“O Novo Testamento foi inteiramente escrito em grego; só o Evangelho de Mateus, conforme testemunho dos antigos teve uma primeira redação em aramaico, a qual, porém foi perdida sem que deixasse vestígios; no lugar dela temos uma tradução, ou melhor, uma redação grega” (Bíblia Sagrada, 1982, p.8).

O grego das Escrituras foi escrito por helenistas (judeus que falavam grego), mas o seu pensamento era formado segundo o original hebraico e sua mente estava voltada para a linguagem da versão da Septuaginta (LXX) das Escrituras judaicas. A língua grega é uma mistura de dialetos, cujos principais são o dórico e o jônico.

O dialeto dórico foi o primeiro; por sua antiguidade e influência, é áspero e de som extenso. Já o dialeto jônico, que foi o segundo quanto ao tempo, era notável pela doçura e suavidade, foi primeiramente utilizado na Ática e posteriormente na Ásia Menor.

Com a conquista da Grécia por Felipe da Macedônia, foram-se confundindo os dialetos e formou-se o helênico (“dialeto comum” ou “koiné”), cuja base era o Ático. Com as conquistas de Alexandre Magno e a fusão de diferentes povos, acabaram sendo produzidas mais modificações no dialeto: os idiomas macedônico e alexandrino tornaram-se então comum na Grécia, no Egito e no Oriente.

Em Alexandria, residiam muitos judeus e foi aí que foi preparada a versão dos LXX. Sendo judeus os escritores, o grego alexandrino que eles falavam foi modificado a ponto de compreender pensamentos e expressões idiomáticas hebraicas. É esta, a linguagem do Novo Testamento: helenística ou, mais propriamente, greco-hebraica, uma mistura de dialetos, modificados por judeus de Alexandria e da Palestina. Por isso que se encontram palavras e frases, vindos de diversas fontes, como do aramaico, do latim, do persa e do egípcio. Existem também palavras que em sua ortografia, forma, flexão e gênero são particulares a antigos dialetos que não se usou no helênico.

E por fim temos também palavras e expressões de sentido propriamente judaico e cristão. Podem se ver expressões aramaicas em S. Marcos (cf. Mac 14,36; 3,17), nos Atos dos Apóstolos (cf. At 1,19), em S. Mateus (cf. Mat 5,22); palavras latinas em S. Mateus (cf. 5,26; 10,29; 17,25; 18,28; 26,53; 27,27.65), S. Marcos (cf. Mac 15,39), S. Lucas (cf. Luc 19,20), S. João (cf. Joa 2,15), nos Atos dos Apóstolos (cf. At 19,12); frases latinas em S. Mateus (cf. Mat 12,14), S. Marcos (cf. Mac 15,15), S. Lucas (cf. Luc 12,58), nos Atos dos Apóstolos (cf. At 17,9); expressões pérsicas em S. Mateus (cf. Mat 2,1; 5,41; 27,32), S. Marcos (cf. Mac 15,21), S. Lucas (cf. Luc 23,43), nos Atos dos Apóstolos (cf. At 8,27); e expressões egípcias em S. Mateus (cf. Mat 27,50) e S. Lucas (cf. Luc 16,19).

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BIBLIOGRAFIA

– Parte integrante do opúsculo “A Formação da Bíblia ao longo dos Séculos e a importante participação da Igreja Católica neste processo”, de autoria de Leandro Martins de Jesus, 2005.
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– (Autor Desconhecido). “Como a Bíblia foi escrita”. ACI Digital, disponível em www.acidigital.com.br. Acesso em 16/06/2004.

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