Quem me conhece sabe que amo rosas. Botões, abertas, de todas as cores. Coleciono imagens de rosas em meu computador, que uso às vezes como avatar em redes sociais, ou para embelezar um post no meu blog. As rosas são as princesas dentre as flores… especiais, belas, admiradas por sua beleza e perfume. Algumas mulheres são assim, realmente especiais. No entanto, a grande maioria de nós não é apreciada como as rosas. De uma beleza natural porém comum, nós, mães e esposas, somos flores do campo, subestimadas em nossa capacidade de enfeitar o mundo à nossa volta.

Até 2006, quando retornei à comunhão da Igreja, o feminismo embaçava a minha visão, e eu acreditava que para ser respeitada como mulher precisava ser igual aos homens… a minha mudança de mentalidade não veio de uma hora para outra, foi fruto de leitura, oração, meditação e muita paciência e conversa daqueles que conviveram comigo.

O divisor de águas certamente foi a leitura da Carta Apostólica Mulieris Dignitatem, do Papa João Paulo II. Foi através da leitura e meditação deste texto que compreendi melhor a vocação da mulher e a necessidade de cultivar aquilo que lhe é característico, o feminino, a maternidade.

Como Maria, somos chamadas a sermos “servas do Senhor” [« Eis a serva do Senhor » (Lc 1, 38)], mas tal condição, longe de nos diminuir a dignidade, nos faz imagem e semelhança de Deus, pois, em seu Reino, “Servir é Reinar”.

Através de explicações teológicas – que não repetirei aqui, basta ler o documento, que vale muito a pena – o Papa João Paulo II nos ensina que a mulher não precisa se descaracterizar, perder a sua essência, para reafirmar a sua igualdade em dignidade. Não precisamos abandonar a delicadeza, nem a ternura, o cuidado, para “vencermos em um mundo masculino”. Ademais, esse mundo não precisa ser masculino! Se nos mostrarmos em nossa natureza, se deixarmos florescer a feminilidade, sem podá-la, faremos do mundo um lugar mais bonito e mais acolhedor.

A vocação primordial da mulher é a maternidade. No entanto, nem todas irão vivenciar a maternidade biológica; muitas serão mães por escolha, pela adoção, outras são “mães” dos irmãos, dos amigos, dos pobres… mesmo as mulheres que têm vocação celibatária ou religiosa podem vislumbrar a maternidade espiritual em sua vivência comunitária e em seu apostolado.

A mulher é cuidadora. Um dia alguém me disse, com razão: se precisar de aspirina ou um band-aid, peça a uma mulher, ela sempre tem um extra na bolsa para socorrer um amigo… a dimensão mãe, esposa, cuidadora da mulher permeia todas as relações humanas, e, ainda assim, é subestimada, invisível.

Muitas vezes as pessoas me parabenizam pelo que escrevo, pelo que posto, pelo blog que mantenho, pelo apostolado que faço… esse trabalho é o mais simples que eu faço ! Esse trabalho não chega aos pés do difícil trabalho que é ser esposa e mãe, equilibrar esses papéis, providenciar todo o necessário para a formação de três indivíduos com perfis e necessidades completamente diferentes! Esse trabalho é diário e não posso me vangloriar de fazê-lo bem, pois é um trabalho em progresso e cujas dificuldades se apresentam a cada dia.

As flores do campo dificilmente estão sozinhas… crescem livres mas em grandes grupos, são colhidas em bouquets… as mulheres sempre transmitiram os seus “segredos” umas às outras, as mães para as filhas, as noras, as irmãs se ajudando e ajudando as cunhadas, as avós partilhando sabedoria e “dicas” com as netas, as vizinhas se apoiando mutuamente… nas metrópoles isso se perdeu um pouco, infelizmente, e as mulheres às vezes se vêem diante dos desafios da maternidade sozinhas ou acompanhadas dos seus companheiros, que têm limitações para ajudá-las.

Recentemente, um movimento contrário tem ganhado força, com as mulheres se reunindo em grupos presenciais ou virtuais para falar sobre feminilidade, parto, maternidade e família. No entanto, estamos longe do ideal… se antigamente, a mulher paria em casa acompanhada da mãe e rodeada de vizinhas, amigas, irmãs, primas, cunhadas, hoje ela paga uma doula – sem qualquer demérito a essas profissionais – para fazer esse papel de guiá-la na jornada da maternidade.

Aos poucos as mulheres cristãs vão percebendo a necessidade de resgatar a nossa natureza e de valorizar a verdadeira beleza e feminilidade, através do incentivo à virtude da modéstia e da abordagem de temas ligados à família e à maternidade.

As flores não só representam a beleza, mas também a fecundidade, por meio da polenização, por isso creio serem a metáfora perfeita da feminilidade. Que possamos nos permitir ser flores do campo, embelezando o mundo e dando frutos para o Reino de Deus, sempre ajudadas pela Graça Divina e pela intercessão daquela cuja humildade de flor do campo alcançou o favor do todo-poderoso, que a fez Rosa Mística, Rainha do céu e da terra.

[Essa reflexão a pensei como primeira de uma série. Que Nossa Senhora me ajude a perseverar neste propósito e completar este projeto. Peço desde já suas orações!]

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