Protestantismo

Respostas católicas a argumentos fundamentalistas

Na maioria das vezes, os fundamentalistas protestantes não estão em busca de respostas. Crêem eles que já possuem uma ? a Bíblia. Contudo, a Igreja existiu por três séculos antes da formação do cânon das Escrituras cristãs como as lemos hoje. A Bíblia está muito além do que somente alguns textos retirados de seu real contexto para derrubar o catolicismo com sua retórica fundamentalista. Não questionamos a sinceridade de seu amor a Deus, isto é algo que todos os cristãos devem imitar. Somente lamentamos o fato destas pessoas condenarem tão avidamente algo que compreenderam e ensinam de maneira errônea. Suas projeções acerca da Igreja Católica estão muito além da realidade, apesar de sempre pensarem ao contrário. Este artigo é mais uma das milhares de tentativas nossas (católicos), ao longo desta triste história de divisões no cristianismo, de compensar os mal-entendidos sobre o pensamento católico, na esperança que descubram a verdade e lógica bíblicas. Sem dúvida, faz muito sentido tentar, com um pouco de esforço, entender que uma Igreja com cerca de 1 bilhão de membros e 2000 anos de história deve ser compreendida na sua integralidade, no que estes membros acreditam e porque crêem em tais doutrinas.

 

Também é uma oportunidade para os assim chamados ex-católicos entender o que deixaram para trás, apesar de muitos hoje estarem cegos pela ilusão das seitas. Não resta dúvida que a esmagadora maioria dos que saem do seio da Igreja o fazem por não terem sido – ou não terem se dedicado – educados no conhecimento da doutrina da Igreja em que foram batizados. Isto é um fenômeno social muito natural em países onde predomina uma religião. Recomendamos que leiam este pequeno resumo, pois saíram da Igreja, mas não deixaram de buscar, mais claramente, a verdade cristã.

 

Existe um chamado novo fundamentalismo que aceita os cinco principais fundamentos cristãos: 1- o nascimento virginal; 2- a ressurreição física de Jesus; 3- a inerrância das Escrituras (fundamento do paradoxo das divisões protestantes); 4- a reconciliação sacrificial de Cristo; 5- a segunda vinda de Cristo. Todas estas vêm acrescidas de uma nova, uma sexta diretriz: 6- anti-catolicismo.

 

Nas comunidades fundamentalistas, a direção é dada a um líder apontado pela própria comunidade, que pode ter ou não uma formação teológica (alguns fazem cursos por correspondência…). Apresentam uma posição acerca do mundo, onde tudo é mal, demoníaco, e do Reino de Deus como o único bem. Esta ressurreição do Maniqueísmo, nascido a partir do gnosticismo no terceiro século e tão condenado pela mesma Igreja que hoje acham certo condenar, é gritante em nossos tempos. Infelizmente têm a aprovação de diversas outras comunidades. Nos parágrafos seguintes responderemos a alguns dos mais comuns argumentos destas comunidades, e também de tantas outras, levantadas contra a Igreja de Cristo…et super hanc petram aedificabo ecclesiam meam (Mt 16,18).

 

1. Os católicos não seguem a Bíblia, são totalmente ignorantes da Palavra de Deus

 

O Concílio Vaticano II (1962-65) declarou como canônicos e sagrados os livros do Antigo e Novo Testamento escritos sob a inspiração do Espírito Santo (Jo 20:31, 2 Tm 3,16, 2 Pd 1,19-21;3,15-16). Deus é o seu autor, e assim, pela Igreja Católica, tem sido transmitido através dos tempos. Não se encontra documento algum em todos os tempos da Igreja Católica alguma frase sequer que afirme o contrário. Desde os tempos mais antigos, os católicos trataram de conservar a Bíblia na sua forma original e canônica até o século 16, quando Lutero decidiu modifica-la para se adequar à sua hetedoroxia. Os monges copistas católicos conservaram a Sagrada Escritura da destruição pelas invasões e saques, e por eles somos gratos pela Palavra de Deus chegar ao nosso tempo intacta. A maioria das paróquias católicas oferece serviço de catequese de crianças, algumas de adultos, e possuem equipes de estudo bíblico além de grupos de oração e espiritualidade. O centro do culto católico é a Missa, onde Cristo é recebido misticamente sob espécies de pão e vinho, para servir de alimento de salvação a todos. A liturgia católica, toda ela, está baseada nas palavras da Escritura Sagrada, desde a saudação até o seu final. Toda a espiritualidade católica, principalmente nos mosteiros religiosos, gira em torno da oração e meditação, tendo a Bíblia, em seus Salmos, por exemplo, a fonte principal. Os grandes mestres e doutores teólogos da Igreja tornam-se membros do Pontifício Instituto Bíblico em Roma, que analisa e promove o estudo bíblico em todo o mundo católico e guarda a Igreja da dispersão dos erros que continuamente aparecem, ou re-aparecem…A Igreja oferece a todos a verdade da Palavra de Deus, quem a aceitar e perseverar nela alcançará as promessas de Jesus. Sem dúvida há muito desleixo por parte dos católicos, porém não se deve culpar a Igreja por tais deficiências. A palavra de Deus deve ser oferecida, não imposta. Qui crediderit et baptizatus fuerit salvus (Mc 16,16).

 

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Assim, como em qualquer outra constituição, deve haver um intérprete oficial e infalível. Portanto Cristo não nos deixaria à mercê de instrumentos imperfeitos para racionalizar suas palavras na Bíblia. Muitos fundamentalistas, infelizmente, acreditam que devemos ter certeza apenas em nossa fé em Cristo. Tudo o mais dito nas Escrituras pode conter erros de interpretação, pois são todas doutrinas secundárias, portanto não necessitam de concorde. O nosso instrumento é a Igreja, guiada pelo Espírito Santo em toda a verdade (At 1,8). O serviço da Palavra de Deus é realizado pelo que chamamos de Sagrado Magistério ? Magisterium.

 

2. Os católicos permitem que um elemento estranho se intrometa e forme a base de todo seu erro ? a chamada tradição.

 

A Sagrada Tradição é uma das mais incompreendidas doutrinas católicas, e por isso grande foco de ataque por parte dos cristãos fundamentalistas. Nada na Sagrada Tradição em sua forma oral pode contradizer a Sagrada Tradição em sua forma escrita. Jesus nos alertou de falsas tradições (Mt 15,6) e São Paulo de outros que não são de Cristo (Cl 2,8). Contudo, existe de fato uma (Sagrada) Tradição (2 Ts 3,6), cujo próprio Paulo transmite aos seus convertidos. Em 2 Ts 2,15 Paulo escreve: Portanto, irmãos, permanecei firmes, conservai o ensinamento que aprendestes de mim, oralmente ou por carta. Os fundamentalistas afirmam que tudo o que deveria ser dito aos cristãos o fora redigido em suas cartas. Entretanto João afirma que existem ainda coisas que foram feitas, e provavelmente ensinadas, por Jesus, que não foram escritas (Jo 21,25). As verdades cristãs foram pregadas e transmitidas durante três séculos antes da formulação do cânon das Escrituras pela Igreja. O ensino dos apóstolos é fundamentado na seqüência de seus ensinos, sejam orais ou escritos, e assim transmitidos aos cristãos. Ambas as Tradições são a Palavra de Deus. Paulo claramente atesta a plenitude da doutrina cristã através da aceitação das doutrinas por ele escritas (suas epístolas) e por ele pregadas (ensino oral transmitido).

 

3. Não existia Igreja Católica Romana nos primeiros 300 anos ? a Igreja Católica é a Prostituta da Babilônia.

 

Jesus escolheu um dos doze para ser o líder de uma instituição a que chamou de Igreja, uma Igreja visível (Mt 16,18), uma Igreja unida (Jo 10,16), o pilar e fundamento da verdade (1 Tm 3,15), onde o próprio Cristo estará até o fim dos tempos (Mt 28,20) e que prometeu o Espírito Santo para guia-la na verdade e livrá-la de todo erro (Jo 14,26). Esta Igreja é, portanto, una, santa, católica e apostólica. Toda divergência destas características, obviamente, descaracteriza a Igreja, portanto deixa de participar da verdadeira Igreja bíblica (Jo 17,21). O testemunho dos santos do segundo século, como Santo Inácio de Antióquia e São Clemente dão prova da atividade da Igreja Apostólica, que logo foi denominada de Igreja Católica (St. In. Ant., aos esmirnenses)

 

4. A Igreja Católica surgiu no ano de 325 d.C. Clemente e outros cristãos jamais foram católicos.

 

Este argumento é derivado da conclusão histórica que a Igreja Católica fora fundada pelo imperador romano Constantino em 325 d.C. Afirmam que fora, também, seu primeiro Papa. John Henry Newman certa vez disse que aprofundar o conhecimento acerca da história é abdicar ao protestantismo. Pela análise da história dos fatos, despossuídos de conclusões prévias tendenciosas, observamos que a afirmação é falsa, entre outras coisas, porque Constantino foi batizado somente em seu leito de morte! O Papa nesta época era Silvestre I e já existiram 32 Papas antes dele, desde Simão Pedro, martirizado por Nero em 67 d.C., em Roma. Santo Inácio de Antióquia (ou Antioquia), antes de seu martírio, escreveu em 110 d.C.:Onde está o bispo…estará o Cristo, e aí estará a Igreja Católica. Alguns fundamentalistas, entre eles Jimmy Swaggart, tentam contestar a interpretação do versículo de Mt 16,18, onde dizem que o uso da palavra grega petrus e não petra para designar Pedro classifica-o como de pequena parcela no fundamento da Igreja, Entretanto este argumento, à primeira vista forte, é derrubado por um argumento simples: Jesus não falou grego, mas aramaico. Nesta língua, um dialeto hebraico comumente falado pelo povo da época de Jesus, as palavras ditas a Pedro são idênticas nas duas porções de Mt 16,18, ou seja, kepha (Pedra) e kepha (Pedra). São exatas e sem variação contextual de interpretação. Este argumento já é aceito por importantes estudiosos protestantes, como Oscar Cullmam. Resta aos fundamentalistas a vontade de uma análise mais detalhada sobre este versículo.

 

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5. Cristo é a cabeça da Igreja, não Pedro. Pedro, inclusive, nunca esteve em Roma.

 

A Igreja Católica nunca disse que quem é a cabeça da Igreja é Pedro ao invés de Jesus. Muito pelo contrário sempre afirmou, e reafirmou, através dos tempos que Cristo é o proprietário e chefe da Igreja instituída por Ele. Pedro nada mais é do que, analogicamente falando, um ?primeiro-ministro?. Muitos fundamentalistas negam que Pedro possuiu algum posto de destaque entre os apóstolos, entretanto as Escrituras mostram ampla participação de Pedro em decisões e postulados como representante dos apóstolos. Pedro foi escolhido por Cristo como o chefe da Sua Igreja visível, da Igreja terrena, da Igreja Universal. A Pedro, e a nenhum outro, nem a Paulo (venerado pelos protestantes) foi dado o poder das chaves, com significado inegável de autoridade. A Pedro também foi dado o poder de governar, ligar e desligar e pastorear a Igreja visível. Negar estes dotes a Pedro é negar um claro e transparente ensino bíblico. Nesta passagem de Mateus há o paralelo com Is 22,15-25, onde a Eliaquim foi dado também as chaves ? autoridade suprema. Assim como Eliaquim teve sucessores, Pedro também deixou os seus, os Papas. Em Jo 21,15-19 Jesus ordena a Pedro que cuide de seu rebanho, em uma clara alusão ao seu pastoreio universal, pois as ovelhas de Cristo também são de todos os povos. Então tivemos Lino, Cleto (ou Anacleto), Clemente I, Evaristo e Alexandre I como sucessores de Pedro como bispo de Roma, e assim sucessivamente por 2000 anos até os nossos dias. Nenhuma outra comunidade possui tal linha apostólica. Em sua primeira carta, Pedro utiliza um código para designar a cidade de Roma ? Babilônia. O mesmo é encontrado no Apocalipse de João. Os restos do apóstolo foram identificados em 1968 em um pronunciamento feito pelo Papa Paulo VI; a sepultura e os restos originais foram descobertos exatamente sob o altar principal da Basílica de São Pedro, em Roma. São tantas as provas sobre a permanência de Pedro em Roma que praticamente tornam este fato irrefutável. Uma dica aos fundamentalistas seria a leitura do livro de John  E. Wash The Bones of Peter.

 

Lembremos também sobre a infalibilidade. Os fundamentalistas teimam em não querer entender que o sentido que a Igreja Católica aplica a este termo não é absoluto muito menos pessoal. Em todos os argumentos protestantes vemos citações de ?contradições? proclamadas por Papas que jamais se encaixaram no sentido e na extensão da infalibilidade. Na verdade, os fundamentalistas não compreendem o que a Igreja Católica quer significar quando diz que seu Papa é infalível apenas por mero artifício apologético: não restaria o que refutar…A infalibilidade é um dom, uma garantia dada por Cristo à Igreja sob seu porta-voz, o Papa, em união com os bispos, de que as verdades da fé, cridas desde o começo da era da Igreja, estarão livres do erro (Mt 16,18-19). Ao contrário do que argumentam os fundamentalistas, as declarações infalíveis do Papa são raras, tendo vez nas questões levantadas sobre a fé e a moral cristãs. O Papa não pode acrescer novas revelações, e são miríades os fundamentalistas que acham que ele faz isso. Algo que costumam confundir é o dom do cargo com a espiritualidade do seu ocupante. A infalibilidade não tem relação com impecabilidade, assim como ?falibilidade? também não tem relação com ?pecaminosidade?. Pelas Escrituras podemos constatar que os apóstolos, e Pedro não estava fora disso, cometeram delitos. Uma questão levantada pelos fundamentalistas como uma suposta prova contra a autoridade papal é o evento descrito em Gl 2,11. Paulo repreende a postura de Pedro em relação aos gentios. Com isso os protestantes argumentam que se Pedro fosse Papa não receberia tal ?bronca? (segundo palavras de um protestante…). Primeiramente não há nada que impeça um Papa de receber advertências e correções quanto a determinada postura, pois ele não é um ser perfeito e se percebermos bem, mesmo Paulo agiu de certa forma arrogante quando falou aos coríntios em sua segunda carta. Factus sum insipiens vos me coegistis (2 Cor 12,11). Segundo que a questão não é doutrinária, mas disciplinar. Em epístola alguma sua Paulo questiona a doutrina de Pedro. No Concílio de Jerusalém em At 15, ocorrido em 49 d.C., vemos a iniciativa da autoridade Petrina, ainda que Tiago seja o bispo local.

 

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6- Os sacramentos são invenções humanas, pois pela graça sois salvos através da fé (Ef 2,8).

 

Um sacramento é um sinal externo instituído por Cristo para conceder a graça. Esta graça foi concedida a nós pelos méritos de Cristo (Jo 1,17) e são dons gratuitos de Deus comunicados pelo Espírito Santo. No entendimento católico, Cristo nos deu os sacramentos como meios de obtenção da graça e como modos de incrementarmos a caminhada na vida cristã.

 

Batismo: é a entrada na vida eterna pela água e pelo Espírito pelo perdão do pecado original de nossos primeiros pais, e pelos pecados pessoais, em nome da Ssma. Trindade (Mt 28,20). É realizado através de imersão ou aspersão, como demonstra o antigo e famoso documento chamado Didache (ou O Ensino dos Doze Apóstolos).

 

Confirmação: também chamada crisma, é o complemento da iniciação cristã, onde a plenitude do Espírito Santo é conferida pela imposição de mãos do bispo e pela unção com óleo (crisma).

 

Matrimônio: Foi estabelecido como sacramento na festa das bodas de Cana (Jo 2,2) e quando Jesus desfaz o ato de divórcio permitido por Moisés (Mc 10).

Ordens: Os ministros protestantes costumam chamar de ordenação o término de sua formação ministerial (quando possuem). Entretanto é um uso impróprio pois a sagrada ordem, para eles, não é um sacramento. A ordem relaciona-se com a sucessão apostólica, algo inconcebível pelos mesmos fundamentalistas. Todos os cristãos são sacerdotes pelo seu batismo, entretanto pelo sacramento da ordem é estabelecido o sacerdócio ministerial, pelas mãos do bispo, sucessor dos apóstolos, para que possa celebrar a Eucaristia, onde o sacrifício do Calvário se torna presente (Hb 7,25). Também recebe autoridade para pregar, batizar e perdoar os pecados em nome de Cristo (Mt 28,l9-20, Mc 16,15-16, Jo 20,22-23). Alguns chegam a dizer que na Igreja Primitiva não havia sacerdotes. Isto sem dúvida é um lago de ignorância. A palavra grega para presbítero significa sacerdote ? aquele que oferece sacrifício (cf. Tm 5,17-22). As ordens são: bispos, presbíteros e diáconos.

 

Eucaristia: O centro da Igreja. Nosso site apresenta textos completos sobre este tema.

 

Unção dos Enfermos: Jesus deu a seus discípulos autoridade e poder para curar enfermos e expulsar demônios através da unção com óleo (Mc 6,13 e Tg 5,14-15).

 

7- Deus não deu ao homem nenhum poder para perdoar pecados, pois há somente um mediador, Jesus Cristo (1 Tm 2,5).

 

Amém. Jesus é de fato o único mediador entre Deus e os homens. Entretanto em parte alguma isto serve de impedimento para que Cristo utilize outros para lhe assistir na aplicação de sua obra de salvação e mediação. Ele escolheu os apóstolos, e os apóstolos também julgarão Israel. A mediação de Cristo de forma alguma é excludente. Nós somos os colaboradores (co-trabalhadores – 2 Cor 5,18, 20, 6,1). Em Mt 16,18-19 Jesus diz a Pedro que o que ele ligar na terra, será ligado no céu. Mais tarde, disse aos apóstolos que eles iriam perdoar ou reter pecados (Jo 20,22-23). Obviamente, a confissão do pecado de alguém deve ser escutada por outro alguém, e este é o sacerdote, para que possa perdoar ou reter, em nome de Jesus. As pessoas podem confessar seus pecados diretamente a Deus, mas o sacramento é um meio de certeza do perdão dos pecados por Deus, assim como Jesus determinou pelas Escrituras. Os fundamentalistas entendem o versículo de João como uma ?grade comissão?, que na verdade foi dada em Mt 28,19-20: a responsabilidade de pregar o Evangelho.


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Veritatis Splendor