– Por que existem diferenças entre a versão católica dos Dez Mandamentos e a versão protestante? (Anônimo)

O fato de os cristãos enumerarem diferentemente os Dez Mandamentos não deveria nos surpreender. A própria Bíblia oferece versões levemente diferentes do Decálogo em Êxodo 20,1-17 e Deuteronômio 5,6-21.

Em Êxodo, a esposa de um homem está incluída entre as suas posses, como parte do seu patrimônio doméstico. Em Deuteronômio, a esposa é distinguida das posses de um homem. Se você seguir o Êxodo, a proibição de cobiçar a esposa do próximo e a sua propriedade pode ser contada como um só mandamento. Se você seguir o Deuteronômio, ambos [esposa e propriedade] podem ser contados como dois mandamentos separados. Esta é a principal diferença em ênfase.

Mas se o número bíblico “Dez” deve ser mantido (Deuteronômio 4,13; 10,4; Êxodo 34,28), então o que é apontado como um simples mandamento em um livro deve ser dividido em dois no outro. Os católicos e luteranos geralmente seguem a contagem do Deuteronômio, distinguindo esposa e propriedade como dois mandamentos diferentes.

A maioria dos protestantes, porém, consideram esses dois como um só e dividem a proibição contra os ídolos e a adoração de falsos deuses como dois mandamentos distintos, algo que os católicos e luteranos consideram como um só.

Interessantemente, os judeus modernos adotaram uma terceira rota: eles separam a frase introdutória “Eu sou o Senhor seu Deus” (Êxodo 20,2; Deuteronômio 5,6) da proibição de falsos deuses e ídolos, considerados ambos como um só mandamento; e os mandamentos proibindo a cobiça da esposa do próximo e da sua propriedade são enumerados também como um só mandamento.

Como quer que seja, os católicos, os protestante e os judeus aceitam o Decálogo por inteiro. Diferem apenas na forma como os seus elementos são enumerados – algo que, tendo em vista o que estes três grupos guardam em comum, é insignificante.

Facebook Comments

Livros recomendados

A Lenda de João, o AssinaladoO Canto do Violino – E Outros Ensaios InéditosDevocionário à Divina Misericórdia –  Vol. II