– Olá, meu nome é Mônica e gostaria de saber porque a Igreja Católica está ultimamente imitando tanto os cultos protestantes, suas linguágens até mesmo gravando as suas músicas já que os considera errados, não seria um paradoxo? (Mônica)

Prezada Mônica,

A Paz !

Obrigada pela confiança em nosso apostolado para responder aos seus questionamentos.

No formulário que você preencheu, se disse ex-católica, mas não se incluiu em nenhuma outra religião. Isso, ao mesmo tempo em que pode não querer dizer nada, pode também indicar que você está em busca. Desde já irei incluí-la em minhas orações, para que encontre a Verdade. Tenha confiança, pois Deus diz que se deixa encontrar por aqueles que o buscam de todo o coração (Jr 29,13).

Você diz que a Igreja Católica estaria imitando os cultos protestantes, suas linguagens e suas músicas, o que seria um paradoxo. Não sei exatamente qual foi a sua experiência, o que viu, para que chegasse a essa conclusão. Fica difícil explicar, discordar, ou até mesmo concordar, sem saber exatamente do que se trata.

Não há qualquer orientação ou ensinamento oficial da Igreja no sentido de aproximar nossa crença ou culto ao dos protestantes. Quanto ao modo de culto, a última reforma litúrgica foi em 1969, quando foi promulgado o missal que usamos hoje na forma ordinária, e desde então não houve qualquer outra modificação. O centro de nossa fé continua sendo o Sacrifício da Cruz, atualizado na Santa Missa, que é mais, muito mais que um simples culto de louvor e adoração.

Infelizmente, a maioria dos católicos não tem a formação doutrinária que seria desejável. Dessa forma, é possível afirmar que qualquer “imitação” dos protestantes vem da parte de leigos mal-formados, e não de orientação da Igreja.

Quanto às músicas, não se pode sair rejeitando tudo só porque carrega o rótulo de protestante. Só para citar alguns exemplos, Bach e Haendel foram compositores protestantes, mas muito de sua música sacra foi absorvida ao longo do tempo pela Igreja Católica, para quem ambos também compuseram. O hino “Jesus Alegria dos Homens”, de Bach, que é originalmente um hino luterano, hoje pode ser ouvido em muitas Igrejas Católicas, especialmente na época do Natal. Assim como esta, há músicas que transcendem denominações.

Por outro lado, deve-se ter muito cuidado com as letras, que podem conter conteúdo contrário à doutrina católica. Mais uma vez, é requerido dos católicos que estudem, busquem formação, para que possam ter o discernimento necessário.

Tais músicas, no entanto, não devem ser utilizadas na Santa Missa, que requer músicas litúrgicas. Segue, a esse respeito o ensinamento do saudoso D. Estêvão Bettencourt, OSB:

“Não é conveniente adotar cânticos protestantes em celebrações católicas pelas razões seguintes:

1)Lex orandi lex credendi (Nós oramos de acordo com aquilo que cremos). Isto quer dizer: existe grande afinidade entre as fórmulas de fé e as fórmulas de oração; a fé se exprime na oração, já diziam os escritores cristãos dos primeiros séculos.

No século IV, por ocasião da controvérsia ariana (que debatia a Divindade do Filho), os hereges queriam incutir o arianismo através de hinos religioso, ao que Sto. Ambrósio opôs os hinos ambrosianos.

Mais ainda: nos séculos XVII-XIX o Galicanismo propugnava a existência de Igrejas nacionais subordinadas não ao Papa, mas ao monarca. Em conseqüência foi criado o calendário galicano, no qual estava inserida a festa de São Napoleão, que podia ser entendido como um mártir da Igreja antiga ou como sendo o Imperador Napoleão.

Pois bem, os protestantes têm seus cantos religiosos através de cuja letra se exprime a fé protestante. O católico que utiliza esses cânticos, não pode deixar de assimilar aos poucos a mentalidade protestante; esta é, em certos casos, mais subjetiva e sentimental do que a católica.

2) Os cantos protestantes ignoram verdades centrais do Cristianismo: A Eucaristia, a Comunhão dos Santos, a Igreja Mãe e Mestre… Esses temas não podem faltar numa autêntica espiritualidade cristã.

3) Deve-se estimular a produção de cânticos com base na doutrina da fé.”

Não conheço a realidade de Barra Mansa-RJ, pois sou moradora da capital. Mas imaginando que tenha tido uma experiência negativa, posso dizer que, de qualquer forma, mesmo que haja erros dos homens, devemos focar nosso olhar na cruz e no Cristo Crucificado, para que sempre relembremos o sacrifício supremo de Jesus por amor de nós. Como diz a escritura, não devemos confiar nos homens, mas em Deus (Jr 17, 5-10).

Espero que tenha respondido a contento.

Um abraço e fique com Deus,

Maite Tosta

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