Nome do leitor: francisco diego
Cidade/UF: fortaleza/ce
Religião: Católica

Mensagem
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Salve Maria!

Gostaria de saber se as obras de São Luis Maria Grignion de Montford são corretas ou se há algum erro? Se as obras desta santo está de acordo com à Santa Igreja gostaria de saber o nome de alguns de seus livros. Obrigado! Deus os abençoe e que continuem a propagar a verdade da Samta Igreja!

Caríssimo,

O nome do santo é São Luís Maria Grignion de Montfort, com “t” no fim, não “d”.

Se houvesse heresia em suas obras, a Igreja não o teria canonizado. A doutrina contida nas suas obras é ortodoxa, em primeiro lugar. Claro, pode ser que um santo tenha ensinado algo em um terreno livre, antes, por exemplo, de uma maior compreensão de determinado ponto de doutrina, ou mesmo ou da formulação de um dogma. Assim, Santo Tomás negou a Imaculada Conceição da Santíssima Virgem. Nem por isso, todavia, foi herege ou sua obra não era ortodoxa, dado que o dogma não tinha sido proclamado (e justamente os seu argumentos foram levados em conta para um maior conhecimento da doutrina a respeito).

Também é preciso ressaltar que ortodoxia não significa ausência de erros materiais: a pureza é da doutrina, não de teorias científicas, de relatos de casos, de histórias pelo santo contadas, de opiniões sobre outros assuntos.

Ampliando um pouco a questão acerca da discordância em relação a um santo.

Penso que não é propriamente uma discordância que me leva a não fazer exatamente como São Francisco de Assis ao rasgar as roupas e ficar nu, ou a meditar na vida eterna diante de um crânio como São Geraldo Magela (e tantos outros). A imitação que devemos ter dos santos é de sua virtude. Todavia, a santificação é pessoal.Deus chamou a mim, Rafael, para ser santo nas minhas circunstâncias, na minha vida, com os meus defeitos (lutando contra eles), na minha situação específica, cidade, condição sócio-econômica e cultural, círculo de amizades, vocação etc. Se eu quisesse imitar São Francisco, por exemplo, nos mínimos detalhes, sem assumir minha diferença acidental desse santo, cairia, de certa forma, num igualitarismo que nega a diversidade das criaturas.

Por isso, minha imitação do Beato Anchieta não implica em viver entre os índios. Devo imitar suas virtudes, mas aplicá-la na minha vida concreta, e não querer viver a vida do beato como se minha fosse.

Penso que isso não seja propriamente discordar, mas valorizar como Deus chama a todos à santidade, nas distintas circunstâncias.

Diverso é o caso das espiritualidades próprias, i.e., da partilha, por várias pessoas, do carisma de um fundador. Assim, embora eu seja devoto de São Josemaria Escrivá, é muitíssimo mais natural que um numerário do Opus Dei, que é seu discípulo, seu filho espiritual, procure viver de modo mais parecido a vocação do santo. Ambos somos devotos, ambos somos imitadores de suas virtudes na sua essência (bem, eu tento ser), mas os aspectos acidentais dessas mesmas virtudes são, evidentemente, melhor vividos por alguém do Opus Dei. E ainda assim, não se trata de viver a mesma vida do fundador, mas de imitá-lo em maior número de acidentes.

Outra discussão, que também surge, é a discordância quanto ao método de apostolado. Como sabemos, método é meio. Não vejo, igualmente, como discordância, a adoção de outro método. Cada método, como meio, serve a uma circunstância, a um tipo de apostolado, e é adequado ao “público” e ao apóstolo que o leva a cabo.

Recomendo, de São Luís de Montfort, o “Tratado da verdadeira devoção à Santíssima Virgem” (sua obra-prima) e a “Carta aos amigos da Cruz”.

Em Cristo,

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