“Queridos amigos em Cristo, penso que estareis de acordo em considerar que o movimento ecumênico chegou a um ponto crítico. Para avançar, devemos pedir continuamente a Deus que renove as nossas mentes com a graça do Espírito Santo (cf. Rom 12, 2), que nos fala através das Escrituras e nos guia para a verdade total (cf. 2 Ped 1, 20-21; Jo 16, 13)”.

Foram estas as firmes palavras pronunciadas pelo Papa Bento XVI diante de líderes de várias comunidades cristãs da Austrália, ainda separadas da Igreja Católica.

Para o Papa, portanto, em sua visão de Teólogo e, antes de tudo, Pastor supremo e universal da Santa Igreja, “o movimento ecumênico” – este que tomou forma mais clara no início do século XX, com o encorajamento dado por Leão XIII e Bento XV à Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos, mas que desde as primeiras divisões se manifestava na Igreja, em especial nos Pontífices – “chegou a um ponto crítico”.

E que “ponto crítico” seria este, na ótica de Bento XVI?

“A tentação de considerar a doutrina como fonte de divisão e, conseqüentemente, como impedimento daquilo que parece ser a tarefa mais urgente e imediata: melhorar o mundo onde vivemos”, afirmou o Sumo Pontífice.

Portanto, o “ponto crítico” ao qual se chega após séculos de luta em prol do restabelecimento da plena unidade dos cristãos é a tentação de crer que a doutrina é “fonte de divisão”.

Com efeito, nada mais ilusório.

A Igreja de Cristo – una, santa, católica e apostólica – tem sua unidade em três aspectos: é una no governo – o de Cristo, através do Papa –; é una no culto e nos sacramentos – os verdadeiros e legítimos sacramentos –; mas é, em especial, una na Fé: uma só Fé, a Cristã, tal como foi revelada por Cristo a seus Apóstolos, e por eles a nós, sendo até hoje proclamada e explicitada pelos seus Sucessores, os Bispos, em comunhão com o Bispo de Roma e Pastor supremo da Santa Igreja, o Papa.

Sendo, portanto, a existência de uma só Fé, a Fé Cristã, justamente um dos fundamentos da unidade da Santa Igreja, é absurdo considerar que esta mesma Fé – ou a doutrina – seja uma “fonte de divisão”. Contra esta verdadeira tentação nos adverte o Santo Padre: “Devemos precaver-nos contra toda a tentação de considerar a doutrina como fonte de divisão”.

Nada seria mais absurdo e fantasioso do que um ecumenismo levado a cabo à custa da Verdade. Não há como ser restabelecida a unidade plena de todos os cristãos suprimindo um ponto da doutrina aqui, outro acolá, outro mais além… e logo não mais teríamos a Fé Cristã! E se não temos a Fé Cristã, não temos mais a Igreja, que se alimenta desta Fé.

E de que adiantaria restabelecer a unidade de todos os cristãos numa só Igreja à custa da Fé… se, ao perder a Fé, esta Igreja nem existiria mais?!

E se não houver a Igreja, também não haverá chance para o mundo, já que “a Igreja é o mundo reconciliado”, no dizer de Santo Agostinho. Haverá, ao invés, “o impedimento daquilo que parece ser a tarefa mais urgente e imediata: melhorar o mundo onde vivemos”.

Perdendo-se, suprimindo-se, subtraindo-se ou atenuando-se a Fé em seu conteúdo, perde-se, suprime-se, subtrai-se e atenua-se também a Igreja. E então sobrevêm os males ao mundo, pois tal não mais está sob as luzes da Fé Cristã.

E, diga-se de passagem, grande parte do caos que reina no mundo moderno advém da perda de identidade dos cristãos católicos, que se deixam levar por seitas e idéias heréticas, não mais dando ouvidos a seus Pastores.

Perde-se a Fé, perde-se a Igreja, e perde-se o mundo.

É um caminho fixo e imutável.

Desta maneira, cabe-nos professar a Fé integralmente, não só do ponto de vista do ecumenismo, mas em todos os aspectos da vida: “Se vivemos pelo Espírito, andemos também de acordo com o Espírito”, diz o Apóstolo Paulo (Gálatas 5,25); parafraseando-o: se vivemos pela Fé, andemos também de acordo com a Fé.

No que diz respeito especificamente ao Ecumenismo, esta sempre foi a orientação dos Pontífices Romanos (cf. SS. PAPA PIO XI, Enc. Mortalium Animos, n.11; SS. PAPA JOÃO PAULO II, Enc. Ut Unum Sint, n.18) e do Concílio Ecumênico Vaticano II (cf. Decreto Unitatis Redintegratio, nn. 11 e 24).

Desta maneira, não há absolutamente nenhum pretexto para promover um ecumenismo falso, irenista, que caminhe (ou descaminhe) à custa da pureza e integridade da Fé – e só se poderia crer na ignorância ou na perniciosa maldade dos que assim agem.

Que o conselho paternal de Sua Santidade, o Papa Bento XVI, sirva para nos alertar neste sentido, e nos estimular a promover o verdadeiro ecumenismo: este baseado na adesão integral ao conteúdo da Fé Cristã e no retorno dos dissidentes à Única e Verdadeira Igreja de Cristo.

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