• Autor: Anônimo
  • Fonte: A Catholic Response Inc. (http://users.binary.net/polycarp)
  • Tradução: Carlos Martins Nabeto

– “O cálice de bênção que abençoamos, não é a comunhão do Sangue de Cristo? O pão que partimos, não é a comunhão do Corpo de Cristo?” (1Coríntios 10,16)

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Como cristãos, somos salvos (isto é, preparados para o Céu) pela fé através da graça – o dom gratuito da vida de Deus conquistado por Jesus Cristo no madeiro da cruz (cf. Efésios 2,8-10; Atos 15,11). Recebemos essa graça salvadora na fé através dos Sacramentos, sinais externos e sensíveis instituídos por Cristo através dos quais a graça interior é dada às nossas almas. Por exemplo, durante o batismo (cf. Mateus 28,19), somos exteriormente lavados com água, mas interiormente recebemos a graça santificadora que nos reconcilia com Deus (cf. 1Coríntios 6,11; 1Pedro 3,21; Atos 2,38). Segundo a Igreja Católica, existem 7 Sacramentos: Batismo (cf. Marcos 16,16), Reconciliação (cf. João 20,21-23), Confirmação (cf. Atos 8,14-17), Eucaristia (cf. 1Coríntios 10,16), Sagrado Matrimônio (cf. Efésios 5,22-32), Ordens Sagradas (cf. Atos 6,5-6) e Unção dos Enfermos (cf. Marcos 6,13; Tiago 5,14-15).

A Eucaristia é um Sacramento já que foi instituído por Cristo nos Evangelhos (cf. Mateus 26; Marcos 14; Lucas 22; João 6). Seus sinais exteriores são o pão de trigo e o vinho de uva, sobre os quais as palavras de consagração “Isto é o meu corpo… Isto é o meu sangue…” são ditas pelo padre como representante de Cristo. A graça interior é o próprio Cristo, o Autor de toda graça: “Quem come a minha carne e bebe o meu sangue permanece em Mim e Eu nele” (João 6,56). A Igreja Católica ensina que a Eucaristia, apesar de ainda parecer ser pão e vinho após a consagração, é verdadeiramente a Presença Real de Cristo: Seu Corpo, Sangue, Alma e Divindade (cf. Concílio de Trento, 13ª Sessão).

Antes de irmos para os Evangelhos, vamos considerar algumas prefigurações do Antigo Testamento ou tipos de Eucaristia. O primeiro prenúncio é o pão e o vinho oferecidos pelo sacerdote Melquisedec, em Gênesis 14,18-20. Melquisedeque trouxe pão e vinho, não para almoçar com Abrão, mas para sacrificá-los a Deus por Abrão. Depois Abrão lhe ofereceu um dízimo (cf. Gênesis 14,20). Em Hebreus 5,10, São Paulo escreve que Deus designou Cristo como Sumo Sacerdote, segundo a ordem de Melquisedec.

Um segundo tipo é o Maná, o pão do céu, que alimentou os israelitas durante o êxodo (Êxodo 16,14-15). Jesus, em João 6,31-33, se compara a este Maná.

Um terceiro tipo é o cordeiro pascal. O cordeiro pascal deveria ser sacrificado a Deus; sua carne tinha que ser inteiramente consumida (cf. Êxodo 12,8) e esse costume devia ser praticado por todas as gerações. No Novo Testamento, Cristo é chamado “nosso Cordeiro Pascal” (cf. 1Coríntios 5,7). Em Apocalipse 5,6, Jesus é referido como “um Cordeiro de pé, como se tivesse sido morto”. Para os católicos, esses tipos são cumpridos na Eucaristia.

Um texto forte do Evangelho para a Presença Real de Cristo na Eucaristia é o de João 6,31-71. Nesta passagem, Jesus disse: “Eu sou o pão vivo que desceu do céu” (João 6,51). Jesus disse ainda:

  • “Em verdade, em verdade vos digo: (…) quem come a minha carne e bebe o meu sangue tem a vida eterna, e Eu o ressuscitarei no último dia” (João 6,53-54).

Nos versículos 52-59, Jesus repetiu esse ensinamento de quatro maneiras diferentes, enquanto Sua platéia ficou transtornada. Muitos dos seus discípulos reclamaram: “Este é um ensino difícil; quem pode ouvi-lo?” (João 6,60) e O abandonaram (cf. João 6,66). Mesmo com a multidão indignada e seus discípulos abandonando-O, Jesus não mudou os seus ensinamentos, nem disse que estava apenas falando figurativamente ou em parábola. Sua resposta aos Apóstolos foi: “Também quereis ir embora?” (João 6,67), ao que São Pedro respondeu: “Senhor, a quem iremos? Tu tem palavras de vida eterna; e cremos e sabemos que tu és o Santo de Deus” (João 6,68-69).

Alguns cristãos afirmam que Jesus, no capítulo 6 do Evangelho de João, estava falando em sentido figurado já que Ele comumente falava em parábolas enquanto pregava para as multidões. No entanto, esse não parece ser o caso aqui: seus ouvintes interpretaram literalmente e ficaram irados. Em nenhum lugar nos Evangelhos as multidões ficam iradas quando Cristo ensina em parábolas. Além disso, após João 6,60, Jesus não estava mais se dirigindo à multidão, mas em particular aos Seus discípulos (cf. Marcos 4,34). Ainda assim, eles O interpretaram como antes [isto é, literalmente] e muitos O abandonaram. Essa reação teria sido bem inadequada se Cristo estivesse falando apenas em parábolas.

Cristo instituiu a Eucaristia durante a última ceia (cf. Mateus 26,26-29; Marcos 14,22-25; Lucas 22,14-20). São Paulo, em sua Carta aos Coríntios, também escreveu sobre a Última Ceia:

  • “O Senhor Jesus, na noite em que foi traído, pegou o pão, deu graças, fracionou-o e disse: “Isto é o Meu corpo, para vós. Fazei isso em memória de Mim” (1Coríntios 11,23-24; v.tb.: 1Coríntios 10,16, em epígrafe).

Observe-se que nas quatro versões da Última Ceia, Jesus diz: “Isto é o Meu corpo” e não “Isto representa (ou simboliza) o Meu corpo”. Alguns versículos depois, São Paulo também acrescentou:

  • “Portanto, quem comer do pão ou beber do cálice do Senhor indignamente será culpado de profanar o corpo e o sangue do Senhor. Examine, pois, cada um a si próprio e dessa maneira coma do pão e beba do cálice. Pois quem come e bebe sem ter discernimento do corpo do Senhor, come e bebe para sua própria condenação. Por essa razão, há entre vós muitos fracos e doentes, e alguns já morreram” (1Coríntios 11,27-30).

Essas palavras seriam muito fortes se a Eucaristia fosse simplesmente um símbolo de Cristo ou uma mera refeição com pão e vinho comuns. As pessoas não têm como profanar o Corpo de Cristo comendo pão e vinho comuns.

Os primeiros cristãos também possuíam um entendimento católico acerca da Eucaristia. Na Didaqué, um catecismo do século I, os Apóstolos escreveram:

  • “Reúnam-se no dia do Senhor, fracionem o pão e ofereçam a Eucaristia; mas primeiramente, confessem as suas faltas, para que o vosso sacrifício seja puro” (Didaqué 14,1; cf. “Primeiros Escritos Cristãos”, Penguin Classics, 1987, p. 197).

Este é o mesmo conselho dado por São Paulo. Confessar os pecados em preparação não seria necessário se a Eucaristia não fosse um sacrifício ou se fosse apenas um símbolo de Cristo. Em uma carta escrita por volta do ano 110 d.C., Santo Inácio de Antioquia advertiu os esmirnenses acerca dos docetas (hereges gnósticos):

  • “Eles (os docetas) não se importam com o amor, nem pensam na viúva e no órfão, nem nos aflitos, nos cativos, nos famintos ou nos sedentos. Eles até se ausentam da Eucaristia e das orações públicas, porque não admitem que a Eucaristia seja o próprio Corpo de nosso Salvador Jesus Cristo, que sofreu por nossos pecados” (Epístola aos Esmirnenses 6-7; Ibid., p. 102).

São João Crisóstomo, no século IV, durante um sermão, disse o seguinte sobre a Eucaristia:

  • “Quantos de vós dizeis: ‘Gostaria de ver a face Dele, Suas vestes, Suas sandálias’? Vós O vedes; vós O tocais; vós O comeis. Ele Se entrega a vós, não apenas para que possais vê-Lo, mas também para vos servir de comida e alimento” (citado por John Laux, “Mass and the Sacraments”, TAN, 1990, p. 43).

São Justino Mártir, no século II, bem como Santo Ambrósio e Santo Agostinho, no século IV, entre muitos outros, testemunharam a Presença Real de Cristo na Eucaristia.

A Eucaristia, também conhecida como “Santíssimo Sacramento”, é o Corpo, Sangue, Alma e Divindade de Jesus Cristo. Quando recebemos ou adoramos a Eucaristia na Missa ou na Hora Santa, na verdade estamos recebendo e adorando o próprio Jesus Cristo. Jesus prometeu estar conosco até o fim dos tempos (cf. Mateus 28,20), e a Sua promessa é especialmente cumprida na Eucaristia. Que o Senhor nos ajude a realizarmos melhor o Seu dom verdadeiramente tremendo para nós.

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