías 7, que uma virgem conceberia e geraria um filho; e em virtude da aparição do Anjo à virgem que era desposada com José.

Mas então eles a tiram do pedestal como uma criatura única de Deus e dizem que ela viveu uma vida normal de casada após o nascimento. Eles baseiam isso em três passagens particulares das Escrituras, que são mal-compreendidas pela maioria das pessoas:

a) Os “irmãos” de Cristo (Mateus 13,55-56)

  • – “Este não é o filho do carpinteiro? Sua mãe não se chama Maria, e seus irmãos, Tiago, José, Simão e Judas? E suas irmãs não estão todas conosco?”

Não devemos esquecer a resposta, a repreensão de Nosso Senhor, no versículo 57:

  • “Jesus disse-lhes: ‘Um profeta não tem honra, exceto em seu próprio país e em sua própria casa’. E por causa da incredulidade deles, Ele não realizou muitos milagres lá” (Mateus 13,57-58).

Estudiosos católicos e não-católicos das Escrituras não concordam sobre quem foram os pais de Tiago, José, Simão e Judas. Muitos estudiosos católicos acreditam que são primos do Senhor, sendo sua mãe Maria, esposa de Cléofas (Clopas). Eles chegam a essa conclusão em comparação com outros textos, ou seja, João 19,25.

Também sabemos que no Antigo Testamento a palavra “irmão” ou “irmãos” não era reservada apenas para irmãos de sangue, mas ainda para outros parentes. Era usada:

1. Para todos os parentes próximos:

  • Gênesis 29,15: “E Labão disse a Jacó: ‘Porque és meu irmão, hás de servir-me de graça?'” — Sabemos que Jacó era sobrinho de Labão.

2. Para parentes distantes [etnia]

  • Gênesis 13,8: “Abrão, portanto, disse a Ló: ‘Não haja brigas entre os meus pastores e os teus pastores, pois todos somos irmãos'”.

3. Para outros [uso extensivo]

Assim também hoje, no uso cotidiano, chamamos nosso  pregador de “irmão” e o pregador nos chama de “irmãos”, embora não sejamos irmãos de fato. Nos sindicatos, é comum saudarem-se pelo título de “irmão”. Em lojas [maçônicas], o mesmo ocorre.

Então, nesse texto em particular, se Simão, Judas, Tiago e José eram primos – como provavelmente o eram -, não poderiam ser chamados de “primos”, pois não existi1a uma palavra em aramaico para “primo”.

Porém, se supusermos que eles eram irmãos de sangue, teremos que admitir que nasceram DEPOIS de Cristo, já que hoje ninguém questiona a virgindade de Maria ANTES do nascimento de Cristo. Mas em João 7,3-4 e também em Marcos 3,21, vemos esses “irmãos” repreendendo Nosso Senhor. Contudo, era impensável para os judeus que um irmão mais novo assumisse tal papel. Mais ainda: na história da crucificação, em João 19, lemos que o Senhor moribundo entregou Sua mãe à guarda de São João. Isso não teria ocorrido se Ele tivesse outros irmãos vivos. Lightfoot, que era um estudioso não-católico, disse:

  • “É inconcebível que Nosso Senhor tenha rompido os laços mais sagrados da amizade natural [parentesco]”.

O argumento mais importante, no entanto, é encontrado no fato de que em nenhum outro lugar do Novo Testamento há mais ninguém, EXCETO Jesus, sendo chamado de “o FILHO” de Maria. Ele é sempre apontado como o SEU Filho. E ela nunca é chamada de MÃE de mais ninguém; ela é sempre referenciada como a mãe de JESUS.

b) Primogênito (Mateus 1,25)

O próximo argumento dos opositores da virgindade de Maria é encontrado neste texto, onde Cristo é chamado de “primogênito”. A partir daí, extrai-se a presunção de que havia outras crianças. No entanto, esse não é o significado usual da palavra “primogênito”. Uma família pode ter apenas um filho e esse filho é o primogênito. No Antigo Testamento, encontramos exemplos disso em:

1. Números 18,15: O filho primogênito deveria ser dado a Deus. Esse filho deveria ser dado antes que outros filhos nascessem e mesmo que nenhum outro filho nascesse.

2. Êxodo 3,2: “Santifica todo primogênito que abre o ventre entre os filhos de Israel”. Isso era para ser feito ANTES de outros nascerem e mesmo que NINGUÉM mais viesse a nascer.

c) A palavra “até”

Está no mesmo capítulo, no mesmo texto (Mateus 1,25), onde lemos: “e ele não a conheceu até que ela deu à luz o seu primogênito”. Esta palavra, no entanto, não significa que ele a conheceu depois. Refere-se ao que já se deu e não ao futuro.

Por exemplo: em Gênesis 8,6-7, lemos que Noé enviou um corvo que não retornou até que as águas secassem. Na verdade, o corvo NUNCA regressou, mesmo depois que as águas secaram. Assim também no Salmo 109: “Senta-te à minha direita, até que eu faça dos teus inimigos um suporte para os teus pés”. No entanto, é claro: Cristo permanecerá sentado à direita ainda depois que os seus inimigos estejam sob os pés de Deus.

Como católicos, cremos na virgindade perpétua de Maria antes, durante e depois do nascimento de Cristo. Após o nascimento de Cristo, ela viveu no lar com o seu Filho, a quem, por revelação, sabia ser “o Filho de Deus”. Não havia lugar para sentimentos pessoais egoístas quando ela estava tão absorvida no amor por seu Filho. É como olhar diretamente para o sol: não vemos nada, exceto o sol. Assim, no Céu, conheceremos a Deus, veremos a Deus e não haverá razão para voltar a nossa atenção para as criaturas do mundo ou para pensar em nós mesmos. Isso também era verdade para Maria, vivendo como ela era com o Filho de Deus.

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