• Autor: Marcos Monteiro Grillo

O texto dos Atos dos Apóstolos, capítulo 8, versículos 30-31, pode ser considerado mais uma prova, e das mais claras, da necessidade do Magistério da Igreja. Diz o texto:

  • “Filipe correu, ouviu o eunuco ler o profeta Isaías e perguntou: ‘Tu compreendes o que estás lendo?’ O eunuco respondeu: ‘Como posso, se ninguém me explica?’ Então convidou Filipe a subir e a sentar-se junto a ele” (Atos 8,30-31).

Em primeiro lugar, percebe-se, por essa passagem, que o sentido do texto sagrado não é evidente. Se fosse, o eunuco não sentiria necessidade de ajuda. Note-se que o homem não era analfabeto, pois estava lendo (ou seja, não basta “saber ler”), porém, não estava compreendendo, ou talvez até estivesse compreendendo alguma coisa sem, no entanto, ter como saber se a sua compreensão era correta. E essa dúvida, essa inquietação que o acossou, deveria acossar também a todos os que se preocupam com o sentido próprio da Escritura Sagrada: “Será que o que estou entendendo, ou achando que estou entendendo, está certo? Parece que sim, mas, e se não estiver? E se algo de importante, ou mesmo de essencial, estiver me escapando?” E aqui é importante frisar que, embora haja na Bíblia passagens aparentemente fáceis ou simples de se compreender, há outras bem complexas e profundas. Como saber, enfim, o sentido correto do que estamos lendo?

Em segundo lugar, se o sentido do texto não é evidente, quem o pode explicar? Em outras palavras, quem tem autoridade para explicar o sentido correto do texto sagrado? Comentadores? Mas, quais comentadores? E como podemos saber se o que os comentadores dizem está correto, se cada um pode dizer uma coisa diferente? Poderíamos, então, nos valer da Tradição? Sim, mas como saber se estamos seguindo corretamente a Tradição, sem mutilações nem adaptações? E não só isso: como saber se estamos seguindo a verdadeira Tradição, isto é, aquela que remonta diretamente a Cristo e aos Apóstolos, e que foi conservada na Igreja que Cristo fundou e não simulacros de tradição como, por exemplo, a “tradição luterana” ou a “tradição calvinista”?

Se o sentido da Escritura Sagrada não é evidente, e se não temos como saber a quem recorrer para que nos auxilie na sua compreensão, não existe outro caminho a não ser reconhecer a autoridade da Igreja Católica, autoridade essa que está enraizada nas palavras de Cristo e consubstanciada no Papa, o sucessor de São Pedro, a quem Cristo escolheu como chefe dos apóstolos:

  • “Quando Cristo disse a Pedro e tão somente a Pedro: ‘Apascenta os meus cordeiros […] apascenta as minhas ovelhas’, Ele lhe conferiu o poder supremo de reger os povos, os padres e os bispos da Igreja. Ele cumpriu aquilo que prometera anteriormente: ‘Eu te darei as chaves do Reino dos céus: tudo o que ligares na terra será ligado os céus, e tudo o que desligares na terra será desligado nos céus’”.[1]

Concluindo, se você deseja saber qual o sentido correto da Bíblia, enfim, aquilo que Deus quis nos revelar através do texto sagrado, procure conhecer melhor a Igreja Católica, a única que tem autoridade para ensinar, sem erro, o sentido verdadeiro da Sagrada Escritura.

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REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA

[1] AGIUS, George. “A Tradição e a Igreja”. Itapevi: Nebli, 2018, pp. 42-43.

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