Paulo (presbiteriano): Olá Dante! O que é essa doutrina sem sentido do purgatório (fala fazendo careta) que sua Igreja Católica ensina? Você nunca leu que “estar fora do corpo é estar presente com Deus” (2 Cor 5,8)?

Dante (católico): Primeiro de tudo, você não leu direito o verso. Paulo está dizendo que ele preferia estar na presença de Deus em espírito que em seu corpo. Segundo, sua interpretação não se adapta àqueles que estão condenados ao inferno, pois eles não estão “com o Senhor”. Terceiro, porque você acha que estar no purgatório significa <não> estar com Deus?

Paulo: Bem, estou comovido. Mas você não conseguiu me mostrar um único verso na Bíblia que se refere ao estado na vida futura outro que não o céu e o inferno.

Dante: Verdade? Eu detesto contradize-lo (sorrisos), mas e quanto à parábola de Lázaro e o rico (Lc 16,19-31)? Este é o Sheol hebreu (Hades dos gregos) e inclui tanto bons como maus homens. O paraíso não pode ter pecadores (Ap 21,27) e o inferno não pode conter pessoas salvas.

Paulo: Ah, mas esta é apenas uma parábola. Você não pode construir uma doutrina a partir de uma história! Você deve fazer mais que isso.

Dante: Discordo. Jesus não contaria falsidade quanto aos assuntos espirituais, mesmo que em parábolas. Isto seria enganoso. Além do mais, dizemos que Cristo pregou para (aparentemente condenados) “espíritos na prisão” após sua morte (1 Pd 3,19-20) e tomou os justos com Ele para o paraíso (Ef 4,8-10). Isto indica um Sheol ou Hades dividido, com os justos e os maus. Um terceiro estado.

Paulo: Bem… tudo bem, você me pegou desta vez. Mas nenhum pôde ir ao céu até que Jesus ressuscitasse, então só haviam dois destinos depois da morte.

Dante: Não: Elias foi direto para o céu (2 Rs 2,11), e muitos cristãos acreditam o mesmo quanto a Enoch (Gn 5,24). Haviam duas possibilidades para os justos: Sheol ou paraíso, assim como existem dois hoje: purgatório ou paraíso, como Jesus solidamente dá a entender (Mt 5,25-26; Lc 12,58-59).

Paulo: Ok, mas qual outro versículo você pode citar?

Dante: bem, Paulo aceita orações pelos mortos, o que pressupõe o purgatório, onde as pessoas são purificadas.

Paulo: Ora vamos! Agora você foi muito fundo… onde?

Dante: Em 1 Cor 15,29 Paulo se refere a pessoas sendo batizadas pelos mortos e ele aparenta orar por um homem morto, Onesífero, em 2 Tm 1,16-18.

Paulo: O que você acha que Paulo quis dizer com “batismo pelos mortos”?

Dante: Cremos que ele se refere a atos de penitência e orações pelos mortos. “Batismo” é geralmente uma metáfora para “sofrimento” (Mc 10,28-29; Lc 3,16; 12,50), e Paulo parecia ter 2 Mac 12,44 em mente ? um versículo muito similar que explicitamente mostra a retidão das orações pelos mortos.

Paulo: Mas este é apócrifo, não o aceitamos.

Dante: Eu sei, mas se Paulo realmente está se referindo a ele, isto está além da questão, e você ainda terá que buscar uma interpretação para esse versículo de alguma forma. Mas há mais: Jesus fala em pecados serem perdoados no “mundo vindouro” (Mt 12,32), e três níveis de julgamento. Estas são referências ao purgatório. A Bíblia também menciona um “fogo” e uma purificação, um processo que para que nós nos tornemos santos (Ex 19,18; Is 4,4; 6,7; Ml 3,1-4; 2 Cor 7,1; 1 Tes 4,3-7; 1 Jo 3,2-3; Hb 12,29).

Paulo: Mas porque Deus nos daria tal tormento? Porque Ele não simplesmente perdoa os pecados, já que Jesus já levou nossas penalidades (Is 53,4-6)?

Dante: Deus é santo e perfeito assim como é misericordioso, e este processo é o caminho que nós devemos usar para entrar em Sua presença. Além disso, há mais piedade em permitir que as pessoas sejam purificadas dos seus pecados remanescentes após a morte como um prelúdio do céu, do que condena-los ao inferno. Qualquer que seja o motivo, Deus nos revelou o purgatório na Bíblia. Paulo fala do “tribunal de julgamento de Cristo” (2 Cor 5,10), onde nossas obras serão provadas, sendo que depois alguns serão salvos “pelo fogo”. Em todos os sentidos, este é precisamente o que os católicos entendem por purgatório. Você não acredita no “tribunal de julgamento de Cristo”, e que santidade é requerida para ver a Deus (Hb 12,14-15,23; Ef 5,5)?

Paulo: Ok, mas isto ocorre rapidamente no julgamento.

Dante: Certo, suponha que eu concorde com você. Agora estamos falando sobre duração, uma disputa meramente quantitativa que qualitativa. Porque essas minúcias sobre estes detalhes? Estamos distantes destes.

Paulo: Tudo bem, mas não imaginemos que esse julgamento dure centenas de anos, onde os sofredores perderiam todas as esperanças.

Dante: Ninguém sabe o quanto durará o julgamento particular. Paulo não indica nada. Mas estas almas sofredoras sabem que estão salvas e irão eventualmente para o paraíso. O purgatório é o vestíbulo do céu, não do inferno. Você acredita que seremos arrebatados, e eu creio que isto levará um pouco mais de tempo. Mas há concordância que alguma purificação ocupa seu lugar.

Paulo: Wow! Eu nunca pensei nisto desta forma. Mas se a Bíblia ensina isto, eu não posso discordar dela. Obrigado, Dante!

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