Ola, tudo bem?

Meu nome e Dioney Junior, tenho uma seria duvida sobre MENSAGENS SUBLIMINARES, gostaria que vocês mandassem alguma resposta pra mim se realmente devo considerar o assunto a serio mesmo ou se isso não tem nada a ver. Sou Católico e gosto muito do site de vocês, espero que continuem sempre trabalhando a serviço de DEUS.

Fico esperando ansiosamente respostas,

Atenciosamente

Dioney Junior

Caríssimo Dioney, salve Maria.

Agradecemos sua carta solicitando informações sobre esse delicado assunto. Há duas vertentes para responder a essa pergunta: há a visada salutar (que enfatiza e auxilia de forma complementar a exposição do tema)  e a perspectiva deformada e deformante (que tenta de maneira sub-reptícia inocular algo de estranho ou “novo”, “por baixo” do discurso).

Faço aqui uma colagem, com algumas alterações, de um texto de Gustavo Corção sobre esse assunto titulado Pregação Subliminar. O autor destaca a caráter necessário e são desse complemento. Mais adiante eu falarei sobre o seu oposto, a saber: a deturpação que pode haver sob o manto do discurso corriqueiro.

“A lingüística nos ensina que há uma grande diferença entre a língua escrita e adstrita ao texto, isto é, às palavras, e a língua falada que, além de conter nuclearmente o mesmo texto, contém por acréscimo, em torno dele, todo um rico envoltório de sinais comunicativos de várias naturezas: o gesto, a entonação, o ritmo, a modulação da voz, a expressão do rosto, das mãos e do corpo inteiro que é mais rica do que o simples gesto. Todos esses sinais formam o que o lingüista chama contexto. Seria melhor chamar ao conjunto ?língua integral?, e a essa parte não traduzida em termos, ?língua subliminal?.

Quem se aventura na arte de tentar escrever o que sente e o que pensa, sabe que tem de se ater aos sinais escritos, que dizem os nomes das coisas, os verbos que exprimem ações e paixões, os adjetivos que colorem os nomes, e os advérbios que rendilham as cores além de colorir os verbos; mas os que entraram mais fundo nos segredos de tão esquiva arte sabem que há finos recursos, no ritmo, na escolha da construção verbal, na felicidade de uma inversão ou de um anacoluto, numa elipse ou numa redundância, que conseguem deixar num texto toda a energia efetiva e comunicativa de um contexto subliminal.

Mas, no uso comum da palavra, cabe à parte subliminal a função mais ativa e penetrante, e principalmente toda a adjetivação afetiva que varia em matizes infinitos o sentido da mesma palavra. Todos certamente conhecem a anedota do ?mande mais dinheiro? que somente pela variação da entonação pode cobrir todo o espectro da afetividade humana.

A língua subliminal, embora mais obscura, porque não há dicionários para franzires de boca ou para as porções do dedo mindinho, é freqüentemente mais penetrante porque mexe nas raízes das emoções enterradas. O segredo de certos magnetismos pessoais reside todo nessa eloqüência escondida e tornada confidencial para cada alma dentro de um auditório.

A pregação subliminal é praticada de mil modos. ?Ela está na roupa do padre; está nos gestos; nas palavras ditas e nas não ditas; está no tom; nos modos daquela contenção que todos os grandes espirituais aconselharam como regras de imitação de Cristo?.

Posto isso, percebe-se que o fator subliminal é um envoltório, uma espécie de complemento que enfatiza e confirma de modo mais profundo o conteúdo do discurso falado. É algo necessário ao orador e, se usado de forma correta, faz a perfeita ponte entre os homens.

Hoje, pelo ?contexto?, a pregação subliminal é generalizada, banalizada, vulgarizada. Através das atitudes  descritas acima os “pregadores subliminais” (têem eles uma ênfase nesse aspecto “puro”) não mais se preocupam com o conteúdo do discurso, mas em “seduzir” e “encantar” a audiência/platéia incauta. Muitas vezes podem estar falando uma coisa e, através da subliminaridade, estar “passando” (“empurrando”), muito subtilmente, outra.

Vejamos: aquele ar de “pouco caso” com que muitos “especialistas” tratam um tema de profunda seriedade, passando uma certa “familiaridade”, apesar do tom pomposo com que falam, dão ao ouvinte uma impressão de “facilidade”, de “intimidade” que eles mesmos podem se valer. Isso acarreta o que atualmente chamamos de “opinião”: já reparou que hoje todos tem uma opinião sobre qualquer assunto, mesmo aqueles que desconhecem esse mesmo assunto? Vemos qualquer um opinar sobre política, religião, ética, relações internacionais, economia, moral etc. Assuntos extremamente complexos que até alguém que realmente sabe demoraria para avaliar as variáveis embutidas e compactadas. Até os mais toscos sujeitos querem “emitir a sua opinião”. Não ter opinião , hoje, é sinônimo de “estar por fora”, ser “desatualizado”, um “excluído e desinformado”.

Um outro aspecto da subliminaridade são os jargões, frases-feitas e palavras-de-ordem que são sistematicamente marteladas nos nossos ouvidos pela cultura moderna. Vejamos: já reparou como há uma unanimidade histérica e estereofônica com relação as “analises” dos problemas nacionais? Todos, em uníssono, repetem que “precisamos melhorar a economia”, “o nosso problema é de ordem social”, “precisamos acabar com a fome” e demais falácias são repetidas como palavras encantadas que irão, ao serem ditas, operarem a miraculosa auto-explicação e, num passe de mágica, implementar a solução de todos os nossos problemas. Já repeti em outra ocasião: uma meia-verdade eh uma mentira inteira!

Certos modos de interpretar a realidade estão tão enterrados no fundo do imaginário das pessoas que elas repetem aquilo como se fossem as maiores verdades; e jamais admitiriam que se trate de um pensamento “provocado”, “instilado”, por uma maciça pregação subliminar que nos aborda por vários meios que a sociedade moderna dispõe.

Sabemos que uma arma pode salvar uma vida, mas sabemos que pode ser usada de uma maneira criminosa. Com relação à pregação subliminar há esses dois aspectos. Pena que hodiernamente ela esteja sendo usada no seu aspecto mais nocivo.

Espero ter respondido a sua pergunta. Não se acanhe de nos endereçar as suas duvidas: pode nos escrever, digo: digitar, quando quiser.

Nos corações de Jesus, Maria e José;

MARCUS PIMENTA

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