Os inimigos de hoje e como vencê-los

 

Os clássicos inimigos de todos os cristãos são o diabo, a carne e o mundo. Satanás é o grande inimigo de nossa alma, procurando a todo instante afastar-nos de Deus e de Seu plano de salvação. A carne é a nossa predisposição ao pecado, a fazer as coisas que não são do agrado de Nosso Senhor e Salvador, matando a vida da graça na alma. O mundo, por sua vez, é o conjunto de todas as estruturas que combatem contra Deus e contra a Igreja, procurando, por um lado fazer o homem pecar, e por outro criar condições para a derrota da vontade divina na terra.

 

O grande inimigo, entretanto, continua sendo Satanás, eis que a carne é apenas o instrumento mediante o qual o demônio procura tentar-nos, e que o combate ao mundo deve procurar, antes de tudo, a sua conversão, submetendo-o ao império de Deus.

 

Armando ciladas e arregimentando soldados para suas fileiras, o diabo oferece grandes perigos não só às almas, com suas tentações, senão também às sociedades, removendo-lhes todo aspecto de sacralidade e de submissão à Lei de Deus.

 

Perseguem os inimigos de Deus a Sua Igreja, fundada por Jesus Cristo. E, perseguindo-na, perseguem a verdade exposta por ela. Tal perseguição, aliás, se dá porque os aludidos inimigos odeiam a verdade, seja ela expressa por quem for. Sendo a Igreja a máxima guardiã da verdade ? mesmo que dela existam sementes esparsas nos vários povos, fato que o pecado original não destruiu de todo ?, não suportam que a Esposa de Cristo a pregue, a sustente e a defenda. Odeiam a Igreja por seu ódio à verdade, e odeiam a verdade por seu ódio à Igreja.

 

Claro, perseguem, outrossim, a verdade quando sustentada por outros que estejam fora do grêmio visível da Igreja Católica, embora concentrem suas forças em atacá-la quando pregada por esta última ? pois a Igreja tem a plenitude da verdade, e como tal também tem ?a plenitude da perseguição?.

 

Por outro lado, os inimigos da Igreja por vezes exaltam determinados pontos da verdade, para melhor mascarar seu intento de combatê-la. Nem sempre, vemos então, existirá a mentira crua e simples no seio dos que odeiam a Cristo; muito mais freqüente será a adúltera relação entre verdade e mito, entre acerto e erro, entre virtude e vício. Os apóstolos militantes devem ter a astúcia de detectar os erros principalmente quando travestidos de verdade, pois aí é que exercem seus mais daninhos efeitos.

 

Odiando a verdade e a Igreja, lutam também pela dissolução da família, pelo menos da família tal como a conhecemos, e com a sociedade e a moral cristãs sempre a conceberam em obediência à Lei de Deus. A imoralidade é uma das maiores armas que tomou de assalto o mundo, principalmente após o mito hollywoodiano tornar-se referência na mente já contaminada dos homens de nosso século.

 

A imoralidade sempre andou de mãos dadas com o paganismo. Com o triunfo do Cristianismo e o nascimento da Idade Média, os bárbaros foram evangelizados e os Estados e nações constituíram-se sob a lei do Evangelho de Cristo: derrotando o paganismo, a cruz venceu também a imoralidade, a qual só voltou a nos assombrar de maneira sistemática quando os costumes pagãos foram tristemente redescobertos no Renascimento. Nossa época afamou-se por seu paganismo, chamado pelos pesquisadores sociais de fenômeno neo-pagão: bruxaria, destruição do conceito tradicional de família, métodos para manipular a natureza ? e os contraceptivos incluem-se na lista desses métodos ?, culto do corpo, substituição de Deus pelos ídolos modernos ? dinheiro, sexo, prazer desenfreado, fama, estrelato, poder ?, religiões que exaltam o panteísmo e idolatram a natureza. Junto disso tudo ? é só atentar para os que sustentam tais idéias ?, está uma revolução dos costumes, que tenta nos fazer crer que a castidade não é um mais um valor, que tripudia a virgindade, que defende o absurdo ?casamento? homossexual, como que tentando legitimar a sodomia, que prega que o embrião e o feto ainda não são seres humanos, que levanta a bandeira do divórcio, do aborto, da eutanásia e da manipulação genética.

 

As leis dos diversos Estados que seguem a filosofia moderna favorecem esses comportamentos imorais, da mesma forma que tolera o relativismo religioso, dizendo ser ignominiosa a pretensão católica de um Reinado Social de Cristo. Ensinam os fautores de tal pensamento que a Igreja deve ficar fora dos negócios do Estado, e que a religião nada tem a ver com o direito. Dessa maneira, expulsam Nosso Senhor e a benéfica influência de Sua Santa e Católica Igreja dos destinos da nação, esquecendo que ? todo o gênero humano está sob o poder de Jesus Cristo? (Sua Santidade, o Papa Leão XIII. Encíclica Annum Sacrum, de 15 de maio de 1889). Não apenas as coisas propriamente religiosas devem estar sujeitas a Cristo, mas também as temporais, seculares, profanas. As primeiras ? religiosas ?, Deus governa pela Igreja, e as segundas ? temporais ? pelo Estado. Não se quer confundir Igreja com Estado, nem misturá-los. Porém, a separação total como se os negócios civis escapassem da moral católica e do ensino de Jesus, também não corresponde à tradicional sustentação da Igreja. ?(…) erraria gravemente quem subtraísse a Cristo-Homem o Seu poder sobre todas as coisas temporais.? (Sua Santidade, o Papa Pio XI. Encíclica Qua Primas, de 11 de dezembro de 1925) É justamente a cristianização das estruturas temporais, gênero de apostolado do qual falamos linhas acima, a arma eficaz para combater o laicismo consubstanciado na exclusão de Cristo e da Igreja dos interesses do Estado.

 

O laicismo toma forma principalmente por crerem seus patrocinadores que todas as religiões são iguais, ou no máximo que a preferência por uma ou outra é de caráter estritamente subjetivo, negando a objetividade da Revelação de Cristo e da autoridade suprema de Jesus Cristo, Rei do Universo. Procurando lutar contra esse perigoso inimigo, incentivado principalmente pela ação dos maçons e outros livre-pensadores, o Papa instituiu a Solenidade de Nosso Senhor Jesus Cristo, Rei do Universo, a popular festa de Cristo-Rei. ?A celebração desta festa constituirá também uma admoestação para as nações, de que o dever de venerar publicamente Cristo e de Lhe prestar obediência diz respeito não só aos particulares, mas também aos magistrados e aos governantes.? (Sua Santidade, o Papa Pio XI, Encíclica Qua Primas, de 11 de dezembro de 1925) Os Estados devem ser católicos, precisam submeter suas leis à Lei Divina, seus interesses aos de Deus, e lembrar-se que a tolerância aos demais cultos só existe a bem da paz social e não por um suposto direito de existir das falsas religiões: o erro não tem direitos, e só a Igreja de Cristo possui a plenitude da verdade!

 

Tomando forma progressivamente, a separação radical entre Igreja e Estado ocasionada pelo crescente laicismo insuflado por correntes maçônicas foi denunciada pelos Papas.  ?Sabeis que tal impiedade não amadureceu num único dia, mas há muito tempo estava incubada nas vísceras da sociedade. Na verdade, começou-se por negar o império de Cristo sobre todos os povos: negou-se à Igreja o direito ? que emana do direito de Jesus Cristo ? de ensinar os povos, de fazer leis, de governar os povos para os conduzir à eterna felicidade. E pouco a pouco a religião cristã foi igualada a outras religiões falsas e indecorosamente rebaixada ao nível destas; em conseqüência, foi submetida ao poder civil e foi deixada quase ao arbítrio dos príncipes e magistrados; indo mais além, houve quem pensasse substituir por certo sentimento religioso natural a religião de Cristo. Não faltavam Estados os quais julgaram poder dispensar-se de Deus, pondo a sua religião na irreligião e no desprezo do próprio Deus.? (Sua Santidade, o Papa Leão XIII, Encíclica Annum Sacrum, de 15 de maio de 1889) Não foi de uma hora para outra que os inimigos da Igreja espalharam a mentirosa doutrina de que Cristo não deve governar também na vida civil, fazendo cessar a observância da moral católica pelos Estados e reduzindo a prática da verdadeira religião à esfera unicamente privada, considerando-a, outrossim, igual às outras formas de culto. O alerta do Santo Padre na citada encíclica de 1889 veio acompanhado da arma por ele proposta para combater a ideologia laicista: a consagração do mundo ? não só das pessoas e famílias, mas dos Estados ? ao Sagrado Coração de Jesus. A doutrina apresentada por Cristo a Santa Margarida Alacoque e freqüentemente recomendada por tantos santos ? devoção ao Coração Divino ? torna-se, assim, a grande espada pela qual os inimigos podem ser vencidos. Foi pensando nisso que Gabriel Garcia Moreno, modelo de político católico e grande estadista do Equador, do qual foi presidente eleito por duas vezes, estabeleceu por decreto a consagração oficial de todo o país ao Coração de Cristo, em uma cerimônia pública. Por essas e outras políticas de inspiração católica ? oficialização do ensino religioso católico nas escolas públicas, restauração das congregações religiosas expulsas, celebração de uma concordata com a Santa Sé, expulsão de seitas que maquinassem contra a Igreja ?, acabou assassinado na frente da Catedral por jovens agitadores liberais, pagos por conhecidos maçons para executarem o terrível serviço.

 

O relativismo religioso que acompanha as políticas laicistas manifesta-se por uma busca às várias formas de esoterismo ? novamente a influência pagã. ?, e pela difusão de seitas protestantes ? a dita ?evangélica? ocasionada principalmente pela rápida propagação do fenômeno pentecostal. Infelizmente, inclusive, alastrou-se em ambientes católicos, como se o cavalo de Tróia tivesse realmente penetrado na Cidade de Deus. ?E o que exige que sem demora falemos, é antes de tudo que os fautores do erro já não devem ser procurados entre inimigos declarados; mas, o que é muito para sentir e recear, se ocultam no próprio seio da Igreja, tornando-se destarte tanto mais nocivos quanto menos percebidos.? (Sua Santidade, o Papa São Pio X,  Encíclica Pascendi Dominici Gregis) O que São Pio X já falava a respeito do modernismo, podemos, com muito mais razão, expressar sobre seu rebento legítimo, o progressismo. Com o modernismo e o progressismo, desenvolveu-se, mesmo entre católicos, a falsa idéia de que o dogma muda, evolui, adapta-se às circunstâncias, como se a verdade não fosse única e absoluta. O liberalismo teológico de matriz protestante alemã ganhou status de regra para todos os teólogos que se considerassem ?antenados? com a realidade, em contraposição com o que achavam um dogmatismo ?retrógrado?, ou seja, a doutrina como vinha de Roma; questionar a autoridade do Papa tornou-se, para muitos, na crise pós-conciliar, uma triste realidade, reforçada pelos constantes desafios de Leonardo Boff, Marcelo Barros, Gustavo Gutierrez e outros heresiarcas.

 

Temos de lutar contra esses inimigos, em unidade com as orientações do Santo Padre! Precisa a Igreja de católicos firmes, corajosos e resolutos, prontos para guerrear pela verdade e em defesa do papado. A coragem dos cruzados, a audácia dos marujos de Lepanto, o vigor dos ultramontanos, devem nos inspirar nessa empreitada.

 

Também a moral recebeu sua versão relativista: a autêntica caridade cristã foi reduzida a uma mera filantropia; consagrou-se a equivocada máxima ?a verdade é relativa?, totalmente desprovida de lógica; houve um crescimento do incentivo a uma falsa liberdade de expressão e de pensamento.

 

Tudo isso, somando-se ao continuado desprezo pelas raízes culturais cristãs do Ocidente. ?Deus está a ser obstinadamente afastado da nova constituição da Europa. Assim se quereria que, do fundamento jurídico da nova Europa unida, Deus estivesse ausente, o que a reconduziria ao abismo do qual a Europa sem Deus se libertou em 1989 e 1990. Com certeza, isto não vai passar de um bumerangue, que não trará qualquer progresso para o caminho de uma Europa unida.? (Dom Joaquim Cardeal Meisner, Arcebispo de Colônia, Alemanha. Discurso. Homilia na Santa Missa, Santuário de Nossa Senhora de Fátima, Portugal, 13 de maio de 2002) O anúncio profético do Cardeal de Colônia concretizou-se com a apresentação da nova Constituição Política da União Européia, que nenhuma referência faz ao contributo da filosofia cristã e da tradição católica ao continente, substituindo-as por uma referência vaga a um conjunto de espiritualidades e humanismos antagônicos e indefinidos. Tal desrespeito ao passado europeu demonstra-se uma traição à formação cultural do Ocidente cristão, e firma-se num perigoso precedente para a derrocada do cristianismo: é um ataque fortíssimo à Igreja e às poucas instituições seculares ainda permeadas com o espírito do Evangelho, com o propósito de destruí-las e expulsar de vez Jesus Cristo dos Estados, para, por fim, expulsá-Lo das famílias e das almas.

 

Houve, ainda mais, a ruptura da benéfica aliança entre o Estado e a Igreja, que, longe de confundir as duas instâncias, ou de submeter o primeiro diretamente à segunda, como se não houvesse uma justa e legítima independência das duas instâncias, ou da segunda ao primeiro, privando a instituição fundada por Cristo da liberdade que lhe permite continuar a exercer sua sublime missão espiritual e civilizadora, constituía-se em poderoso instrumento de resolução dos problemas que atingiam de forma comum as duas sociedades. Como sempre ensinaram os Papas, Estado e Igreja são duas esferas independentes, livres e soberanas, mas, ainda na esteira do ensinamento pontifício, devem estar em mútua concórdia: nos assuntos propriamente civis, que o Estado resolva; nos eclesiásticos, cabe a Igreja deliberar; nos mistos, enfim, que reine a aliança, desde que, como princípio, não se desvirtue o Estado da Lei de Deus, da Lei Natural, do dogma da Igreja, cabendo a esta tutelar para que não haja violação dos direitos divinos. A Igreja, vê-se, respeita a ação do Estado, desde que este respeite a legislação dada por Deus.

 

Com a vitória dos satânicos pressupostos da Revolução Francesa, o liberalismo triunfou contra a sadia norma da Cristandade. Já estavam sendo demolidos os pilares da gloriosa Idade Média com o nefasto absolutismo dos monarcas, que, destruindo as elites nobiliárquicas e aristocráticas, pecou contra a subsidiariedade e a liberdade genuína. Em nome de uma falsa liberdade, propugnaram os revolucionários a destruição da ordem estabelecida. Confundiram os abusos absolutistas ? que eles mesmos ajudaram a criar com a recuperação dos contra-valores pagãos no Renascimento ? com o justo sistema feudal, e assim, para acabar com os primeiros, destruíram o que restava do segundo.

 

Para destruir o Cristianismo medieval, os humanistas agnósticos fizeram o Renascimento, com o fascínio pelo paganismo greco-romano. Desculpavam-se alegando que estavam apenas reinstalando os  valores culturais e artísticos do mundo clássico. Mentira! Tais valores não precisavam de resgate, pois foram sempre preservados pela Igreja ? a mesma que acusavam de obscurantismo. O movimento renascentista quis trazer, isso sim, tudo aquilo que a evangelização do Império e a queda deste pela invasão dos bárbaros germânicos ? com sua posterior organização em reinos próprios, e, na unificação destes em Império por Carlos Magno, rei dos francos, com o estabelecimento da vassalagem ? tinha sepultado com a luz do Evangelho: sexualidade desordenada, culto do corpo, dissociação entre fé e vida privada, absolutismo monárquico, utilização do poder religioso para fins profanos, arte como manifestação de vaidade e não mais de serviço ou de propagação do belo, métodos científicos alienados da crença em Deus, mercantilismo, escravidão. Tudo o que não existia na Idade Média pelo primado da Igreja foi recuperado por esses neopagãos.

 

E o neopaganismo do Renascimento foi, por um lado, combatido pelos revolucionários franceses ? mas por causas profundamente diversas das dos cristãos. Por outro, os contra-valores renascentistas principais foram ainda mais exaltados quando da queda da Bastilha. Com a Revolução Francesa surge o capitalismo liberal, que afasta do comércio a lei moral, como se o mercado pudesse ser regulado por si só. Aliás, com a doutrina da bondade intrínseca do homem, sustentada por Rousseau, não era preciso lei moral alguma para combater os abusos: a humanidade é boa, o erro está na sociedade; logo, devemos lutar contra a perversão social ? está aberto aí o caminho para o socialismo, que se fará um monstro a partir da Revolução Russa de 1917.

 

?Foi do Mercantilismo que nasceu o sistema capitalista, triunfante com a Revolução Francesa e com a chamada Revolução Industrial. E com o fim de toda ordem feudal, na Revolução Francesa, os antigos artesãos perderam seus meios de defesa, quando a Revolução extinguiu o seu feudo econômico, as Corporações, que eram bem diversas dos atuais sindicatos. O artesão foi transformado em operário, em proletário.

 

A Revolução Francesa instituiu o reino do Número, isto é o da Quantidade. Foi o fim da Qualidade artesanal, e o triunfo da produção em quantidade, de onde vai nascer a produção em série.


Politicamente, esse triunfo do número vai significar o governo da maioria, que se aufere pela contagem de votos, e pelo sufrágio universal, isto é, pelo sistema democrático liberal, que muito pouco tem a ver com a democracia, tal como a entende a Igreja Católica.


Economicamente, a instituição do número como supremo valor, não só vai causar a Revolução Industrial e a produção em série, como significará a busca do lucro acima de tudo.


E, do mesmo modo que o sistema liberal separou a Igreja do Estado, pela Liberdade de Religião, assim também se separou a Economia da Moral: desde que se obtivesse lucro, pouco importava, para o Capitalismo, triunfante com a Revolução Francesa, que meios eram usados. Dai, nasceu a tendência a reduzir, o quanto possível, o salário dos que trabalhavam, e a produção de objetos em série, pouco importando a decadência de sua qualidade. Importava só o lucro, e o quanto antes. Dai a velocidade das coisas modernas: velocidade de produção (Taylorismo), velocidade de consumo, velocidade de uso.


Disto resultando a velocidade da vida atual, e a idéia dela decorrente de que tudo tem que mudar sempre.

Assim nasceu a Moda. Assim nasceu o macaco de Darwin. Pois o Darwinismo, muitos o demonstraram, é uma aplicação do pensamento liberal e capitalista na biologia: a livre concorrência entre as espécies, como se fez a livre concorrência entre os produtores. Hitler despontava já do darwinismo, imaginando a criminosa “livre concorrência” das raças, com os fornos assassinos de Auschwitz. Que agiam visando a produção de crimes em série. Em linha de… destruição criminosa em massa.


Portanto, esse foi, e é, o principal ponto negativo do Capitalismo, que a Igreja sempre condenou: a separação entre Economia e Moral, que foi uma conseqüência da separação entre Igreja e Estado.


Um segundo ponto negativo do Capitalismo– que a Igreja sempre condenou também — foi a Livre Concorrência Absoluta na Economia. Assim como na Democracia Liberal, nascida da Revolução Francesa, se deu a liberdade religiosa completa, acabando-se com a distinção entre verdade e mentira, assim como se deu livre concorrência ao erro e à verdade, assim também, na Economia, se dava a livre concorrência absoluta, com o falso raciocínio de que sempre venceria o melhor produto.

Ora, a livre concorrência entre a verdade e a mentira só pode favorecer a mentira, porque a mentira não traz obrigações, enquanto a verdade traz duros deveres.? (Prof. Orlando Fedeli. Socialismo e Capitalismo, em
www.montfort.org.br)

 

Esse capitalismo selvagem, liberal, filho da Revolução Francesa, irá preparar um outro rebento seu, o socialismo, tanto na sua versão comunista, como na versão fascista, seus dois extremos, e ainda nas formas moderadas, que tendem a esse erro. O liberalismo, o capitalismo, é ruim. Com isso não se diga que o socialismo seja bom: pelo contrário, Sua Santidade, o Papa Pio XI, já o declarava intrinsecamente mau (cf. Encíclica Divini Redemptoris), mostrando que é impossível ser, ao mesmo tempo, católico e socialista (cf. Encíclica Quadragesimo Anno). Da igualdade política do liberalismo nasceu a igualdade econômica e social do comunismo ? como ambas surgiram da igualdade religiosa do protestantismo, e de todas está surgindo a igualdade do homem e dos animais, do santo e do pecador, do casto e do pervertido, dos casais normais e dos ?homossexuais?, da criatura e do Criador! Sobre o socialismo retornaremos adiante.

 

Todos esses erros surgiram no ambiente que pregava a Igreja e o Estado como radicalmente separados. Já vimos que as duas esferas são e devem, segundo a doutrina católica, ser independentes. Todavia, vimos também que essa independência não significa ruptura da aliança entre os dois corpos, pois ambos foram dados por Deus. O Estado e a Igreja, o Trono e o Altar, a Coroa e a Mitra, a Espada e a Cruz, devem estar unidas para o progresso da humanidade, como atesta a Cristandade medieval. ?Então a Religião instituída por Jesus Cristo, solidamente estabelecida no grau de dignidade que lhe é devido, em toda a parte era florescente, graças ao favor dos Príncipes e à proteção legítima dos Magistrados. Então o Sacerdócio e o Império estavam ligados entre si por uma feliz concórdia e pela permuta amistosa de bons ofícios. Organizada assim, a sociedade civil deu frutos superiores a toda a expectativa, cuja memória subsiste e subsistirá, consignada como está em inúmeros documentos que artifício algum dos adversários poderá corromper ou obscurecer.? (Sua Santidade, o Papa Leão XIII. Encíclica Immortale Dei, de 1 de novembro de 1885)

 

O Iluminismo, politicamente triunfante na Revolução Francesa, instituiu uma perversa separação entre Igreja e Estado, fazendo-nos crer que tal idéia é o melhor sistema. Ora, e o que produziu essa separação, senão guerra, tirania, morte, escravidão, destruição da solidariedade, relativismo moral, religioso e filosófico, incentivo ao socialismo e ao nazismo? A crise pela qual atravessa hoje a Igreja ? pois, que antes combatia o erro moderno, hoje seus inimigos modernistas infiltram-se nela ? é fruto, tardio, da doutrina iluminista. A vaidade humana, o pecado do orgulho, é que levou os revolucionários a protestar injustamente contra a Igreja e a ordem estabelecida. Se os abusos clamavam uma reforma, não era a Revolução que a faria, pois a esta caberia o papel decisivo de subverter a realidade e colocá-la sob o jugo da idéia, destruindo as importantes conquistas da Idade Média cristã, da Civilização Católica, daquilo que a lei evangélica tinha produzido de melhor nas almas dos homens de então.

 

Por meio de sucessivos atos, foram se desenvolvendo os tentáculos da Revolução. Da queda dos valores medievais pelo Renascimento foi-se ao estabelecimento de um igualitarismo racionalista, que odiava a fé, e que, por sua vez, favoreceu a terrível descristianização que vemos hoje. O ?Cristo sim, Igreja não? de Lutero mudou-se em ?Deus sim, Cristo não? dos iluministas, e este, por sua vez, em ?Nem Igreja, nem Cristo, nem Deus? dos marxistas. ?Sabeis que tal impiedade não amadureceu num único dia, mas há muito tempo estava incubada nas vísceras da sociedade. Na verdade, começou-se por negar o império de Cristo sobre todos os povos: negou-se à Igreja o direito ? que emana do direito de Jesus Cristo ? de ensinar os povos, de fazer leis, de governar os povos para os conduzir à eterna felicidade. E pouco a pouco a religião cristã foi igualada a outras religiões falsas e indecorosamente rebaixada ao nível destas; em conseqüência, foi submetida ao poder civil e foi deixada quase ao arbítrio dos príncipes e magistrados; indo mais além, houve quem pensasse substituir por certo sentimento religioso natural a religião de Cristo. Não faltavam Estados os quais julgaram poder dispensar-se de Deus, pondo a sua religião na irreligião e no desprezo do próprio Deus.? (Sua Santidade, o Papa Leão XIII, Encíclica Annum Sacrum, de 15 de maio de 1889)

 

Outros inimigos precisam ser vencidos hoje. E a luta contra eles é verdadeiro apostolado: a secularização de alguns ambientes católicos, em que estes não se empenham mais em sacralizar o mundo, mas deixam-se guiar pelos critérios modernos em sua maneira de pensar a fé, afastando-se do que ensina a Igreja e do modelo de Santo Tomás de Aquino; o igualitarismo e o desrespeito pela hierarquia, fazendo vitorioso, em parte, o socialismo, em seu ódio à justa sociedade de classes, à legítima desigualdade harmônica, às elites que têm por missão conduzir o povo ao progresso e defendê-lo; o individualismo e o falso solidarismo, termo que, tomado da autêntica doutrina social da Igreja, transmutou-se, pela ação de organismos ligados ao liberalismo e à maçonaria, em um arremedo de caridade, contaminado de comunismo, fruto da destruição do conceito cristão de serviço, tão venerada na Idade Média, e operada pela Revolução Francesa; o desconhecimento da filosofia perene, mormente dos básicos pressupostos tomistas e do pensamento escolástico, ocasionando grandes falhas na estruturação lógica do raciocínio ? já se disse que a crise atual é uma crise de inteligência, o que é confirmado pelos ataques dos ?politicamente corretos? à Igreja, à doutrina tradicional e à verdade (vide as absurdas propostas homossexuais, ecologistas radicais, socialo-comunistas, sexualmente livres, a favor dos preservativos e do aborto).

 

Dos grandes inimigos que deve a Igreja enfrentar hoje está a crise pós-conciliar. Uma falsa interpretação dos decretos do Concílio Ecumênico Vaticano II ocasionou o ressurgimento da avalanche modernista, em que não faltaram sacerdotes, Bispos e até Cardeais defendendo doutrinas totalmente contrárias ao que a Igreja sempre ensinou. Não se culpe o Vaticano II por esses erros progressistas, mas que alguns pontos de seus decretos e constituições, por não desejarem ser dogmáticos ? e o próprio João XXIII, o Sumo Pontífice que convocou o sacrossanto sínodo universal, afirmou o caráter ?pastoral? do Concílio ?, foram compostos com termos dúbios, isso foram. Nem tudo está lá de uma maneira isenta de interpretações equivocadas. Os Bispos modernistas souberam incluir nos documentos expressões perigosas, que poderiam ser interpretadas em desacordo com a doutrina tradicional, e, depois de encerrado o Concílio, souberam, ainda mais, aproveitar-se dos mesmos para pregar que nascia uma ?Nova Igreja?, totalmente independente do dogma e da disciplina anterior. Para os progressistas, parece que não havia Igreja antes do Vaticano II, devendo-se condenar como retrógrado todo e qualquer apelo ao Magistério anterior. Por outro lado, para disfarçar essa perniciosa teologia, alegaram os modernistas desejar uma volta às origens do Cristianismo, à forma da Igreja Primitiva, pretendendo resgatar uma fidelidade ao ?projeto de Jesus? ? como se a Igreja pudesse ser infiel a Cristo em algum momento de sua história! ?, e ignorando todo o posterior e legítimo desenvolvimento dogmático, tal como ensinado pelo Venerável Cardeal John Henry Newman, o grande convertido inglês. A essa tentativa de apagar a história da Igreja medieval, tridentina, pré-Vaticano II, alegando que estava afastada da Igreja Antiga, deu-se o nome de antiquarianismo, um tentáculo da heresia modernista.

 

?Acreditávamos que o Concílio traria dias ensolarados para a História da Igreja. Ao contrário, são dias repletos de nuvens, de tempestades, de nevoeiros, de procura, de incerteza.? (Sua Santidade, o Papa Paulo VI. Alocução em 29/06/1972)

 

Para evitar esses erros todos, os Papas Paulo VI e João Paulo II sempre defenderam que os textos do Concílio Vaticano II não podem ser interpretados isoladamente, principalmente aqueles que possam ser tendentes a uma interpretação modernista. Deve-se ler o Vaticano II à luz da Tradição, à luz da doutrina de sempre, à luz do Magistério infalível da Igreja, manifestado no Santo Padre, e nos Concílios Ecumênicos anteriores, estes sim todos dogmáticos. No espírito das palavras de São Vicente de Lérins, em seu Communitorium ? é verdadeiro aquilo que foi crido sempre, por todos e em todo lugar ?, o Papa Santo Agatão compôs um juramento: ?Portanto, nós submetemos ao rigoroso interdito do anátema, se porventura qualquer um, ou nós mesmos, ou um outro, tiver a presunção de introduzir qualquer novidade em oposição à Tradição Evangélica, ou à integridade da Fé e da Religião, tentando mudar qualquer coisa concernente à integridade da nossa Fé, ou consentindo a quem quer que seja que pretendesse fazê-lo com ardil sacrílego.? (Sua Santidade, o Papa Santo Agatão. Juramento Papal) Claríssimo guia para o enfrentamento dos modernistas! Pena que, no entendimento deles, esse texto não pode ser invocado, pois é ?anterior ao Vaticano II?.

 

É, portanto, um grande inimigo, o conjunto daqueles que se utilizam das dubiedades do Vaticano II para defender suas teses anti-católicas, seus erros modernistas, sua heresia progressista. Não se deve lutar por uma ?Igreja do Vaticano II?, como não se deve desejar uma ?Igreja de Trento?: a Igreja a ser defendida é a Igreja de Jesus Cristo, a Igreja Católica Apostólica e Romana. Tal inimigo se revela geralmente sob as vestes do marxismo disfarçado de cristianismo ? Teologia da Libertação ?, do modernismo que vê a necessidade de adaptação onde ela não é permitida ? o liberalismo teológico de Karl Barth, Marcelo Barros, Rudolf Bulttmann, Karl Rahner e outros ?, o litugircismo ? com seu ódio ao aspecto sacrifical da Santa Missa, sua luta contra as normas litúrgicas, sua negação do valor da Missa Tridentina, sua verdadeira cruzada a favor da protestantização da liturgia católica ? e tantas outras.

 

Sobre a crise pós-conciliar, as palavras de Nuestro Padre são diretas: ?Cristo disse que as portas do inferno não prevalecerão. E disto se desdobra que elas tentarão prevalecer. É inegável que a Igreja está passando por anos difíceis. Há muitos fatores que contribuem para fazer do presente um momento crucial: o desenvolvimento da época pós-conciliar, o impressionante progresso técnico, as rápidas mudanças morais, políticas e econômicas etc. E, por trás das cortinas, a força do mal, no esforço por ganhar muitos para a sua causa. É um tempo desafiador, um tempo para grandes cristãos, para cristãos heróicos, capazes de ir ao fragor da batalha com fé e confiança, mas também com prudência, com tato, com paciência.? (Pe. Marcial Maciel, LC. Carta de 16 de novembro de 1989)

 

E também: ?Não podemos negar que existiram e existem muitas práticas litúrgicas e muitas opiniões doutrinais ou morais, sobretudo em certos países, que se desviam de modo significativo do que está certo. Inclusive quando, infelizmente, este fenômeno se difunde, não significa que a Igreja tenha perdido o seu caminho. A Igreja é feita de homens e, como tal, sempre poder ser aperfeiçoada nos seus membros que, individualmente ou até em grupos, podem ter perdido o caminho. Mas tais erros, membro se forem grandes, não são uma razão para abandonar a Igreja. São os erros desta ou daquela pessoa, deste ou daquele sacerdote ou bispo, mas não da Igreja. A existência destes erros deveria ser, ao invés, um motivo para amar mais a Igreja, para fazer mais por ela.? (Pe. Marcial Maciel, LC. Carta de 16 de novembro de 1989)

 

Os modernistas quiseram derrubar o vasto e majestoso edifício da Igreja, fundada sobre São Pedro, e para isso não pouparam nenhuma área da magnífica construção erigida por Nosso Senhor. Distorcendo o espírito do Vaticano II, e utilizando textos ambíguos de seus documentos, citados fora de contexto e negando toda a Tradição e Magistério infalível, dentro dos quais devemos ler aquelas constituições e decretos, quiseram reinterpretar o dogma, mudar as saudáveis práticas e disciplinas, remover pontos da doutrina católica com os quais não concordavam ou não eram coerentes com sua absurda capitulação ante o mundo pagão e dessacralizado. Não esqueceram de atacar a moral, nem a dogmática, nem os cânones, nem a apologética, e ?… também a Liturgia foi violada? (Sua Santidade, o Papa João Paulo II. Discurso em 06/02/1981)

 

Essa sistemática guerra contra a liturgia, querendo transformar o Santo Sacrifício da Missa em simples ceia protestante ? negando, com isso, até mesmo textos do próprio Vaticano II, tão invocado (e distorcido) em suas pelejas progressistas contra a Tradição ? é traduzida nos freqüentes abusos nas permissões, no ódio ao latim e às pompas litúrgicas, na ignorância das rubricas e demais normas nesse campo, no uso irregular de leigos, na falta de importância dos paramentos apropriados, na secularização das cerimônias de maneira a tirar todo o seu catequético brilho. Frente a isso, o Romano Pontífice inúmeras vezes reagiu, mostrando que o Vaticano II não anulou Trento, que o sacerdócio comum dos fiéis difere em essência, e não apenas em grau, do sacerdócio ministerial e hierárquico, que a Santa Missa corresponde ao mesmo sacrifico oferecido por Cristo na Cruz, que os ritos devem ser rigorosamente observados. ?Temos a lamentar, infelizmente, que sobretudo a partir dos anos da reforma pós-conciliar, por um ambíguo sentido de criatividade e adaptação, não faltaram abusos (…). (…) Por isso, sinto o dever de fazer um veemente apelo para que as normas litúrgicas sejam observadas, com grande fidelidade, na celebração eucarística.? (Sua Santidade, o Papa João Paulo II. Encíclica Ecclesia de Eucharistia, 52) Combateu, vemos, a falsa noção de criatividade, como se ela suplantasse as precisas normas litúrgicas, e esvaziando seu verdadeiro significado. Para isso, favoreceu a criação de institutos para a defesa da liturgia, e reafirmou a doutrina de sempre na Igreja em inúmeras cartas aos sacerdotes por ocasião da Quinta-feira Santa e mesmo em Encíclicas, Cartas Apostólicas, Exortações Apostólicas, Constituições Apostólicas e Instruções.

 

Outrossim, deu claras indicações aos Bispos para, que em suas dioceses, coibissem os abusos litúrgicos e promovessem uma autêntica observância das regras que regem a celebração da Santa Missa: ?Vista a importância duma correta transmissão da fé na sagrada liturgia da Igreja, o Bispo não deixe, a bem dos fiéis, de vigiar cuidadosamente por que sejam observadas sempre, por todos e em toda a parte, as normas litúrgicas em vigor. Isto inclui também uma correção firme e tempestiva dos abusos e a eliminação de qualquer arbitrariedade no campo litúrgico.? (Sua Santidade, o Papa João Paulo II. Exortação Apostólica Pós-Sinodal Pastores Gregis, 35) Na mesma exortação, noutro ponto, explicitou que os Bispos devem ser fiéis à Tradição, numa clara condenação ao modernismo e todas as heresias dos progressistas: ?Seguindo as pegadas de Jesus, o Bispo é obediente ao Evangelho e à Tradição da Igreja, consegue ler os sinais dos tempos e reconhecer a voz do Espírito Santo no ministério petrino e na colegialidade episcopal.? (Sua Santidade, o Papa João Paulo II. Exortação Apostólica Pós-Sinodal Pastores Gregis, 19) Não esqueçamos as grandes nomeações episcopais do Papa, provendo as Igrejas Particulares de pastores afinados com sua preocupação de defesa da doutrina tradicional.

 

A essa onda de modernismo, o conselho do Fundador do Regnum Christi muito ajuda: ?Às vezes vocês encontrarão pessoas ou instituições que, de uma ou outra forma, maquinam contra a Igreja; existem, por exemplo, alguns grupos dentro da própria Igreja que se dedicam a semear a confusão doutrinal e a quebrantar a fé e o afeto das pessoas para com o Papa. Neste caso, o nosso dever é, por um lado, abstermo-nos de julgar ou condenar estas pessoas, e, por outro lado, temos que desmascarar suas estratégias para evitar que causem dano aos nossos irmãos na fé. Respeitamos o ?pecador?, mas resistimos energicamente ao seu pecado por amor à Igreja e por fidelidade ao nosso compromisso cristão.? (Pe. Marcial Maciel, LC. A Caridade Evangélica)

 

Na verdade, os inimigos para serem vencidos são os de sempre, os adversários de nossa alma e da Igreja: a carne, o mundo, o diabo. A carne são todas as nossas tendências desordenadas, afetadas pelo pecado original, que, apagado pelo Batismo, deixa, entretanto, a marca da concupiscência, a vontade de errar. O mundo é a reunião das potências externas que pretendem seja o crente com o mesmo comportamento moral do incrédulo. O diabo é o general que tudo comanda, seja agindo pelas tentações que se apresentam à carne, seja pelos ataques que nos predispõem ao mundo ? com suas modas, seus estilos de pensamento, seus critérios ?, seja, outrossim, por uma atuação direta, movida pelo ódio que Satanás tem de Deus e dos que são Seus amigos.

 

 

O que fazer?

 

Em tudo, procurar entender como Deus espera de nós uma resposta corajosa e eficaz contra esses males. Temos de ordenar nossa vida espiritual e dar militância a ela, por um método de oração, por uma disciplina que contemple compromissos espirituais. Não nos esqueçamos, também, de um vigoroso e tenaz programa de reforma de vida. Conscientizemo-nos da necessidade de desenvolver um apostolado organizado, seja em que área for, na evangelização ou na cristianização, no espalhar da doutrina de Cristo ou na luta para que os ambientes sociais ajudem à rápida propagação dessa mensagem.

 

?Que amor tão grande teve Deus para com você! Ele o chamou para ser seu apóstolo, desvendando para o mundo pagão de hoje e sedento de felicidade e de paz (…) Hoje é necessária uma recristianização, voltar a apresentar a mensagem de Cristo e a força da sua graça com a mesma paixão e com a mesma sinceridade com que um dia Ele a ofereceu. E para essa missão são precisos apóstolos loucos por Jesus, sintonizados totalmente com os seus sentimentos e critérios, identificados com sua própria vida e infatigavelmente entregues, a ponto de gastar a vida, à missão de dar Cristo e de formá-lo nas almas.? (Pe. Marcial Maciel, LC. Carta de 10 de dezembro de 1966)

 

Não deixemos que a preguiça tome conta de nós. Não pensemos que, por sermos indignos ? e o somos! ?, Deus não nos chama… Pelo contrário: Ele nos escolhe e nos capacita, dependendo da livre resposta de nossa vontade em colaborar com a extensão de Seu Reino entre os homens. ?Por nenhum motivo permita que o seu espírito seja vítima do desânimo, inimigo traidor que conduz à deserção, à covardia, ao desleixo, à inação. Pode vir o fracasso, a tentação pode acossar, a aridez pode envolver o seu espírito, as faltas podem entristecer, as dúvidas podem assaltar, as circunstâncias podem impacientar; se, porém, você aceitar, dolorosa mas sinceramente, as suas limitações, e se apoiar humildade e confiadamente em Deus, nada disso poderá arrancar você do amor a Cristo nem o separar da luta, do esforço, da constância na sua ascensão à santidade.? (Pe. Marcial Maciel, LC. Carta de 28 de março de 1968)

 

Na luta, aproveitemos para nos unir ainda mais a Nosso Senhor, a fim de depositar nossas dores ? agora com um sentido novo de redenção ? na Cruz de Cristo. ?Aproveite estas circunstâncias da sua vida para se unir mais a Deus, que costuma provar desta maneira as pessoas que mais ama. Deus está perto da dor, seja moral ou física, pois Ele, em Jesus Cristo, também quis se identificar com o sofrimento humano, escolhendo a cruz para nos salvar. O sofrimento, por isso, nos purifica, nos torna mais agradáveis a Deus, nos educa na reta apreciação da vida humana e do seu sentido (…).? (Pe. Marcial Maciel, LC. Carta de 22 de julho de 1977) Muitas vezes, pensamos que a batalha foi ocasião de derrota, porque os frutos não são visíveis. Mas eis que Deus une nosso sofrimento a de seu Filho, e, juntos, somos hóstias vivas agradáveis ao Pai.

 

Até porque as lutas do crente são parte do caminho para a felicidade. O sofrimento não é tudo.  O apostolado não é tudo. A espiritualidade militante não é tudo. ?Não se esqueça, porém, de uma coisa: a cruz não é tudo. Cristo morreu nela para ressuscitar; e assim a cruz se torna sinal de vitória. A cruz, portanto, na vida do cristão, é apenas a condição da sua felicidade, a porta da alegria, o preço da comunhão com Cristo e do amor do Pai. Olhar para a cruz e não ver mais do que dor é como viver sem esperança. Procure na cruz de todos os dias o Cristo ressuscitado, porque só a ressurreição dá sentido à cruz.? (Pe. Marcial Maciel, LC. Carta de 17 de maio de 1979) O céu é nossa meta. Implantar o Reino de Deus e fundar sua expressão temporal, evangelizando as estruturas e instituições de nossa sociedade, lutar para que os homens conheçam a Cristo, batalhar por nossa própria santificação, tudo isso são deveres que nos são impostos para alcançarmos as promessas divinas. Fazendo a vontade de Deus, no meio da luta, alcançaremos, um dia, o prêmio eterno, a recompensa dada ao bom soldado.

 

?Considero oportuno recordar, com vocês, a importância de outra das linhas fundamentais da nossa espiritualidade: ?adesão e amor ao Papa?. Nela, encontramos o segredo e a forma mais genuína da nossa fidelidade a Cristo e à Igreja, pois o Santo Padre, como sucessor de Pedro, é a rocha, a pedra angular sobre a qual Cristo edifica a sua Igreja. Por isso, unidos a ele e aos bispos em comunhão com ele, permanecemos unidos ao próprio Cristo. Eu sei que o Santo Padre já ocupa um lugar especial no coração de vocês. No entanto, vocês devem continuar aumentando e fortalecendo a sua adesão afetiva e efetiva a ele, para levarem, na medida do possível, todos os homens com quem vocês convivem a conhecê-lo e amá-lo também.? (Pe. Marcial Maciel, LC. Carta de 9 de abril de 1986)

 

?Amor pela Igreja: amor que vela, sofre, ora, luta, desculpa, exalta, ouve as batidas do coração da mãe; que medita sobre ela na fé, que a acolhe na obediência, que a dilata no apostolado, que a santifica na sua vida. Adesão inquebrantável à Igreja e ao Papa: a Igreja e o Papa são a estrela polar da nossa fé; distancia-nos dela é andar à deriva, agarrar-nos nela é ficar firmes em Deus. Estudo assimilativo da doutrina pontifícia: estudar e valorizar infinitamente mais a cátedra e doutrina de Pedro do que os escritos e os livros de qualquer professor de universidade. Porque somente Pedro ?confirma a nossa fé.?? (Pe. Marcial Maciel, LC. Carta de 10 de fevereiro de 1975)

 

O que fazer? ? indagamos. A resposta pode parecer simplória… Todavia, antes de qualquer coisa, precisamos nos decidir pela Igreja e pelo Papa. O Movimento Regnum Christi e os Legionários de Cristo consideram fundamental essa adesão ao Corpo de Cristo. Fundada por Nosso Senhor, a Igreja Católica é santa e indefectível, e o Papa infalível em sua autoridade de ensino, supremo em sua autoridade de governo. Impossível ao católico não amar o Papa. Impossível não crer no que ensina. Impossível não obedecer a suas ordens, sempre que não conflitarem com as leis de Deus ? situação excepcionalíssima, aliás! A legítima luta de um católico deve ser em estrita união e submissão ao Santo Padre. Atacar o Papa, Roma, o Concílio Vaticano II, em nome da crise que a este se seguiu, não é atitude de quem ama Cristo e a Igreja. Tal luta desvirtuada não tem raiz no amor pela verdade, mas na vaidade e no espírito de crítica sistemática às autoridades eclesiásticas constituídas pelo próprio Senhor.

 

Depois, precisamos nos decidir pela luta. Essa decisão não cria a luta. A batalha já existe. Quando nos decidimos por guerrear por Cristo, o que há é uma definição do lado em que queremos estar. ?Em vez de contemplar o que te falta, é melhor levantar os olhos para a soberana beleza desse Cristo a quem tu amas e segues, e à beleza do fruto que a tua vida pode dar, se tu a entregares totalmente (…). Que maravilhoso saber que Cristo nos pede ajuda e espera algo de nós! Mas também… que responsabilidade tão grande! Portanto, continua pondo em ação, em movimento, todo o teu interesse, todo o teu entusiasmo e teu amor a Cristo, e começa a tornar realidade, na tua vida diária, essa entrega sem limites à qual aspiras: que frente ao sacrifício, mais cheia dessas iniciativas que o nosso por Cristo sabe suscitar dentro de nós. Sim, é verdade, ?querer é poder? e, se quiseres, o teu poder será imenso, se não lutares sozinha, e se souberes entender que contas com a força de Cristo para realizar o teu desejo de entrega.? (Pe. Marcial Maciel, LC. Carta de 19 de junho de 1972)

 

A Igreja ensina a existência da luta, já vimos. ?O caminho da perfeição passa pela cruz. Não existe santidade sem renúncia e sem combate espiritual.?(Catecismo da Igreja Católica, 2015) Nossa missão consiste, pois, em lutar para manter uma vigorosa vida de união com Deus, uma espiritualidade militante, como explicamos; e em estender o Reino de Cristo nas almas e nas sociedades, o que vem a ser, segundo também estudamos, um apostolado militante. Resta-nos procurar um bom diretor espiritual, rezar bastante, seguir as sugestões que aqui demos ? plano de vida, disciplina na oração, discernimento no apostolado, profissionalismo e eficácia, zelo pela doutrina, amor pelo Papa, defesa da Tradição etc.

 

Alguns passos práticos foram sugeridos. Não há mais tanto o que comentar, exceto que o tempo é curto, e urge a necessidade de missionários, de apóstolos dedicados e dispostos ao sacrifício. ?Se vocês tiverem que lamentar deficiências na sua vida, que elas se devam à fraqueza da sua natureza e não a vocês terem feito as pazes com os inimigos. Fujam do aburguesamento espiritual, que exclui todo sacrifício, todo heroísmo da prática da virtude e da vida cristã, e que é a própria negação do amor. Hoje, mais do que nunca, na Igreja de Cristo pululam os falsos profetas que, cegos pela ilusão de aplainar e facilitar o cristianismo, apregoam uma vida cristã de nível mundano, compatível com a multiforme ?idolatria das riquezas? da vida moderna, com a exclusão da cruz, do sacrifício interno e externo e da radical negação deste mundo, pregada por Cristo no seu Evangelho. Sim, é necessário encarnar a Cristo nas realidades desta terra (…).? (Pe. Marcial Maciel, LC. Carta de 15 de setembro de 1966) Vimos quantos erros foram espalhados pelo mundo, demos breve notícia da crise pós-conciliar, demonstramos a imprescindibilidade da guerra espiritual, e explicamos a imperiosa necessidade de cultivar uma autêntica e militante vida espiritual ao lado de uma vigorosa e igualmente militante ação apostólica.

 

Resta-nos, pois, entrar de vez na guerra que já vai avançada, eis que bem disse o fundador do Opus Dei, São José Maria Escrivá: ?Aquele que deixa de lutar causa um mal à Igreja, ao seu empreendimento sobrenatural, aos seus irmãos, a todas as almas.? (São José Maria Escrivá. Forja, 107)

 

 

PER REGNUM CHRISTI AD GLORIAM DEI!

 

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Rafael Vitola Brodbeck é advogado, jurista graduado pela Universidade Católica de Pelotas. Membro do Regnum Christi, desenvolve seu apostolado em favor da Igreja e dos homens, de acordo com o carisma do Movimento, em estrita fidelidade ao Santo Padre, o Papa, e à Tradição. Tem ministrado conferências sobre Doutrina Social da Igreja, e o Direito e a Ciência Política à luz de Santo Tomás de Aquino e do Magistério Pontifício; trabalhado pela restauração da Civilização Cristã e pela evangelização e recristianização da cultura, principalmente através da Associação A Hora de São Jerônimo ? www.hsjonline.com ?, de cujo Conselho Fiscal é membro; elaborado artigos e estudos para diversos veículos informativos e jornalísticos, dentre os quais se destaca o site Veritatis Splendor ? www.veritatis.com.br ?; participado de diferentes debates apologéticos em defesa da Santa Igreja Católica e sua doutrina; pregado retiros e recolhimentos espirituais; e coordenado missões entre populações urbanas e rurais através dos programas da Juventude Missionária.

 

 

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