4. A INFALIBILIDADE E AUTORIDADE DA IGREJA NO CRISTIANISMO PRIMITIVO

Como último ponto, quero dar a conhecer o pensamento que os primeiros cristãos tinham sobre a Igreja, para constatar que é o mesmo que nós, católicos, temos ainda hoje. Não inventamos nada, simplesmente iremos expor a fé que um dia eles tiveram. Eis alguns poucos testemunhos:

  • “Existe um Deus e um Cristo, e uma Igreja, e uma cátedra edificada na Sé de Pedro pela palavra do Senhor. Não é possível estabelecer outro altar ou que haja outro sacerdócio além deste único altar e único sacerdócio. Quem reúne em outro lugar está espalhando” (São Cipriano Carta pastoral 43,40,5; ano 251).
  • “De minha parte, eu não creria no Evangelho se não fosse levado a isso pela autoridade da Igreja Católica” (Santo Agostinho, Contra a Epístola de Manes intitulada “O Fundamento” 4,5-6; ano 397).
  • “Porém, no que diz respeito àquelas observâncias que cuidadosamente atendemos e que todos guardam, as quais derivam não das Escrituras mas da Tradição, nos é dado a entender, seja pelos próprios Apóstolos, seja pelos Concílios plenários – cuja autoridade é bastante vital para a Igreja -, que elas são recomendadas e ordenadas para serem guardadas” (Santo Agostinho, Carta a Januário 54,1,1; ano 400).
  • “A Igreja Católica é obra da Divina Providência, realizada pelas profecias dos Profetas, pela encarnação e ensinamentos de Cristo, pelas viagens dos Apóstolos, pelo sofrimento, as cruzes, o sangue e a morte dos Mártires, pelas vidas admiráveis dos Santos. Então, quando vemos tanto auxílio da parte de Deus, tanto progresso e tanto fruto, vacilaremos em nos enterrar no seio dessa Igreja? Pois ela possui a coroa da autoridade que instrui, começando pela Sé Apostólica e descendo pela sucessão dos Bispos, e ainda na aberta confissão de toda a humanidade” (Santo Agostinho, Da Vantagem de Crer; ano 391).
  • “Sendo os nossos argumentos de tanto peso, não há por que ir buscar em outros a verdade que tão facilmente se encontra na Igreja, já que os Apóstolos depositaram nela (…) tudo o que pertence à Verdade, a fim de que todo aquele que quiser possa beber nela a bebida da vida. Esta é a entrada para a vida. Todos os demais são ladrões e salteadores. Por isso, é necessário evitá-los e, ao contrário, amar com todo afeto tudo o que pertente à Igreja e manter a Tradição da verdade. Então, se se encontra alguma divergência, ainda que mínima, não seria conveniente olhar para as igrejas mais antigas, nas quais viveram os Apóstolos, a fim de receber delas a doutrina para solucionar esse problema? O que é mais claro e seguro? Inclusive, se os Apóstolos não nos tivessem deixado seus escritos, não seria necessário [se fosse o caso] seguir a ordem da Tradição que eles legaram a aqueles a quem confiaram as igrejas?” (Santo Ireneu, Contra as Heresias 3,4,1, cf. Jurgens 213; ano 180).
  • “A esposa de Cristo não pode ser adúltera; ela é incorrupta e pura (…) Ela nos mantém em Deus. Ela nomeia para o Reino os filhos que dela nasceram. Quem está separado da Igreja e se encontra unido a uma adúltera, está separado das promessas da Igreja. Quem abandona a Igreja de Cristo não pode alcançar as recompensas de Cristo; é um estranho, um profano, um inimigo. Não pode ter a Deus por Pai quem não tem a Igreja por mãe. Se alguém que estava fora da arca de Noé podia escapar, então também pode escapar quem está fora da Igreja (…) Quem não é titular desta unidade não pode se manter na Lei de Deus, não tem a fé do Pai e do Filho, nem possui vida e salvação” (São Cipriano, Da Unidade da Igreja 5, cf. ANF 5,423; ano 256).
  • “Porém, a palavra do Senhor, que nos veio através do Sínodo Ecumênico de Niceia, permanece para sempre” (Santo Atanásio, Epístola aos Bispos da África 2, cf. NPNF2 4,489; ano 372).
  • “Deve-se confessar a fé apresentada por nossos Pais reunidos em Niceia; não se deve omitir qualquer uma das suas proposições, mas considerar que os 318 Pais, que se reuniram na paz, não falaram sem a ação do Espírito Santo; e não também para acrescentar a esse Credo a afirmação de que o Espírito Santo é uma criatura; nem que estão em comunhão com aqueles que isto o afirmam, para que a Igreja de Deus seja pura e sem contaminação de tal mal” (São Basílio, Epístola 114 a Ciríaco, cf. NPNF2 8,190; ano 372).
  • “Não é então cometimento de um crime contradizer, em seu próprio pensamento, tão tremendo Concílio Ecumênico? Não estão em transgressão quando se atrevem a enfrentar essa clara definição contra o Arianismo (…)?” (Santo Atanásio, Defesa da Definição de Niceia 2, cf. NPNF2 4,489; ano 351).
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