Respostas Católicas

Métodos naturais x métodos artificiais: ambos são contracepcionais?

– Um amigo me desafiou para debater o ensino da Igreja acerca da contracepção. Ele disse que não faz sentido permitir o método da tabelinha e não permitir os métodos artificiais, como a pílula. Ele afirma que os dois nada mais são do que métodos diferentes para se obter a mesma coisa: a contracepção. (Anônimo)

Seu amigo está deixando de considerar uma série de diferenças importantes entre a contracepção e os métodos naturais para se evitar a gravidez.

Primeiro: abordar a "tabelinha" sem o devido conhecimento pode ser temeroso. Muitas pessoas pensam tratar-se apenas do antigo método da "tabelinha-calendário". Os métodos contemporâneos, geralmente chamados de "Planejamento Familiar Natural" (PFN), são mais eficientes que a antiga técnica.

Segundo: o simples fato de a contracepção artificial e o PFN terem a mesma finalidade – evitar a gravidez – não significa que eles são moralmente equivalentes. Não há nada de errado querer evitar a gravidez, por si, sob certas circunstâncias. São os meios utilizados para essa finalidade que devem ser considerados aqui.

Por exemplo: você pode sustentar sua família através do cuidado e de um trabalho honesto; ou pode assaltar bancos para também conseguir isso. O fim é o mesmo em ambos os casos, mas isso não significa que os meios empregados sejam moralmente equivalentes. Trabalho honesto é moral; roubo, não é.

Terceiro: o PFN não é contraceptivo. Na contracepção, uma ação é realizada para se evitar a contracepção. No PFN, nenhuma ação se dá. Ao contrário, a relação sexual não é realizada quando a concepção pode ocorrer.

Quarto: a contracepção ataca o bem da procriação. Ela se dirige diretamente contra a procriação porque algumas ações são tomadas para impedir aquele bem. A contracepção trata a procriação como um mal, como algo que deve ser atacado. O PFN trata a procriação como um bem, mas não como um bem que necessariamente precise se dar agora.

Quinto: a contracepção viola o vínculo natural entre os aspectos unitivo e o procriativo do ato conjugal. Este vínculo, conforme ensina a Humanae Vitae, é estabelecido por Deus e não pode ser rompido pelo homem, por sua própria iniciativa (Humanae Vitae 12). O PFN não mexe, de maneira nenhuma, com o ato conjugal.

É possível fazer um mal uso do PFN? Sim. Ele pode ser usado para excluir a possibilidade de o casamento gerar filhos, sendo este um dos objetivos do matrimônio. Ele pode ser usado egoisticamente para excluir crianças, por razões não-cristãs. Em tais casos, o objetivo para evitar a gravidez é a desordem, não os meios (PFN).

Existem outras importantes diferenças entre a contracepção e o PFN, que não são tratadas aqui. Dois bons livros sobre a matéria são "Catholic Sexual Ethics" (=Ética Sexual Católica), de Lawler, Boyle e May, e "The Teaching of Humanae Vitae" (=O Ensinamento da Humane Vitae), de For e Grisez (disponível, a pedido, na Revista "This Rock" norte-americana).

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