Durante muito tempo, foi bandeira dos movimentos feministas a busca por liberdade de expressão às mulheres, a luta para que tenham voz na sociedade, em assuntos públicos. Parece, entretanto, que nesses últimos dias, essa bandeira foi ardilosamente escondida.

Comprova-se o contra-senso destas militantes quando o assunto é religião, mais precisamente a católica, apostólica, romana. Para que uma mulher possa opinar sobre qualquer assunto deve ser, antes de tudo, libertina, esquerdista e anticlerical. Os termos “católica” e “intelectual”, quando aplicados a uma mulher, são, na mente das feministas, antagônicos.

Tal afirmação evidencia-se na tão falada excomunhão que teria sido lançada pelo Arcebispo de Olinda e Recife, D. José Cardoso Sobrinho, OCarm., contra os fautores de um aborto praticado contra o filho d uma menina, contando nove anos, que fora violentada pelo padrasto. As intelectualóides de plantão prontamente apedrejaram o Prelado, a Igreja e quem mais viessem pela frente com a opinião diferente daquela veiculada pela maioria dos meios de comunicação.

De início, não é demasiado explicar que aborto sempre é um atentado à vida. Pior, contra a vida de um inocente que não tem chance alguma de defesa, o qual deveria contar com a ajuda, em uma situação em que atente contra sua vida, pelo menos, de sua própria mãe.

A mesma mãe que é capaz de matar o filho em seu ventre, pergunto, o mataria se ele tivesse quatro, cinco, dezoito, vinte anos?

Voltando ao caso do Arcebispo, certos grupos feministas, em mais um ato contraditório, focam-se não no padrasto, este monstro causador de tamanha barbaridade contra uma menina de nove anos, mas sim em um respeitável e sério senhor.

O “problema” é que este senhor usa (e realmente usa!) uma batina. Se a homens, pensam as feministas, não é dado o direito de se posicionar contra o aborto, muito menos a padres, que dirá a Bispos!

Cabe lembrar que o Arcebispo não excomungou ninguém. A excomunhão, no caso do aborto, é automática, ou seja, aplicada pela própria circunstância no momento do cometimento do delito canônico. O Arcebispo apenas lembrou a todos aquilo que o Código de Direito Canônico já previa. Não inventou nada. Nem mesmo aplicou a lei. Somente disse que há uma pena, e pena automática. Com ou sem fala do Arcebispo, com ou sem seu pronunciamento, a excomunhão aos que praticam o aborto continuaria a existir, e a equipe médica e os pais da menina seriam, de fato e de direito, excomungados.

Outro fato que chama a atenção é que a imprensa condena D. José por um suposto silêncio quanto à violência sexual praticada pelo padrasto. Aos olhos de setores da mídia, o Arcebispo só se preocupou com o aborto e não com o estupro, pois não excomungou o violentador. Ora, já vimos que o Arcebispo não excomungou ninguém. E mesmo que o fizesse, estupro é pecado mortal, mas não delito canônico. Não é passível de excomunhão. Não há nem possibilidade de D. José lançar uma excomunhão ao padrasto estuprador, muito menos de declarar uma automática, pois simplesmente não existe esse delito no Código de Direito Canônico. Nullum crimen, nulla poena sine preavia lege. Se não há a previsão do delito, não há pena a ser aplicada, automática ou não.

Isso não tira a monstruosidade do estupro. Continua a ser pecado, e pecado mortal. E, ainda que não excomungado, o padrasto encontra-se fora da plena comunhão com Deus e a Igreja, e deve se confessar. Se assim não o fizer, irá para o inferno do mesmo modo que o excomungado. A distinção entre o pecado e o delito é que este é de foro externo, enquanto aquele de foro interno. O primeiro se apaga pela graça mediante a confissão, e o segundo por ela e pelo cumprimento da pena (ou sua remissão por quem de direito).

Portanto, como mulher, escrevo e afirmo minha posição junto a D. José e desejo que as feministas aprendam a ouvir, sejam justas e honestas ao ler e tentem, assim, entender o outro lado. Quem sabe o medo de ouvir a verdade e crescer seja, então, superado? A patrulha ideológica desses grupelhos não pode ser tal a ponto de fazer com que, na prática, a liberdade de expressão, que eles tanto reivindicaram, seja negada quando lhes convém.

Enfim, o que uma mulher agredida sexualmente necessita não é de outra agressão: a morte de seu filho. Ela necessita, sim, de apoio e amor. Não o falso amor egoísta de se “livrar” de uma dor, mas o amor verdadeiro a Cristo e sua – e nossa – Santa Cruz.

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