D. Estêvão Tavares Bettencourt, osb (+2008)

Elias foi realmente arrebatado aos céus?

– “O caso de Elias arrebatado num carro de fogo deve ser interpretado como fato histórico ou como símbolo ou figura literária?

Não há razão para se negar a historicidade do rapto de Elias. Não é o caráter maravilhoso das narrativas bíblicas que leva o exegeta a considerá-las símbolos ou figuras literárias. A seção de 4Reis 2,11s [=2Reis 2,11s] não fornece indício de pertencer ao gênero literário da parábola ou da novela; os seus traços são simples e dignos de Deus. De resto, sabemos que o Antigo Testamento narra outro caso semelhante ao de Elias (o rapto de Henoc, cf. Gênesis 5), enquanto a fé cristã ensina o arrebatamento do Salvador e de Maria Santíssima aos céus; assim como Deus quis fosse real a elevação corpórea de Jesus e de Maria na plenitude dos tempos, pode ter decretado no Antigo Testamento o arrebatamento real dos corpos de Henoc e Elias aos céus.

E porque, teria determinado fenômenos tão estranhos?

A fim de inculcar a dignidade da natureza humana, seu destino transcendente e a elevada conta em que o Criador tem até mesmo as suas criaturas corporais (é o que o Santo Padre lembra na Bula de definição da Assunção de Maria).

Será lícito, porém, admitir que, segundo a tendência dos orientais, o hagiógrafo se tenha servido de uma ou outra metáfora para ilustrar o rapto do profeta, que ardia de zelo à semelhança do fogo: colima, carro e cavalos de fogo poderiam indicar apenas a majestade luminosa da figura de Elias que subia aos céus. De resto, o fogo costuma caracterizar as manifestações de Deus no Antigo Testamento (cf. Êxodo 3,2; 24,17; Isaías 30,27; Ezequiel 1,4); ora parece que o episódio de Elias pode ser considerado uma espécie de teofania.

 

  • Fonte: Revista Pergunte e Responderemos nº 1:1957 – mar-abr/1957.

 


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