– “Se os padres têm o poder apostólico de perdoar os pecados, por que não têm também o poder apostólico de fazer milagres?” (Joaquim Noronha – Salvador-BA).

Tanto “perdoar pecados” como “fazer milagres” são obras que os homens só podem realizar por poder divino gratuitamente comunicado às criaturas.

Ora, Deus quis que na sua Igreja a faculdade de perdoar os pecados em nome do Todo-Poderoso ficasse habitualmente associada a uma instituição, ou seja, à hierarquia sacerdotal iniciada pelos Apóstolos. Isto era – e é – necessário para que, consoante o plano divino, a graça santificante seja sempre transmitida aos fiéis pelos sacramentos.

Não havia igual necessidade, segundo os desígnios do Criador, de tornar habituais ou cotidianos os milagres na Santa Igreja. Estes são dispensados por Deus em casos esporádicos, em vista da finalidade extraordinária a ser atingida. Os Apóstolos receberam, sim, o poder de fazer milagres, pois deviam implantar pela primeira vez a Fé Cristã, o paradoxo da cruz, num mundo totalmente pagão. Visto, porém, que os sucessores dos Apóstolos – os bispos e os sacerdotes – pregam o Evangelho em circunstâncias mais benignas que as dos Apóstolos, o Senhor não quis associar de maneira estável o poder taumaturgo ao caráter sacerdotal; tal poder é carisma esporádico, não institucional.

  • Fonte: Revista Pergunte e Responderemos nº 8:1957 – dez/1957
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