Caros irmãos do Esplendor da Verdade

Dia 12 Jun 07, véspera do dia de Santo Antonio, fui assistir a Santa Missa com a Trezena do Santo, na Catedral da Cidade de Campo Grande, MS. No momento da Oração Eucarística após a Consagração, o Padre celebrante cedeu a parte para o Diácono recitar trechos da Oração Eucarística. É normal este procedimento no Missal Romano?
PAZ E BEM

Caríssimo sr. André,

 

Obrigado pela mensagem.

 

Repetindo o  que escrevi em outra resposta:

Realmente, a Oração Eucarística (ou Cânon) é própria do sacerdote, dado sua função eminentemente sacrifical. É no contexto da Oração Eucarística que se dá a Consagração, i.e., que o pão e o vinho se mudam em Corpo e Sangue de Nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo, tornando novamente presente, diante de nós, o Seu sacrifício, oferecido ao Pai de uma vez por todas, na Cruz do Calvário, pela nossa salvação. Tal é o centro da celebração eucarística, o ápice, sua parte essencial, sem a qual não há Missa. Ora, bem sabemos que quem oferece a Missa é o sacerdote, pois, pelo sacramento da Ordem, está de tal modo incorporado a Cristo, que age não só em Seu nome, mas em Sua divina e adorável Pessoa. O sacerdote é, pois, um outro Cristo e faz Suas vezes na renovação da Cruz que é a Santa Missa. O sacerdote, logo, é aquele que, por agir in Persona Christi, recita as palavras da Consagração e reza toda a Oração Eucarística que a contextualiza.

 

Além do mais, na Oração Eucarística estão explicitadas as preces pelas quais o sacrifício é oferecido: em ação de graças, em louvor, como impetração etc. Também se fazem as intercessões por todas as classes de pessoas, tornando clara a universalidade objetiva do sacrifício de Jesus (embora a Redenção subjetiva só venha aos eleitos, ou seja, àqueles que, por decisão pessoal em resposta à graça, vivam conforme a vontade de Deus), e demonstrando a catolicidade e a unidade da Igreja, fora da qual não há salvação.

 

As rubricas, e também a Instrução Geral do Missal Romano, são claras ao afirmar que só o sacerdote reza a Oração Eucarística, em suas variadas modalidades.
Ora, o diácono é ordenado para o serviço, não para o sacerdócio. Embora, pelo sacramento da Ordem, esteja, de modo especial, incorporado a Cristo, diferindo dos leigos não só em grau, mas em essência, essa incorporação não lhe dá o sacerdócio, conferido apenas pela ordenação presbiteral. O diácono é clérigo, porém não é sacerdote. Mesmo que recitasse a Oração Eucarística, mesmo que recitasse a própria Consagração, nenhum efeito se produziria. Não se trata de uma proibição apenas, e sim de uma conseqüência lógica da fé da Igreja: se a Missa é sacrifício, só o sacerdote pode oferecê-la, e o diácono, embora não seja leigo, tampouco é sacerdote.

 

O que esse padre fez, cedendo parte da Oração Eucarística a um não-sacerdote é um delito gravíssimo, e deve ser denunciado ao Bispo. Não resolvendo a situação, é o caso de ir à Santa Sé, como nos pede o Papa pela Redemptionis Sacramentum.

 

Mais ainda: há motivo para desconfiar da validade da Missa. Não digo licitude, pois evidentemente, tal Missa é ilicitamente oferecida, mas validade mesmo. Se o padre entregou a um diácono parte da Oração Eucarística pode ser que não entenda a Missa como sacrifício, não se veja como essencialmente diferente dos demais, havendo falta de intenção. Ora, a intenção de fazer o que a Igreja quer – ainda que sem fé no que a Igreja ensina – é elemento intrínseco para a validade do sacramento. Veja o senhor: não é apenas uma falta de fé na Missa como sacrifício – se a validade do sacramento dependesse da adesão dos padres à doutrina, não estaríamos seguros, e a Igreja já condenou o donatismo, explicando que, independentemente da fé ou dos costumes do ministro, o sacramento se realiza pela ação do Espírito Santo, presentes os elementos da validade -, não é, repito, uma falta de fé na Missa como sacrifício, mas uma falta de intenção de celebrar o que a Igreja deseja.

 

Evidentemente, a intenção está no interior, e não podemos julgar da mesma com absoluta certeza. Contudo, aspectos exteriores podem nos indicar o que se passa no interior de alguém, ou, ao menos, nos fazer desconfiar de algo.
 

Tenho sérias dúvidas quanto à validade da Missa em questão.
 
Em Cristo,

 

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