Ciência e Fé

A crença na geração espontânea da vida (abiogênese)

Introdução

A crença de que a vida surgiu por acaso, através de processos químicos naturais, não é classificada por muitos como sendo parte da Teoria da Evolução, pois ela não fala de evolução e sim de surgimento da vida, porém ela é intimamente ligada à teoria evolutiva, pois se une a esta teoria para constituir uma completa explicação naturalista para o surgimento de todos os seres viventes que já existiram e que existem atualmente, além de ter sido citada na formulação da teoria sintética da evolução.

Embora alguns evolucionistas acreditem na hipótese do surgimento da vida por meios sobrenaturais (criação por Deus, com posterior evolução), a maioria tem um posicionamento naturalista, 

pois acredita que, embora a vida não surja casualmente de matéria morta, este fenômeno deve ter ocorrido pelo menos uma vez no passado remoto. A história da evolução, para eles, começa antes mesmo do surgimento da primeira vida, inicia-se com a evolução das moléculas orgânicas, tais como aminoácidos e proteínas.

Questões ligadas à geração espontânea da vida serão comentadas e será demonstrado que uma explicação naturalista para o surgimento da vida conta um uma possibilidade de ocorrência tão remota e improvável que chega a se tornar uma forma de mitologia à nível molecular e que apesar de ser considerada uma explicação natural, para ter realmente ocorrido se equipara a um gigantesco milagre.

Síntese história da crença na geração espontânea e sua refutação por Pasteur

A crença na geração espontânea da vida teve predominância desde os tempos de Aristóteles até meados do século XIX, acreditando-se, por exemplo, que insetos e outros pequenos animais podiam surgir diretamente de alimentos estragados, pois, quando se deixava leite, cerveja ou urina permanecerem por vários dias em recipientes, mesmo que fechados, eles sempre se tornavam turvos com alguma coisa que neles se desenvolvia, em carnes estragadas, em condições semelhantes, surgiam larvas de moscas.

Em 1668 houve o primeiro desafio a esta crença, Francesco Redi, físico italiano, realizou uma experiência que indicou que as larvas de moscas não surgiam espontaneamente de carne deteriorada. Redi colocou um pedaço de carne em uma vasilha coberta com musselina napolitana esticada. Embora a carne entrasse em decomposição, não surgiram vermes. Apesar desta evidência de inexistência de geração espontânea, Redi continuou a crer na geração espontânea de vermes intestinais e carunchos na madeira.

Em 1683, 15 anos após Redi publicar os resultados de suas experiências, Anton van Leeuwenhoek, cientista holandês, descobriu o mundo das bactérias e inspirou vários cientistas a construírem microscópios e procurarem por elas.

Passou-se a observar que quando uma substância passível de decomposição era colocada em um lugar quente, as bactérias logo apareciam onde nada havia antes, isto parecia apoiar a crença na geração espontânea, mas, nesta época, também manifestou-se a crença em “sementes” que estão no ar.

Louis Joblot, tentando provar que as bactérias entraram em contato com substâncias deterioradas através do ar, realizou uma experiência onde um caldo de ervas era fervido durante 15 minutos e depois colocado em dois recipientes separados. Um recipiente ficou exposto ao ar, enquanto o outro foi vedado antes de esfriar. O recipiente selado não desenvolveu bactérias, enquanto o aberto fervilhava delas. A experiência de Joblot não convenceu o mundo.

No final do século XVIII, John T. Needham, um pregador escocês, e Abbe Spallanzani, cientista italiano, estavam realizando experiências parecidas com à de Joblot, mas estavam chegando a conclusões opostas com respeito à viabilidade da geração espontânea.

Needham era um vitalista, portanto acreditava que a matéria continha uma força ou um princípio vital que causava a geração espontânea. Needham realizou experiências em que o caldo fervido e vedado apresentava a presença de microorganismos depois de alguns dias, sugerindo que estava provada a possibilidade de geração espontânea.

Spallanzani, crendo que o ar transportava os microorganismos, conduziu experimentos em que o caldo fervido não produziu bactérias. Além disso, acusou Needham de não esterilizar adequadamente o equipamento, por isto a experiência não seria válida.

Needham respondeu que Spallanzani havia destruído a força vital dos caldos de suas experiências, por ter aquecido demais.

J. H. Rush, em “The Dawn of Live”, Garden City: Hanover House, 1957, pg. 93, comenta a discussão entre Needham e Spallanzani:

“A tendência do argumento é curiosa. Ela ilustra muito bem a propensão para crer naquilo que desejamos crer”.

As dúvidas sobre a existência, ou não, de geração espontânea permaneciam, pois os resultados obtidos nas experiências eram inconsistentes. Em 1859, ano em que Darwin publicou a “Sobre a Origem das Espécies”(chamada somente em 1872 de “A Origem das Espécies”), F. Pouchet publicou um trabalho de quase 700 páginas em que defendeu o princípio vital e a geração espontânea. Todo o seu trabalho experimental apoiou a sua teoria. Os tempos eram outros, o ambiente era favorável ao humanismo, e todos passam a aceitar a abiogênese, pois era a explicação que descartava a ação de Deus. Devido as controvérsias das experiências em laboratório, a Academia Francesa de Ciências ofereceu um prêmio à primeira pessoa que inventasse uma experiência capaz de resolver a questão.

Louis Pasteur inicia suas experiências. Pasteur colocou uma solução nutritiva no interior de um balão de vidro, de pescoço longo. Aquecia a solução, o que matava todos os microorganismos. Com calor, transformava o pescoço do balão em um tubo fino e curvo que permanecia aberto na extremidade (pescoço de cisne). A solução do balão permanecia estéril, apesar da solução nutritiva manter contato com o ar. Esta situação não deveria dificultar a geração espontânea dos micróbios, mas ela não ocorre, porém, quando Pasteur quebra o pescoço do tubo, a solução passa a apresentar inúmeros micróbios, o que leva a concluir que o pescoço do tubo dificultava o acesso dos micróbios, ou seja, eles definitivamente não se originavam espontaneamente do meio.

Em 1862, Louis Pasteur publicou a prova que foi um golpe mortal contra a abiogênese, provando que os micróbios vivem realmente no ar, cuja idéia Pouchet havia ridicularizado, e que enquanto estes organismos do ar fossem mantidos fora dos caldos, não surgiam fungos (mofo).

George Wald, em “The Origin of Live”, Scientific American, vol. 191, 2, pg 46, falando do fracasso da geração espontânea, diz:

“Contamos esta história para os primeiranistas de Biologia como se ela representasse um triunfo da razão sobre o misticismo. Mas, de fato trata-se de quase justamente o oposto. O ponto de vista razoável seria crer na geração espontânea; a única alternativa seria crer no ato único, primário, da criação sobrenatural. Não existe uma terceira posição. Por este motivo, diversos cientistas há um século decidiram considerar a crença na geração espontânea como uma necessidade filosófica. Um sintoma da pobreza filosófica de nossa época é a desconsideração desta necessidade. A maioria dos biólogos modernos, tendo verificado com satisfação a queda da hipótese da geração espontânea, mas sem estarem dispostos a aceitar a crença alternativa na criação especial, ficou sem outra opção”.

Conclusão

Nos é ensinado em aulas de biologia que, com a experiência de Pasteur, terminou a história das crenças supersticiosas da geração espontânea, mas, na verdade, a história continua, devido a não aceitação científica da evidência da existência de um criador (Deus), a crença moderna na geração espontânea tomou uma nova forma. A. I. Oparin, um bioquímico russo, que propôs uma teoria da origem química da vida, disse: “Uma pesquisa cuidadosa da prova experimental revela, porém, que ela não nos diz nada sobre a impossibilidade da geração da vida em alguma outra época ou sob outras condições”. Portanto, conclui-se que Pasteur, para muitos, não destruiu a crença na geração espontânea, simplesmente forçou a questão até um ponto em que nenhum lado pode negar o outro, pelo menos de maneira conclusiva.

Depois somos nós teístas (como os ateus nos chamam) que negamos a ciência. Não é sem motivo que a Bíblia diz: “Até quando, insensatos, amareis a tolice, e os tolos odiarão a ciência?” (Prov 1,22).

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