Espaço do Leitor

Leitora pergunta sobre a origem da vida monástica e a originalidade de s. bento.

Leitor autorizou a publicação de seu nome no site] Nome do leitor: Eliney Maria V G Oliveira
Cidade/UF: Cuiabá/MT
Religião: Católica

Mensagem
========

Gostaria de saber:

Como surgiu a vida monástica na igreja?

Qual a originalidade de S. Bento na vida monástica?

Qual o método pedagógico próprio da escola evangélica de S. Bento?

Explane o lema “Ora et labora”.

Caríssima Eliney,

Que a graça e a paz de Nosso Senhor Jesus Cristo esteja conosco!

Agradecemos o contato e a confiança em nosso apostolado. Pedimos as suas orações por nós. Não respondemos a trabalhos escolares ou acadêmicos, espero que este não seja o seu caso. No que se refere a suas questões podemos dizer o seguinte:

O monaquismo (do grego monachós[1]) é uma forma de vida cristã, totalmente consagrada a Deus no retiro, no silêncio, na oração, na penitência, no trabalho, na vida cenobítica[2] ou eremítica[3]. É inspirada no próprio Evangelho onde Jesus convida a deixar tudo e segui-lo: “As raposas tem covas e as aves tem ninhos, mas o Filho do Homem não tem onde reclinar a cabeça” (Lc. 9,58) [cf. Mt. 19,16-22; Lc. 9,57-62; I Cor. 7,8s.25-35]. Por volta do século III registra-se a forma eremítica onde alguns cristãos se retiravam para o deserto, a exemplo de S. Antão (251-356), considerado o “Patriarca do monaquismo”.

Com o tempo, a vida eremítica passa a ceder à vida cenobítica (comunitária). No Século IV, por volta do ano de 320, S. Pacômio (364) foi o primeiro a organizar o modelo de vida cenobítico submetendo os monges a uma Regra e a um superior chamado de Abade (pai). A casa dos cenobitas era chamada de monastérion (palavra grega) de onde se deriva o nosso mosteiro.

O historiador Daniel – Rops explica o nascimento da vida monástica dizendo:

“É dentro das perspectivas especificamente cristãs que se deve considerar o nascimento do monaquismo. O que vai incitar homens e mulheres a afastar-se do mundo é a palavra de Cristo, quando convida os fiéis a deixar tudo a fim de segui-lo e a mortificar a carne para alcançarem a vida eterna” (ROPS, Daniel. A Igreja dos Apóstolos e dos Mártires, Vol I,Quadrante: São Paulo, 1988,p.506).

No Oriente, o grande legislador dos monges foi São Basílio (379), cuja famosa Regra era seguida pela maioria dos mosteiros. No Ocidente foi São Bento (480-547) quem moldou a forma do monaquismo. Em 529 ele fundou o Mosteiro de Monte Cassino, o berço dos beneditinos. Conhecedor de diversas regras, São Bento, combinando- as, elaborou uma nova regra para seus monges. Seguindo a Regra de São Bento, os monges viviam em comunidade, onde os membros se ajudavam mutuamente na busca da perfeição, vivendo o dia – a – dia em períodos de oração em comum (ofício divino), estudo e trabalho, vivendo assim o lema “ora et labora” (ora [reza] e trabalha).

“Conhecendo as diversas regras monásticas, elaborou uma para seus próprios monges que era, portanto, não uma concepção totalmente original, mas a feliz combinação de vários elementos dispersos da tradição. Sua genialidade está exatamente no equilíbrio com que harmonizou as diversas expressões da vida monástica. Uma Regra exigente e austera, que excluía, contudo as exageradas práticas penitenciais, características de mosteiros orientais e irlandeses (…) Ao lado dos votos de estrita pobreza, obediência ao abade e castidade, os monges se ligavam pelo resto da vida ao mosteiro onde ingressavam (a “estabilidade monástica”), o que pôs termo, no Ocidente, à inconveniência dos monges errantes (giróvagos). Bento elaborou um horário pré-estabelecido, que regulava o dia no mosteiro. Períodos de oração em comum (o “ofício divino”) – a alma da vida monástica – eram alternados com estudo e trabalho manual. Assim se uniu a disciplina e o sentido de ordem e regularidade do mundo clássico com o ideal cristão de vida comunitária inspirada no Evangelho.” (MATOS, H. Cristiano J. Introdução à História da Igreja. 5ª ed. Belo Horizonte: O Lutador,1997.p,146-147).

Esperando tê-la ajudado, despeço-me.

In caritate Christi,

Leandro.


Notas

[1] Monachós = aquele que está só.

[2] Os monges viviam em comunidade.

[3] O monge vivia sozinho, isolado.

Veja também  Leitora pergunta sobre o uso de medicamentos que têm por efeito a anticoncepção

Livros recomendados

O Diabo, Lutero e o ProtestantismoA Virgem Maria: 58 Catequeses do Papa João Paulo II sobre Nossa SenhoraA superstição do divórcio





About the author

Veritatis Splendor