Eu gostaria de saber se é pecado fazer orações em prol de animais, pois eu tenho uma gata que esses dias ficou muito doente e eu pedi para Deus protegê-la da morte.
Desde já agradeço. (Irapuã)

Prezado Irapuã,

Segundo o livro “Os santos e os beatos da Igreja do Ocidente e do Oriente”, de Mario Sgarbossa (Ed. Paulinas), Santo Antão é invocado com o protetor dos animais domésticos (p. 41). Ora, sendo assim, não creio que seja pecado, por exemplo, pedir a Santo Antão que interceda junto a Deus em favor de um animal de estimação que se perdeu ou que está gravemente doente. Semelhante pedido também poderia ser feito a São Francisco de Assis (nas paróquias erigidas em honra a São Francisco de Assis, no dia 04 de outubro é costume ser ministrada a bênção dos animais, incluindo os de estimação, em vários horários ao longo do dia, havendo inclusive uma oração própria para a ocasião).

Também vale a pena ler o que diz o Catecismo da Igreja Católica sobre os animais:

“Os animais são criaturas de Deus que os envolve com a sua solicitude providencial. Pela sua simples existência, eles o bendizem e lhe dão glória. Também a eles os homens devem carinho. Lembremos com que delicadeza os santos como S. Francisco de Assis ou S. Filipe Neri tratavam os animais.” (n. 2416)

“Pode-se amar os animais, porém não se deve orientar para eles o afeto devido exclusivamente às pessoas.” (n. 2418)

É importante observar que muitas pessoas acabam desenvolvendo uma relação doentia com seu animal doméstico, estimando-o em demasia, sobretudo nos dias de hoje, em que há cada vez mais pessoas emocionalmente carentes e em que as relações interpessoais geralmente são muito superficiais. Essa estima excessiva deve ser evitada, como exposto no n. 2418 do Catecismo. Por outro lado, é interessante notar que alguns animais atualmente têm ajudado de forma significativa a pessoas com problemas de ordem psíquica ou psicológica, como autistas, idosos, pessoas com depressão etc.

Pelo exposto, parece-me que, havendo bom senso (moderação), isto é, sem que se faça confusão entre o afeto que nutrimos pelo animal e aquele que devotamos aos seres humanos, não constitui um pecado estimar um animal, cuidar bem dele e, eventualmente, pedir a Deus que lhe restitua a saúde.

Agradecemos pela sua mensagem e continuamos ao seu dispôr para ajudar naquilo que estiver ao nosso alcance.

Em Cristo,

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