Editora: Ágora da Ilha (Rio de Janeiro-RJ)
Ano: 2002
Páginas: 206 pp.

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Este livro versa sobre um personagem muito interessante da Idade Média: Joaquim de Fiore (1139-1202), moge cisterciense que julgava estar no fim de uma era, pois desmoronava a sociedade feudal sob a ação de nova classe social: a burguesia. Era o término de um mundo e o esboço de novo mundo. Assim interpelado, recorreu às categorias geralmente utilizadas pelos filósofos da história antigos: as categorias da periodização ou da distribuição da história em períodos sucessivos. As Escrituras do Antigo e do Novo Testamento ofereciam, para tanto, ampla inspiração, propondo os seis dias da criação e o sétimo de repouco, os septenários do Apocalipse, os números simbólicos do livro de Daniel.

Quem julga estar no fim de uma era freqüentemente concebe a seguinte como consumação escatológica, marcada por bonança até então nuca atingida. Tal foi também o caso de Joaquim de Fiore: baseando-se em Mateus 1,1-17, que atribui a duração de 42 gerações ao Antigo Testamento, tido como a Era do Pai, pensava poder atribuir a mesma duração à Era do Filho ou à Era Cristã; avaliando em 30 anos cada geração, previa o fim desta para 1260 (42 x 30 = 1260) ou para os próximos decênios. Naquela data teria início a Era do Espírito Santo, ou a era dos espirituais carismáticos, era de liberdade não cerceada por instituições jurídicas. A tese de Joaquim de Fiore fez escola, conseguindo adeptos que, por fim, se desiludiram da “profecia”.

O livro em foco explana com maestria o pensamento de Joaquim de Fiore, fazendo o leitor reviver importante segmento da Idade Média.

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