A universidade é um dos muitos legados da Idade Média ainda mais ou menos presentes entre nós. A universidade medieval era um centro de saber, absoluta e completamente autônomo, regido por leis próprias, e totalmente orientado para o estudo.

Entre outras práticas típicas de tempos mais civilizados, poderíamos citar as “disputações”, quando os professores respondiam publicamente a quaisquer perguntas que lhes fossem feitas: “pegadinhas”, perguntas sérias, perguntas difíceis… As respostas de São Tomás de Aquino até hoje são tema de estudo de filósofos sérios, mas confesso que tenho dificuldade em imaginar algo semelhante ocorrendo numa universidade de hoje em dia.

A universidade, hoje, é em alguns campos um curso técnico; em outros – especialmente nas Ciências Humanas – é pura palhaçada travestida de ensino. Para piorar, a ideia absurda de que todos seriam intelectualmente capazes de cursar estudos superiores – tão sem sentido quanto a ideia de que todos seriam fisicamente capazes de ganhar uma maratona – arrastou o nível de grande parte dos cursos para níveis abismais.

Para ficar apenas na minha área, o ensino de Filosofia nas universidades brasileiras – especialmente na USP, este buraco negro acadêmico – é uma triste caricatura, consistindo basicamente de um longo discurso ideológico de esquerda aplicado a um curso incompleto de História da Filosofia, ignorando quase que completamente o período escolástico, que assentou as bases da nossa civilização, que fundou as ciências, que orienta o Direito etc.

A essa caricatura de ensino, vem juntar-se agora uma mais triste ainda caricatura de autonomia universitária, expressa nos protestos dos estudantes da USP contra a presença da polícia no interior do campus, atrapalhando-lhes o sagrado direito de estudar em primeira pessoa os efeitos da maconha sobre o sistema nervoso. A quem não o conhece, vale observar que o campus é maior que muitas cidades, com vastas áreas ermas, onde estupros já foram, antes da presença da PM, relativamente comuns.

O discurso ideológico que orienta o que passa por formação dos alunos de Ciências Humanas, paralisado nos anos 70, torna ainda mais farsesco o protesto, com acusações absurdas de “ditadura” e protestos contra a “tortura” de serem conduzidos à delegacia de ônibus. A invasão e depredação da Reitoria – por sua vez um cabide de empregos – são apenas a cereja do bolo.

Mais valeria fechar a FFLCH e ampliar o curso de Engenharia. Pelo menos ali alguém estuda alguma coisa.

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