Protestantismo

Parte ii

4. Jesus Cristo

Catolicismo

· Jesus morreu na cruz por todos 

· A fé em Jesus é a graça inicial de Deus, um dom gratuito, que não podemos merecer.

· Usando nossa liberdade podemos ou aceitar ou negar este dom.

· A fé em Jesus é necessária para a salvação.

Calvinismo

· Jesus morreu na cruz somente pelos eleitosNem todos os calvinistas aceitam este pensamento, pois alguns crêem que ele morreu por todos.

· A fé em Jesus é uma graça, isto é, um dom gratuito de Deus, que os eleitos não podem merecer.

· Os eleitos não podem rejeitar este dom.

· A fé em Jesus é necessária para a salvação.

As bases bíblicas para explicar que Cristo de fato morreu na cruz por todos são:

Por conseguinte, assim como pela falta de um só resultou a condenação de todos os homens, do mesmo modo, da obra de justiça de um só, resultou para todos os homens a justificação que traz a vida (Rm 5,18)

Ora, ele morreu por todos a fim de que aqueles que vivem não vivam mais para si, mas para aquele que morreu e ressuscitou por eles. (2 Cor 5,15)

Digno és tu de receber o livro

e de abrir seus selos,

pois foste imolado e, por teu sangue,

resgataste para Deus

homens de toda tribo, língua, povo e nação (Ap 5,9)

Outras passagens como Jo 4,42 descrevem Jesus como o salvador do mundo; 1 Tm 4,10 diz que Deus é o salvador de todos os homens, principalmente daqueles que acreditarem; Hb 2,9 diz que Jesus provou a morte por todos e 1 Jo 2,2 afirma que Cristo é a propiciação por nossos pecados, e não só dos nossos, mas de todo o mundo. Nas palavras do Catecismo:

605 – Este amor não exclui ninguém. Jesus lembrou-o na conclusão da parábola da ovelha perdida: “Assim também, não é da vontade de vosso Pai, que está nos céus, que um destes pequenos se perca” (Mt 18,14). Afirma ele “dar a sua vida em resgate por muitos” (Mt 20,28); este último termo não é restritivo: opõe o conjunto da humanidade à única pessoa do Redentor que se entrega para salvá-la. A Igreja, no seguimento dos apóstolos, ensina que Cristo morreu por todos os homens sem exceção: “Não há, não houve e não haverá nenhum homem pelo qual Cristo não tenha sofrido

1019 – Jesus, o Filho de Deus , sofreu livremente a morte por nós em uma submissão total e livre à vontade de Deus, seu Pai. Por sua morte ele venceu a morte, abrindo assim a todos os homens a possibilidade da salvação.

Por outro lado, os calvinistas crêem que Jesus morreu na cruz somente pelas pessoas eleitas, como mostra a Confissão de Westminster:

Deus, desde toda a eternidade, decretou justificar todos os eleitos, e Cristo, no cumprimento do tempo, morreu pelos pecados deles e ressuscitou para a justificação deles; contudo eles não são justificados enquanto o Espírito Santo, no tempo próprio, não lhes aplica de fato os méritos de Cristo. (CFW 11,4).

Os calvinistas respondem com passagens que mostram que Jesus morreu por seus amigos (cf. Jo 15,3) e pela Igreja (cf. At 20,28; Ef 5,25). Porém estes grupos fazem parte de um grupo maior, ou seja, o fato de que Ele morreu por todos os homens implica que Ele também morreu por seus amigos e pela Igreja.

Católicos e calvinistas concordam que a fé em Jesus não é merecida:

Ninguém pode vir a mim

se o Pai, que me enviou, não o atrair;

e eu o ressuscitarei na último dia (Jo 6,44)

Pela graça fostes salvos, para que ninguém se encha de orgulho. Pois somos criaturas dele, criados em Cristo Jesus para as boas obras que Deus já antes preparara para que nelas andássemos. (Ef 2,8-9)

Os católicos se referem a esta fé em Jesus como a graça inicial de Deus, dada a nós no início de nossa conversão, e que não podemos merecer, como afirma o Catecismo da Igreja: 2010 – Como a iniciativa pertence a Deus na ordem da graça, ninguém pode merecer a graça primeira, na origem da conversão, do perdão e da justificação. Entretanto podemos ou aceitar ou rejeitar este dom de Deus. A graça não limita nosso livre-arbítrio, como demonstrado neste versículo:

Eis que estou à porta e bato: se alguém ouvir a minha voz e abrir a porta, entrarei em sua casa e cearei com ele, e ele comigo (Ap 3,20)

Note a afirmação condicional (“se”) no verso acima, ou seja, Jesus virá à pessoa se esta ouvir sua voz e tomar a iniciativa de abrir a porta. Jesus não forçará a entrada; Ele espera a nossa resposta e respeita nossa liberdade. Com isso, é possível que uma pessoa não abra a porta por diversas razões. Segundo o Catecismo:

160 – Para que o ato da fé seja humano, “o homem deve responder a Deus, crendo por livre vontade. Por conseguinte, ninguém deve ser forçado contra a sua vontade a abraçar a fé. Pois o ato de fé é por sua natureza voluntário. “Deus de fato chama os homens para servirem em espírito e verdade. Com isso os homens se obrigam em consciência, mas não são forçados…Foi o que se patenteou em grau máximo em Jesus Cristo”. Com efeito, Cristo convidou à fé e à conversão, mas de modo algum coagiu. “Deu testemunho da verdade, mas não quis impô-la pela força aos que a ela resistem. Seu reino…se estende graças ao amor com que Cristo exaltado na cruz atrai a si os homens”.

Católicos e calvinistas concordam que a fé em Jesus é uma condição necessária à salvação. A Igreja Católica afirma que:

161 – É necessário, para obter esta salvação, crer em Jesus Cristo e naquele que no enviou para nossa salvação. “Como, porém, “sem fé é impossível agradar a Deus” (Hb 11,6) e chegar ao consórcio dos seus filhos, ninguém jamais pode ser justificado sem ela, nem conseguir a vida eterna, se nela não “permanecer até o fim” (Mt 10,22; 24,13).

Enquanto os calvinistas crêem que não podemos perder a fé (se podemos, então, em primeiro lugar, não éramos regenerados), os católicos dizem que podemos perder este precioso dom de Deus através do exercício de nossa própria livre ação. A Bíblia fala dos que naufragaram na fé (1 Tm 1,18-19)

162 – A fé é um dom gratuito que Deus concede ao homem. Este dom inestimável, podemos perdê-lo; S. Paulo adverte isto a Timóteo: “Combate…o bom combate, com fé e boa consciência; pois alguns, rejeitando a consciência, vieram a naufragar na fé” (1 Tm 1,18-19). Para viver, crescer e perseverar até o fim na fé, devemos alimentá-la pela Palavra de Deus; devemos implorar ao Senhor que a aumente; ela deve “agir pela caridade” (Gl 5,6), ser carregada pela esperança e estar enraizada na fé da Igreja.

5. Mérito

Catolicismo

Não podemos merecer nossa graça inicial da conversão, mas podemos merecer a graça de nossa santificação.

Calvinismo

Não há nenhum mérito humano na salvação, que vem inteiramente da graça de Deus. As boas obras são fruto e evidência da verdadeira fé.

O Catecismo da Igreja Católica define mérito como a retribuição devida por uma comunidade ou uma sociedade pela ação de um de seus membros, sentida como boa ou má, digna de recompensa ou castigo (CCE 2006). Dessa forma o bom operário merece a recompensa por seu trabalho, enquanto o ladrão merece a punição por sua delinqüência. Em relação à salvação, obviamente somente consideramos mérito o que produz recompensa.

A relação entre a graça e o mérito na salvação do homem tem sido objeto de disputa. No quarto século Pelágio afirmou que o homem, por seus próprio méritos, poderia se salvar. Este motto era “somente o mérito, sem a graça”. Na via oposta, os reformadores do século dezesseis bradaram: “somente a graça, sem o mérito”. A Igreja Católica, por outro lado, sempre ensinou a participação tanto da graça quanto do mérito em nossa salvação. Somente na graça inicial da conversão não há participação salvífica de nossos méritos. (leia, novamente, a parte quatro).

Os fundamentos bíblicos para a recompensa de Deus por nossas boas obras são claras. As fonte da recompensa são, principalmente, atos de amor e caridade (cf. Pv 25,21-22, Mc 9,41, Lc 6,35) incluindo dar esmolas (cf. Mt 6,3-4), mas também ser justos (cf. Sl 18,20; Pv 11,18; 13,13; Mt 10,41-42), orar (cf. Mt 6,6), perseverar na perseguição (cf. Lc 6,23) e jejuar (cf. Mt 6,18).  Isto deve ser feito sem motivos ocultos (cf. Mt 6,2.5.16) e devem transpor o comum (cf. Mt 5,46). 

…Que retribuirá a cada um segundo suas obras: a vida eterna para aqueles que pela constância no bem visam à glória, à honra e à incorruptibilidade. (Rm 2,6-7)

Eis que eu venho em breve, e trago comigo o salário para retribuir a cada um conforme o seu trabalho. (Ap 22,12)

Entretanto isto não significa que podemos nos salvar fazendo boas obras. A Igreja Católica rejeita o princípio da salvação pelas obras. No auge da reforma, o Concílio de Trento afirmou:

Se alguém disser que o homem pode ser justificado perante Deus pelas suas obras, feitas ou segundo as forças da natureza, ou segundo a doutrina da Lei, sem a graça divina [merecida] por Jesus Cristo ? seja excomungado (Trento, cân 1, Decr. Just.)

Nossa relação com Deus não é a mesma de empregado e empregador, ou seja, o empregado faz as obras, o patrão dá o salário por um trabalho bem feito. Deus está muito acima de nós e de nada necessita de nós, de nossos méritos. Segundo o Catecismo:

2007 – Diante de Deus, em sentido estritamente jurídico, não há mérito da parte do homem. Entre ele e nós a diferença é infinita, pois dele tudo recebemos, dele que é nosso criador.

Se este é o caso, então porque a Igreja Católica ensina a participação mérito? O próprio Catecismo explica:

2008 – O mérito do homem diante de Deus, na vida cristã, provém do fato de que Deus livremente determinou associar o homem à obra de sua graça. A ação paternal de Deus vem em primeiro lugar por seu impulso, e o livre agir do homem, em segundo lugar, colaborando com ele, de sorte que os méritos das boas obras devem ser atribuídos à graça de Deus, primeiramente, e só em segundo lugar ao fiel. O próprio mérito do homem cabe, aliás, a Deus, pois as suas boas ações procedem, em Cristo, das inspirações e do auxílio do Espírito Santo.

Por isso, os católicos crêem que nosso mérito primeiramente provém de Deus e de Sua graça. Realizamos as boas obras que agradam a Deus e Ele nos recompensa por isso. Os três elementos são: a graça de Deus dada a nós; os atos que agradam a Deus e a recompensa que Deus escolhe nos conceder (isto é, não tem que dar, mas escolhe dar). Este é o elemento chave na compreensão desta doutrina católica

 Pois somos criaturas dele, criados em Cristo Jesus para as boas obras que Deus já antes preparara para que nelas andássemos. (Ef 2,10)

Os católicos não obtém a sua salvação através das obras. Fazemos isto porque é um mandamento de Deus, que quer que cooperemos, por nossas obras, com a Sua graça. Quando alguém respondeu a Jesus que para herdar a vida eterna devemos amar a Deus e ao próximo, Jesus respondeu: Fazei isto e terás a vida (Lc 10,28). Em Jo 15,1-10 nós, os ramos, estamos juntos à vinha, que é Jesus. Nós recebemos a graça de Deus por Ele, mas para continuarmos junto a Ele precisamos permanecer nEle e Ele em nós. De acordo com 1 Jo 3,32-24 isto significa que precisamos continuar a crer em Jesus (a graça de Deus) e amarmos uns aos outros (nosso mérito). Da mesma forma, em Fl 2,12-13, Paulo exorta que trabalhemos em nossa salvação (i.e., nosso mérito) pois Deus age em nós (dando a Sua graça). Em Gl 5,6 Paulo diz que o que conta é a fé (a graça de Deus) que opera pela caridade (nosso mérito).

Dessa forma, a Igreja ensina que não podemos merecer a graça inicial, mas podemos merecer a graça de nossa santificação.

2010 – Como a iniciativa inicial pertence a Deus na ordem da graça, ninguém pode merecer a graça primeira, na origem da conversão, do perdão e da justificação. Sob a moção do Espírito Santo e da caridade, podemos em seguida merecer para nós mesmos e para os outros graças úteis para a nossa santificação, para o crescimento da graça e da caridade, e também para ganhar a vida eterna.

6. Justificação

Catolicismo

A justificação vem através da graça de Deus e foi merecida para nós por Cristo. É garantida a nós pelo batismo e inclui a remissão dos pecados, santificação e a renovação do homem interior.

Calvinismo

A justificação vem através da graça de Deus e somos justificados apenas pela fé em Jesus. O batismo não faz parte da justificação; enquanto que a santificação e a renovação do homem interior são frutos da justificação.

Assim define o Concílio de Trento a justificação:

Nestas palavras se descreve a justificação do pecador, como sendo uma passagem daquele estado em que o homem, nascido filho do primeiro Adão, [passa] para o estado de graça e de adoção de filhos (Rom 8, 15) de Deus por meio do segundo Adão, Jesus Cristo, Senhor Nosso. ? Esta transladação, depois da promulgação do Evangelho, não é possível sem o lavacro da regeneração [cân. 5 sobre o Batismo] ou sem o desejo do mesmo, segundo a palavra da Escritura: se alguém não tiver renascido da água e do Espírito Santo, não poderá entrar no reino de Deus (Jo 3, 5).(Conc. Trento. cap 4)

Para sermos salvos, primeiro precisamos ser justificados e tanto católicos quanto protestantes concordam que a justificação advém da graça de Deus (cf. Tt 3,7) merecidos por Cristo que se sacrificou por nós na cruz (cf. Rm 3,23-25; 5,9).

1992 – A justificação nos foi merecida pela paixão de Cristo, que se ofereceu na cruz como hóstia viva, santa e agradável a Deus, e cujo sangue se tornou instrumento de propiciação pelos pecados de toda a humanidade.

1996 – Nossa justificação vem da graça de Deus

 Entretanto, católicos e protestantes discordam quanto aos constituintes da justificação. É um dos pontos principais de divergência entre os dois lados. Assim como os demais protestantes, os calvinistas crêem na justificação somente pela fé. Com efeito, tal disputa, somente pela fé (Sola Fide) e somente pela Escritura (Sola Scriptura), foram os centros da revolta protestante do século dezesseis contra a Igreja Católica. Para fundamentar suas doutrinas, Lutero, na sua versão alemã da Bíblia, deliberadamente acrescentou a palavra “somente” em Rm 3,28 e chamou a carta de Tiago de “verdadeira epístola de palha” por ensinar que a justificação se dá pela fé, mas também pelas boas obras (cf. Tg 2,24). Os católicos, crendo que a justificação vem de Deus pelos méritos de Cristo, também consideram a nossa participação (colaboração baseada na nossa liberdade) na justificação. Como explicado acima, possuímos a liberdade de aceitar ou rejeitar o dom gratuito de Deus da fé em Cristo (parte 4) e que pela graça dada por Deus podemos praticar boas obras, que Deus poderá nos recompensar (parte 5).

1993 – A justificação estabelece a colaboração entre a graça de Deus e a liberdade do homem. Do lado humano, ela se exprime no assentimento da fé à palavra de Deus, que o convida à conversão, e na cooperação da caridade, no impulso do Espírito Santo, que o previne e guarda.

Enquanto os protestantes afirma que a justificação é um ato imediato, estático, ou seja, assim que a pessoa crê em Jesus, está justificada, os católicos crêem que a justificação é um processo que se inicia com nossa conversão e se finda quando do julgamento. Para os católicos a justificação é conferida no sacramento do batismo e também inclui a remissão dos pecados, santificação e a renovação do homem interior.

1992 – A justificação é concedida pelo batismo, sacramento da fé. Torna-nos conformes à justiça de Deus, que nos faz interiormente justos pelo poder de sua misericórdia.

2019 – A justificação comporta a remissão dos pecados, a santificação e a renovação do homem interior.

Antes que continuemos com as bases bíblicas sobre este assunto, vamos examinar se a doutrina protestante de que somos justificados somente crendo em Cristo possui firmeza escriturística. A Bíblia mostra que somos justificados em Cristo (cf. Rm 3,28; Gl 2,16) sem a participação das obras da lei, mas nunca diz que somos justificados somente pela fé. Com efeito, ela mostra que é necessário mais que somente a fé.

Ora, eu vo-lo digo: os homens prestarão contas, no dia do juízo, de qualquer palavra inconsiderada que tiverem proferido. Porque é segundo tuas palavras que serás justificado e é segundo tuas palavras que serás condenado (Mt 12,36-37)

Este versículo mostra que no dia do julgamento seremos justificados com base nas nossas palavras, não somente pela fé em Cristo. Em Rm 4,10, Abraão foi justificado pela fé antes de sua circuncisão (cf. Gn 17,24), mas em Tg 2,21 ele foi justificado novamente, após a sua circuncisão, pela obediência a Deus (cf. Gn 22,10). Em todo Novo Testamento a palavra nunca é complementada ou precedida da palavra somente, com exceção de Tg 2,24, que é um versículo que não suporta a justificação somente pela fé. Na verdade, fundamenta a doutrina católica sobre o papel das obras do amor em nossa justificação.

Vês que o homem é justificado pelas obras e não simplesmente pela fé. Da mesma maneira também Raab, a prostituta, não foi justificada pelas obras, quando acolheu os mensageiros e os fez voltar por outro caminho? Com efeito, como o corpo sem sopro da vida é morto, assim também é morta a fé sem as obras. (Tg 2,24-26)

A afirmação de que a justificação é concedida no batismo é mostrada a seguir:

Aquele que crer e for batizado será salvo; o que não crer será condenado. (Mc 16,16)

Respondeu-lhe Jesus:

Em verdade, em verdade, te digo: quem não nascer da água e do Espírito

não pode entrar no Reino de Deus. (Jo 3,5)

1 Pd 3,21 também fala do batismo que nos salva. O fato de que o batismo não é somente um ritual, mas uma renovação, é afirmada nos seguintes versículos:

Ou não sabeis que todos os que fomos batizados em Cristo Jesus, é na sua morte que fomos batizados? (Rm 6,3)

Pois todos vós, que fostes batizados em Cristo, vos vestistes de Cristo. (Gl 3,27)

Não por causa dos atos justos que houvéssemos praticado, mas porque, por sua misericórdia, fomos lavados pelo poder regenerador e renovador do Espírito Santo. (Tt 3,5)

Enquanto os católicos consideram a santificação e a renovação do homem interior componentes da justificação, os protestantes os consideram frutos da justificação. Ambos concordam, apesar de explicarem de modos diversos, que sem eles não poderemos ser salvos. Os protestantes dizem que não havendo frutos da justificação, na verdade não houve justificação, ou seja, a pessoa é um falso cristão.

Santificar significa tornar santo. De acordo com 1 Ts 4,3 santificação é se abster da imoralidade. Em 1 Cor 6,18-19 Paulo diz que um homem imoral peca contra seu próprio corpo, o templo do Espírito Santo (cf. 1 Cor 3,13). Resumindo, ser santo é um mandamento de Deus (cf. 1 Pd 1,14-16).

Então não sabeis que os injustos não herdarão o Reino de Deus? Não vos iludais! Nem os impudicos, nem os idólatras, nem os adúlteros, nem os depravados, nem as pessoas de costumes infames, nem os ladrões, nem os avarentos, nem os bêbados, nem os injuriosos herdarão o Reino de Deus. Eis o que vós fostes, ao menos alguns. Mas vós vos lavastes, mas fostes santificados, mas fostes justificados em nome do Senhor Jesus Cristo e pelo Espírito de nosso Deus (1 Cor 6,9-11)

A Bíblia atesta que somos salvos também através da santificação, não somente justificação

Nós, porém, sempre agradecemos a Deus por vós, irmãos queridos do Senhor, porque Deus vos escolheu desde o princípio, para serdes salvos mediante a santificação do Espírito e a fé na verdade. (2 Ts 2,13)

A renovação do homem interior significa que nós devemos mudar nosso comportamento de pecado em um comportamento de amor a Deus e aos outros. A Bíblia mostra que todos os que estão em Cristo são novas criaturas (cf. 2 Cor 5,17; Cl 3 , 9-10) e que somos renovados todos os dias (cf. 2 Cor 4,16).

7. Céu, Inferno e Purgatório

Catolicismo

Os eleitos irão ao céu diretamente ou pelo purgatório enquanto os reprovados acabarão no inferno.

Calvinismo

Os eleitos irão ao céu enquanto os reprovados irão ao inferno. Não há purgatório.

O catolicismo e o calvinismo crêem na existência do céu e do inferno. Além de inferno (gr. geheena), a Escritura usa outras palavras para denominar o destino das almas : Hades ou outro mundo, abismo (cf. Lc 8,31), Tártaro (cf. 2 Pd 2,4, termo emprestado da mitologia grega), lago de fogo (cf. Ap 19,20), etc., mas o mais comum é hades, que vem da mesma palavra grega (Sheol em hebraico). Pelas Escrituras sabemos que o hades é a habitação dos mortos, e entes da ressurreição de Cristo, todos iam para lá quando morriam. Por exemplo, Jacó (cf. Gn 37,35) é Jó (cf. Jo 17,16) foram ao hades, assim como Qôrah, Datan e Abirâm (cf. Nm 16,30). Lázaro e o homem rico estavam no hades, porém em diferentes locais (cf. Lc 16,19-31), O primeiro estava com Abraão (local que alguns teólogos católicos chamam de limbo dos patriarcas). Havia um grande abismo entre eles e o homem rico, que era atormentado. O próprio Cristo foi ao hades (cf. Rm 10,7; Ef 4,9; 1 Pd 3,19) para buscar os seus santos.

633 – A Morada dos Mortos para a qual Cristo morto desceu, a Escritura a denomina os infernos, o sheol ou o hades, visto que os que lá se encontram estão privados da visão de Deus. Este é, com efeito, o estado de todos os mortos, maus ou justos, à espera do Redentor – o que não significa que a sorte deles seja idêntica, como mostra Jesus na parábola do pobre Lázaro recebido no seio de Abrão. “São precisamente essas almas santas, que esperavam o seu libertador no seio de Abraão, que Jesus libertou ao descer aos infernos. Jesus não desceu aos infernos para ali libertar os condenados nem para destruir o inferno da condenação, mas para libertar os justos que o haviam precedido.

A existência do purgatório está relacionada à remissão dos pecados na justificação. Os católicos crêem que o eleito deve estar realmente purificado de seus pecados. Se não alcançarem esta purificação em vida, podem conseguir a purificação após a morte. A palavra purgatório não aparece na Bíblia, porém não por isso deve ser rejeitada, pois também não aparecem a palavra Trindade ou arrebatamento. Existem alusões ao purgatório segundo a interpretação da Igreja Católica. Porém, nem isto confere problema à doutrina católica, pois esta não se atém à interpretação somente pela Bíblia, pois a Bíblia em lugar algum proclama ser a única e final autoridade de fé.

1031 – A Igreja denomina Purgatório esta purificação final dos eleitos, que é completamente distinta do castigo dos condenados. A Igreja formulou a doutrina da fé relativa ao Purgatório sobretudo no Concílio de Florença e de Trento. Fazendo referência a certos textos da Escritura, a Tradição da Igreja fala de um fogo purificador: – No que concerne a certas faltas leves, deve-se crer que existe antes do juízo um fogo purificador, segundo o que afirma aquele que é a Verdade, dizendo que se alguém tiver pronunciado uma blasfêmia contra o Espírito Santo, não lhe será perdoada nem no presente nem no século futuro (Mt 12,31). Desta afirmação podemos deduzir que certas faltas podem ser perdoadas no século presente, ao passo que outras, no século futuro.

A Escritura usa a imagem do fogo para a purificação dos pecados (cf. Is 6,6-7) e 1 Cor 3,15 diz que o homem cuja casa é destruída pode ser salvo, mas através do fogo. Em Mt 12,32 Jesus afirma que quem pecar contra o Espírito não alcançará perdão nem neste tempo, nem no tempo que há de vir. Os católicos interpretam esta mensagem como a possibilidade de perdão de pecados num tempo futuro. Outra referência está em 2 Mac 12,46, que não é considerado canônico pelos protestantes, que menciona a oração expiatória pelos mortos. Como não podemos orar por quem já está no céu, ou no inferno, esta referência se liga à doutrina do purgatório. A oração pelos mortos é uma prática antiga da Igreja, retratada nos muros das antigas catacumbas cristãs onde eram realizadas as celebrações por causa da perseguição, e nos escritos dos primeiros pais da Igreja, como Tertuliano, no início do século 3.

Veja também  Pastores gregis - parte ii


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