20 DE FEVEREIRO

SANTO EUQUÉRIO, BISPO (+738)

A França foi a terra deste grande Santo, que nasceu de pais virtuosíssimos, que deram ao filho uma educação esmerada, sobre a base de princípios cristãos.

 

Antes de dar à luz o menino, a mãe já o dedicara a Deus. De boa inteligência, Euquério ocupou sempre um dos primeiros lugares entre os condiscípulos. Cedo se acostumou a ler um ou outro trecho da Escritura. Certa vez leu as palavras de S. Paulo (I. Cor. 7, 29, 31.) “O tempo é breve! O que resta é que, não só os que têm mulheres, sejam como se as não tivessem, mas também os que choram, como se não chorassem; e os que usam deste mundo, como se dele não usassem; porque a figura deste mundo passa”.

 

Impressionado e iluminado por estas palavras, conheceu a vaidade do mundo e resolveu dizer-lhe adeus, entrando numa ordem religiosa. Fez-se religioso no convento de Jumièges, na diocese de Rouen. Chegou a um grau tão alto de virtude e santidade que foi eleito sucessor do Bispo, quando este, seu tio do lado paterno, morreu. Prevendo, porém, os eleitores que recusaria aceitar esta dignidade, mandaram uma comissão a Carlos Martelo, com o pedido de aprovar e continuar a eleição. Carlos Martelo, que conhecia o alto valor de Euquério, não só deu a aprovação, mas mandou um mensageiro ao convento onde Euquério estava, com a ordem terminante de trazê-lo à força, caso isto necessário fosse. Euquério, conhecendo bem os perigos que acompanham a dignidade episcopal, pediu que desistissem da sua eleição. Quando, porém, os confrades lhe apresentaram as razões indubitáveis da vontade divina, Euquério obedeceu e aceitou a cruz episcopal.

 

Exemplaríssimo religioso, como Bispo havia de ser também cumpridor dos deveres. Zelava pela dignidade dos templos, aos sacerdotes dava instruções sobre a vida clerical e para os diocesanos era Apóstolo e Pai.

 

Com a maior pontualidade fazia as visitas pastorais, procedendo nelas com toda a prudência e energia. A maior parte dos bens distribuiu entre os pobres e necessitados. A bondade e condescendência sabia associar, quando preciso, energia e rigor, sem acepção de pessoas. Quando Carlos Martelo, para poder continuar a guerra contra os sarracenos quis lançar mão dos bens da Igreja, achou enérgica resistência da parte do Bispo. Este convencido da justiça da causa tomou a si as consequências desse proceder e pouco se incomodou com as iras do poderoso mordomo. Como este já conhecesse a inflexibilidade do antístite, em negócios de direitos da Igreja, concebeu a idéia de removê-lo ardilosamente da diocese. Passando por Orleans, convidou-o a acompanhá-lo na viagem a Paris. Chegados à Capital, fez ao Bispo a comunicação que de Orleans seria transferido para Colônia. Como em Orleans, também em Colônia era venerado e querido pelos diocesanos, o que ainda foi causa de outra remoção sua para Liège. Seis anos viveu assim no desterro, sem que os companheiros lhe tivessem ouvido uma só palavra de queixa.

 

Os últimos anos viveu no convento de S. Trondom e teve uma morte santa, aos 20 de fevereiro de 738. As relíquias de Santo Euquério, que repousam da Igreja do convento, foram glorificadas por inúmeros milagres.

 

REFLEXÕES

 

Desde os primeiros momentos de vida, Santo Euquério foi consagrado a Deus. Os pais fizeram esta consagração porque assim julgaram cumprir um dever, de dar ao filho, uma sólida e santa educação. Pais conscienciosos assim procedem, porque sabem que uma boa educação é a raiz, o fundamento de uma vida feliz. Pais que educam cristãmente os filhos, garantem-lhes a eterna salvação, e salvaguardam a própria responsabilidade, que é muito grande. Quantos são os meninos que, já na mais tenra idade, sorvem o veneno do vício, do pecado, da irreligião! Quantos são os entezinhos infelizes que, em vez de bom exemplo dos pais, deles recebem o incitamento para o mal! Terrível será o julgamento dos pais que, desconhecendo sua alta responsabilidade, em vez de educar os filhos para Deus, assim os entregam ao demônio.

 

“A figura do mundo a cada instante muda”: Esta verdade fez com que Santo Euquério criasse um aborrecimento de tudo que era mundano e procurasse unicamente as coisas divinas. Tudo é vaidade e aflição de espírito. Todos devem convencer-se desta verdade. Tudo é vaidade, menos servir a Deus e só a ele amar. Vaidade é procurar e acumular riquezas. Vaidade é procurar honras e posições honrosas. Vaidade é viver só para este mundo e esquecer-se do outro. Vaidade é amar o que é passageiro e não procurar o que é duradouro. Sábio é aquele que observa a palavra de Nosso Senhor que diz: “Procurai tesouros no céu, onde nem a ferrugem, nem a traça os destroem e onde os ladrões não os desenterram, nem furtam”. (Mt. 6, 20).

 

Santos do Martyrologio Romano, cuja memória é celebrada hoje:

 

Em Tiro (Síria) o aniversário da morte de muitos mártires cujo número só a Deus é conhecido. Entregues a Vetúrio, comandante das tropas de Diocleciano, foram cruelmente açoitados, atirados às feras, que nenhum mal lhes causaram. Vendo assim frustradas suas medidas, Ventúrio deu ordem aos soldados para que exterminassem os cristãos de qualquer maneira. Deu-se então um horrível massacre. Entre esses mártires merecem especial menção Silvano, Peleo. Tirânio, o Bispo Nilo o sacerdote Zenóbio.

 

Na Pérsia o martírio do Bispo Sadoth e 128 cristãos, que se negaram a prestar honras divinas ao Sol.

Na Ilha de Chipre os santos mártires Potâmio e Nemésio.

Fonte: LEHMAN, João Baptista. NA LUZ PERPÉTUA. Volume I. 2a Edição revista e aumentada. Edição Lar Catholico, 1935. Juiz de Fora/MG.

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